Notas iniciais
Olá! Mais uma fanfic pra vocês! Espero que gostem, pois utilizarei todo o meu conhecimento histórico para escrevê-la ♥ Um beijo, Mayara.

"O que nós queremos?
Paz
E quando nós queremos?
Agora
O que nós queremos?
Liberdade
E quando nós queremos?
Agora"

(Do musical "Hair")

“Eu fui... convocado, Aria. Não posso fazer nada. Tenho que me apresentar em Washington amanhã de manhã para o treinamento. Eu sinto muito.”

As palavras de Ezra iam e voltavam na minha cabeça. Fazia menos de quatro horas que ele me dera a notícia, enquanto estávamos sentados embaixo de nossa macieira, lugar onde demos nosso primeiro beijo. Ezra iria para o Vietnã para lutar nessa guerra idiota e eu não podia fazer nada para impedir. Afundei minha cabeça no travesseiro e deixei que as lágrimas rolassem. Ouvi a maçaneta da porta girar e tentei secar meu rosto.

– Oi querida. – disse mamãe com um sorriso amarelo. – eu soube da notícia. Eu sinto muito. – ela disse, sentando-se em minha cama.

– O que eu vou fazer sem ele, mamãe?

– Aria... Você precisa seguir em frente.

– Seguir em frente? Você só pode estar louca, mamãe.

– Você sabe, eu gosto muito do Ezra, mas ele...

– É pobre?

– Não me leve a mal, meu bem. Ele não tem condições de sustentar uma casa, mulher nem filhos. Ele é professor, Aria, e o seu pai nunca iria aceitar o casamento...

– Vocês só pensam nisso? Em casamento? Já se perguntaram se eu quero me casar? Se eu quero ser sustentada por um homem a vida inteira, como você? Não mãe não quero essa vida pra mim, obrigada.

– Não seja mal criada. Essa é a sua vida, Aria. Você nasceu para ser mãe e dona de casa. Nosso tempo é esse.

– Não. Essas idéias são tão... ultrapassadas...

– Aria, não quero discutir com você, já chega. Se arrume, senão irá se atrasar para o colégio. – ela se levantou e saiu. Eu não estava nem um pouco a fim de ir ao colégio. Na verdade, eu nunca estava a fim. Meu pai me obrigara a estudar numa escola cristã só para moças, que ficava na ilha de Manhattan. Além de ensinar inglês, matemática, história e artes, elas nos ensinavam a ser boas donas de casa, esposas dedicadas e mães. Aquilo tudo era uma tortura pra mim. Grande parte de minhas amigas estavam noivas. Inclusive Mona, que iria se casar com Mike, meu irmão mais velho, no mês seguinte. Eu não queria aquela vida. Não queria ser submissa. Queria dar a minha opinião. Me sustentar. Ser dona de mim e do meu corpo, não ser dona de casa o resto da minha vida. Acho que foi por isso que me apaixonei por Ezra. Minha amiga Spencer e seu noivo, Toby nos apresentou na festa do 4 de julho do ano anterior. Eu fiquei encantada pelo sorriso dele logo quando o vi. Logo, começamos a sair e a namorar. Meu pai não gostava de Ezra. Ele não queria ver a filhinha dele com um “professor revolucionário que não tem aonde cair morto”. Odiava quando ele dizia isto. Se fosse por ele, eu já estaria casada com Noel, filho de um de seus sócios.

Tomei um banho e coloquei o uniforme. Não tive vontade de fazer maquiagem, muito menos arrumar meu cabelo então, desci para o café. Meus olhos estavam inchados, mas não fiz questão de esconder.

– Bom dia, querida. – sorriu mamãe. – tudo bem?

– Não.

– O que você tem, Aria? – perguntou Mike, que tomava café e lia o jornal. Olhei para meu irmão e parecia que ele estava muito mais velho do que era realmente. Usava um terno caro, o cabelo estava bem penteado, uma barba rala aparecia em seu rosto. Seus olhos azuis pareciam cansados.

– Nada. – menti.

– Você está deste jeito por causa daquele professor? – perguntou papai.

– O nome dele é Ezra. – observei.

– Que seja. Querida, essa é a prova que vocês não podem ficar juntos. Ele vai morrer no Vietnã, Aria. Ele não vai agüentar.

– Byron, por favor. – repreendeu mamãe.

– Fique quieta, Ella.

– É isso que você quer, não é mesmo? Que o Ezra morra?

– Não me leve a mal, minha princesa. Ele não será um bom soldado. Muito menos um bom marido.

