Notas iniciais
ooooopa gente, como estão?? é para ser uma short, com uns 12/15 capts, porém veremos até onde vai kkkkkk. não, eu não tenho ela totalmente pronta, mas quase tudo está certinho e bonitinho aqui dentro da minha cachola. Fanfic voltada para enaltecer a Hinata e a coragem de arcar com nossos sonhos sem perder de vista nossas obrigações. Shion é uma vagabunda e terá um papel de varacanha-pirobra bem presente aqui (SE TUDO DER CERTO, PELO AMOR) eu necessito, de verdade, de uma capa beeem mais elaborada. Essa imagem eu achei na net, mas, na minha opinião, ficou muito parecida com a capa de Guarda-Costas, de uma escritora divosa daqui do site. primeira fic com cara de long kkkkkk (e eu estou nervosa???AMOR, EU ESTOU ME BORRANDO AQUI) sem mais delongas, boa leitura (link da música no coraçãozinho (♥) kkkk) ?” ANTES DE TUDO, essa lista não é pronta da Hina ainda, é a provisória pois as garotas vão dar uma mãozinha para ajuda-la. agora sim, boa leitura e nos vemos nas notas finais.

Garotinhas, ouçam com atenção, porque ninguém me disse, mas vocês merecem saber que neste mundo você não está em dívida.

Você não deve a eles o seu corpo e a sua alma.

Toda a juventude no mundo não vai te impedir de envelhecer, e toda a verdade em uma menina é muito preciosa para ser roubada dela.

É assim que é, e talvez nunca vai mudar.

Mas eu decidi mostrar a minha força, e eu tenho o direito de falar o que penso, e eu vou pagar por isso.

Eles vão me queimar na estaca, mas eu tenho um fogo nas minhas veias.

Eu não fui feita para seguir ordens.

|| ||

Não chore.

Respire fundo, Hinata. Conte até dez. Vamos, você consegue! Um...dois...três...quatro...

Não chore, você é uma Hyuga. Hyugas não choram em público. Nunca.

Afundo as unhas na mão esquerda, na direita seguro meu celular, e mesmo que minha vontade seja joga-lo na parede mais próxima, o aperto. Se eu abrir os olhos, vou ver Neji no outro canto do salão segurando uma taça de vinho e não de champanhe. Ele diz que champanhe é para se aproveitar os bons momentos, e ele odeia essa festa tanto quanto eu. Sinto seu olhar queimando meu rosto, sinto sua pena e consigo imaginar um suspiro saindo de seus lábios. Eu solto o ar e encaro uma das mesas com lírios brancos no fundo do cômodo.

Eu odeio lírios brancos.

Hanabi conversa com os acionistas e amigos do papai quase na porta do salão de festas, ela me nota a encarando e arqueia uma sobrancelha como se perguntasse "o que aconteceu?". Ela não se importa de verdade, é mais curiosidade e uma tentativa de se preparar para uma bronca do papai — não que ele brigue com ela e com Neji, mas comigo é diferente. Hanabi gosta de mim, somos irmãs afinal, mas Neji diz que ela tem inveja, e essa inveja faz com que não tenha um contato tão íntimo comigo quanto eu tenho com ele. Ela tem inveja porque conheci nossa mãe, e ela não. Hanabi não sabe, mas eu trocaria quase tudo o que tenho para não tê-la conhecido.

Eu li uma vez que os bons momentos doem mais que os ruins quando tudo se acaba, são eles que marcam e te fazem chorar por ter perdido algo. São as risadas que viram cicatrizes mostrando que você foi feliz, são elas que te dizem para não odiar alguém. São os bons momentos, as lembranças de mamãe, que me fazem querer apagar todo o passado da memória; parte por parte.

Meu smartphone vibra novamente, e a esposa de um amigo do papai mostra os dentes desgostosa pela interrupção de um comentário sobre uma revista famosa. Não me importo.

-Com licença, senhoras. Volto logo, mas por favor, aproveitem a festa e fiquem a vontade. -sorrio docemente -A casa Hyuga é a casa de vocês. — se Ino estivesse aqui teria me chamado de falsa. Talvez eu fosse mesmo, porém menos do que o cabelo dessa mulher.

Dou três passos até ver Neji depositar a taça na mesa e se erguer, Hanabi fica atenta e arregala as íris peroladas para algo atrás de mim, e não preciso ser um gênio para saber quem é.

-Papai. -cumprimento abaixando a cabeça em uma reverência. Hiashi fita Neji de longe, e meu primo recua para sua taça novamente, me deixando sozinha de novo.

