At 7 a.m

10 Capítulo Especial - Halloween


Notas iniciais
demorou mas chegou! eu queria muito ter postado isso antes, mas eu não conseguia ficar satisfeita com o que eu escrevia, então eu apagava e começava de novo! enfim, o importante é que terminei e tô feliz com o que escrevi! e espero que vocês gostem também!! boa leitura ♥

O céu começava a escurecer e a noite de Halloween enfim começava. As crianças com suas cestas de doces, adolescentes e adultos caminhavam pela calçada com suas fantasias diversas.

Jesse descia pelo elevador de seu prédio, ajeitando sua fantasia e a cestinha de doces que segurava pelo reflexo do espelho que ali havia. Por um momento pensou como teria sido se conhecesse seu reflexo no trem que esteve anos atrás, mas logo voltou sua atenção para o presente. Iria encontrar Lake, Tulip e Mikayla para passearem pela cidade e não queria estar triste para estragar o dia.

Saiu do prédio e estava para atravessar a rua, porém um som incomum a algumas casas de distância o fez parar. Olhou de ambos os lados e percebeu que um dos postes próximos dele havia queimado, deixando uma área da calçada na escuridão. Achara estranho como mesmo apesar de ter outros postes e luzes próximas dali nada conseguia iluminar aquela parte.

Ousou se aproximar com um passo e um par de olhos brilhantes surgiu. Estava mais ou menos na mesma altura que o par de olhos do garoto, e com certeza não eram humanos. Brilhavam como olhos de gato, e a distância entre eles era bem mais curta que a de um ser humano.

— Oi? – Ele chamou, com receio. Sabia que poderia ser só mais uma brincadeira de alguém para o Halloween, não tinha por que ter medo.

Os olhos começaram a se aproximar e o rapaz recuou. Ouvia um som diferente batendo contra a calçada, o fazendo ter certeza que não eram passos humanos.

Quando virou seu corpo devagar para que conseguisse fugir, a criatura saiu das sombras que a envolvia.

— Alan Dracula! – Jesse correu para abraçar o amigo animal. Havia alguns dias que não o via. – Que saudade! Como sabia que eu estava aqui, cara? – Ele acariciou o pescoço do animal que fechou os olhos curtinho o carinho que recebia. – Já sei. Espera aqui! Eu já volto! – Ele se voltou para o prédio, mas um contato repentino envolvendo seu antebraço como se fosse um cordão o surpreendeu.

O animal, antes na forma de um cervo, havia admitido a forma de uma cobra, apesar de ainda manter sua cor original, o formato de seu rosto e seus chifres, agora bem menores.

— Wow. – O garoto não conseguia acreditar. Aquilo estava acontecendo mesmo? Não estaria alucinando? Seria uma pegadinha? Estaria sonhando? Dispersou tais chances e preferiu acreditar que sim, aquilo estava acontecendo. Seus olhos começaram a brilhar como se fosse uma criança que havia acabado de ver um unicórnio. – Que demais! Você consegue ser qualquer coisa? – Recebeu um sibilo da cobra Alan-Dracula em resposta. – Massa!

Não sabia como, mas meio que entendia o que o animal queria dizer.

Subiu até seu apartamento – dessa vez pelas escadas – e buscou uma capa de vampiro que havia usado alguns Halloween’s atrás.

— O que acha de usar essa? – O ser não pareceu negar. – Beleza! E ei, posso te pedir mais uma coisa?

Esperavam pelo garoto no câmpus da faculdade. Alguns estudantes haviam tido a ideia de decorar o pátio da universidade para o dia, portanto, algumas teias de aranhas, insetos diversos, abóboras com caretas e lanternas dentro, morcegos de borracha e diversos enfeitavam o lugar.

— Ele avisou se já tá vindo? – Tulip perguntou e se espreguiçou.

