At the Mills office
4 Um fusca amarelo e um restaurante caro
Notas iniciais
As ágeis mãos acabavam de guardar todos os papeis e livros que havia deixado em cima da mesa de sua professora, o rosto possuía uma expressão pacifica por mais loucos que fossem os pensamentos em sua cabeça, ninguém diria que Emma confabulava com seu próprio destino em pensamento. Após se certificar de que o fecho de sua bolsa estava devidamente fechado, a loira colocou a alça em seu ombro direito, sentindo o peso da bolsa logo em seguida. A sala já estava consideravelmente vazia, com a exceção de Belle, Mérida e Jefferson, os três esperavam por Emma, pois iriam sair para almoçar juntos. Swan acabou por alisar a blusa preta que usava, andando até a roda de cadeiras que seus amigos haviam feito na sala após o trabalho apresentado por ela. Parara logo ao lado de Jefferson, mexendo em seu cabelo recém-cortado com a ponta dos dedos, sentindo a boa sensação dos pequenos fios em sua pele. Jefferson sorrira, voltando sua atenção para a amiga ao lado, passando o braço em sua cintura por cima da enorme blusa que ela usava.
—Emma, você bateu seu recorde hoje. —Mérida pronunciara enquanto tirava o pirulito em formato de coração de sua boca. —Achei que você não chegaria a tempo, mas você sempre surpreende. —Sorrira, pegando sua mochila preta, se levantando enquanto colocava a mesma nas costas.
—Minha manhã fora mais tumultuada do que... Eu nem sei com o que posso comparar a minha manhã, para ser sincera. —A loira sorrira, segurando a alça da bolsa de couro.
—Afinal de contas, como Ruby estava passando pelo corredor agora de manhã, quem foi que te buscou na delegacia? —Belle a olhara ainda sentada na cadeira de madeira.
—Regina. —Emma falara como se a mesma fosse uma conhecida por todos, apenas se tocando minutos depois de que nunca havia mencionado o encontro às escuras que tivera no dia anterior. —Uma advogada que conheci ontem. —A loira dera um pequeno sorriso, se lembrando de algumas cenas daquela manhã junto a Mills.
—Você conheceu uma advogada que estava disposta a ir te buscar na delegacia? —Jefferson a olhara com um pequeno sorriso. —Isso é surreal, Emma Swan, mas o que na sua vida não é?
—Gosto de me ver como uma personagem em uma estória, Jeff, e o autor ou autora dessa estória gosta de tirar uma com a minha cara na maioria das vezes... Mas, às vezes escreve umas coisas boas no meu destino. —Ela rira, afundando os dedos no cabelo do homem. —Eu preciso acreditar nisso, ou do contrário eu ficaria depressiva.
Por fim, Belle acabara se levantando, puxando Jefferson pela mão, pois o mesmo não se levantaria sozinho tão cedo. Emma sentira o braço de Mérida passar por sua nuca, fazendo com que seu antebraço se apoiasse no ombro da loira, sempre saiam assim da sala de aula, uma vez que os braços e mãos de Jefferson estavam reservados aos ombros e mãos de Belle. A bolsa de Swan vez por outra balançava, batendo em sua coxa direita, porém já lhe era algo costumeiro, bem como os fios de cabelo voando contra seu rosto assim que ela colocava os pés para fora da sala de aula. Naquele dia, o que se diferenciou fora o fato de que, Emma Swan estava tremendo de frio, saira de casa tão distraída que havia se esquecido de pegar uma blusa de frio. Mérida acabara a abraçando enquanto ambos sorriram, tombando os corpos para os lados vez por outra andando de forma desengonçada pela faculdade em direção ao lado de fora.
—Onde iremos almoçar hoje? —A voz de Emma se fizera presente, fazendo com que todos voltassem suas atenções a ela.
—Bom, estamos no começo do mês, sendo assim, almoçaremos no Apples, pois nosso poder econômico está altíssimo. —Belle sorrira, beijando a bochecha de Jefferson ao terminar a frase.
—Vocês e seus hábitos burgueses que nunca os abandona. —Swan sorrira, passando seu braço pela cintura de Mérida enquanto andavam em direção ao fusca amarelo. —Mérida, você vai comigo? —A loira baixara o olhar para o rosto da amiga, uma vez que a mesma era mais baixa que ela.