Não sou mais invisível no salão, agora estou com o presidente da Corporação Byagukan, "O" Hiashi Hyuga.

-Hinata. -acena. Sutilmente ergue os dedos e coloca um fio de cabelo meu, que escapou do coque, atrás da minha orelha, aproveitando a deixa para tocar nos meus ombros me levando para longe dali em direção a sacada. Sem chamar atenção, sem levantar suspeitas por causa do sorriso gentil no rosto, como um pai orgulhoso e melancólico; um tanto diferente desse que caminha ao meu lado.

O aparelho vibra de novo. Aposto que eram as meninas perguntando se eu estava bem. Queria responder "sim, estou maravilhosamente estonteante. Shion acha que me atinge, mas não sabe de nada. Eu não ligo pros dois", mas seria mentira. Cada letra, cada palavra digitada seria mentira e elas saberiam disso.

Shion é a segunda na linha de sucessão da família Hyuga. Meu avô teve um caso fora do matrimônio e não assumiu nem ajudou a amante criar a filha, a mãe de Shion seria minha tia e ela, minha prima. Vovô não colocou as duas no testamento e ambas entraram com uma ação na justiça apontando o teste de DNA que comprovava a paternidade, ameaçando levar o caso para a mídia depois que ele morreu se não garantisse a hereditariedade de Shion. Os advogados propuseram um acordo em contrapartida, especificando que Shion Fujimira deveria ser a herdeira do império Byagukan já que é mais velha que eu, mas chegamos a um consenso que ela não era registrada como Hyuga.

A única solução que achamos foi que, se algo acontecesse com a primeira herdeira, no caso, eu, Shion assumiria. Se ela assumisse, Hanabi viraria a segunda na linha de sucessão e eu seria desertada por abandonar e manchar o nome Hyuga. Fujimira só podia cuidar das empresas se eu recusasse o cargo de presidente da companhia,-o que está fora de cogitação — e como Hanabi é de menor, não pode fazer nada até a maioridade. Então cá estou, ouvindo sobre fofocas de famosos que eu nem sabia que existiam e não tendo a mínima noção de quem são.

Por esse motivo não estou na festa com os outros, por esse motivo estou aqui, de saia plissada, mangas longas e salto alto, no meio desses velhos preconceituosos e senhoras metidas. Por isso que não faço o que quero, pois se fizesse, garanto que nunca mais entraria nessa casa.

Hoje é meu aniversário, fiz dezessete anos as nove da noite. Daqui a exato um ano faço dezoito e assumo a empresa uma semana depois. Daqui a três semanas as aulas voltam, e agora percebo que não aproveitei nada das minhas férias -como se eu conseguisse, tsc. Daqui a...

Ergo o celular para ver as horas. Não sei onde coloquei a bolsa e não estou com vontade de procura-la, meus olhos doem e quero dormir.

Continuando...Daqui a duas horas estarei debaixo de um chuveiro, chorando por um garoto que não sabe que eu existo. Meio clichê? Sim, eu sei. Naruto não é o caso de "o crush não me nota", Naruto é o caso de "o crush se esqueceu que eu estou viva mesmo estudando com ele desde o maternal".

Shion fez uma festa hoje, no mesmo dia do meu aniversário, e Naruto estava lá com ela, dançando, comendo e bebendo. Ninguém estava aqui comigo, nenhum amigo meu, o máximo era Neji e Hanabi, mas os dois estavam ocupados ocupando o posto de "queridos do Hiashi" a contragosto.

Papai não me deixou convidar nenhuma das garotas. Segundo ele, Ino, Sakura e Tenten, não eram dignas de aparecer numa festa Hyuga, mesmo que Ino tivesse dinheiro quase tanto quanto nós, e Sakura fosse o prodígio da esocla e Tenten a promessa do jornal finalmente alavancar. Elas não foram a festa de Shion por respeito a mim, Shino Aburame, outro amigo meu, também não foi, e agora os quatro fazem o meu celular vibrar ao perguntar se eu estou bem.

Ino Yamanaka é líder de torcida, e combina muito bem com a sua personalidade e aparência. Ela tem olhos azul-cristal, um cabelo longo e loiro bem claro, e um corpo que me faz encolher ao compara-lo com o meu. Ela é deslumbrante, animada, sorridente, esperta, gentil, e engraçada. Foi a minha única amiga e é a melhor até hoje.