Lake negou com a cabeça e checou o celular mais uma vez. Tulip ficava engraçada com sua fantasia de Wirt, com o chapéu em formato de cone a fazendo parecer um gnomo de jardim segurando uma cesta no formato de uma abóbora cheia de doces variados.

— Não tem problema se ele demorar, não temos pressa mesmo. – Mikayla acrescentou, vestindo sua fantasia de Sara e segurando uma outra cesta semelhante. Esta já não tinha tantos doces.

Elu tinha gostado da ideia delas combinarem as fantasias, embora achasse um pouco brega. Por causa disso, elu e Jesse não haviam chegado num consenso sobre quais fantasias usariam e no fim, cada um escolheu uma sem se preocupar em combinar.

Temia que tipo de fantasia o garoto pudesse ter escolhido. Ele poderia ser bem imprevisível.

— Oi gente! Desculpa o atraso. – O garoto chegou ofegante. Apesar de ter usado o metrô, correu a distância que faltava para que chegasse ao ponto de encontro antes de atrasar as demais, cuidando para que não caíssem os doces da sua cesta e nem a capa que levava. – Adorei as fantasias.

— Gostamos da sua também! – Tulip retribuiu o elogio e ajeitou seu chapéu pela milésima vez naquela noite.

Quando recuperou o fôlego, analisou a fantasia de Lake, que já o analisava muito antes.

— Pirata? Sério? – Elu perguntou com um tom sarcástico.

— Em minha defesa, é a primeira vez que me fantasio assim. E também, não conseguia chegar numa conclusão de alguma outra fantasia mais conceitual então... Mas a sua de Onze tá muito boa. Combina com você. – Ele sorriu. Não ficou chateado com o comentário dela. Sabia que tinha gostado, senão elu teria dito de outra forma.

Elu corou e tentou disfarçar, mas ele já tinha percebido.

— Enfim, tenho uma coisa pra mostrar pra vocês! – Ele analisou se alguém próxime olhava para eles. Após confirmar que não, colocou o polegar e o indicador na boca e assoviou brevemente. Uma sombra com um formato semelhante a uma ave disparou de algum dos prédios por perto e pousou seu ombro.

Lake não demorou para identificar a criatura.

— Alan Dracula? – Ela quis confirmar, em choque.

— Aham! Encontrei ele vindo pra cá e descobri isso. Não é incrível? – Ele contava, com empolgação.

— Pera aí, pera aí. Esse aí é o cervo de vocês? – Tulip questionou, confusa. – Mas isso aí tá mais pra um papagaio, com uma cor estranha parecida com a de cervo... e com chifres.

— Ele me disse que só vai voltar a ser cervo quando a gente estiver em algum lugar isolado. Ele prefere manter as habilidades mágicas escondidas da maioria das pessoas. – Cosay explicou.

— Você entende o que ele fala? – Tulip parecia a ponto de implodir. Sua cabeça não conseguia processar o que estava diante de si.

— Tulip, você me contou que naquele trem tinha um cão que falava com você. – Mikayla a interrompeu.

— Sim, mas... ele não mudava de forma!

O garoto riu de leve.

— Não exatamente, ele meio que brama e eu interpreto o que isso significa... Acho que isso não fez sentido... – Ele colocou a mão no queixo, pensativo.

— A gente pode ir andando e daí quando ele se sentir confortável ele volta a forma de cervo dele. – Lake propôs, entretanto não esperou por uma resposta. Puxou o garoto pela mão e foram caminhando na frente.

— Acho que quebrei ela. – Cosay comentou preocupado.

— Relaxa, ela é assim mesmo. Já passa. — Elu o tranquilizou e observou o pano preto e fino que ele levava em um dos braços. – O que é isso?

— Surpresa. – Ele sorriu como se estivesse aprontando algo.

Ela sabia que de nada adiantaria insistir. Passaram-se alguns minutos em silêncio.

— Vocês já deram alguns doces, pelo que vi. – Ele puxou um assunto.

— Elas deram, eu não.

— Ah qual é! Cadê seu espírito de Halloween? – Jesse pareceu chateado, de uma forma brincalhona.

