At 7 a.m

9 Capítulo 8


Notas iniciais
Chegamos ao fim! (ou será que não?) agradeço por todo mundo que acompanhou até aqui, escrever essa fic foi um conforto enorme pra mim e fico feliz por cada pessoa que me acompanhou durante esse processo! enfim, boa leitura ♥

Conforme prometido, retornaram ao parque para visitarem não apenas seu amigo cervo, como se divertir mais uma vez por ali.

Por causa do calor que fazia no dia, ambos usavam camisetas de manga curta. Jesse utilizava uma camiseta branca com as bordas da gola e da manga com uma linha em vermelho. Já Lake usava uma regata preta que parecia ter sido uma camiseta com suas mangas rasgadas.

— Acha que o Alan Dracula sentiu nossa falta? – Ele perguntou assim que adentraram na floresta do parque.

— Não... Ele só viu a gente uma vez. – Ela o respondeu com sinceridade.

— É, pode crê... – Ele pareceu tristonho por um momento – Mas ei, tá pronta?

Elu assentiu e se sentaram no banco de madeira mais próximo, calçando os patins que levavam nas mãos logo em seguida.

— Não acredito que tô fazendo isso. – Elu pensou em voz alta.

— Ah vai! Vai ser divertido. – Ele se levantou sem problemas sob as quatro rodinhas e lhe estendeu a mão. – Prometo que não vou deixar você cair.

— É bom mesmo. Eu estou com minha câmera hoje e se ela quebrar...

— Confia em mim. – Ele se adiantou.

Ela segurou a mão dele e se levantou. Ao contrário do que imaginava, manteve o equilíbrio sem dificuldade.

— Viu? Você já tá se acostumando. – Ele sorriu e começaram a patinar no caminho plano que havia e serpenteava pela floresta.

Ela sorriu também, ganhando confiança a cada vez que avançava com os pés. Patinaram sincronizados por um bom tempo.

Era um lindo dia. Estava ensolarado e havia poucas pessoas no parque. O lago próximo que ali havia reluzia com a luz solar.

Após passarem por um curva, avistaram o que parecia ser o mesmo cervo que conheceram no caminho por onde andavam.

— Alan Dracula! – O garoto chamou e avançou soltando a mão dê garote. Devido a alegria que sentiu, esqueceu de que deveria ter diminuído a velocidade antes e por isso freou bruscamente ao chegar próximo do animal, o fazendo cair de frente próximo as patas do cervo, que não se mexeu.

— Jesse! – Ela correu para socorrê-lo, sem nem pensar no medo de cair. Felizmente, não caiu. Elu se agachou ao lado dele que logo levantou devagar.

— Ai. – Foi tudo que disse. Apesar da queda, havia apenas ralado um pouco da testa e das palmas das mãos devido ao chão áspero.

Ela tentou evitar, mas não conseguiu e começou a rir. Afinal, ele estava bem então tinha nada com que se preocupar. Ele começou a rir também.

— Como você achou que isso ia dar certo? – Elu indagou.

— Também não sei. – Ele se apoiou nela para se levantar. Não parecia ter quebrado nenhum osso.

Decidiram parar e descansar debaixo de uma das árvores. Era um pouco mais baixa que as outras e seus galhos eram mais longos e densos, oferecendo uma ótima sombra para refrescar.

Alan Dracula deitou ao lado deles e fechou os olhos. Estava confortável ao lado dos dois para tirar um cochilo.

Lake aproveitou a iluminação para pegar sua câmera e fotografar mais algumas fotos. Havia uma clareira ampla logo a frente, e felizmente não havia ninguém ali que pudesse retirar a harmonia daquele lugar.

— Jesse sai da frente! – Elu ordenou quando o rosto do garoto invadiu a lente da câmera.

Ele riu. Gostava de irritá-la as vezes. Ela sorriu com a risada dele e tirou uma última fotografia, guardando o equipamento na bolsa transversal que carregava em seguida.

O rapaz tirou o celular do bolso com um par de fones de ouvido. Ele ofereceu um deles a ela que aceitou. Colocou uma playlist para tocar, mas algo chamou a atenção delu.

— Espera aí. – Ela pegou o celular por um instante. – Esses são nossos nomes juntos? – Apontou para o nome da playlist.

— Talvez...? – Ele disse sem graça.

— Isso é tão brega! – Elu exclamou, mas devolveu o celular a ele.

