At the Mills office
1 Quando Swan encontra Mills
Notas iniciais
A melodia terminava com a voz doce de uma menina não tão doce assim, enquanto os poucos clientes do bar sorriam e a aplaudiam. Parte de sua plateia já a conhecia há alguns anos, afinal Emma fazia sua pequenina renda ali, não que ela precisasse, afinal, ainda morava com seus pais e os mesmo provinham tudo o que ela possivelmente poderia precisar. Se apoiara em um de seus pés, e então o outro viera como consequência assim que ela se levantara para agradecer os gracejos daquelas poucas pessoas que haviam ouvido sua voz por algumas horas. As costas doíam pela posição que havia ficado, quando outrora tal posição lhe parecia bastante confortável durante algum tempo, mas nada que uma boa cerveja não remediasse. As palmas haviam cessado, fazendo com que ela se abaixasse para guardar a guitarra Fender Stratocaster que havia ganhado em uma aposta há mais ou menos três anos, após fechar o zíper da case, Emma a tomara na mão pela alça, descendo do palco com certa agilidade. O bar do Joe era como se fosse sua segunda casa, o dono do lugar a adorava por mais problemática que a loira pudesse ser na maior parte do tempo, era ali que ela se desligava do mundo, dando vasão a sua música e arte. O som ambiente do lugar voltara, tocando “Lucy in the Sky with Diamonds”, uma música que Swan particularmente gostava de escutar em momentos onde a vida parecia ser uma piada sem graça alguma.
Guardara a guitarra na parte de trás do balcão, voltando para frente dançando à medida que a melodia corria alta pelo bar. Seu copo com cerveja já estava preparado, por mais que a menina fosse a pessoa mais adequada para beber, Joe sabia que ela beberia de qualquer maneira, então era melhor que fosse algo que ele tivesse certeza que não a faria acordar em uma rua qualquer de manhã sem saber o rumo de casa. Emma gostava de tomar cerveja enquanto comia amendoins e assistia futebol, era sua concepção de alegria após um pequeno show. Se sentara em uma cadeira de frente para o balcão do bar, dando o primeiro gole na primeira cerveja da noite, fechando os olhos enquanto o liquido descia por sua garganta, deixando seu gosto no final da língua. A música continuava, dessa vez tocava “Hey Jude” e todos no lugar pareciam se deliciar com a melodia extremamente agradável aos ouvidos. Joe colocara uma pequena cesta de madeira próximo ao enorme copo de cerveja, a mesma estava cheia de amendoins, ao passo que Swan sorrira em agradecimento, fixando seus olhos na televisão logo acima da prateleira de bebidas.
O relógio já marcava dez horas, enquanto Emma batia na mesa com o punho cerrado já demonstrando claros sinais de começo de embriaguez, o jogador de seu time havia perdido um gol, que em sua visão, era um gol praticamente feito. Havia um homem ao seu lado, o mesmo fechara o cenho para a pequena loira há tempos, ele torcia para o time contrário, e naquela ocasião, seu time perdia feio. Tal homem bebia um copo de cerveja do tamanho do copo em que Emma bebia, enquanto sua mulher, uma ruiva que parecia ter bem menos idade do que Swan possuía, lançava alguns olhares em direção à loira e seus braços bem definidos que ficavam a mostra devido a regata branca que usava. A loira lhe sorria, retribuindo o flerte à distância, que por um tempo passara despercebido pelo marido da ruiva. Por fim, após algum tempo e mais algumas cervejas, o homem passara a notar, cerrando seu punho em cima do balcão de madeira. Se Emma olhasse a mulher mais uma vez, seria seu fim. A música parara por um momento, voltando dessa vez com Queen. Don’t Stop Me Now tocava em toda a sua graciosidade enquanto Emma soltava mais alguns gritos em protesto contra o jogo, que segundo ela, era claramente comprado.
