At the Mills office
3 Uma partida de xadrez e um telefonema
Notas iniciais
—Vocês tem cerveja ai? —Ela sorriu, encarando a expressão seria e inflexível do homem a sua frente. —É uma brincadeira, e é sua vez. —Emma voltara às mãos algemadas para cima de suas coxas, deixando que seu corpo se afundasse mais na cadeira de madeira onde estava sentada.
—Emma Swan. —A voz ríspida e rouca chamara em alto e bom tom, tendo a atenção de todos daquele andar do departamento de policia de Londres.
—Infelizmente, presente. —Ela levantara as mãos algemadas, sem se mexer um milímetro da cadeira.
—Seu telefonema garantido, venha antes que eu me arrependa. —O homem já a conhecia, a loira já havia pisado naquele departamento tantas vezes que chegava a ser engraçado se não fosse trágico.
—Eu tenho memória fotográfica. —Ela alertara o homem com quem jogava xadrez. —Sei exatamente onde estão todas as peças, se você mexer em alguma, juro que arranho seu carro. —O policial a olhara sério. —É só brincadeira, mas é sério, não mexa nas peças! —Ela arqueara a sobrancelha, andando para perto do outro homem que a havia chamado. —Sabe que você está tirando uma jovem da educação que ela tem direito, não sabe?
—Sei sim, Swan. —Ele sorrira, negando com a cabeça enquanto a acompanhava.
—Pode tirar as algemas? —Ela o olhara assim que chegaram próximos ao telefone. —Por favor, você sabe que machuca! —O homem então olhara para o lado, respirando profundamente, voltando o olhar para a loira, retirando as algemas de seu pulso. —Você é um bom homem!
Os olhos verdes encararam os números em prata no teclado em preto do telefone. Sua mente viajara por um minuto, sempre ligava para Ruby, mas não sabia se a mesma viria ao seu resgate dessa vez, já havia perdido as contas de quantas vezes a amiga havia pagado sua fiança ou implorado para que o policial soltasse Emma quando ela se metia em alguma enrascada. Por fim, acabara digitando o número de Ruby Lucas, esperando que a mesma atendesse e viesse lhe buscar.
—Ruby? —Emma falara impaciente. —Estou na delegacia!
—De novo? Emma! —A morena a repreendera.
—Sim, estou aqui de novo, não sabe que aqui é minha segunda casa? —Fora a vez de o policial rir, pois não acreditava na empáfia da loira ao telefone. —Pode vir me buscar?
—Emma, é impossível que vá te buscar... Estou em aula! Sai da sala para lhe atender, pois todos estavam me olhando feio, meu celular não parava de fazer barulho.
—Se você o atendesse rápido... Evitaria esse tipo de coisa. —Swan encostara a cabeça ao telefone, fechando os olhos enquanto respirava fundo. —Ruby, por favor, eu sei que pisei na bola inúmeras vezes, mas tenho a apresentação de um trabalho hoje.
—Emma, eu sinto muito, mas não tem como eu te buscar. —A morena suspirara. —Preciso desligar! Espero que fique tudo bem.
—Ruby, não, Ruby... —O telefone ficara mudo. —Frank, meu querido. —Ela dera ao homem seu melhor sorriso. —Precisamos negociar!
—Não tem o que negociar, você deu seu telefonema, Ruby foi inteligente dessa vez e não veio te buscar, fim da estória! —Ele a olhara com um meio sorriso, se divertindo com o sofrimento da mulher.
—Frank, por favor, eu tenho um trabalho, meu semestre inteiro depende disso, só mais um telefonema? Por favorzinho? —Ele a olhara, revirando os olhos, sabia que aquilo iria continuar enquanto ele não dissesse “sim”.
—Tudo bem, Emma, mas ande logo. —Ela sorrira, se voltando para o telefone.
Um milhão de oportunidades vieram a sua mente, mas nenhuma que fosse boa o suficiente ou que fosse aguentar toda a burocracia que a policia tinha para liberar alguém. Enquanto Emma voltava o telefone ao gancho, sua mão livre descera até o bolso traseiro de sua calça jeans, como mania que tinha sempre que estava estressada. Os dedos se movimentaram e ela então percebeu um papel ali dentro, tirando o mesmo, trazendo-o para frente, onde seus olhos o pudessem ler. Era o cartão de Regina Mills, a advogada da outra noite. Ela sorrira.
—Frank, você está prestes a conversar com uma advogada que vai te fazer refletir sobre sua escolha de ter se casado com Susan, não que Susan não seja maravilhosa, ela é, mas Regina... Regina é... Eu nem sei como eu posso começar a explicar Regina Mills. —Ela voltara seus dedos ao teclado do telefone, digitando os números indicados no cartão. —Você verá só, Frank, eu... Regina? —A mulher do outro lado da linha não reconhecia a voz.
