Notas iniciais
Tem MUITA gente lendo sem dar as caras (impactada estou haha) Tomei um susto com o número de acesso nos capítulos. Mira e Crane farão greve se os anônimos não se manifestarem P.S- Obrigada às lindas que têm comentado e opinado ❤ Crane dará um pulinho na casa de vocês para entregar uma coisinha como agradecimento :D haha

Na quinta-feira ao final do dia estava acabada após ter educação física por noventa minutos. Eva e Laura já estavam em casa há duas horas porque optaram pelo bloco de educação física da terça-feira de manhã, coisa que eu jamais seria capaz. Sair da cama diretamente para uma aula de educação física é impensável para mim. Minha energia funciona de forma gradativa e pela manhã se resume a me manter parcialmente desperta e caminhando. E com a jogada de horários que escolhi para esse ano eu teria sempre as sextas-feiras à tarde livres se cumprisse com todas aulas.

Professor Hanzel pediu que eu arrumasse os materiais usados na aula de futebol, cones, saco cheio de bolas, coletes coloridos e cronômetro. Não era assim tanta coisa, mas estava levando uma de cada vez. E só fui escolhida porque fui a que ficou estirada no chão por mais tempo.

Me despedi da última das garotas quando ela passou por mim já de roupa trocada e mochila nas costas.

— Mira.

Gritei, girando sobre os calcanhares na direção da voz vinda do breu debaixo das arquibancadas

— Calma! Sou eu. — puxou o capuz do moletom, descobrindo seu rosto.

— Greg? O que está fazendo aqui?

Ele acendeu o cigarro, riscando um fósforo na lateral da caixinha.

— Entreguei meu isqueiro à Laura como prova de que desta vez seria para valer, eu deixaria de fumar. — explicou, fechando os olhos ao dar a primeira tragada.

— É, pelo que já vi não é tão fácil assim, mas também não é impossível. Tenho que ir se não quiser sair daqui quando os alunos da noite estiverem chegando.

— Quer ajuda com isso? — apontou o saco carregado com bolas de futebol que eu arrastava atrás de mim.

— Ah, não está assim tão pesado.

— Não custa nada. Eu preciso ir para a aula de História e o caminho é o mesmo.

Deu uma última tragada no cigarro queimando-o praticamente por completo. Depois apagou-o contra a estrutura metálica das arquibancadas e escondeu no bolso. O saco de fato não parecia assim tão pesado, mas a forma como Greg o atirou com facilidade sobre um dos ombros me fez sentir uma molengona e até ponderar ir para a academia. No curto caminho ele me contou que iria levar Laura ao restaurante perto da estrada que tinha a decoração perfeita dos anos 50 e o melhor e também mais caro milkshake. Por uma fração de segundos tive inveja do namoro de oito anos dos dois. Com certeza devem ter tido de passar por muito para conseguirem se aturar por tanto tempo. Eu nunca estive disposta a sacrificar ou aturar nada. Acho que por isso acabei namorando meu melhor amigo, pela conveniência de já o conhecer e saber que ele me toleraria pelo que eu sou tal como eu o tolerava.

Greg já estava me passando o saco feito de rede quando Crane nos surpreendeu. Bom, pelo menos eu estou surpresa de vê-lo.

— Valeu, Greg.— agradeci — E deveria ser sincero. Ela te ama mais que tudo, vai compreender.

Ele sorriu assentindo em silêncio como se tivesse se lembrado de algo muito bom.

— O que está fazendo aqui? Não sabia que há literatura às quintas-feiras à tarde.

Abri a porta do armário onde teria que guardar o saco com a ajuda da chave mestra que o professor costuma entregar ao aluno responsável por arrumar tudo.

— Eu sei que está chateada e por isso me evitou nestes últimos três dias.

E imagino que tenha sido pela detenção.

— É com muita satisfação que te digo que você está certo. — fechei a porta, trancando-a e encarando-o — Eu até não estava mais tão incomodada quando saí da sua sala naquela manhã, mas durante a noite quando me deitei para dormir e refleti no dia que eu tinha acabado de ter, eu fiquei muito mais chateada do que no princípio.

— Ok. Eu fiz merda, está bem? — descaiu os ombros se mostrando derrotado.