– É só isso que vocês sabem falar? Que eu preciso de um bom marido? Eu não quero me casar, mais que inferno! Eu quero me sustentar. Eu não quero depender de homem nenhum. Eu serei uma artista.

– Artista? – papai riu. – e isso dá dinheiro?

– Dinheiro, dinheiro, dinheiro. Existem coisas mais importantes que o dinheiro nesse mundo, papai. Pessoas estão morrendo naquela merda de guerra. Pessoas estão passando fome mundo afora.

– Olhe o seu vocabulário, Aria. Você é uma moça. – disse mamãe. Papai sorriu e se levantou.

– Melhor se contentar com o seu destino, filha. É só um aviso. – papai beijou mamãe e foi para a garagem. Mike foi logo em seguida e parecia incomodado com algo. Peguei minha mochila e fui andando para a escola. Cheguei à minha sala e todas as garotas faziam uma roda em volta de Alison. Não fui lá, pois sabia que ela estava exibindo seu anel de noivado para as outras. Sentei-me e comecei a ler “Orgulho e Preconceito”, que Ezra havia me dado de presente no meu aniversário.

– Oi Aria.

– Oi Spencer. – sorri.

– Eu soube do Ezra. Sinto muito.

– Ele vai ficar bem.

– Quando ele parte?

– Hoje à tarde.

– Vai dar tempo de você ir até a estação de trem?

– Você pode me dar cobertura?

– Claro que posso.

– Obrigada, amiga.

– Não precisa agradecer.

Na hora do intervalo, fui para o lado de fora. Sentei-me num banco e comecei a chorar. Algum tempo depois, ouvi uma gritaria e fui ver o que era. Várias pessoas com roupas coloridas, fumando cigarros e segurando cartazes protestavam contra a guerra. Era tão bonito ver o povo unido em prol de uma causa que tive vontade de estar ali no meio. Uma moça, usando uma saia florida até o pé, vários colares, pulseiras e anéis e óculos redondos parecidos com os da Janis Joplin se aproximou de mim e então, tentei disfarçar.

– Hei, você! – ela gritou.

– Eu? – perguntei.

– Você mesmo. Como é seu nome?

– Aria.

– Sou Emily. Toma. – ela me entregou um papel escrito bem grande e bem colorido “Faça amor não faça guerra”.

– Obrigada.

– Você estuda aqui?

– Sim.

– Eu tenho pena de você.

– É eu também não curto muito.

– Parece que você estava chorando. O que houve?

– Meu namorado foi convocado para ir à guerra. Estou preocupada.

– Poxa vida. Que droga!

– Alguém ai disse droga? – uma outra moça, de cabelos cacheados, usando uma calça jeans rasgada nos joelhos e uma blusa colorida se aproximou.

– Ainda não, Arco Íris. Depois da passeata. – ela sorriu. – essa é a Maya, minha namorada. Ela gosta de ser chamada de Arco Íris.

– Prazer. – sorri, meio sem graça.

– Arco Íris, essa daqui é a Aria.

– Roupa maneira, Aria. – zombou.

– Eu sinto muito, ela está chapada.

– Tudo bem. – sorri. Se meus pais me vissem conversando com elas, provavelmente me deixariam de castigo minha vida inteira.

– Você curte nosso movimento, Aria? – perguntou Emily.

– Olha só pra ela. Você acha que uma patricinha dessas vai curtir essa parada? Dá um tempo. Ela só quer ser dona de casa e cuidar do marido.

– Na verdade, eu gosto muito mesmo. Eu não entendo o motivo dessa guerra, tá todo mundo morrendo sem razão alguma e isso não é legal.

– Porque não vem com a gente?

– Não posso.

– Vai ficar esperando o seu namorado?

– Vou.

– Se mudar de idéia, estamos em Bethel, para o festival.

– Woodstock?

– Exato.

Arco Íris sorriu pra mim e saiu cantarolando Mercedes Benz, da Janis Joplin.

– Ela é assim mesmo, chapada ou sã.

– Gostei dela. Sabe, eu sei que não faz nem uma hora que nos conhecemos, mas você pode me fazer um favor?

– Claro, garota. Pode falar.

– Pode me levar até a estação de trem?

– Claro que posso. – ela sorriu. – deixei minha menina parada aqui perto.

– Sua menina?

– É, minha Kombi. – ela sorriu.

– Entendi.

Caminhamos em silêncio até a Kombi, que estava estacionada do lado de trás do colégio.

