At the Mills office
5 Uma conversa durante o almoço e uma aposta
Notas iniciais
Emma mais parecia querer contar seus passos, pois andava com certo cuidado pelo piso brilhante que faltava lhe mostrar seu reflexo. Regina não havia lhe notado, afinal, estava imersa em seu celular após finalmente fazer seu pedido, o dedo deslizava rapidamente enquanto sua expressão permanecia seria, ao passo que fazia Swan pensar que aquela mulher só tinha sorrido quando estava na presença dela, por mais presunçoso que possa ser pensar tal coisa. De longe, os amigos de Emma a olhavam de maneira curiosa, Jefferson havia apostado com Mérida que seria um encontro explosivo, pois Regina não parecia ser o tipo de mulher que dava trela para alguém como a loira, a morena do outro lado do restaurante parecia ser conservadora e rígida com suas convicções, não duvidavam do potencial de Swan, longe disso, duvidavam de Mills. O sorriso sacana de Emma Swan se fazia presente, despertando olhares aleatórios pelo restaurante parcialmente cheio, todos a viam, todos haviam notado sua presença, porém, a pessoa que realmente lhe importava a atenção, desvia seus olhos do celular para a ampla janela próxima a si.
A loira acabara por parar próxima a mesa de Regina, nem muito perto, mas também não muito longe, o suficiente para fazer com que sua presença fosse imposta, como ela sempre fazia. Em seu melhor sorriso, Emma suspirara, voltando seu olhar para a silhueta de Mills ali sentada.
—Como advogada... —Regina praticamente dera um pulo da cadeira, estava concentrada em seja lá o que fosse interessante do lado de fora do restaurante. —...a senhorita bem deve saber que perseguição é crime! —Swan sorrira ao ver Mills desconcertada pela primeira vez, não pela frase que ela acabara de pronunciar, e sim pelo susto.
—Miss Swan! —Ela dissera no habitual tom sério, ainda um tanto assustada, porém, os olhos castanhos encaravam os verdes de Emma. —O que faz aqui? —Ela arqueara a sobrancelha. —Que pergunta estúpida, é obvio o que a senhorita está fazendo aqui.
—Se eu não a conhecesse... —A loira iniciara, sorrindo pelo que Regina falara.
—A senhorita não me conhece! —Ela cruzara os antebraços sobre a mesa.
—... Continuando, se eu não conhecesse, diria que está tentando iniciar um conversa comigo e não sabe como! —A morena suspirara, revirando os olhos.
—Você é tão presunçosa! —Emma fizera cara de pensativa, cruzando seus braços na altura dos seios.
—Idiota, presunçosa... Continue, sua lista de gracejos só fica maior! —Era possível notar o bom humor na fala da loira, à medida que ela dava alguns passos, puxando a cadeira a frente de Regina, se sentando em seguida. —O que faz aqui sozinha?
—Eu não disse que a senhorita poderia se sentar. —Os olhos verdes viram então a sobrancelha direita de Regina se arquear.
—Presumi que deveria me sentar, afinal, estou cansada, passei grande parte da manhã em pé apresentando um trabalho. —Ela sorrira, apoiando seu cotovelo na mesa, ao passo que apoiara seu queixo em sua mão. —Vai responder minha pergunta?
—Estou almoçando, Miss Swan! É o meu momento de paz, que, diga-se de passagem, a senhorita está arruinando! —A loira levara uma das mãos até os lábios, bocejando.
—Assim... Você me deixa ofendida, Regina. —O celular da morena vibrara, imediatamente conseguindo sua atenção. —Wow, eu não sabia que precisava me transformar em um celular para conseguir sua atenção assim tão rápido!
—Swan... —Ela revirara os olhos, desbloqueando o celular para olhar a resposta do anuncio que havia colocado em um site minutos atrás. —...Cale a boca, por um minuto!
—Você tem essa coisa com o tempo e condições, não é? Para te levar para jantar, bom, três dias, para olhar o celular em paz eu tenho que me calar por um minuto. —Swan mordera o lábio. —O que tem de tão interessante ai?
—Coloquei um anuncio... Henry precisa de alguém para lhe dar aulas de guitarra, por mais abominável que tal instrumento seja, ele precisa ter disciplina com alguma coisa, então que seja com isso! —Emma a fitara com um sorriso amistoso em seus lábios.
