Eu não estava acreditando. Aquela figura tava bem na minha frente e a única coisa que nos separava era a porta de vidro.

— Cê vai abrir ou eu tenho que quebrar?

— Você não vai quebrar nada, já basta o prejuízo que me causou na festa.

Quem ela pensa que é? Ela mal me conhece e já chega dando ordens.

— É, é exatamente por isso que eu vim aqui. Por minha culpa cê acabou... sabe, daquele jeito.

— Ainda bem que você reconhece a culpa.

— Foi mal pelo o que aconteceu contigo, eu não imaginava que um maluco ia passar bem atrás de mim!

— Da próxima vez, você tome mais cuidado.

— Eu sei.

— Era só isso mesmo que queria?

— Na verdade não, eu queria te chamar pra dar uma volta, sei lá...

— Não to com muita vontade, obrigado.

Acho que fui um pouco grosso com ela.

— Ta bom, então. Foi mal pelo que aconteceu aí, mais uma vez.

Tenho que admitir, ela teve muita coragem em vir aqui se desculpar, além de tentar consertar o erro me chamando pra sair.

— Ei, espera, aí! – Não podia deixa-la ir, ela não teve culpa. — Como você descobriu meu quarto?

— Acho que eram seus pais, eles me falaram onde ficava.

Só podia ter sido mesmo.

— Olha, se o passeio for bom, eu até tento esquecer o que aconteceu.

— Isso é um sim?

— Talvez.

— Yes! – Comemorou.

— Eu disse talvez.

Abro a porta e deixo entrar.

— Fique à vontade, vou me trocar ali no banheiro e já vamos.

Depois de trocado, saí do banheiro e a vi deitada na cama olhando pro teto. Achei estranho de início, mas deixei de lado. Peguei um casaco meu, para, caso a noite tivesse fria, ofereceria a ela. Sentei numa cadeira ao lado da cama pra calçar a Crocs, e ela tava olhando fixamente pra mim. O cabelo caía sobre os olhos castanhos dela. Eu fiquei um tempo parado observando-os.

— Algum problema? – Perguntou.

Aqueles olhos me cativaram tanto que não consegui responder de imediato. Até que, num susto, me recuperei.

— Nada não. – Respondi.

— Tu ficou me encarando, achei estranho.

— Toma, ta fazendo frio. – Pra quebrar o clima, dei logo o casaco.

— Obrigada, ta frio mesmo.

— E onde vamos? Tem algo em mente? – Perguntei.

— Eu pensei em caminhar pela praia, a gente se conhecer e tals.

— Não é tão ruim, mas vamos sair pela porta principal dessa vez. Nada de varanda, beleza?

— O.K. – Ela riu.

Chegamos num pátio que dava caminho à praia. Era um lugar repleto de bares, churrasqueiras, mas que agora estava vazio. O teto de palha era a única proteção que tinha.
O mar calmo refletia a luz da lua, essa que se erguia na linha do horizonte totalmente cheia. O barulho das ondas era aconchegante e a brisa que soprava era suave.

— Nossa! Se você não tivesse me dado o casaco, nem sei o que seria de mim.

— Não precisa agradecer.

Reconheço meu nervosismo, ela estava bem mais relaxada do que eu naquela situação.

— Olha, uma roda de violão! – Ela agarra meu braço e aponta um grupo de pessoas que se reunia em volta de uma fogueira. – Vamos lá, vai ser divertido.

— Espera a...

— Vamo, vamo.

Ela sai me puxando até chegarmos perto. Minha curiosidade por ela só aumentava.

— Amo essa música. – Declarou.

O grupo tocava Thiking Out Loud, também do Ed Sheeran. Ela me larga e começa a dançar. A presilha cai deixando os cabelos voarem enquanto girava.

— Vem dançar comigo!

— Não, obrigado! Não sei dançar.

— Deixa disso e vem. – Ela segura minhas mãos e me puxa pra perto.

Por mais que eu tentasse negar, por algum motivo, não conseguia tirar minha atenção dela.
Eu vi o cara do violão olhando pra gente e sorrindo. ‘’Vai que é tua, muleque!!’’, gritou.
Ela me abraça e encosta a cabeça no meu ombro. Meu corpo gelou na hora, o peito parecia sair pela boca. Num impulso, minhas mãos seguram a cintura dela.

— Qual o seu nome? – Perguntei.

— Sara, e o seu?

— Leonardo.

— Desculpa pelo que fiz com você antes, não foi por querer.

Ela pediu desculpas de novo.

— Tudo bem, eu entendo.

Na realidade, eu não to entendendo nada, nem lembro como cheguei até aqui.

— Eu não queria estragar nada de ninguém.

Não sabia o que dizer depois disso, faltou ar na hora, engoli seco, minha cabeça tava girando. Num instante propago ódio e agora eu me rendia completamente.

— Não estragou, você acaba de salvar a minha noite!

Debaixo do luar, seguimos no ritmo da música. A noite estava tão linda quanto ela...

Notas finais
Olá, pessoal! Mais um capítulo terminado(durante a madrugada hehe), dessa vez tentei algo diferente, com bastante diálogo, pra passar mais a personalidade dos personagens, talvez uma aproximação maior com o leitor, aquilo que o diálogo geralmente faz. Bem, como já foi dito antes, essa história é um projeto criado na intenção de adquirir experiência. Estou aberto a todo tipo de crítica e desde já, agradeço a paciência!! Nota na Nota: Tive que fazer umas mudanças nesse capítulo pq, algumas coisas nele, tavam me impedindo de terminar o próximo. Desculpem o incômodo.