—Como de costume, sim! O que posso fazer? Amo esse fusca! —Emma sorrira, se distanciando da mulher para abrir a porta do carro, vendo a ruiva dar a volta para se sentar no banco do passageiro. —Nos encontramos na porta? —A pergunta fora direcionada a Jefferson, que já estava sentado em sua Piaggio Vespa branca, esperando que Isabelle subisse.
—Sim, eu só espero que tenha uma vaga para estacionar logo de primeira, você sabe que eu não tenho muita paciência para essas coisas né, por isso eu vou a lugares mais baratos, sempre tem vagas fáceis! —Ele sorrira, colocando o capacete, enquanto a mulher atrás de si, agora já sentada na scotter, o abraçava.
Emma adentrara ao carro, fechando a porta enquanto seus ouvidos eram inundados pela voz de Amy Winehouse. Mérida era uma grande fã, e como de costume, quando ela estava no carro, as músicas eram controladas por seus dedos. Logo o fusca estava nas ruas, enquanto sua condutora dirigia tranquilamente com o óculos aviador, lhe dando um ar misterioso a mais. Os dedos de Emma batucavam contra o volante enquanto sua memória viajava, fazendo com que um pequeno sorriso brotasse em sua face sem que a mesma percebesse.
f l a s h b a c k o n...
Os olhos verdes simplesmente não conseguiam se conter, era difícil se controlar ao lado de Regina Mills, e Emma estava aprendendo isso aos poucos. Seus olhos queriam devorar tudo ao mesmo tempo, era como se precisasse disso para acalmar seus sentidos, ver tudo em conjunto ao mesmo tempo em que tentava se focar nos detalhes. As unhas curtas pintadas de preto nos dedos que seguravam firme no volante, dirigindo com uma segurança fora do normal, era claro que ela não estava apenas no controle do volante, e sim de sua vida e na vida das pessoas a sua volta. A morena sabia que Swan estava direcionando seu olhar para si, queimava ser olhada por ela, porém seu ego falava mais alto, tão inflado por estar sendo olhada daquela maneira após tanto tempo por uma pessoa por quem ela se interessava, mesmo com tão pouco tempo de convivência. Robin ainda nutria desejos por sua esposa, era quase impossível não nutrir, porém a rotina o fizera não dar mais tanta vasão a tais desejos, era um marido presente em boa parte do tempo, porém a rotina sexual do casal era morna e suficiente para que o desejo de ambos fosse parcialmente cessado. Fato era que Mills estava acostumada a receber os mais diversos tipos de olhares, de desejo a inveja, de orgulho de seus chefes a raiva pelas pessoas que disputavam um emprego com ela, isso era parte de sua rotina, por isso já estava tão acostumada. Porém Emma fazia com que tudo isso fosse diferente, primeiro que era uma mulher olhando para ela com tanto desejo, isso só havia acontecido uma única vez, pelo menos era a única vez que ela havia considerado o olhar. Segundo, ela nutria verdadeira curiosidade pela loira ao seu lado.
—Está tentando ver minha alma, Miss Swan? —Ela arqueara a sobrancelha fazendo com que Emma sorrisse genuinamente. —Garanto que não vai gostar do que vai encontrar aqui!
—Porque diz isso? —A loira virara seu corpo completamente para o lado de Regina, mantendo sua expressão.
—Minha profissão e meus desejos não me deixam ser uma pessoa politicamente correta, por isso, creio que minha alma não seja das mais angelicais. —Ela sorrira com o próprio pensamento, enquanto os olhos castanhos se fixavam no trânsito a sua frente.
—Mas seu coração vive de acordo com isso? —Finalmente as palavras de Emma haviam feito com que a atenção dos olhos de Regina passasse a ser ela.
—Meu coração não tem muita voz na maior parte do tempo... —Ela baixara o olhar, voltando a olhar para frente novamente em questão de segundos. —...Mas não, ele não vive de acordo com minha alma, Miss Swan. —Seu maxilar travara, fazendo com que seu rosto assumisse uma expressão séria. —Porque quer saber sobre o coração de uma estranha?
—Já sei mais a seu respeito, não lhe considero estranha... E no mais, eu sou curiosa por natureza e você me intriga. —Emma mordera o lábio inferior, o soltando posteriormente. —Eu quero desvendar os segredos daqueles que me intrigam, o que significa que vou desvendar você, Regina Mills. —Assim que Emma se silenciara, o GPS indicara que a morena havia chegado ao seu destino.
—Porque um fusca amarelo? —Regina dissera com os olhos fixados no veiculo parado a metros de seu carro. —Parece um carro roubado!
—Como sabe que o fusca amarelo é o meu carro? —Emma rira, a fitando. —E ele não é roubado!