Então surgiu Sakura Haruno, eterna rival de Ino que virou nossa amiga depois dela quebrar o braço e aparecer para fazer uma visita, pedindo desculpas por tudo o que fez para a loira. Sakura tinha cabelos rosas (tintura, óbvio, mesmo que ela não admitisse) e é presidente do grêmio estudantil. Além de ser neta da antiga diretora, é bolsista, assim como Tenten. Não é brava, brava mesmo, sabe? Tem o gênio marcante e não leva desaforo para casa, é corajosa, forte. Ela tem a personalidade, a determinação que eu queria ter.

E existe a Tenten.

Tenten apareceu depois que me viu discutir com Neji, se intrometeu no meio do pátio da escola e peitou um dos caras mais populares do colégio. Eu não pude deixar de agradecer e Tenten sorriu e respondeu um "ninguém deve tratar uma mulher assim". E daí em diante Tenten Mitarashi virou a minha protetora oficial, comprando briga por mim, pela Sakura e por Ino, chacoalhando os coques castanhos e mandando um dedo do meio nas costas de Shion sempre que ela passava por nós. Não preciso dizer que ela é muito rebelde, ela é feminista e defende a igualdade entre todos e não suporta — de nenhuma maneira- injustiça, dizerem o que pensam sem nem pensar no assunto e no ponto de vista dos outros. E é claro que cuida do jornal para sempre ficar de olho e conseguir deixar escapar uma crítica ali e outra aqui sobre algo aque a desagradava.

Uma vibração acende a tela do celular que ilumina meu salto, e papai vê. Fecho os olhos, me preparando, e ouço um:

—Nem pense em chorar enquanto estivermos aqui dentro, entendeu? Desligue esse celular e fique direita. Um Hyuga nunca deve se portar dessa maneira desleixada -sibila como uma cobra no meu ouvido. Relaxo os ombros acenando a cabeça para umas das empregadas da casa, empertigo a coluna e fico reta — Muito bem, agora sorrie e melhore essa expressão. Ninguém é obrigado a ter pesadelos depois de olhar para você.

—Sim,... -empurro o peso das suas palavras para o fundo da minha garganta e completo: -papai.

Não chore.

Respire fundo, Hinata. Conte até dez. Vamos, você consegue! Um...dois...três...quatro...

Não chore, você é uma Hyuga. Hyugas não choram em público. Nunca.

||~||

Papai me fita na sacada do lado de fora do salão, e daqui posso ver toda a extensão do jardim. Sem girassóis e sem lírios. Sem mamãe e sem nenhuma flor que eu goste em particular. Antes, uns quatro, três anos atrás, Hanabi girava com um dos meus vestidos no meio das folhas marrons do outono, dançando, brincando. Hoje ela odeia esse jardim assim com eu. Parece uma lembrança triste que não acaba nunca, tudo no jardim tem um toque de mamãe. Desde os vasos até as plantas, mas quando ela morreu, arrancaram os lírios e os girassóis.

Arrancaram os girassóis porque significavam o mesmo nome dela, e tiraram os lírios por causa do pai de Neji, que faleceu tentando salva-la. Lírios eram as flores usadas nos funerais Hyuga, eram delicados e belos, e, talvez, apaziguadores. Nem sempre os lírios eram para enterros, temos o costume de usar em ocasiões especiais, de comemoração.

Como essa que se desenrola aqui no salão.

Eu sempre gostei das cores fortes do girassol, da rosa, de amarílis e de jasmim-azul. E talvez fosse por causa dessas flores que eu tivesse me apaixonado -não, amado é o correto- Naruto.

Naruto...

—Já não disse para ajeitar essa postura, Hinata?! -papai fecha as portas da sacada. Suas mãos estão atrás do corpo, e o presidente Hiashi Hyuga assume o controle; nunca mais, depois da morte da mamãe, papai assumiu o papel de pai, o mais próximo era esse que desempenhava nas festas, e nem eu e nem Hanabi falávamos, mas...sentimos falta dele- Explique porque esse aparelho não para de acender, e porque está tão desconcentrada assim. -abro a boca para falar, quase rezando a todos os deuses que conheço para não gaguejar, mas papai me interrompe- Você sabe que deve manter-se inabalável frente aos acionistas, deve atacar, Hinata, e não se acuar como um gatinho medroso.

Aperto as mangas da blusa azul claro.