—Eu toco guitarra, então seus problemas estão resolvidos... E quem é Henry? —Regina a olhara com a expressão séria.
—Henry é o meu filho mais novo. —A resposta deixara a loira boquiaberta. —E eu não quero a senhorita frequentando a minha casa!
—Primeiro, é a segunda vez que me ofender em um curto espaço de tempo, Regina má. —Ela negara com a cabeça. —Segundo, traga-o para a minha casa, juro que não tem nada demais, afinal, ainda moro com meus pais, e terceiro, mas não menos importante, você não parece ser mãe de ninguém, é muito nova para isso! —Emma tombara sua cabeça para o lado, fitando a outra mulher.
—Porque eu não estou surpresa? Há quanto tempo você toca? —A morena cruzara as pernas. —E eu sou mãe de duas crianças, Henry e Agnes, e não se iluda, Miss Swan, ainda tenho quarenta anos.
—Desde os meus nove anos, tenho vinte três agora... Faça as contas, eu sou de humanas! —Regina sorrira abertamente, negando com a cabeça. —Quarenta anos? Regina, pare de fazer graça!
—Bom, Miss Swan, conversarei com Henry quando voltar ao escritório... —Mills parecia pensar seriamente no que falaria no minuto seguinte, suspirando. —...Me dê seu número, e então ligarei caso a senhorita tenha conseguido o emprego. —A morena a olhara de maneira séria. —Eu tenho quarenta anos, por mais que a senhorita não acredite, viva com esse fato!
—Está pedindo meu número? Hm... Acho que esse jantar realmente vai sair! —Swan estendera a mão. —Me dê seu celular.
—A senhorita tem horários flexíveis, devo presumir. —Regina entregara seu celular na mão da loira, a observando digitar seu número.
—Sim, eu faço minha rotina, a única parte fixa é a faculdade até às três da tarde, e depois estou livre até às nove da noite. —Mills mordiscara o lábio inferior, a olhando sem que a loira percebesse.
—O que tem às nove da noite? —Swan voltara o celular para as mãos de sua dona, empurrando a cadeira para trás enquanto se levantava.
—Eu me apresento em um bar, afinal, dinheiro não cai do céu! —Ela sorrira. —Bom, obrigada pela oportunidade, prometo que lhe decepcionarei. —Emma segurara em uma das mãos de Regina que estava espalmada sob a mesa, beijando a mesma delicadamente. —Tchau, Regina Mills.
A loira se virara, voltando para a mesa onde estava com seus amigos, sentindo o corpo queimar. Ela não precisava olhar para trás para constatar que Regina a secava com os olhos. Tal sentimento lhe fizera sorrir de forma vitoriosa, sabia que a morena não seria a mulher mais fácil de lidar e relacionar, mas estava realmente disposta a saber mais sobre ela. Dera a volta na mesa, sentando-se novamente na cadeira enquanto recebia olhares de todos os presentes. Jefferson cruzara os braços sob a mesa, deitando sua cabeça sob eles posteriormente.
—Emma, dava para sentir a tensão de vocês daqui, a senhorita não está brincando em serviço! —Swan sorrira, deslizando pelo acento da cadeira até que ficasse em uma posição confortável. —Mas pelo o que consigo ver, não será fácil, não como sempre é.
—Só Regina pode me chamar de senhorita, vindo de você não tem o mesmo efeito. —Ela estralara os dedos. —E bom, ela é um quebra cabeça difícil, Jefferson, toda complexa, cheia de segredos... Ela sabe mais da minha vida do que eu sei da vida dela. —Belle bebericara o vinho que havia pedido. —Vocês já fizeram os pedidos? Eu não estava aqui!
—Mérida fez o pedido por você, afinal não é muito difícil saber o que você vai comer Emma, até o garçom já sabe! —Jefferson a fitara com um sorriso divertido nos lábios. —O que você e a senhorita misteriosa tanto conversaram?
—Regina mencionou sobre aulas de guitarra para o filho mais novo dela, e eu me candidatei. —Isabelle a olhara. —Acho que tenho chances de conseguir o emprego!
—Ela é séria o tempo todo daquele jeito ou é você que a irrita só pelo fato de respirar? —Todos na mesa riram.
—Sinceramente? Um pouco dos dois, Belle. —Emma prendera o cabelo em um coque, tomando um pouco do vinho branco de Isabelle, a mesma nem a repreendia mais, sabia que a loira faria de qualquer forma.