– Pode entrar. – ela disse quando chegamos.

– Obrigada.

Ela deu partida e ligou o rádio, que tocava Jimi Hendrix.

– Se importa se eu acender um baseado?

– Claro que não.

– A mamãe não vai achar ruim que você chegue em casa com cheiro de maconha no cabelo?

– Ela não vai perceber. Está ocupada demais cuidando da casa e tentando demonstrar que está feliz – sorri.

– Ok então. Me diga, o que vai fazer lá na estação de trem?

– Me despedir do Ezra.

– Ezra? Isso é nome de menina.

– Não. É o nome do meu namorado.

– Que engraçado. – ela sorriu. – quer dar um tapa?

– Como? – perguntei, sem entender o que ela tinha perguntado.

– É, quer dar um tapa, você sabe, fumar...

– Ah, não. Obrigada.

– Tudo bem. E então? Quer mesmo ser dona de casa?

– Não. Estudo naquela escola porque meu pai me obriga.

– Você e o Ezra vão se casar?

– Queremos ficar juntos, mas meus pais não gostam da idéia porque o Ezra é um simples professor.

– Pobre. – completou.

– Exatamente.

– Quantos anos você tem, Aria?

– Dezoito.

– Você não acha que está na hora de parar de obedecer o papai e a mamãe? Caminhar com suas próprias pernas? Olha o tamanho desse mundo, gata. Ele tem que ser explorado. Você precisa se arriscar. Uma vez na vida, pelo menos. Se você e o Ezra querem ficar juntos, fiquem. Seus pais não mandam no seu coração, nem no seu corpo, muito menos na sua cabeça.

– Isso é legal. – sorri, um pouco sem graça.

– Você pode ser o que você quiser Aria,

– Eu sei. Porque se juntou ao movimento? – perguntei, mudando de assunto.

– Meu pai era soldado, morreu pouco depois que a Segunda Guerra acabou. Minha mãe logo se casou de novo, só que o cara era um desgraçado. – ela suspirou e deu uma última tragada no baseado. Dei graças a Deus pelo cigarro ter acabado, pois o cheiro estava revirando meu estômago. – ele me estuprou depois que descobriu que eu, bem, curtia garotas. Uma, duas, três, quatro vezes. E ele dizia que aquilo era pra eu aprender o que era um homem de verdade. Até que uma noite, após ele se saciar, eu peguei minhas coisas e fui embora. Pedi carona a um grupo de pessoas que participavam do movimento. Conheci a Maya e aqui estou eu.

– Eu sinto muito, Emily.

– Tudo bem, já passou. Chegamos. Vai lá encontrar seu príncipe. Eu te espero aqui.

– Tudo bem. Não precisa me esperar. Já tomei demais o seu tempo.

– Como quiser. Toma. – ela me disse, entregando um papel dobrado. Abri-o e nele estava escrito um telefone.

– O que é isso?

– Se resolver vir com a gente, liga pra esse número e pede pra falar comigo. É de uma loja de conveniência, eu vendo alguns artesanatos lá na frente todos os dias.

– Obrigada.

– Não precisa agradecer.

– Dê um alô para Arco Íris por mim.

– Será dado. – ela acelerou e foi embora. Corri para o saguão de embarque e procurei Ezra. O vi sentado numa cadeira, com a cabeça encostada na parede e olhos fechados me enfiei entre as pessoas e corri até ele.

– Ezra? – chamei. Ele abriu os olhos, sorriu e se levantou. Corri até ele e o abracei.

– Aria! Que bom que você veio...

– Eu tinha que vir. – disse olhando para os seus olhos.

– Eu te amo, Aria. Eu te amo muito.

– Eu também te amo, Ezra.

– Se por acaso eu não...

– Shhh. – sussurrei, colocando meu dedo indicador em seus lábios. – por favor, não complete a frase.

– Tudo bem.

– Você vai voltar pra casa. E eu vou estar te esperando, ok?

– Será que seu pai vai deixar? Você me esperar por tanto tempo?

– Não pense em meu pai agora. Eu vou te esperar. Eu te prometo.

Atenção recrutas com destino à Washington, por favor, dirigiam-se ao saguão de embarque, o trem partirá em vinte minutos.

– Chegou minha hora. – Ezra disse. Pude perceber o tom de aflição em sua voz.

– Promete uma coisa pra mim?

– Todas que você quiser.

– Se cuida?

– Vou tentar.

– Promete outra coisa? Prometa que vai me escrever?

