Até Os Mais Fortes, Às Vezes Caem
3 Capítulo 3 - Tempo de Descoberta
Notas iniciais
Vamos descobrir o que aconteceu no beco, vamos saber mais dos assassinatos, vamos descobrir o que Mycroft conversou com nosso querido John, e não é coisa boa, eu tive vontade de socar o Mycroft na hora que escrevi xD. E vamos ver um John muito irritado com alguns SMS de Sherlock.
Sherlock/John.
Enjoy!!!
Tempo de descobertas
Quando John voltou à consciência, podia sentir o sangue descendo pelo seu rosto, quente e grudento, sua cabeça doía, vozes podiam ser ouvidas por todos os lados, um barulho ensurdecedor lhe causava náuseas, tudo estava confuso ele não entendia o que estava acontecendo, sua visão estava embasada, doía tentar focar a vista.
A única coisa que parecia real daquela cena caótica era algo confortável debaixo da sua cabeça e algo quente em seu rosto. O médico podia ouvir alguém chamando seu nome, mas estava tudo tão confuso e quando percebeu estava caindo na escuridão novamente.
Um bipe podia ser ouvido em algum canto do lugar em que ele estava, o cheiro de cloro irritava seu nariz, pelos sons e cheiro John tinha certeza de que estava em um hospital, mas o que estava fazendo em um hospital? As lembranças do que aconteceu no beco inundaram sua memória. As imagens passaram em alta velocidade em sua cabeça, e uma onda de náusea forte lhe inundou, ele virou para o lado para por para fora o que tinha no estômago quando escutou uma voz próxima a ele.
– Aqui, John! – E viu um balde e em questão de segundos esvaziou o estômago. Pela voz, o loiro reconheceu que era seu amigo, o que ele estava fazendo no hospital? Ele voltou a se deitar, o gosto ruim na boca lhe incomodava.
– Beba um pouco de água, e jogue fora aqui. – Sherlock lhe estendeu um copo descartável com um pouco de água para ele. John o olhou e sua expressão estava como sempre, a de alguém que estava com tédio. O loiro aceitou o copo d’água, bochechou e cuspiu no balde que seu amigo tinha estendido a ele.
– Conseguiu pegá-los? – o médico sentiu algo repuxar do seu lado esquerdo, próximo as suas têmporas. Ele levou a mão para tocar, mas foi impedido por Sherlock.
– Não toque, você levou uma pancada feia na cabeça, levou cinco pontos, e ao cair bateu a cabeça no meio fio, o médico que te atendeu acreditava que você tinha tido um traumatismo craniano ou uma concussão. Mas ele era muito incompetente, requisitei outro médico, e esse outro te examinou e o diagnóstico foi que seu cérebro estava bem.
– Por que ainda estou aqui então? – Sherlock virou as costas e foi em direção a janela. – Mera formalidade. – ele respondeu de costas. – Eu não consegui pegar os criminosos, na hora que você apareceu e o comparsa te acertou, o outro me soltou e eles fugiram.
– Mas você não foi atrás deles, Sherlock? – John não entendia o que tinha acontecido.
– Não fui atrás deles, porque você necessitava de assistência, você sangrava muito, e provavelmente eles tinham algum carro nas redondas. – Seu amigo não tinha pego os assassinos por sua causa, se mais alguém morresse era culpa dele. John sentia a culpa lhe inundando o peito.
– Não foi sua culpa, John. – Sherlock disse, ele parecia poder ler sua alma. Como ele sabia que se sentia culpado se nem estava olhando para ele para ler suas feições como sempre fazia? – Eu não disse nada Sherlock! – ele fechou os olhos e se recostou no travesseiro. E quando os abriu viu um Sherlock muito próximo a ele, seu coração começou a bater mais rápido.
– Você é humano John, têm sentimentos, você sente empatia pelas pessoas, você se coloca no lugar das pessoas, sente suas dores. Isso o torna... – Sherlock não terminou a frase.
– Você também é Sherlock.
– O quê John, sou o quê?
– Humano... – John disse num fio de voz.