—Sim, Regina Mills. —A morena arqueara a sobrancelha enquanto andava de um lado para o outro em seu escritório com alguns papeis importantes em mãos.
—Sou eu, Emma, Emma Swan. —A loira sorrira, era bom escutar aquela voz maravilhosa que Regina possuía.
—Emma? —Os olhos castanhos permaneciam fixados ao papeis em suas mãos.
—Miss Swan... Nos conhecemos ontem no parque. —Frank sorrira, a vida de Emma Swan era de fato inacreditável. —Você disse que eu poderia lhe ligar caso tivesse problemas... Estou com problemas!
—Miss Swan... —Ela sorrira sem perceber, parando o ritmo insano de seu começo da manhã para se apoiar a mesa de madeira próxima a si. —O que houve?
—Um policial idiota resolveu me prender por desacato a autoridade, quando eu poderia apenas receber uma multa de trânsito! —Ela falara com certa irritação.
—E você, é claro, não fez nada para merecer tal prisão, não é mesmo? —Ela dera uma risada um tanto sarcástica ao final da frase, enquanto pegava sua bolsa e chaves. —Onde você está, Miss Swan?
—Policia Metropolitana de Londres, na Richmond Terrace... Regina? —A loira mordera o lábio inferior, sorrindo. —Obrigada!
—Tente não se meter em mais nenhum problema até que eu chegue ai, tudo bem? —A ligação fora encerrada.
—Ela vai vir me buscar, Frank, enquanto isso, prepare-se, ela é muito bonita! —Emma oferecera ambos os pulsos ao policial, ao passo que o mesmo a algemou em seguida, a acompanhando de volta ao seu acento. —E ai, não mexeu em nada né? —O homem a olhara, negando com a cabeça. —Jeff, o que já conversamos? Você precisa se expressar através das palavras! É muito importante.
—Emma, corte a parte da psicologia, você nem mesmo faz esse curso. —Jeff a cortara, fazendo o primeiro movimento do jogo que voltara a se iniciar, mexendo uma de suas torres.
—Não precisa ser assim tão ríspido você machuca meu coração... —Ela sorrira, mexendo seu bispo em direção à torre que Jeff havia movimentando, derrubando a mesma. —...Mas não tanto quanto eu o machuquei agora...
Enquanto o jogo continuava acirrado entre os dois, Regina Mills fazia seu caminho até a delegacia enquanto resolvia assuntos pendentes em sua própria cabeça. Havia o jantar na casa dos Rance naquela semana que mal havia se iniciado, havia também o recital de Agnes e a partida de basquete de Henry, ela também precisaria ir até a casa de seus pais para planejar o aniversário Isabella, sua irmã mais nova. Sem contar toda a agenda extremamente conturbada em seu trabalho, havia algumas visitas ao tribunal, e um caso cujo veredito sairia também naquele dia. A morena virara a rua, estacionando o Maserati Ghibli cinza na porta da delegacia. Colocara os pés no asfalto, recebendo olhares de algumas pessoas que estavam na rua, ao passo que dera um meio sorriso, estava acostumada a ter aquele tipo de atenção. Fechara a porta do carro, o travando em seguida enquanto fazia seu caminho para dentro da delegacia. Mills estava saindo do elevador quando ouvira a voz estridente gritar “Xeque Mate”. Ela arqueara a sobrancelha, olhando para o lado de onde a voz tinha vindo, sorrindo em seguida ao ver Emma Swan de costas em pé com as mãos algemadas levantadas. Aquilo era bom demais para ser verdade.
—Posso ajuda-la? —Uma mulher trajada com seu uniforme sorrira docemente para Regina.
—Regina Mills, sou advogada daquele ser humano ali. —Ela apontara para Emma.
—Emma... Bom, se precisar de alguma coisa, me chamo Veronica. —A mulher sorrira, saindo em seguida.
Os saltos de Regina ecoavam pela delegacia, enquanto a saia lápis negra que usava abraçava suas pernas torneadas de uma maneira graciosa. Ela jogara o cabelo enquanto andava até Swan, recebendo olhares por todos daquele departamento, ninguém consiguia tirar os olhos da mulher que mais parecia desfilar em seu mundo particular.
—Emma. —Regina estava parada atrás dela, o que fizera com que a loira levasse um susto, se virando com as mãos sobre seu peito.
—Meu Deus, mulher... Está querendo me matar antes que eu tenho a chance de te levar para jantar? —Mills a olhara, negando com a cabeça.