—Joe. —Ela falara como se aquilo fosse a coisa mais absurda do mundo. —Eu te juro, esse jogo foi comprado, olha isso, ele está perdendo a bola mais do que eu perco os sentidos em uma sexta-feira à noite! —A ruiva ao lado de Emma rira da fala da mesma, a olhando intensamente. —Você não concorda, ruiva? —Swan piscara para a mulher.
Joe a observava, na verdade ele observava tudo ali, enquanto sua mão já se posicionava sobre o taco de baseball. O homem ao lado de Swan afastara seu banco, se levantando em seguida enquanto a encarava com o cenho fechado. Emma sorrira, dando o ultimo gole em sua cerveja, os antebraços estavam sob o balcão, enquanto seus dedos se entrelaçavam. Ela o olhara de soslaio, rindo em seguida.
—O assento não mais lhe satisfaz, meu bom senhor? —O homem se aproximara mais, na tentativa falha de intimida-la.
—Levante-se e encare minha mulher mais uma vez, eu lhe desafio. —Swan mantivera seu olhar, afastando o banco para se levantar em seguida.
Chegava a ser engraçado, Emma era muito menor que o brutamonte a sua frente, estava claro que dali não poderia sair nada de bom. Swan tombara sua cabeça para o lado, olhando a ruiva que observava toda a cena ainda sentada no banco com uma expressão seria.
—Se quiser passar lá em casa depois, tem cerveja e eu não cheiro mal como seu marido cheira! —O murro viera certeiro em seu abdômen e outro em sua boca, o sangue logo escorrera, fazendo com que ela desse dois passos para trás.
Emma cerrara um de seus punhos, aquele que ela possuia mais força, enquanto colocava a outra mão espalmada no local onde o homem havia lhe batido. Joe já havia pegado o taco, porém Swan o olhara por baixo, como quem dizia que estava tudo bem, o resto do bar apenas olhava tudo como se aquilo fosse entretenimento, as noites com Emma Swan eram regadas de “entretenimento”. O enorme homem a sua frente dava uma risada rouca, achando que a loirinha havia se dado por vencida, já contava vantagem apontando para ela enquanto continuava a rir. O soco viera certeiro no olho do homem, fazendo com que ele fosse para trás, batendo no banco onde havia sentado antes. Swan andara até que estivesse ao lado do homem, juntara as mãos e então pegara impulso, batendo nas costas do mesmo, fazendo com que ele se abaixasse ainda mais, logo o chute viera, concertando a postura do mesmo. O homem a olhara furioso, preparando-se para rebater o golpe, mas Joe olhara Emma, aquele era o momento onde ela deveria correr. A loira olhara para o homem ainda tonto pela serie de socos que havia levado, e então retirou um pequeno papel do bolso. Pendurara no balcão, tirando a caneta do bolso da blusa azul de Joe, e no papel escrevera seu número, voltando os pés para o chão, virando-se para a ruiva que lhe sorria.
—Esse é meu número. —Emma sorrira, entregando o papel na mão da mulher. —Meu convite continua de pé, você sabe! —A ruiva vira sua mão ser beijada gentilmente. —Milady, é com pesar que digo que devo ir!
A loira correra até a porta, abrindo a mesma enquanto via o marido enfurecido vir atrás de si.
—Joe. —Ela olhara para o resto do bar. —Meu público... Boa noite! —O sorriso sacana aparecera em sua face antes que ela sumisse de vez na escuridão do lado de fora.