– Sim, John. Sou humano, mas não sinto, não tenho empatia por elas, não me importo com elas, as pessoas são fracas, simplórias, não sabem usar o cérebro, só me coloco no lugar delas para deduzir o que elas fariam nas mais diversas situações, mas logo que eu descubro pego todos esses sentimentos e jogo fora, pois para mim eles não significam nada. Não são nada mais que uma perda de tempo, força e foco. – ele se afastou e voltou para a janela, John sentia uma dor crescendo em seu peito que não tinha nada haver com a ferida em sua cabeça.
– Com licença, posso examinar nosso paciente? – John olhou para a porta e viu Sara, ela tinha um sorriso tímido nos lábios.
– Você é a médica, por que pergunta? – Sherlock disse de forma fria. – Entre logo e faça seu trabalho. – Sara ficou sem saber o que fazer, se entrava e examinava John, ou se ia embora, quando lhe avisaram do comportamento de Sherlock, ela não esperava esse tipo de recepção. John sempre lhe disse que seu amigo era brilhante e inteligente, e que era um pouco estranho, mas nunca havia falado daquela frieza que ela via. Ela não tinha visto nada disso dá outra vez que eles tinham se encontrado.
– Sherlock! Desculpe Sara. – John sorriu sem jeito. Sherlock saiu de perto da janela, e ficou encostado na parede próximo a porta, de frente para ele e as costas de Sara.
– Bom, vamos ver como você está! Se tudo estiver bem, posso lhe dar alta ainda hoje.
– Claro que ele está bem. Só está aqui por mera formalidade, ele não apresentou nenhum osso do crânio fissurado, não apresentou nenhum hematoma epidural, ou subdurais, intracerebrais, hemorragia disseminada pelo cérebro ou edema cerebral. Eu sei que esse tipo de trauma pode apresentar lesão axonal difusa, nesse caso o cérebro parece normal à tomografia de crânio, e que pode ocorrer uma lesão microscópica nas células celebrais. Mas não foi esse o caso.
– O senhor é médico senhor Holmes? – Sara perguntou.
– Não, só um curioso.
– Só o ignore. – John disse sem jeito.
Sara sorriu e começou a fazer os exames. Ela mediu pressão, olhou suas pupilas, testou seus reflexos, apertou aqui e ali. Por ser médico ele sabia de todos os exames e testes que tinham que ser feitos para ter certeza que um paciente estava bem e respondendo bem aos medicamentos ao qual tinha tomado. Mas não se sentia bem ou à vontade com o exame que Sara estava fazendo com Sherlock parado olhando para ele.
Só quando Sara avisou que ia desamarrar sua camisola para fazer alguns outros exames o loiro percebeu que não estava com suas roupas.
– O que houve com minhas roupas?
– Estavam sujas, fedendo e com sangue. – Sherlock respondeu.
Sara colocou oestetoscópio em suas costas aqui e ali. Em um momento ela passou o dedo pela cicatriz que a bala que tinha lhe certado no Afeganistão tinha deixado. John se encolheu com o toque, depois do ocorrido àquele local tinha ficado muito sensível.
– Dói? – Sara perguntou num fio de voz rouca. Sherlock logo atrás dela franziu as sobrancelhas.
– Não, só não gosto que toquem. – Sherlock se aproximou da cama, Sara levou um susto ao sentir a presença do detetive do seu lado.
– Que susto, senhor Holmes! Esqueci que o senhor estava ai.
– Sim, eu percebi isso. – John viu Sara ficar com o rosto vermelho, e ele olhou para Sherlock, e o detetive o olhava bem nos olhos.
– Bem, eu acredito que você está bem John, mas se apresentar os sintomas de ...
– Eu sei quais são, não precisa listá-los, vamos John, tenho coisas a fazer, vou morrer de tédio se ficar mais um minuto aqui.
– Sabe? – A voz de Sara saiu em um tom de incredulidade.
– Oh Deus, não... – o loiro gemeu baixo. Sherlock olhou a médica de cima abaixo, lendo todos os sinais que seu corpo apresentava, a dilatação das pupilas, as olheiras mal disfarçadas pela maquiagem pobre que ela estava usando no rosto, os lábios levemente entreabertos, o modo como ela tinha prendido o cabelo, a postura e pressão que as mãos faziam no prontuário médico de John, a inclinação dos braços em relação ao corpo, respiração curta e apressada, o modo como ela estava pisando no chão trocando de um pé para o outro.