— Não está bem não. Você deliberadamente me trancafiou na detenção porque discorda de uma escolha que eu fiz no dia anterior quando eu nem sequer podia prever o que ia acontecer entre a gente. Você me castigou por eu ter feito algo que você não gostou. — seus olhos azuis estão atônitos, mas ele não me interrompe e eu prossigo, botando para fora tudo que acumulei nestes três dias — E você teria ficado incrivelmente satisfeito porquê tudo teria saído conforme planejou se Lukas não tivesse aparecido. O que desafiou seu lado macho alfa. — o timbre na minha voz subia tendenciosamente a medida que eu ia visitando todas as emoções que cada uma destas conclusões havia me causado — É por isso que estou chateada. — fui obrigada a cerrar quase por completo os lábios a fim de conter o volume da minha voz — Porque você não se sentiu mal pelo que me fez e sim por você mesmo.

— Eu vim te dar uma explicação, mas você já chegou lá sozinha. — parecia perplexo e isso só contribuiu para que a minha fúria crescesse.

— Achou que eu não teria capacidade intelectual para chegar lá? — cruzei os braços, cínica.

— Não. — se apressou em negar — Mira, é claro que não. Você me decifrou e foi precisamente no ponto da questão. Isso nunca aconteceu antes. — riu expondo o quão absurda toda a situação lhe parecia — Aliás, nada disso aqui aconteceu antes.

— Vai me dizer que nunca foi ciumento ou possessivo antes? — debochei.

— Não, nunca. Meus relacionamentos eram casos de uma única noite ou transas casuais e nunca me interessou minimamente o que elas faziam quando não estavam comigo. — o descaso na sua voz é tanto que me peguei querendo defender o caso destas mulheres.

— Eu não posso ser a primeira a te desequilibrar do seu pódio de deus grego.

— E por que não?

Ele sequer põe em causa o fato de eu considera-lo um deus grego, afinal sem dúvida cada mulher que passou pela sua vida deve ter deixado bem claro o quão divino ele é.

— Por que logo eu entre tantas outras?

— Você já fazia sentido para mim antes e agora muito mais.

Percebo quando ele começa a se aproximar, mas não tenho vontade alguma de o parar. O máximo que faço é dar um passo para trás até ficar limitada pela porta do armário. Está escurecendo e a forma como a pouca luz do dia invade as vidraças da quadra trabalha a favor de Crane. Seus olhos azuis parecem faróis e toda sua postura é predatória, como se eu fosse uma presa encurralada. Espalmando uma das mãos contra a madeira da porta às minhas costas ele se inclina. A esta altura já não sei se ele realmente tem noção do quão tentador está sendo porque quando volta a falar sua voz e o olhar estão diferentes.

— Só preciso que me dê um tempo para saber como viver com isso. Vou dar um jeito.

— Não me coloque em situações atura ou surta porquê provavelmente vou surtar e cair fora. — é precisamente o que fiz com Lukas, ignorando anos de uma linda amizade.

— Vou fazer de tudo para que fique. Você não sai da minha cabeça. — foi como presenciar rachaduras se abrindo numa muralha ver a expressão no seu rosto ao dizer aquilo.

Minha armadura emocional começava a se desfazer e eu só queria abraça-lo e dizer que iria ficar tudo bem quando quem tinha sido manipulada fui eu e não ele.

Senti um frio na barriga quando sua mão livre deslizou pela minha cintura. Deus! Crane deveria ser proibido. Eu acredito seriamente que onde quer que ele vá e independente dos padrões de beleza do local ele seria coroado. É que mesmo que ele não tivesse uma estrutura óssea parecendo ter sido esculpida por anjos, ele teria o corpo másculo e músculos bem trabalhados. E se ele não tivesse nem a beleza e nem o corpo ele ainda teria o charme e o sex appeal. Pelo menos, eu acho que isso que emana dele como um energia, um imã me enlaçando e arrastando para perto, deve ser o que todos definem como sex appeal. Ele se daria bem de qualquer forma. E tendo todas estas características juntas ele pode ter o mundo se quiser, mas está aqui em uma quadra escura, com uma garota problemática que havia passado os dias a seguir ao melhor beijo da sua vida fugindo dele.

Nesta iluminação esdrúxula seus cabelos ondulados e negros parecem ainda mais lustrosos e sedosos. Eu ainda teria de admira-lo assim de perto um zilhão de vezes até poder estar conformada com sua beleza.

