Ativistas Dos Direitos Do Amor.
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Depois de instalados, Tsuna foi ver se seus amigos estavam bem, se sua mãe estava cozinhando e se Reborn não estava por perto para atormentá-lo. Já que estava tudo em silêncio, decidiu se fechar em seu quarto e meditar.
Não, Tsuna não era adepto ferrenho da meditação budista ou tibetana, mas ele gostava desses momentos de reflexão, pra colocar as ideias no lugar, avaliar o que estava certo, errado, o que tinha conquistado, perdido, essas coisas simples.
Claro que como uma pessoa que tinha um dom ferrenho em acumular pessoas devotas e escandalosas, momentos de silêncio eram tão raros quanto ganhar na loteria, principalmente quando você divide a casa com Gokudera e Yamamoto. Mesmo sem querer, toda aquela devoção incomoda um pouco e quando não são eles, são os gritos do Ryohei e as explosões do Lambo e algumas eventuais ameaças de morte de Hibari. Enfim, eram momentos raros e dignos de muita apreciação.
O garoto, que já era um homem, refletiu e muito sobre a volta deles para Nanimori, sobre as reais acusações de testes em animais e como aquilo mexia com eles, como aquilo fazia com que realmente estivessem fazendo maldades. Não havia nenhuma ramificação que justificassem aqueles testes. Recentemente, uma empresa de cosméticos havia se juntado ao complexo, mas os testes foram feitos antes da incorporação, não deveria ser daquele jeito. Tsuna pensou, pensou e pensou mas não conseguiu achar nenhuma solução viável para aquele problema e como estava sentindo seus “guardiões” se aproximarem, pegou algumas fotos de Kyoko e espalhou pela cama para admirar.
Ninguém podia culpá-lo, ele gostava e muito da garota ruiva, mas nunca foi corajoso o suficiente pra se aproximar. Só que em uma das lições de Reborn, ele aprendeu como fotografar e como espionar e essa foi uma das lições que mais apreciou. Com isso, ele conseguia fotografar sem ser visto e foi quando começou seu hobby pouco convencional. Tirou a primeira foto de Kyoko quando ela tinha ido patinar no parque e só parou quando ele foi para a Itália. Ponderou se podia vir pra Nanimori uma vez ou outra pra tirar uma foto no parque ou em uma cafeteria, mas depois que se viu como herdeiro Vongola, dias solitários eram coisa do passado.
Cada uma das fotos de Kyoko representava uma fase na vida de Tsuna, mesmo que eles não estivessem unidos, mas o cenário, as roupas dela, a expressão, tudo condizia com a fase que ele estava no momento, tanto que a última foto que tirou dela, foi da mesma chorando, olhando para o céu em um parque. Ela parecia dizer alguma coisa, talvez triste pelo fato do irmão dela ir embora, mas sempre dava certo. Toda a vez que a fotografava, o rosto dela refletia exatamente o estado de espírito dele.
Aquilo era no mínimo uma doença grave, Sawada ponderou, mas não podia evitar. Kyoko era algo que o mantinha vivo, uma representação do que poderia ser, uma esperança de um mundo além daquelas corporações, uma inocência perdida, ou ainda um devaneio. Tsuna não ousava chamar de amor, se fosse amor, ele teria lutado por ela, tentado levá-la consigo, mas não foi assim que aconteceu. Ele se resignou, assustado pela reputação de ídolo da escola, mesmo quando ela parecia mais acessível, sempre sorridente, achava que aquilo era uma ilusão criada por sua vontade de estar com ela. Sempre um idiota.
Sem falar dos sonhos, um mais real do que o outro. Ele sonhava com Kyoko de todas as formas, desde sonhos doces até sonhos mais picantes e sempre acordava envergonhado, só que tinha a intuição muito forte que pelo menos algum desses sonhos se tornaria realidade, não importava se fosse aquele onde tomava o café com ela ou ainda o outro onde acordava em seus braços depois de uma noite tórrida.