– Quanto tempo você não se envolve um relacionamento romântico?
– Como? – A médica não tinha entendido onde o detetive queria chegar. Mas John sabia e tratou de interromper.
– Já posso sair?
– Ahn? Ah claro John, te darei alta, mas fique de olhos nos sintomas...
– Já disse que sei quais são os sintomas, e John também sabe, então não precisa listá-los como já pedi.
– Sherlock! Desculpe Sara, será que pode providenciar a papelada para a minha liberação enquanto eu troco de roupa?
– Claro, só vai levar alguns minutos. – E antes de sair, ela voltou a amarrar a camisola de John e logo em seguida saiu.
– Diga que trouxe roupas limpas para mim.
– Não, eu não trouxe. – Sherlock se afastou da cama e voltou a olhar a janela.
– Eu não posso ir embora vestido assim!
– E por que você iria embora assim, John? Às vezes você não faz sentindo algum.
– Você disse que não trouxe roupas para mim, e eu estou vestindo uma camisola de hospital, e minhas roupas estão com sangue e fedendo então é fácil juntar dois mais dois.
– Se você se acalmar e olhar para a cadeira ali no canto, poderá ver uma muda de roupas. – o loiro olhou na direção que seu amigo havia dito e tinha umas peças de roupas em cima dela.
– Mas você disse que não tinha trago roupa para mim.
– E eu não trouxe. – Sherlock continuou a olhar pela janela.
– E aquela roupa foi parar ali por mágica?
– John, você sabe que essas coisas estúpidas como mágica não existem. Foi a senhora Hudson quem trouxe.
– Ai meus Deus, por que você não disse isso desde o inicio? – O loiro sentia a cabeça latejar.
– Você não perguntou.
– Eu não per... pergun... – John respirou fundo. – Ah esquece! – Ele se levantou da cama, testou suas pernas e seu equilíbrio, sentiu que suas pernas não tremeram e nem sentiu nenhuma tontura, e assim foi em direção à cadeira para pegar as roupas. Estava desamarrando a camisola, quando lembrou que seu amigo ainda estava no quarto e o estava vendo praticamente nu.
Olhou para Sherlock e ele ainda estava parado perto da janela e olhando para fora.
– Será que posso ter um pouco de privacidade aqui? – sem nem tirar os olhos da janela o moreno respondeu.
– Eu não me importo.
– Mas eu me importo Sherlock, sai! – Seu amigo olhou para ele, piscou e saiu do quarto sem dizer nenhuma palavra.
John suspirou, ele nunca iria entender completamente aquele homem. Quando saiu Sherlock estava conversando com Lestrade na recepção do hospital.
– Que bom que está bem, John.
– Obrigado Lestrade. – John sorriu, o inspetor realmente parecia feliz com sua alta do hospital. – Podemos ir agora Sherlock.
– Depois te passo a atualização do caso, Sherlock. – Aquilo soou como um código aos ouvidos de John, será que a pancada na cabeça tinha lhe deixado paranóico?
Quando saíram das instalações do hospital, o sol já estava alto, seu amigo chamou um táxi e foram para casa. Quando chegaram a Baker Street número 221B, John fez o caminho para seu quarto, e já estava chegando a porta quando ouviu seu amigo chamar.
– John, não vai fazer o chá?
– Não quero chá agora Sherlock, só quero me deitar.
– Mas eu quero, John. Não tomei o desjejum porque estava no hospital com você.– O loiro bateu a testa no batente da porta. Ele estava cansado, sua cabeça latejava e Sherlock só pensava no maldito chá?
– Peça a senhora Hudson, ou faça você mesmo. Estou cansado, os remédios que me deram estão fazendo efeito. – O loiro sentiu a presença de seu amigo perto dele e abriu os olhos, Sherlock olhava para ele com aquele olhar de menino e fazia um leve bico com os lábios. Sherlock não devia saber o qual adorável ele parecia às vezes... às vezes...
– Mas eu gosto mais do seu chá John, você deixa a água ferver na temperatura certa, coloca a quantidade de chá e acrescenta a quantidade de leite e açúcar que eu gosto também. – John riu, literalmente cara de cachorro que caiu da mudança.