Sua mão está repousando no fundo das minhas costas e me arrepiando mesmo ao estar parada. Me dei conta de que ele não iria me conduzir para si ou tomar uma atitude provavelmente pela conversa que tínhamos tido há instantes. Se eu o quiser ele está bem aqui, mas se não quisesse aquilo para ele já estaria bom.

— Não estou com muita moral, mas pode me dar um beijo pelo menos?

Fiz que sim com a cabeça. Um tanto ofegante pelo calor que corre do seu corpo para o meu. Ele se inclinou um pouco mais e nossas bocas se encostaram. A pressão firme e a maciez dos seus lábios me fazem soltar um suspiro. Aproveitando a brecha sua língua entra na minha boca roçando contra a minha em um beijo habilidoso e confiante. Minhas mãos foram logo para seus cabelos sedosos, incentivando-o a aprofundar o beijo que mal nossos corpos se tocaram se tornou mais agressivo. Sua língua deslizava de forma bastante lasciva, me deixando louca. Num ápice meu corpo estava queimando e eu o beijava com urgência. Sua mão que estava espalmada na parede prezando por um certo controle percorreu as laterais do meu corpo, levantando minha perna e trazendo-a de encontro ao seu quadril, a mesma mão indo da minha coxa para minha bunda em uma carícia possessiva.

— Meu Deus, Mira. — gemeu, seus olhos acompanhando as próprias mãos por onde elas passavam com luxúria.

Aquele som gutural fez com que um arrepio percorresse todo meu corpo, contraindo deliciosamente os músculos do meu ventre.

— Por que está parando? — resmunguei.

Ele sorriu contra minha boca, dando um beijo rápido em seguida.

— Porque já estamos entrando no horário noturno e você tem que ir para casa.

— Eu não quero ir.

Fui girada com tamanha agilidade que mal me dei conta. Estou com o rosto e as mãos pressionados na porta de madeira. Crane se inclina, grudando o corpo no meu e me puxando para si. Esfrego minha bunda deliberadamente entre suas pernas aparentemente apanhando-o de surpresa.

— Ai, caralho! — suas mãos seguram firme meus quadris, acompanhando meus movimentos e me puxando mais para si. — Tem noção do quão gostosa você é? — suas mãos sobem para a minha barriga, por baixo da sweater, me arrepiando.

Mordo o lábio com força para conter o gemido quando sinto a ereção dele.

Uma porta bateu e a borracha de tênis em fricção com o chão da quadra foi se propagando. Crane me pôs direita, minhas costas contra seu peito.

— Ainda está sentindo muita dor? — perguntou, se abaixando e movendo no meu tornozelo com cuidado.

Levei um segundo para perceber que tinha alguém atrás dele. Estampei a minha melhor poker face ao ver o professor Hanzel com uma mochila nas costas, blusão de motoqueiro vestido e um capacete nas mãos.

— Não muita. Está voltando ao normal. — respondi.

— Está lesionada, Mira? — a inquisição foi para mim, mas os olhos inocentes do professor de educação física estavam na minha perna que Crane segura.

— Foi só uma câimbra. — o moreno aos meus pés esclareceu.

— Você parecia muito cansada realmente no final da aula. Para a próxima vou pegar mais leve com você. — ele parecia estar se sentindo culpado e eu tive pena.

— Não foi nada. Eu só preciso pegar o ritmo outra vez.

— Precisa de carona para casa? — propôs.

— Não. — a voz de Crane se sobrepôs à minha — Ela está bem. Eu levo-a para cima.

— Tudo bem então. Coloque gelo nisso e nada de movimentação para a senhorita esta noite. — aconselhou já subindo as escadas para fora da quadra.

Crane se levantou, dando um puxão firme na bainha da sua camisa. Ainda estava com a respiração um tanto descompassada. Mordi o lábio.

— Não senhora. — articulou, sério, mas em um tom divertido.

Ele saber o que eu queria sem eu ter de abrir a boca só o tornou mais sensual aos meus olhos.

— Vá buscar suas coisas que te levo para casa.

— Isso é seu lado gentil ou possessivo?

— 50/50.

— Acho que consigo conviver com isso.

Mal lhe dei as costas para entrar no vestuário recebi uma palmada na bunda.