Em cima das botas pretas sem salto, ela corria enquanto dava gargalhadas, sabia que o homem atrás de si não aguentaria correr por tanto tempo, ele não fazia o tipo atlético. Logo, Emma virara em uma das vielas próximas do bar, despistando o homem em fúria, parando de correr nos minutos seguintes, sentindo a cerveja balançar em seu estômago. Havia deixado suas coisas no bar, inclusive a mochila com seus materiais da faculdade e a guitarra. Ao perceber tal feito, Emma bufara de raiva, mas logo seu humor melhorara se lembrando do que havia acabado de fazer. “Uma típica noite”. O sobrenome de Emma era confusão, e todos que a conheciam sabiam disso, porém, era quase como se fosse seu charme particular. Sentia o gosto metálico do sangue em sua boca enquanto limpava o pouco sangue que havia escorrido na parte de fora. Decidira caminhar um pouco antes de voltar para casa, afinal ainda não estava com sono e sempre havia outro bar em Londres para se divertir. Perto dali havia um parque, ao passo que Swan tomara a rua que levava ao lugar, chegando ao mesmo alguns minutos depois. Ela andara por alguns minutos, chegando à pequena ponte do Serpentine Lake. Não estava tão tarde, mas o conselho de sua mãe soprara em seu ouvido quando os olhos verdes vislumbraram uma figura próxima de si. “Vá para casa, Swan, pare de procurar o que você não perdeu”.
Andara mais alguns passos, constatando que se tratava de uma mulher, ao passo que suspirou em alivio. A mulher também se assustara com a presença dela, andando para um tanto mais longe.
—Sou Emma, e só quero espairecer, não vou te roubar ou pior, encher o seu saco! —A loira coçava a cabeça, em meio a um sorriso.
—Regina. —O tom polido e sério fizera com que a loira sentisse um frio em sua espinha.
Os olhos castanhos olharam de soslaio para a figura um tanto longe de si, que agora se sentava no final da pequena ponte. Ainda com a pouca luz, Regina conseguira ver o machucado na boca da outra mulher, o que instantaneamente lhe causara preocupação.
—Está tudo bem? —Swan a olhara sem entender a pergunta. —Sua boca está machucada e você parece ter saído de uma briga de bar! —A voz da morena era rouca e imponente, quase cortava o frio daquela noite como faca.
—Olha Regina, eu me envolvi sim em uma briga de bar e posso lhe dizer que ganhei, e ainda dei o meu número a uma bela dama. —O sorriso vitorioso de Emma fizera com que a morena de olhos expressivos desse um pequeno sorriso. —O que faz aqui há essa hora toda engravatada? —Swan se referia à roupa que a mulher usava, a mesma mais parecia ter saído de um lugar chique.
—Uma advogada pode buscar aconchego em um lugar silencioso após um dia exaustivo de trabalho, não pode? —Regina cruzara os braços, olhando para o outro lado.
—Eu buscaria isso em um copo de cerveja, talvez em uma partida de Call Of Duty, sempre resolve para mim. —A morena a olhara mais uma vez, para então olhar em seu relógio de pulso.
De fato era tarde, Regina tinha que voltar ao mundo real em algum momento, por mais que tudo aquilo que estivesse acontecendo naquele momento fosse um tanto surreal. A mulher tirara um cartão de sua bolsa de marca enorme, caminhando até Swan em seguida, fazendo com que o barulho de seu salto fosse a única coisa a atrapalhar o reinado do completo silêncio. Sua mão se estendera, segurando o pequeno cartão branco com a ponta dos dedos com unhas pintadas de preto.
—Emma. —A loira voltara sua atenção a ela, olhando depois para o cartão, para então pegar o mesmo, encostando seu dedo nos dedos de Regina. —Você parece ser o tipo de pessoa que vai e vem em delegacias, caso precise de uma advogada... Você tem o meu número. —Swan sorrira, percebendo que seus dedos ainda tocavam os dedos de Regina que a olhava com ar superior.
—Posso te chamar para jantar ou são só negócios? —A risada rouca viera no minuto seguinte. —Sem responder a pergunta, Regina virara para frente, fazendo seu caminho de volta ao mundo real, deixando Emma para trás. —Você não respondeu minha pergunta... —Os olhos verdes olharam para o cartão, vislumbrando o nome de Regina ali. -...Regina Mills!
—Acho que você terá que descobrir a resposta sozinha, Miss Swan. —A morena dissera um tom mais alto, para que tivesse certeza que Emma estava escutando, sorrindo largamente em seguida.
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