– Ok, Sherlock eu vou fazer.
– Perfeito! – Seu amigo se afastou feliz e foi direto para o painel na parede. John balançou a cabeça e foi para a cozinha.
– Se eu desmaiar na cozinha a culpa vai ser sua.
– Eu não vou sentir culpa. – O loiro colocou água na chaleira e foi para a sala.
– Você não vai sentir culpa?
– Não! – Sherlock tinha os olhos fixos no painel e conversava consigo mesmo, as mãos juntas, os dedos se tocando.
– Por que não? – Depois de alguns segundos, John viu que não ia obter nenhuma resposta, ele voltou para a cozinha. – Se eu desmaiar... – Ele continuou. – Você vai ter que me levar para o meu quarto carregado e me colocar na cama, por favor, não me deixe nesse chão frio. – John riu do próprio comentário.
O chá tinha ficado pronto, o loiro levou duas canecas para a sala e ao sentir o cheiro do chá, Sherlock imediatamente saiu do seu estado de transe e pegou sua caneca e sorveu um longo gole do liquido quente. John seguiu com os olhos cada movimento do seu amigo, depois de engolir, Sherlock soltou um logo gemido de satisfação que fez com que os pelos do braço de John se arrepiassem, ele engoliu em seco, sua garganta parecia que tinha fechado, seu chá ficou esquecido a meio caminho dos seus lábios.
– Seu chá vai esfriar! – seu amigo tinha um quê de curiosidade nos olhos, John ficou desconcertado, e bebeu seu chá para disfarçar sua vergonha, se não bastasse tudo que estava acontecendo com ele, agora estava secando os movimentos do amigo.
– Então... quando vai ser o encontro com Sara?
– Perdão, como?
– O encontro John, a doutora deve ter-lhe chamado para sair.
– Não sei do que você está falando Sherlock. – O loiro não estava gostando do rumo daquela conversa.
– Ela ainda não lhe chamou para sair? Hmm estranho... ela tem um interesse muito grande por você, claro que... bom...
– Que interesse, Sherlock? Não estou entendo.
– Não? Ora meu amigo, ela quer fazer sexo com você, isso é claro como água. – O loiro cuspiu o chá que estava tomando. Como Sherlock podia falar daquilo sem nem ao menos ficar vermelho.
John ia falar que o amigo estava errado, mas antes que pudesse formular qualquer argumento, o moreno listou todos os sintomas do interesse de Sara por ele, até os mínimos detalhes que não deveriam ser ditos fora das quatro paredes de um quarto.
– SHERLOCK, PELO AMOR DE DEUS PARE! – John gritou, ele sentia que seu rosto ia explodir a qualquer momento. Sherlock olhou para seu amigo, ele tinha o rosto vermelho e respirava rápido, aquilo indicava...
– Jesus, Sherlock. Você tem que parar de fazer isso.
– Fazer o que? O interesse dela por você é claro, mas você não parece ciente do efeito que causa na doutora, você parecia interessado nela há uns meses atrás, já não tem interesse mais? John, se você não tem interesse sentimental nela, pelo menos vá pelo sexo, você anda muito estressado, você está com sintomas claros de excesso de estímulos sexuais não saciados.
John bateu sua caneca de chá com força na mesa da sala, ele se levantou, e foi em direção ao seu casaco próximo a porta.
– Vai aonde?
– Vou sair, não tenho que escutar isso.
– Vai à casa da Sara? Ela já deve ter saído do plantão.
– Se eu for direto para a cama dela você se importa? – Sherlock estranhou a pergunta.
– Não, por quê? Desde que esteja aqui as 07h00min em ponto.
– Pra que eu estaria aqui há essa hora?
– Meu chá, John. Ah e as 08h00min devemos ir a Scotland Yard.
O loiro sentia uma vontade imensa de socar Sherlock, como alguém podia ser tão idiota, cretino, como uma pessoa sendo tão inteligente não tinha percebido que ele gost... John arregalou os olhos.
– Vá pro inferno Sherlock! – John saiu batendo a porta.
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Depois de andar por horas a fio, o loiro sentia fome e os efeitos dos remédios que havia tomado tinham passado, sua cabeça latejava, seu corpo doía. Mas ele não ia voltar pra casa. Estava acontecendo do jeito que Mycroft tinha dito que ia ser, como ele pode ser tão cego, como deixou ir tão longe?