Ouviu o barulho da porta, seguido de alguns gritos de “cabeça de grama” e “cabeça de polvo.” Agradeceu internamente por todas aquelas portas terem chaves e por ter trancado dessa vez. As batidas ficaram cada vez mais intensas enquanto o chefe Vongola guardava seu tesouro em uma caixa e colocava rapidamente no guarda-roupa. Depois de tudo guardado, abriu a porta e Gokudera e Ryohei entravam como se fossem derrubar tudo.
“Seu cabeça de grama, olha só a merda que você fez! Como pode fazer uma coisa dessas? Pensar em fazer uma coisa dessas? Seu descarado. Você não respeita o Décimo? Tinha que ter perguntado pra ele.” Gokudera esbravejou.
“E você acha que eu estou tentando extremamente fazer o quê? Cabeça de polvo? Cala essa boca e deixa eu falar com o Sawada.”
“Quem é você pra achar que pode me pedir pra calar a boca, seu extremamente idiota?”
“Sou o cara que vai pedir pro Sawada namorar a irmã dele, cala essa boca e deixa eu falar” Ryohei pediu.
Tsuna não estava bem certo do que tinha ouvido. Na verdade, ele estava totalmente embasbacado. Como assim pedir pra namorar a Kyoko? Como aquela bagunça estava indo além do aceitável, ele gritou e os dois se calaram.
“Onii-san, o que queria me dizer?” Tsuna perguntou calmamente.
“Décimo esse idiota...” Gokudera foi se adiantando
“Gokudera-kun, eu perguntei para o Onii-san. Deixa ele falar, pode ser?” Tsuna falou.
Como Tsuna nunca tinha falado desse jeito, Gokudera se assustou e se calou.
“Bom Sawada, eu não podia pedir isso pra mais ninguém você entende? Eu sei que você vai falar que não, mas é que você é o cara mais decente que eu conheço, sem falar que você não é apaixonado por ninguém que a gente saiba.”
“Como assim Onii-san? O que exatamente você quer me pedir e como eu sou o único que não é apaixonado por ninguém?
“Oras Sawada, quero pedir pra que você tente extremamente namorar a Kyoko, pra trazer ela aqui pra dentro da mansão!!!!!!!!!!!”
“Onii-san, não é mais fácil pedir pra ela vir jantar aqui ou alguma coisa parecida? Sem falar que eu não entendi como eu não sou o apaixonado por ninguém. E os outros?”
“Sawada, você nunca demonstrou interesse por uma garota, nem aqui e nem na Itália, como nunca demonstrou interesse por garotos também, não dá pra dizer que você é gay, coisa que a gente não ia mesmo se importar. Gokudera, larga meu pescoço, seu idiota.”
“Gokudera-kun, solta o onii-san!” Tsuna falou cansado. “Continue onii-san.”
“Bom, de todos, você é quem demonstra menos interesse por outra pessoa, entende? A não ser a pessoa que você ia fotografar, que por sinal você nunca nos disse quem era.” E nesse momento, Tsuna engasgou muito.
“Seu idiota, olha o que você fez com o Décimo! Seu imbecil e como assim essa estória de paixão. Eu não sou apaixonado por ninguém!!”
Ryohei explodiu de tanto rir, babando e com os olhos lacrimejados. “ VOCÊ CABEÇA DE POLVO, NÃO É APAIXONADO? SE VOCÊ NÃO É, NINGUÉM MAIS É! Você vem pra Nanimori quase todo o mês pra tentar ver a Haru na Universidade! Sabe onde faz a academia e tudo o mais. Sabe até quando ela está doente. Se isso não é paixão, amor, sei lá o que é!! Você podia parar de ser essa besta e voltar com ela, ou tentar e não usar a palavra “idiota” nos encontros. Seria bem melhor.”
Gokudera não aguentou aquilo e mandou um soco no queixo de Ryohei e antes que ele revidasse, Tsuna entrou na frente e acabou com aquela balbúrdia. Como Gokudera estava mais do que furioso, saiu correndo e deixou os dois sozinhos.
“Então onii-san, quem mais é apaixonado aqui nessa casa?”
“Bom, o Reborn gosta e muito da Luce ainda, o Yamamoto tem uma queda brutal pela irmã do cabeça de polvo e o Hibari não se decide entre o Dino e a menina Chrome.” Ryohei falou.