—Vou resolver a sua vida, enquanto isso peça para alguém retirar essas algemas de seus pulsos, tenho certeza de que elas estão machucando, e Emma... —A loira a olhara com um sorriso sacana. —...Se comporte!
—Sim senhora! —Ela então olhara Regina dos pés a cabeça. —Sim senhora! —E então a morena dera meia volta, indo até a sala do comandante daquela unidade, recebendo os olhares indecentes de Emma que mais pareciam queimar sua pele. —Jeff, essa é a mulher com que me casarei e terei... —Swan fizera sua melhor cara de pensativa. —Uns trinta filhos e três cachorros.
—Nos seus sonhos, Swan, nos seus sonhos! —O homem se levantara, retirando as algemas dos punhos de Emma pela segunda vez naquele dia. —Tente não voltar aqui hoje mais tarde, ou amanhã... Não aguento mais ver sua cara.
—Você me ama, Jeff, mande lembranças a Evie, e cuide bem dela, sua esposa é maravilhosa demais para você, seu bobão! —Jeff sorrira, voltando a se sentar em sua habitual cadeira.
Era possível ver Regina pelo vidro da janela da sala do comandante, a mesma mantinha a postura imponente de uma rainha enquanto falava, o que para Emma, mais parecia um discurso, e um discurso dos bons, pois o homem não a interrompera em nenhum momento. Por fim, Mills saira da sala acompanhada pelo comandante, que lhe sorria vez por outra. Ambos andaram até Emma, parando ao lado da mesma.
—Parece que você arrumou uma das boas dessa vez, Swan... Mas não se acostume! Está liberada. —O homem suspirara.
—Sério? —Ela sorrira, olhando para Regina. —Ei Marlow... —O homem a olhara com a expressão cansada, sabia que lá vinha mais alguma coisa. —...Alguém aqui pode me dar uma carona? Meu carro está um tanto longe daqui!
—Miss Swan! —Regina a olhara como se não acreditasse no que ela havia acabado de dizer. —Comandante Watson, tenha um bom dia e obrigada por sua incrível paciência! —E então ela segurara de maneira firme no braço de Emma, a arrastando para o elevador em seguida. —Você é inacreditável!
—E você é linda! —Regina a olhara revirando os olhos. —Vai, continua! Agora é a sua vez de dizer algo sobre mim! —Emma sorrira, se encostando ao espelho do elevador que agora descia.
—Você é uma idiota! —Mills imediatamente levantara o dedo. —E nem pense em continuar! Isso não é um jogo.
—Ok, nossa... Advogados são sempre assim... Esquentados, fique calma! —Os olhos castanhos se reviravam mais uma vez naquela manhã. —Ei, eu estava tentando conseguir uma carona, e você me atrapalhou!
—Eu vou te levar até seu carro, Miss Swan, e não se acostume, essa é a primeira e a ultima vez que farei isso pela senhorita, afinal, não estou sendo paga por nada disso. —A porta se abrira, e então a morena saira primeiro, caminhando enquanto arrumava seu terninho azul marinho bem ajustado sobre a blusa branca de pano fino.
—Primeiro, você já deve ganhar mais do... Não sei, o presidente, e outra, eu nunca poderia te pagar com dinheiro, provavelmente teria que vender minha casa, então me deixe te levar para jantar!
—Eu sou uma mulher ocupada, Miss Swan. —Ambas deixavam a policia, enquanto Swan tentava saber qual era o carro de Regina. —Ande, eu não tenho o dia todo! —Mills abrira a porta de seu carro, adentrando o mesmo em seguida enquanto Emma permanecia boquiaberta.
—Você dirige a porra de um Maserati? —Regina a olhara com os olhos levemente arregalados, arqueando sua sobrancelha.
—Miss Swan... Sua linguagem! —Ela então girara a chave na ignição, dando partida no veiculo que logo tomara as ruas novamente. —E sim, esse é o carro que eu dirijo.
—Não poderia esperar menos de alguém que pode comandar o mundo, já pensou em concorrer para presidente? —A loira a olhava seria, como se realmente pensasse naquela possibilidade.
—Emma, eu sou apenas uma promotora, não penso em ser presidente ou coisa do tipo. —A mulher respirara fundo.
—Você deveria pensar, olha só para você, toda maravilhosa, falando de uma maneira que faz a gente querer pegar três livros e lê-los ao mesmo tempo para ver se é possível acompanhar sua inteligência. —Emma colocara o cinto, se aconchegando no estofado de couro. —Você é incrível. —Regina a olhara de canto do olho, não contendo o sorriso em seus lábios.
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