– Pode deixar. Te escreverei muitas cartas. – ele sorriu e em seguida, beijou meus lábios. Logo, as lágrimas começaram a cair dos meus olhos. – não chore, meu amor. Por favor. Não chore por mim.

– Não consigo.

Última chamada aos recrutas com destino à Washington: por favor, dirigiam-se ao saguão de embarque, o trem partirá em dez minutos.

– Se cuide, Aria. E não se esqueça: eu te amo. – Ezra beijou minha testa e me abraçou.

– Você também. Só um instante, tenho uma coisa para te dar. – tirei a corrente com um pequeno pingente no formato de cruz do meu pescoço e dei a Ezra. – é pra te proteger.

– Obrigado, Aria. – ele agarrou a corrente e me deu o último beijo antes de entrar no trem. E eu, fiquei ali, parada. As lágrimas caiam incessantemente e eu só conseguia pensar no pior. O trem começou a andar e ele saiu na janela. Ele ficou me olhando... Estava chorando muito também. Eu acenei e o trem foi embora.

– Vai dar tudo certo. – senti alguém tocar meu ombro direito. Olhei para trás e vi Emily.

– O que está fazendo aqui?

– Pensei que você talvez precisasse de um abraço.

– Você acertou. – dei um sorriso triste e a abracei forte. Conhecia Emily a menos de três horas, mas sentia uma forte conexão com ela.

– Vamos embora. Vou te levar de volta à escola.

– Obrigada Emily. Hoje em dia poucas pessoas são legais com alguém que acabou de conhecer.

– Não me agradeça garota. Minha missão nesse mundo é espalhar amor e dar um pouco de consolo aos que sofrem. E olha que eu nem sou o Papa.

Ri do comentário e nós fomos para sua Kombi. Ela fez o caminho da escola e me deixou no portão. Desci e o porteiro me olhou feio.

– Obrigada, Emily. De verdade.

– Não há de quê. E lembre-se, se precisar, eu estou aqui.

Sorri e entrei na escola. A Sra. Anderson, uma mulher de uns cinqüenta anos, magra, alta e com cabelos grisalhos me esperava e ela parecia furiosa.

– Por onde andou Senhorita Montgomery?

– Não é da sua conta. – disse, e eu me surpreendi pela minha rispidez.

– Mais é da conta de seus pais, que já estão aqui, conversando com a diretora.

– Ótimo. – bufei e entrei na sala da Sra. Lynn.

– Aria! Por Deus! Onde você se meteu? – perguntou minha mãe, aflita.

– Eu também adoraria saber. – disse papai, sério.

– Fui me despedir de Ezra. Algum problema?

– Todos os problemas, Srta. Montgomery. – falou a diretora.

– Ele já foi papai. Não precisa se preocupar mais.

– Você precisa entender que aquele rapaz não é um bom partido para você, minha filha.

– Tudo bem. Não irei discutir. Qual é o meu castigo, senhora Lynn?

– Vai ficar na detenção por três dias.

– Ok. – suspirei e sai da sala. As meninas da minha turma estavam no corredor e ficaram me olhando quando fui pegar minha bolsa.

– Será que ela foi expulsa? – uma delas perguntou.

– Não creio. Acho que foi suspensa. – respondeu outra.

– Ela foi se encontrar com o professor... – disse Alisson, sorrindo. Um dia, eu prometi a mim mesma que meteria a mão na cara daquela vadia.

– O nome dele é Ezra, Alison. Ezra. – eu disse, corrigindo-a.

– Ele vai morrer na guerra. Ele não consegue fazer mal nem a uma mosca, quem dirá matar uma pessoa. – debochou. – ele é um fraco. Diferentemente do Jake. – Jake era o noivo dela. – o Jake é forte, ágil, bonito, atraente, corajoso...

– Tá bom, Alison, já entendemos. – Mona a cortou.

Coloquei meus materiais em minha mochila e sai de lá. Mona e Spencer me seguiram.

– Hei! Espera a gente. – gritou Spencer. Parei e entrei no banheiro.

– Você ta legal, amiga? – Mona perguntou, passando a mão em meus cabelos.

– Não. – disse secando minhas lágrimas.

– Ele não é nada daquilo que a Alison disse Aria. O Ezra é um cara doce, gentil, educado... Você tem sorte por tê-lo ao seu lado. – disse Spencer.

– Ele vai se dar bem lá. Vai voltar vivo. Tenha fé. – Mona sorriu e segurou em minha mão.

– O que eu faria sem vocês? Obrigada. – agradeci e abracei as duas.