Elu deu de ombros.

Coincidentemente, uma criança se aproximou dos dois.

— Doces ou travessuras? – Ela perguntou com um sorriso de orelha a orelha e os estendeu sua cestinha meio cheia. Um dos seus dentes da frente havia caído e possuía uma venda laranja ao redor da cabeça na altura dos olhos, deixando apenas estes a mostra.

Ele nada disse. Esperou que elu tomasse a atitude primeiro e lhe estendeu a cesta que segurava.

Ela suspirou e pegou um punhado de doces o colocando na cesta de caveira da garotinha.

— E qual o seu nome? – Jesse perguntou, se agachando para ficar na altura dela.

— Hazel! – Ela disse com orgulho. – E o de vocês?

— Jesse – ele apontou para si e depois para elu. – e Lake.

— Prazer em conhecer vocês! – Ela disse, simpática. – Adorei sua fantasia. Combina com você. – Ela olhava para ê garote.

— Ah. – Elu ficou surprese com o elogio repentino. – Valeu.

— E você tá fantasiada de quê? – Cosay continuou.

— Tartaruga ninja! Michelangelo, na verdade. Eu gosto mais dele. – Ela contava alegremente. – Olha, eu tenho até os nunchu... nuncha... – Ela tentou se lembrar do nome da arma de brinquedo que segurava, com dois bastões curtos ligados por uma corrente, tudo de plástico. – A arma dele! – Ela desistiu de tentar relembrar.

— Legal! Meu favorito era ele também! – Ele sorriu.

— Né? Ele é o melhor! – Só então ela percebeu o animal que repousava no ombro dele. – O que é isso? É de verdade?

— Ah... É um cervo mágico. – Jesse admitiu sem pestanejar, chamando a atenção de Lake que o cutucou com o pé. Ele ignorou. – Você promete guardar segredo? – Ela assentiu, quase como se estivesse em transe de tanta curiosidade.

O animal, antes no formato de papagaio, modificou sua forma até se tornar um mini-cervo, do tamanho que servia na palma da mão.

Hazel suspirou de surpresa, os olhos brilhando. Não havia visto nenhum unicórnio, mas um cervo mágico era equivalente para ela.

— Nossa! – Ela exclamou. Acreditava sim, no que estava diante dela. Não tinha dificuldade nenhuma em acreditar em coisas assim. Assim como não comentou nada sobre Lake. Ela já havia visto pessoas como elu antes.

— Hazel! – Uma voz feminina a chamou. Uma mulher se aproximou, fantasiada de medusa. Sua fantasia era muito bem-feita. – Foi mal aí, eu perdi ela de vista e... – Ela parou repentinamente sua fala para analisar o garoto vestido de pirata. – Ei, eu conheço você. Você tava naquele trem, né?

— Isso! – Ele se relembrou do nome dela sem dificuldade. – Grace, né?

— Acertou em cheio! Mas eu não consigo me lembrar do seu...

— Jesse. – Ele completou.

— Ah, é. Jesse. – Ela repetiu para auxiliar a si mesma a decorar.

— Essa aqui é a Lake. – Ele as apresentou. – Lake, Grace.

— Oi. – Elu murmurou.

Grace retribuiu o cumprimento e logo perguntou:

— Você era daquele vagão, não é? Aquele cromado...

— É. – Ê garote confirmou, de forma curta.

— Fico feliz que conseguiu. – A garota voltou sua atenção para Cosay.

— Igualmente!

Elu observou os dois conversando. Sentia uma sensação estranha, da qual não conseguia entender com exatidão. Talvez somente não gostasse de tocar nesse assunto. Observou Hazel, que também parecia prestar atenção na conversa, apesar de seu olhar vez ou outra se dispersar para outras pessoas fantasiadas.

Tulip e Mikayla estavam distribuindo doces na quadra seguinte.

— E o Simon? – Cosay indagou após notar que o rapaz que conhecera brevemente não estava ali.