Os pedidos chegaram minutos depois, quando Swan já dizia algo sobre seu estômago estar virando de cabeça para baixo de tanta fome. Do outro lado do restaurante, Regina, vez por outra, a observava, deixando escapar alguns pequenos sorrisos enquanto via a loira gesticular demasiadamente à medida que conversava. Ambas ficaram uma grande quantidade de tempo no lugar, tendo Mills pagado sua conta primeiro, levantando-se logo em seguida, pois precisava voltar diretamente para seu escritório, havia muitas coisas para serem resolvidas naquele dia. Emma se levantara minutos depois, saindo abraçada do lugar com Mérida até o fusca amarelo estacionado na rua. Enquanto conversava com seus amigos, Swan vislumbrara o carro de Regina saindo do estacionamento do próprio restaurante, cutucando Jefferson no minuto seguinte.
—Jefferson, aquele é o carro de Regina! —O homem ficara boquiaberto.
—Ela dirige um Maserati? —Ele negara com a cabeça, revirando os olhos. —Alguém me diz o porquê eu estou surpreso sendo que ela é uma promotora e deve ganhar mais do que eu poderia ganhar em toda a minha vida?!
—Jefferson, você cursa história, a loja de materiais de construção dos meus pais pode oferecer uma vida financeira melhor do que você jamais terá. —Belle depositara um beijo rápido na bochecha do homem, o abraçando em seguida. —Estou brincando meu amor, mas se quiser, seremos quebrados juntos!
—Eles não são fofos? —Emma olhara Mérida que fingia que iria vomitar. —Você precisa aquecer seu coração, ruiva! —A loira saira do abraço, abrindo a porta do fusca enquanto via Jefferson e Isabelle atravessarem a rua para chegarem até a scotter.
Após adentrarem o carro, Mérida voltara a mexer no som, colocando dessa vez Tove Lo para tocar, o que em muito agradava Emma Swan, pois as letras das músicas mais pareciam ter saído de sua vida. Influence começava a tocar, preenchendo todo o carro no minuto seguinte enquanto a ruiva colocava seu cinto de segurança e a loira voltava o fusca às ruas.
—Firts line, take mine, I’m fine as fuck. —Emma apenas movimentava seus lábios seguindo a música. —Love myself tonight, and I think you can feel the same.
O trânsito estava ameno, fazendo com que o caminho de volta para a faculdade para apenas mais uma aula fosse um tanto rápido. Era possível ver Jefferson logo atrás do carro, gesticulando e sorrindo enquanto Isabelle o abraçava apertado e sorria. O fusca parara em um dos poucos sinaleiros que aquele caminho possuía, enquanto Emma sentia sua barriga cheia, o que automaticamente lhe provocava sono.
—Mérida... Tudo o que eu queria agora era poder dormir um pouquinho. —A ruiva sorrira.
—Acho que teremos vinte minutos livres antes da aula, você sempre consegue tirar um cochilo nesse tempo. —A mulher sorrira, abrindo o vidro do carro, sentindo os fios de cabelo alaranjado baterem em contra seu rosto.
Enquanto a loira esperava pelo sinal, seu celular vibrara em seu bolso, fazendo com que ela o pegasse de forma rápida. Emma o desbloqueara, visualizando a mensagem que havia recebido.
“Parece que a senhorita tem um segundo emprego. Eu gostei do nome que você colocou no seu contato, Miss Swan.”
—É Regina. —Mérida a fitara com um pequeno sorriso nos lábios. —Fui contratada! Temos alguma coisa para amanhã que possivelmente me faria atrasar?
—Temos que planejar a festa... Mas não vejo como isso não pode ser reagendado, está pensando em dar aulas para esse menino em que horário? —A ruiva acabara por prender seus cachos em um grande coque.
—Saio da faculdade as três, e chego em casa uns minutos depois. —Emma soara pensativa. —Posso recebê-lo às quatro e meia, e então dar uma aula de uma hora, uma hora e meia... De qualquer forma, eu te mando uma mensagem e você e os outros comparecem a minha casa.
—Eu sei quem você queria receber em sua casa, Swan. —Mérida rira, dando um leve soco no braço da outra mulher.
—Ainda vou recebê-la, você dúvida? —A ruiva afirmara com a cabeça. —Quer apostar?
—Aposto um almoço no Apples! —Emma estendera uma das mãos, ao passo que Mérida apertara. —Está apostado então!
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