– Vamos lá. Ergue a cabeça. Eu sei que você é muito mais do que toda essa escola, Aria. Você nasceu para mudar o mundo. Junto com o Ezra.

– Eu sei Mona. Eu amo vocês. Agora, eu preciso ir.

Sai do banheiro e fui para o pátio, onde meus pais estavam me esperando, de cara fechada. Entrei no carro sem dizer nada e permaneci assim até chegar em casa. Eu sabia o que me esperava. Meu pai estava furioso e minha mãe também. Fui direto para o meu quarto, mas meus pais foram atrás de mim.

– Não adianta se esconder dentro deste quarto, Aria. Vamos conversar agora. – meu pai disse, sentando-se calmamente na beirada da minha cama.

– Pode falar, estou ouvindo.

– Quando foi que você ficou tão mal educada?

– Não sei.

– Aria, por favor. – mamãe pediu.

– Por favor, vocês.

– Aria, nós sabemos que você e o professor... digo, Ezra se amam. Mais precisava fugir da escola pra encontrá-lo?

– Precisava mamãe. Porque vocês não me deixariam vê-lo. Eu queria me despedir.

– Você está de castigo. – papai disse e se levantou.

– Agora me diga uma coisa que eu não sei. – ironizei.

– Aria Montgomery, a próxima vez que você me responder...

– O que você vai fazer papai? Me bater?

– Aria, por favor. – mamãe estava assustada.

– Vai ficar no seu quarto. E não saia daí até eu ordenar.

– Ok. – afundei meu rosto no travesseiro e algumas horas mais tarde, ouvi meus pais discutirem. Fui para o banheiro e tomei um bom banho gelado. Estava lendo “Orgulho e Preconceito” quando bateram na porta.

– Aria? Posso entrar? – Mike perguntou abrindo a porta.

– Pode. – sorri.

– Eu trouxe o jantar pra você. O papai e a mamãe saíram.

– Obrigada, Mike, mas não estou com fome.

– Coma um pouco. Vai ficar doente. – insistiu.

– Tudo bem. – peguei a bandeja e comi um pouco da sopa feita por ele.

– Não se acostume. Não vou fazer comida pra você sempre. – brincou.

– Eu nem sabia que você gostava de cozinhar.

– Foi a Mona que me ensinou. Mais o papai não pode saber disso, porque esta tarefa é coisa de mulher. – ele riu.

– Seu segredo está salvo comigo.

– Eu sinto muito pelo Ezra.

– Obrigada, Mike. – agradeci, abaixando a cabeça.

– Hei, não fique assim, Aria. Ele vai voltar. Tenha fé em Deus.

– Minha fé está abalada, Mike. Eu não consigo entender o porquê desta maldita guerra, e o porquê do meu Ezra ter sido convocado.

– Talvez ele tenha uma missão importante naquele lugar, Aria. Vai saber o que Deus reservou a ele.

– Talvez você tenha razão.

– Eu preciso ir me encontrar com a Mona. Qualquer coisa me liga ok?

– Obrigada Mike.

– Não precisa me agradecer. Você é minha irmãzinha. Odeio ver você triste.

Ele beijou minha testa e foi embora. Terminei de tomar a sopa que ele preparou e fui me deitar. Por volta das três da manhã, ouvi a maçaneta da minha porta girar. Me virei, assustada, mas era minha mãe.

– Eu sinto muito por ter te acordado, querida. Só queria ver como você estava.

– Estou bem, na medida do possível.

– Eu queria te pedir desculpas. Eu sei que o amor de vocês é forte. Eu deveria ser mais compreensiva.

– Não se culpe mamãe. Você foi criada assim. Infelizmente.

– Aria, não contradiga seu pai, por favor.

– Mamãe, é impressão minha ou você sente medo do papai?

– Não, claro que não. Seu pai é um bom homem, só um pouco tradicional. Ele nos ama, Aria. Ela só quer o bem da nossa família.

– Tudo bem.

– Hoje nós jantamos com os Kahn.

– Que legal.

– O Noel estava presente. Está mais bonito, precisa ver. Vai assumir um cargo importante na empresa do pai.

– Que bom pra ele mamãe.

– Ele perguntou de você.

– Não adianta, não quero nada com ele.

– Como quiser. Eu te amo, Aria.

– Também te amo, mamãe. – ela sorriu e fechou a porta. Era impressionante como eles queriam me ver casada com o Noel. E eles iriam fazer de tudo para conseguir.