— Ele não conseguiu – disparou ela. Já se fazia alguns anos, porém ainda não era fácil de se dizer.

— Ele era mal! – Hazel disse de repente.

— Ah... Sinto muito.

— Valeu...

Um clima esquisito se instalou sobre eles. Felizmente, não durou muito.

— Então eu vou indo. Foi bom ver você Jesse, e Lake. – Ela se despediu com um aceno rápido.

— Tchau! – Hazel acenou com a mão livre alegremente para os dois e se juntou a mais velha segurando sua mão.

O rapaz segurou a mão da outra e voltaram a caminhar, no começo em silêncio. Ele não demorou a perceber que sue companheire parecia estranha.

— Tá tudo bem? – Ele inclinou a cabeça levemente para baixo de forma que visse melhor o rosto dela, já que estava com a cabeça abaixada.

— Tudo.

— Não parece. – Ele segurou a mão delu mais forte, como forma de consolo.

— Só é estranho pensar no trem... que eu não estaria aqui se a Tulip não tivesse entrado lá.

— Mas você tá aqui agora né? É isso que importa. – Sorriu levemente.

— É... – Elu abriu um sorriso tímido.

Como se o animal compreendesse que ela precisava de apoio, mudou sua forma novamente para uma cobra e rastejou do ombro dele até o dela, usando as mãos dadas deles como caminho.

— Não consigo acreditar que ele consegue fazer isso. E por que ele mostrou pra você primeiro? Isso é injusto – desabafou.

Ele riu.

— Você fica uma graça com ciúmes – arriscou dizer sabendo que receberia um peteleco na testa.

Dito e feito.

— Cala a boca.

— Ele me deu o maior susto. Ele apagou a luz de um dos postes perto de casa e ficou me olhando no escuro – contou se lembrando da façanha do cervo. – Admito que me deu um pouco de medo.

— Deve ter sido um barato te ver assustado – Elu supôs, e o animal bramou baixinho. – Viu? Ele disse que foi.

— Ele não faria isso com você, veja pelo lado bom!

— É verdade, até porque ele me ama mais.

— Mas não mais do que eu amo você – ele assumiu prontamente.

Ela parou de caminhar e o olhou nos olhos, surpresa.

— Não esperava por essa né? – ele comentou se divertindo com a cena – Venci a discussão. – Ele fez um gesto que se assemelhava a um mic drop.

— Idiota. – elu revirou os olhos e voltaram a caminhar.

Alcançaram Tulip e Mikayla e distribuíram os doces restantes de suas cestas até que acabassem.

Quando o movimento passou, Alan saltou do ombro de Lake e, ao pousar, já estava de volta a sua forma e tamanho de cervo. O rapaz não demorou para estender a capa preta de vampiro que segurava nas costas do animal, amarrando as fitas da frente para que não soltasse com facilidade. Ele abriu um sorriso orgulhoso ao terminar.

— Eu devia ter imaginado – ê garote pensou alto.

— Eu adorei! – Mick contou.

— É, também. Uma pergunta: ele deixa a gente subir nele?

Ele o olhou por um momento. O cervo não reagiu.

— Eu não sei. Nunca tentamos, na verdade.

— Ah, entendi... enfim, a gente tava pensando em assistir um filme lá em casa, vamos junto! – A ruiva sinalizou para Cosay.

— Ah, eu não sei se... – ele começou.

— Qual é! Lake precisa de alguém pra se segurar porque elu morre de medo de filme de terror – ela contou sem medo algum do que ê garote poderia fazer por tê-la exposto tanto assim. Ao perceber que elu a fuzilava com os olhos, ela disparou em corrida, sendo seguida logo depois pela outra.

— EU VOU TE MATAR! – elu gritou.

Os outros dois restantes as observaram até virarem em uma das esquinas.

— É melhor a gente ir atrás, senão é capaz delas acabarem se matando mesmo – avisou Mick.