Tsuna ficou em choque, como que não tinha percebido nada daquilo? Claro que a paixão de Gokudera pela Haru era notória e quiçá eterna, mas as outras, ele não tinha nem notado. Claro que não tinha como não ver a cara de bobo que Yamamoto fazia toda a vez que Bianchi entrava em algum recinto, mas isso era com todo mundo. Agora que falou, Hibari sempre estava com Dino e com Chrome, mesmo ele não gostando de ficar muito perto de pessoas, né? Tudo começava a fazer sentido e ele se sentia mais idiota ainda.
“Ah, onii-san. Eu topo! Vou tentar namorar a Kyoko-chan. Tudo pelo seu bem.” Tsuna falou com um cinismo que realmente não combinava com ele.
“EU ESTOU EXTREMENTE AGRADECIDO SAWADA!!!!!!!!” Ryohei falou. E com isso saiu correndo e deixou Tsuna sozinho com seus pensamentos.
“Claro, porque a coisa mais fácil do universo é conquistar a garota dos meus sonhos, não? O que eu vou fazer?” Aproveitou que ficou sozinho e começou a retirar as fotos da caixa, pra inspirar o que faria.
Enquanto Tsuna tentava meditar, Gokudera tinha ido para a sala de lutas que já estava propriamente preparada e começou a socar um saco de boxe que estava ali parado.
“Maldito cabeça de grama, como que ele ousa falar daquela mulher idiota? Como ele ousa incomodar o décimo com aquela coisa de namorar a irmã tosca dele? E aquela irmã que estava com aquela mulher idiota? Será que todas as mulheres idiotas são amigas? Será que é uma convenção de mulheres idiotas em Nanimori? E a minha irmã que eu achava que não era tão idiota assim indo morar com ela?? Ela foi morar com a idiota!!! O que ela tem na cabeça?!!!”
Socou mais um tempo e começou a reclamar.
“Só tem mulheres idiotas nessa cidade. Eu não sei porque tivemos que voltar pra cá. E quem será que era no telefone com a idiota? Devia ser importante porque ela nem se importou com a minha presença, nem ligou que eu estava ali. Será que ela já tem outra pessoa? Será que ela me superou? Não é justo!!! Eu que tinha que ter superado primeiro. Não está certo, eu terminei com ela e a cretina tem a ousadia de não gostar mais de mim? Eu ainda...eu ainda acho ela idiota! Pronto. Nada dessas coisas de estar apaixonado que nem aquele cabeça de grama fala. É tudo falta do que fazer, essas viagens pra Nanimori pra tentar vê-la é tudo falta do que fazer.”
Só que ele não tinha mais nenhuma vontade de voltar pra Itália. E enquanto ele socava aquele saco de boxe miseravelmente, começava a pensar por que tinha terminado com Haru, porque preferiu a Itália a ela e porque continuava voltando pra Nanimori. Gokudera tinha tantas milhas que suas últimas viagens foram de graça e a vinda dos Vongola foi gratuita também. Ninguém sabia disso, a não ser ele e..
“Reborn-san???”
“Gokudera, até quando vai torturar esse pobre saco de boxe por causa de sua idiotice? Não vai fazer nada pra reconquistar a Haru?”
“Reborn-san, como pode pensar que eu quero voltar com aquela idiota?”
“Ah, por causa de tudo que a gente vê aqui, por causa das milhas aéreas, essas coisinhas.”
“Reborn-san, não é bem assim, sabe?”
“Temos um plano que é o X-Burner Happiness Vongola e você vai participar.”
“ E o que tem que fazer?”
“Tentar voltar com a Haru.”
Gokudera engasgou, mas conseguiu perguntar quais seriam os papéis dos outros.
“Isso não te interessa. Para de ser esse garotinho mimado e dê um jeito de reconquistá-la, sem usar a palavra idiota de preferência. E saiu.
Gokudera deu um soco tão forte no saco de boxe, que o mesmo voltou e bateu no rosto dele, o deixando desacordado.
E no apartamento das meninas, Kyoko e Haru são acometidas por uma crise brutal de espirros, logo antes de saírem para a reunião.
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