— Você não vai mudar o nome?

— Não. Só não conta pra ninguém disso.

Ele fez um gesto com a mão como se estivesse usando um zíper para fechar a boca.

Depois disso, ficaram em silêncio para aproveitarem a música. Algumas vezes cantavam juntos com o cantor e sorriam. Nenhum dos dois era muito bom para cantar, mas isso não os impediu de continuar. O cervo também não parecia se importar.

Após quase uma hora, ele decidiu perguntar:

— Ei, pode me emprestar aquele chaveiro cheio de coisa?

Elu lhe estendeu o chaveiro vermelho sem entender. O observou enquanto ele procurava pelo canivete e em seguida começou a raspar a casca da árvore em que estavam apoiades.

— O que tá fazendo? – Perguntou mas ele não respondeu. Parecia concentrado em sua obra de arte.

Ela só percebeu o que ele havia feito quando terminou. Havia escrito “J+L” na árvore, as linhas um pouco tortas.

— Você não fez isso.

— Fiz. – Ele sorriu como uma criança que acabou de aprontar.

Elu suspirou. — Sorte sua que tô de bom humor.

O garoto retirou o fone do celular, deixando a música tocar no volume alto.

Subitamente ele segurou a mão delu e se levantaram, correndo para a clareira, onde começou a dançar.

— Dança! – Pediu a elu.

— Não. Não sei dançar.

— Não precisa saber! Não tem ninguém olhando. – Ela olhou ao redor. De fato, não parecia haver ninguém por ali que parecesse se importar com os dois.

Elu suavizou a expressão e começou a dançar timidamente, imitando alguns passos que ele fazia.

Não demorou muito para que ela começasse a rir sem parar. Pensava em como pareciam bobos dançando. Ele começou a rir pelo mesmo motivo.

Caíram na grama ainda gargalhando.

— Valeu a pena tentar. – Ele comentou quando recuperou o fôlego.

— É. Foi legal...

Ficaram em silêncio observando o céu acima delus por alguns segundos.

— Naquela nuvem ali, você também acha que parece um pato? – Ele perguntou de repente, apontando para uma das nuvens que começaram a aparecer no céu.

— Tá mais pra um girafa. – Elu opinou.

— Mas é um pato! – Ele insistiu e elu mantinha um sorriso convencido no rosto. – Tá bem. E aquela ali? – Apontou para outra nuvem próxima.

— Parece um barco a vela.

— Aí sim! – Se sentaram e analisaram o céu por mais um tempo. – Aquela lá parece o Alan Dracula.

— É verdade!

O cervo, parecendo compreender que estavam falando dele, se aproximou e deitou com a cabeça no colo de Lake, que ficou surpresa com a atitude.

— Ele gosta de você. – Cosay afirmou.

— É... – Elu fez carinho na cabeça do animal que não se importou com o toque, até parecia estar gostando.

Ele se aproximou e se recostou no flanco do animal, fazendo carinho em suas costas de pelos curtos.

— O que será que fez ele gostar da gente? – Ela pensou alto.

— Sei lá. Só sei que se eu pudesse levar ele pra casa eu levaria. – admitiu.

— Eu também... Alan, com quem você preferiria ficar? – Elu perguntou ao animal que bufou em resposta.

— Acho que ele disse que tanto faz. – Jesse traduziu.

— Você vai jantar duas vezes é? – Ê garote brincou e coçou o queixo do animal que pareceu gostar do carinho ali.

Quando se cansou de acariciar o cervo, ela se sentou ao lado do garoto também se recostando na criatura.

Elu refletiu enquanto brincava com a ponta de seus dedos, até decidir dizer:

— Sou um reflexo.

O garoto voltou seu olhar a ela, assimilando o que dissera.

— É engraçado contar essa história, porque parece que estou inventando, mas é verdade. Sou o reflexo da Tulip. Uma vez ela entrou em um trem mágico de universo paralelo que tinha um vagão espelhado, e lá ela me ajudou a sair, tanto do mundo dos espelhos quanto do trem. Eu sei que parece loucura...

— Eu estive nesse trem. – Ele interrompeu.

— Como é?

— Eu já estive nesse trem! Mas faz um bom tempo. Nós tínhamos números na palma da mão que tínhamos que fazer chegar no zero, não é? – Elu assentiu – É isso mesmo! Eu demorei um tempo pra sair... Se eu tivesse te conhecido lá, eu também te ajudaria a sair do trem.