—E-eu sinto muito, papai. -enfio a unha na pele da palma esquerda. Eu gaguejei, e agora Hiashi esta mil vezes mais nervoso por demonstrar fraqueza tão fácil- Estou desestabilizada por...er...motivos pe-pessoais?- papai aperta a gravata com um estreitar de orbes pérolas- E por causa deste motivo não me sinto preparada para desfrutar desse aniversário...? -de novo pareceu uma pergunta, e não uma confirmação.

Silêncio.

Hiashi não diz nada por um minuto completo, enquanto meu celular se apaga e acende repetidas vezes, e quase me viro de costas para saber o que há de pior do que uma foto de Naruto tendo o tanquinho lambido por Shion. Quase. Quase que dou as costas para um Hyuga, entretanto ele se pronúncia com uma voz trovejante entre o vento.

—O único motivo de não te deserdar e te tirar da família, Hinata, é que é melhor do que a Fujimira, caso contrário colocaria Neji no cargo de presidente até sua irmã se tornar de maior. -Não chore, Hinata- Não precisa ficar na festa depois de cumprimentar todos os convidados e explicar o motivo da sua retirada. Um motivo convincente e sem hesitar -o olho nos olhos, e meu peito se acelera. Sinto o choro vir, sinto sua altura crescer e meus 1,63 diminuírem cada vez mais. Sinto papai esticar a gola da minha blusa e soltar um suspiro irritadiço na minha pele. Eu havia fechado os olhos de novo, me acovardado de novo-. Estarei ao seu lado em cada cumprimento que der, então não me decepcione. Você é uma Hyuga, e Hyugas não demonstram fraqueza e nem sentimentos perante os inimigos. E naquele salão, Hinata, mesmo que te conheçam e sejam da empresa, ou amigos meus, são todos inimigos seus. Me explique o porquê.

Meu celular se acende e se apaga, de novo, e de novo, e de novo...

—Po-porque todos os que estão no salão podem me impedir de cumprir meu destino.

Chore, Hinata. Não se reprima, vai ser pior se não chorar...

Hiashi mostrou os dentes, satisfeito por meus olhos estarem marejados e não desistirem de conter as lágrimas.

—Você ainda tem muito o que aprender. -me olhou de cima a baixo e se virou caminhando para as portas da sacada- Servirá agora, mas antes de entrar naquele salão, Hinata, -seu queixo se ergueu por cima do ombro- certifique-se que não se desestabilizará novamente no meio do processo ao falar com os convidados, e que essa porcaria de tecnologia -apontou com a cabeça para o aparelho na minha mão direita, e como instinto o apertei- não a atrapalhará.

—Sim, papai.-o reverencio.

Antes de sair, ele se vira uma última vez.

—Essa roupa ficou péssima em você, parece uma aspirante a meretriz que finge ser uma santa. Jogue-a fora e coloque algo decente na próxima vez, se não me agradar, você sabe o que acontece com você.

Sim, eu sei, papai. Eu mudo de escola, não é?

—Si-sim, papai.

E se retira num movimento elegante ao abrir as portas e adentrar no salão lotado. Observo o jardim e procuro cores, tudo que ele me oferece são uma aquarela clara, roxa, branca e cinza, desprovida de cor e de mamãe.

Ninguém me procura, e eu me torno invisível de novo sem Hiashi por perto. Invisível como os lírios e girassóis do jardim da minha mãe morta.

||~||

No fim demoraram quatro horas para eu conseguir entrar debaixo do chuveiro e chorar.

Lembra que eu queria saber o que poderia haver de pior do que Shion lambendo Naruto? Eu descobri o que era pior. É pior ter um vídeo deles se beijando e dizendo que vão para o motel.

Não foi Shion que mandou no grupo da sala de aula, nem ninguém mandou nada no whatzapp sobre a festa, mas isso não significa que postou em algum lugar.

A foto dela tomando uma bebida azul no abdômen do loiro foi postada nos stories do Instagram, o vídeo dos dois foi no de Karin, prima de Naruto.

As luzes na festa eram violetas e rosas, combinando com a cor dos olhos de Shion, e elas explodiam em um milhão de pontinhos e depois se esticavam para os lados em linhas. No centro de tudo estava ela e Naruto se beijando, se devorando na verdade. As mãos dele subiam pelas costas dela e apertavam as nádegas da Fujimira. Os dedos de Shion se embaraçavam nos fios loiros brilhosos, mesmo no escuro da pista de dança, e a mão esquerda dela parecia estar bem mais abaixo do quadril dele. Pela posição e movimento do ombro dela, sua esquerda subia e descia, e preferi não saber com mais detalhes o que ela fazia.