Ele não duvidava disso.

— Quer apostar corrida? – ele sugeriu e o cervo se transformou em um papagaio novamente para acompanhá-lo.

— Belê. Eu conto. – Eles se posicionaram. – Um, dois, três! – E correram.

Com as pipocas prontas e igualmente distribuídas em dois potes, Tulip se juntou aos outros três – e ao cervo, em sua forma miniatura – no sofá. Apenas a luz da TV iluminava o ambiente. Haviam tentado ao máximo fazer o recinto se assemelhar a um cinema.

Ao contrário do que Jesse e Mick pensavam, elus não tinham se matado e pareciam estar de bem.

Mick apertou o botão de play para o filme começar e segurou a mão livre da ruiva ao seu lado.

Lake se sentira aliviade quando o garoto segurou sua mão primeiro. Era orgulho, sim, porém não queria mostrar que Olsen tinha razão.

Ao clímax do longa-metragem, elu já não se importava mais. Apoiou sua cabeça no ombro dele e permaneceu assim. Alan Dracula repousava em seu outro ombro.

Em uma cena em que havia apenas o silêncio e a protagonista se aproximava lentamente de um barulho misterioso em um cômodo escuro de sua nova casa, eles já sabiam que o susto se aproximava. Mikayla fechou os olhos e escondeu o rosto na capa da fantasia de Tulip, que corajosamente mantinha o olhar e a atenção fixos no filme.

Ê garote entrelaçou o braço no dele. Tentava parecer com o mínimo de medo possível, porém o garoto já havia percebido que ela fechava os olhos nos momentos de sustos.

Sorriu e preferiu não mencionar nada.

O momento que esperavam não veio. Parecia mais uma daquelas cenas que apenas pareciam prestes a assustar.

O filme terminou pouco tempo depois. Não era o melhor filme de terror que já viram, mas foi o suficiente para se divertirem na noite de Halloween.

Cosay se despediu das duas garotas e agradeceu pela noite. Lake o acompanhou até a porta.

— Ah, toma. – Elu tirou a jaqueta esportiva e a estendeu para ele. – Valeu por emprestar.

Ele tinha se esquecido por um momento que havia emprestado para ela no dia anterior. Estava frio e ela não tinha levado nenhum agasalho.

— Agora você não pode mais falar mal dela, você já a usou. – Ele sorriu e passou a carregá-la em um dos braços.

Elu revirou os olhos, já imaginando como ele nunca esqueceria disso.

Notando os dois pares de olhos que os observavam, elu fechou a porta e o puxou para caminhar.

— Elas nunca vão parar, né? – ele disse com bom humor.

— Não. – Ela riu.

O cervo até então no ombro dela pulou para o chão e voltou ao seu tamanho normal.

Caminharam em silêncio, com o animal parando as vezes para pastar as gramas que via.

— Eu gosto do Halloween – elu começou. – É o único dia que a maioria das pessoas vêm a mim pra dizer que minha “fantasia” é bem-feita, e não “o que é você?”... Mas você foi diferente.

— Bem, teoricamente você me chamou primeiro.

— É que alguém precisava dizer que sua jaqueta é horrenda – admitiu.

— Ei! Mas você nem me disse isso da primeira vez!

Elu riu e ele, contagiado, riu também.

— Obrigade. – agradeceu quando retomaram o fôlego.

— Pelo o quê? – ele parecia genuinamente confuso.

Elu não soube responder.

— Obrigado também. — ele retribuiu o agradecimento com um sorriso.

No caminho, chegaram em um lugar familiar.

— Essa é a praça que a gente veio quando se conheceu, né? – ele perguntou e ela confirmou com a cabeça.

— Mas não vou tirar nenhuma foto hoje. – relembrou.

— Por que não? – Ela deu de ombros – Ah não, vem cá. Esse dia é muito importante pra passar em branco. – ele procurou o celular em um dos bolsos do casaco de pirata.

— Como assim importante?