Ela sorriu. – Eu te ajudaria a sair de lá também.

Ele segurou a mão delu firmemente.

— É por isso que não se importou de eu ser cromada?

— Também. Vi muitas coisas naquele trem, mas na cidade grande a gente também vê coisas bem diferentes. – Ele riu de leve.

— Verdade!

— Eu queria te perguntar, mas não tinha certeza de como reagiria... Vai que você achava que eu tava viajando na maionese?

Elu riu. – Eu faria isso pra te zoar.

— Tá vendo? Por isso não disse!

Ela sorriu e desviou o olhar para o céu. O sol começava a se pôr.

Apesar do céu estar lindo pintado de cores alaranjadas e com nuvens finas se estendendo por ele todo, ele preferiu observá-la. Notar cada detalhe que talvez tivesse perdido, mas já havia decorado todos.

— Eu já disse que você é péssimo pra disfarçar quando tá encarando. – Elu relembrou, ainda olhando para cima.

— Não estou tentando disfarçar.

Ê garote corou e voltou seu olhar a ele. Ele se aproximou devagar, entretanto o cervo o interrompeu lambendo seu rosto.

— Alan Dracula! – Ele reclamou enquanto ê garote gargalhava. – Ei, espera aí. Como ele...? – Ele notou que o tronco do animal agora estava para o lado dele e não de Lake.

Ela parou de rir para tentar entender.

— Talvez ele tenha se virado e a gente não percebeu. – Tentou mais se convencer do que convencer a ele.

— É... Sei lá. E se ele tiver superpoderes? – Ele indagou inseguro.

— Aí seríamos o melhor trio: um cervo mágico, ume garote cromade e um universitário com jaqueta esportiva de gosto questionável.

— Ei! É minha jaqueta favorita!

Ela riu se divertindo da reação dele. Ele realmente parecia apegado à peça de roupa, porém não pareceu ofendido.

— Vou desligar a música antes que alguém reclame. – Ele informou sorrindo e se levantou, buscando o celular e o fone deixados no chão anteriormente e os guardando no bolso, retornando ao lado delu logo depois.

Ela havia se esquecido por um momento de que a música ainda tocava.

— Obrigade. – Elu segurou a mão dele.

— Eu que agradeço!

— Não, é que... – Acariciou a mão dele como forma de aliviar o nervosismo pelo que queria falar. – Tô agradecendo por ter saído comigo todos esses dias... – Uma parte de si sentia que estava sendo confusa demais, mas continuou. – Você me fez fazer coisas que eu provavelmente não faria sozinha... Como patinar! E... tirar fotos diferentes também... Ir em shows...

Ele sorriu timidamente enquanto ela admitia. Já sabia que elu não era de dizer essas coisas facilmente.

— Você fica uma graça falando essas coisas. – Ele provocou quando ela terminou.

Elu automaticamente se preparou para lhe dar o peteleco na testa como repreensão, entretanto, parou no último segundo quando lembrou que ele havia se machucado ali. Então, só lhe dei um soco no braço.

— Eu tô falando sério! – Protestou por ele ter quebrado o clima.

— Eu sei. – E ele a beijou.

E elu retribuiu.

— Só pra confirmar... A gente tá namorando?

— Acho que... sim? Fico agradecida por você não ter feito nenhum pedido brega nem nada assim.

Ele abriu um sorriso travesso e se ajoelhou.

— Lake, você namo... – Foi interrompido com uma mordida no tornozelo pelo animal que até então acreditava que estava dormindo. – AI!

— Boa Alan! – Elu riu e fez carinho nele enquanto o garoto acariciava a parte recém machucada com uma expressão chorosa. – Ele é dos meus.

O cervo manteve a expressão serena, como se não tivesse feito nada.

— Ué! Foi você quem pediu. – Ela alegou quando ele a olhou de forma que esperasse que elu o defendesse.

Ele pareceu entender, apesar de parecer cabisbaixo.

Elu o beijou na bochecha quando voltou a se acomodar ao seu lado.

— A gente faz isso porque gosta de você. – Explicou com um sorriso.

— É, tô começando a entender isso! – Ele sorriu também e deitou a cabeça no ombro dela.

Não tinham pressa para voltar pra casa. Por eles três, poderiam passar o resto dos tempos ali.