Karin filmava a festa e deu um zoom no beijo dos dois, estando próxima o suficiente para poder se ouvir no áudio todo abafado pelo som, o timbre rouco de Naruto perguntando se eles podiam visitar o motel novo que abriu na cidade.

Ele disse "mais uma vez'' no final da frase.

O vídeo acabava depois disso.

Perdi a conta de quantas vezes vi e revi esse storie. Também perdi a conta de quantas vezes eu chorei, funguei e coloquei esse abajur para girar, botando os cavalinhos a trotar em sombras nas paredes lilases do cômodo. Ao invés de luzes roxas iluminarem o meu quarto era a lua e o meu abajur de carrocel quem desempenhava esse papel. Parecia uma discoteca dançante o conjunto todo, os passos dos empregados limpando a casa de maneira silenciosa, as folhas das árvores ao sul balançando, os meus fungos quando aperto o travesseiro e o jogo de luzes dos galopes no lilás.

Estou tão cansada de ser a pobre coitada que sofre por um garoto que nem sequer sabe da sua existência, estou exausta de papai me destratar sempre que bem entende.

A gente só cansa ás vezes, a gente cansa e quer tentar mudar. Eu quero mudar, mas não tenho ideia de como começar.

Eu me lembro perfeitamente do dia em que conheci Naruto Uzumaki.

Minha mãe tinha falecido numa tentativa de sequestro, o pai de Neji foi baleado quando reagiu aos marginais, mamãe foi atropelada quando o carro voltou com tudo nela para não deixar testemunhas...Foi um dia e tanto aquele. O dia de luto virou um borrão, e a única coisa que me lembro era do cheiro agonizante de lírios pela mansão e do berreiro de Hanabi no colo de Cammy, a babá.

Uma hora eu observava os lírios e no outro vagava pelas ruas repletas de neve de Konoha. Ela faleceu um mês antes do meu aniversário, um mês antes de ver papai mudar completamente.

Depois que me perdi na neve, eu encontrei Naruto Uzumaki, um menininho de cabelos loiros como o sol e olhos tão azuis que pareciam o céu. E ele brilhava. E ele aquecia. E todas as gotas salgadas que eu derrubei no caminho pareciam ter secado quando ele me estendeu a mão. O sorriso dele parecia luz, e talvez ele fosse filho do sol, filho de uma estrela tão gigantesca quanto a expressão sincera que exibia.

Eu sempre o olhei seguir os seus sonhos, sempre o acompanhei querer entrar no ramo dos esportes e ser um campeão de surf igual ao pai. Com o tempo ele quis ser presidente, com o passar dos anos quis virar bombeiro. Hoje ele quer ser policial para fazer o bem e marcar a vida das pessoas com atitudes boas, como nunca desistir.

Ele desenvolveu uma certa propensão a mulheres e confusões depois que o padrinho veio morar aqui na cidade. O sonho de se tornar policial continua vivo, mas eu não entendo, isso tudo seria para quê? Para aproveitar enquanto não tivesse idade para entrar na polícia?

Sakura quer ser médica, Ino quer ser atriz, Tenten quer virar uma mestre de artes marciais, Hanabi é muito nova para decidir ainda, mas até semana passada seu sonho era ser cantora de pop. Neji ia seguir a área administrativa da nossa família, e eu herdaria as empresas ano que vem. É, não,...foi meu aniversário de dezessete anos. Você nunca faz a mesma idade duas vezes e acho que sempre tem algo que muda de uma passagem para a outra.

O que está mudando nessa?

Eu só tenho mais doze meses até sentar num escritório branco e assinar papéis e tomar café de 15 em 15 minutos. Eu só tenho mais essa oportunidade de ser feliz e mudar, antes que papai me coloque como estagiária e comece com os ensinos em casa sobre empreendedorismo. Só uma oportunidade, uma chance, uma tentativa, de aproveitar e me tornar a herdeira que papai sempre sonhou em ter. Uma herdeira que não se abalava com fotos e vídeos de um quase sexo explícito com Shion Fujimira e Naruto Uzu...

Não completo, ainda doí lembrar do storie.

Se eu fosse diferente, desinibida que nem a Ino, forte que nem a Sakura e rebelde que nem Tenten, conseguiria fazer algo que nem no vídeo que Karin gravou?

O que eu sempre quis fazer e nunca consegui?

Os cavalinhos pararam de galopar nas paredes, e a casa está em silêncio profundo na madrugada.