— É nosso primeiro Halloween juntos ué, e é meu feriado favorito com minha pessoa favorita – ele explicou com naturalidade.

Elu corou.

— Você não cansa de ser piegas né? – questionou.

— Tô só falando a verdade – ele sorriu e a abraçou de lado, estendendo o outro braço para tirar a foto com o celular.

Ela não olhou para a câmera. Nunca sabia como se comportar em selfies.

— E admite, você bem, bem lá no fundo, gosta de coisas bregas. – ele provocou. – Eu ainda vou te convencer pra gente combinar os tênis.

— Duvido – murmurou baixinho.

— Você vai ver – Cosay rebateu.

— Vai morrer tentando.

— Não fale “dessa água não bebereis” porque...

— Para com isso Jesse! – elu interrompeu e o empurrou levemente. – Falando assim você parece um velho!

Ele gargalhou.

— Tá bem, eu paro. – o garoto olhou ao redor. – Cadê o Alan Dracula?

Ela procurou junto dele. O animal não estava em lugar nenhum.

— Deve ter voltado pro parque.

— Sem se despedir? – ele fez uma expressão triste exagerada.

— É a cara dele.

— É verdade... – ele se convenceu.

Seguiram o caminho em direção à estação de metrô mais próxima.

A cada passo, Lake se sentia mais nervose. Queria dizer algo a ele, entretanto, não sabia como. Não era algo que estava acostumada a dizer.

Quando o destino entrou em seu campo de visão, respirou fundo. Tinha que ser agora.

— Jesse – chamou, e assim que ele se virou, elu o abraçou. – Amo você. – sua voz saiu tremida, um pouco ansiosa.

Apesar da surpresa, ele retribuiu com carinho, não apenas o abraço:

— Eu amo você também.

Ela sorriu, aliviade.

— Não esperava por essa, né? – elu afirmou convencide. – Agora é a minha vez. – imitou o gesto de mic drop que ele fez mais cedo.

— Quem é piegas agora? – ele recebeu um peteleco na testa, como já imaginara, mas não acabou por aí. – Tô falando sério! Por baixo desse rostinho mal humorado e pele cromada tem um coração bem molenga que eu sei.

— Você que é todo molenga com essa pele... molenga e tal. – ela, por força do hábito, fechou a expressão, chateada por não encontrar um sinônimo.

— Confessa, eu derreti esse coração de pedra, não foi? – Ele tinha um sorriso convencido estampado no rosto. Estava se divertindo com a situação.

— Cala a boca – elu ordenou.

— Vem calar – provocou. E elu o fez. O puxou pelo colarinho da fantasia e o beijou.

— Tá bem, você venceu, vou ficar quietinho. – ele assumiu.

— É bom mesmo, se não eu ia acabar com você.

— Você não faria isso com seu namorado. – apelou.

— Pode apostar que eu faria. – elu contrapôs.

— Bem, eu convidaria minhe namorade para a inauguração de um parque de diversão amanhã, se ela não acabar comigo antes.

— Vou pensar no seu caso – ponderou.

— Por mim isso já tá ótimo. – ele lhe deu um selinho e correu para a estação, dando um último aceno antes de desaparecer escadas abaixo.

Sorriu e retribuiu a despedida.

Na volta para casa, treinou a palavra “namorado” silenciosamente, como se degustasse a palavra. Gostava de como a palavra a remetia ao garoto.

Ao chegar, recebeu uma notificação do aplicativo de fotos. Era Cosay que havia ê marcado na foto que tiraram minutos atrás. Na legenda, dizia:

“Eu não sei vocês, mas eu tive a melhor noite de halloween que eu podia imaginar.”

Notas finais
é aqui que nós oficialmente nos despedimos dessa fic. escrever ela foi um processo incrível que me ajudou muito a me desenvolver melhor como escritor. agradeço a todes que acompanharam, dando feedback ou não. espero que possamos nos ver em outras fics, futuras ou não, também ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!