—E o único possível carro dessa rua que eu a veria dirigindo, por mais que eu ainda ache que você não tem maturidade para estar atrás de um volante. —Mills a olhara com um pequeno sorriso em seus lábios. —Não se meta em confusão, Miss Swan!
—Isso é uma ordem? —A loira abrira a porta, colocando um de seus pés para fora.
—Hm... —Regina fizera uma feição pensativa, retirando as mãos do volante. —Sim, é uma ordem! —Ela sorrira apenas com os lábios, fitando Emma que agora estava com o corpo completamente fora do carro.
—Você é uma mulher muito difícil, Regina, o que eu tenho que fazer para jantar com você? —Os olhos verdes pareciam mais interessados sobre o pequeno decote que a blusa de Regina possuía.
—Meu rosto é aqui em cima, Miss Swan. —Emma sorrira, olhando para o lado, voltando ao rosto da morena segundos depois. —Fique fora de confusão por três dias, e então volte a me convidar para sair, você tem o meu número, e Miss Swan... —A loira fechara a porta, fazendo com que Regina tivesse que baixar o vidro para terminar sua fala. —...Eu sou casada!
—E eu não sou ciumenta! —O sorriso sacana se formara em seus lábios, logo a loira começara a andar em direção de seu carro sem olhar para trás, apenas escutando o carro de Regina ir embora minutos depois.
...f l a s h b a c k o f f.
A risada de Emma era audível para quem quisesse ouvir, a loira estava se divertindo com a cara feia de Jefferson, indo e voltando pela rua atrás de uma vaga. O homem era pacifico na maior parte do tempo, era extremamente difícil irrita-lo, porém, quando o assunto era vagas de estacionamento, ele se transformava. Após alguns bons minutos de pura risada, Swan respirara fundo, se recompondo enquanto Jefferson fazia seu caminho até as amigas, pois finalmente havia achado uma vaga naquela mesma rua. Todos entraram no restaurante conversando em um tom bem humorado, fazendo graça com a cara do amigo vez por outra, pois vê-lo irritado com tal assunto sempre era engraçado. Como haviam saído um pouco mais cedo da faculdade, encontraram uma das poucas vagas que haviam sobrado, agradecendo mentalmente aos céus pelo feito. Apples era um restaurante nobre, facilmente poderia ser parte de um filme chique dos anos cinquenta, e claramente era amado pela turma de amigos, mesmo que fosse acima do orçamento de todos os quatro. Um homem, já conhecido por eles, os acompanhara até a mesa que já se tornara um marco, pois sempre se sentava nela quando visitavam o lugar. Minutos depois, as quatro cadeiras estavam ocupadas enquanto todos observavam o mesmo cardápio pela primeira vez naquele mês.
Emma cruzara os pés debaixo da mesa, se aconchegando a cadeira enquanto calmamente escolhia seu pedido, por mais que todos já soubessem que macarrão ao molho branco seria sua escolha. Antes de dizer o pedido que até mesmo o garçom já sabia, a loira olhara por cima do cardápio, quase como se seus olhos fossem compelidos a olharem naquela direção, ao passo que uma expressão de incredulidade lhe tomara a face. Era Regina Mills do outro lado do restaurante, as pernas cruzadas e a postura de uma rainha sentada a mesa, sua atenção se prendia ao cardápio enquanto o garçom pacientemente esperava ao seu lado.
—Regina... —Swan dissera sem acreditar no que dizia, ganhando a atenção de todos a sua volta. —...Aquela é a advogada!
—Onde, Emma? —Mérida fora a primeira a olhar, com um pequeno sorriso nos lábios, afinal estava curiosa para saber quem era a mulher que fazia os olhos da amiga brilharem daquela maneira.
—A de cabelo curto, logo ali... Não vou apontar porque é feio! —Jefferson sorrira, olhando para trás sem disfarce algum.
—Emma... —O homem dissera surpresa. —...Ela está muito acima de tudo o que você já passou nessa vida!
—Ela é promotora, Jefferson, é obvio que está acima de tudo o que todo mundo aqui já passou na vida! —Isabelle sorrira, vislumbrando a mulher que nem ao menos percebia a quantidade de olhares que estava recebendo.
—Pois trate de levantar e ir falar com ela! —Mérida cutucara Emma. —Ande!
—Ela vai se cansar da minha cara! —A loira se levantara. —Por mais linda que ela seja! —Emma suspirara, fitando Regina de longe. —Me desejem sorte.
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