Tenho o fim de ano e mais três semanas até a volta as aulas em janeiro.

O que eu sempre quis fazer e nunca fiz por medo?

Giro os cavalinhos de novo e passo a costas da mão nos olhos, me levanto e vou até a escrivaninha. Tateio com cuidado as duas primeiras gavetas até encontrar a chave que abre a terceira. Respiro fundo, com a chave sendo esmagada no peito.

Vamos, Hinata! Você consegue.

Sim, eu consigo.

Sento, abro o diário numa das últimas folhas e enumero as linhas de 1 á 12, um número para cada mês. A caneta batuca no canto da minha boca e penso.

O que nunca fiz além de seguir ordens?

Solto uma fungada e balanço a caneta para enfim começar a escrever.

1. usar um vestido curto;

2. sair de noite;

Certo..., o que mais?

3. fazer uma tatuagem de girassol no pulso;

4. tomar uma suspensão na escola;

5. cortar o cabelo — ou ir á uma montanha russa;

6. furar o umbigo (?)

Tenho quase absoluta certeza que vou mudar a número seis, e que jamais cortarei meu cabelo, mesmo assim vou deixar como está. Depois eu mudo.

Além de tudo isso, o que eu ainda não fiz?

Sinto meu rosto corar. Mordo o lábio com força. Arrisco um olhada no espelho e baixo a vista rápido.

Estou com o rosto inchado e parecendo um pimentão de tão vermelha.

7. beijar alguém;

Oh, Kami-sama!! Eu preciso, realmente, colocar isso? É para o meu próprio bem, certo? Preciso evoluir como pessoa e não há nada como fazer algo de errado para crescer.

....hum, certo?

8. dormir fora de casa;

9. aprender a dançar;

10...

Não, eu não vou me declarar para Naruto. Não consigo, é muito mais do que posso pedir. Não tem como.

10. não obedecer uma ordem do papai;

Minha garganta se aperta, eu não gosto de desobedecer Hiashi.

11. não deixar Shion me desanimar;

12. ir ao baile de formatura da escola.

Olho a lista com um lábios franzidos, não era bem o que imaginei, mas vai servir.

Quando vou guardar o diário na gaveta, uma foto caí no chão. Deixo o caderninho em cima do colchão e pego a fotografia nos dedos, andando em direção a janela e me debruçando no parapeito da mesma.

Somos eu, mamãe, Hanabi nos colos da mulher de cabelos berinjela e papai ao meu lado. Estou no centro da fotografia, vermelha, batucando os indicadores.

Mamãe era tão linda e gentil, papai era tão presente e forte nessa época. Hanabi sempre ria e chorava quando estava fora do colo da nossa mãe, e Neji vivia gargalhando com as outras crianças da mansão.

Era anos doces aqueles.

Mamãe...você me faz falta.

Me lembro do que disse para Ko, um dos seguranças da família, o que queria ser quando crescesse.

Quero ser forte que nem o papai, e gentil como a mamãe.

Posso ouvir da janela os grilos no jardim, e ver vários vasos sem lírios e girassóis, com terra seca e sem um vestígio de vida.

Agarro mais firmemente a fotografia, lembrando das flores brancas no funeral do meu tio e da minha mãe.

Eu odeio lírios.

Notas finais
eeeiiii gente, então o que acharam? sim, eu sei que essa Hinata não é exatamente a Hinata do anime, mas tentei escrever de outra forma mais tímida e receosa e não consegui. Quis passar a ideia que ela tem uma chama dentro dela, mas que fica apagada. notaram as referências á alguns episódios de Naruto que fiz? kkkkk espero que sim. Acho que já sabem o que vem por aí. E NÃO, essa não é lista da Hinata pronta. sorry, eu tive que frisar bem essa parte. Aceito sugestões, críticas, opiniões e comentários kkkkk. comemente, pleeasee. O nome da música é " Fall in Line", é um feat da Demi com Christina Aguilera, e o link está no "♥" lá no começo. Escolhi essa música pq achei perfeita para esse primeiro cap,e acho que vou usar o mesmo nome mas com 1.2, como continuação. Esse link aqui embaixo é de uma one minha, feita para enaltecer Sasuke e Sakura no anime. é bem legal (opnião de autora não vale, blé :P). Leiam se tiverem um tempinho, ou nem leiam, não é muito importante. kkkkk é isso gente, se cuidem e fiquem com Deus. Se hidratem e até a próxima ♥ https://fanfiction.com.br/historia/786007/Fique/