Como se deixou envolver? Por quê? Será que estava se sentindo tão sozinho, tão desesperado por companhia que deixou acontecer mesmo sabendo do resultado final?
John passou em frente a uma farmácia e comprou os remédios que tinha que tomar, e logo em seguida foi a uma cafeteria comprar algo para tomar com os remédios. Assim que entrou um rapaz sorridente veio lhe atender.
– Posso anotar seu pedido senhor? – O rapaz tinha olhos muito bonitos, e um sorriso cativante, lembrava muito...
– Senhor?
– Oh desculpe, vou querer um pedaço de torta, e uma xícara de chá de hortelã, e uma garrafa de água, por favor. – O loiro sentiu uma pontada de dor mais forte.
– Dia difícil? – O rapaz perguntou educado.
– É pode-se dizer que sim. – John olhou para fora pela vidraça da loja e viu um casal se abraçando na rua. Seu coração doeu.
O rapaz voltou com o pedido de John e quando chegou o viu olhar para o casal.
– Se o senhor quiser, posso trocar sua torta salgada por nossa torta de chocolate trufado, ela faz milagres com corações partidos.
– Corações partidos? – O rapaz sorriu e indicou com a cabeça o casal que ele estava olhando. – Ohh não... nada de coração partido... só dia difícil mesmo. – Sorriu sem graça para o rapaz.
– Se o senhor diz... – O rapaz deixou os pedidos John e se afastou, não sem antes olhar para trás e suspirar.
O loiro abriu a garrafa d’água e tomou os remédios, se recostou na cadeira, fechou os olhos. Não queria pensar em nada, mas sua mente traidora lhe fez reviver cada pedaço da lembrança da conversa que teve com Mycroft. Uma conversa que tinha tentado enterrar no fundo da sua mente, por achar que Mycroft estava vendo demais, quem ele estava querendo enganar?
Algumas semanas atrás.
John tinha atendido seu último paciente da parte da tarde. Olhou para o relógio, se ele fosse rápido dava para fazer uma pequena parada para o chá da tarde, mas na hora que ia levantar da cadeira, ele ouviu uma batida na porta, e Sara entrou, ela parecia meio sem jeito.
– Algum problema, Sara?
– Não, é que tem um homem que insiste em falar com você, ele disse que você ignorou as chamadas dele. – Ela sorriu sem graça.
O médico não recebia ninguém em seu consultório, e não ia começar agora, a pessoa ia ter que esperar até o fim do expediente. John ia pedir a Sara que mandasse a pessoa embora quando a porta abriu novamente, revelando ser um homem alto e com uma postura impecável, e um par de olhos frios, Mycroft.
– Senhor, você não pode entrar aqui...
– Tudo bem Sara! Será podemos conversar mais tarde, Mycroft? Como pode ver estou trabalhando.
– Boa tarde, doutor Watson! Creio que o assunto que irei tratar é de seu interesse.
– Seja qual for o assunto, tenho certeza que pode esperar.
– Sherlock. – Mycroft disse a palavra mágica e esperou o resultado, e como esperado ela surtiu efeito.
– O que houve com ele? Oh Deus o que ele aprontou agora?
– Pode me atender agora? – Mycroft levantou a sobrancelha e um pequeno sorriso se formou no canto direito de seus lábios.
– Sara, pode nos deixar a sós, por favor? – Mycroft sentou-se a cadeira a frente da mesa de John.
– Oh, desculpe. – Ela saiu e fechou a porta.
– Desembucha Mycroft.
– Precisamos conversar sobre seu relacionamento com meu irmão.
– Meu relacionamento? O que tem minha amizade com Sherlock? – Mycroft olhava para os olhos azuis e cansados do doutor, tentando achar ali algum indício de que ele estava lhe enganando. Mas não viu nada, tudo na postura de John Watson lhe dizia o que já sabia.
– Não só sua amizade doutor Watson.
– Me chame de John.
– Tudo bem John. Eu tentei te comprar no primeiro dia que lhe conheci, você recusou sem nem mesmo saber quem eu era, ou quem era meu irmão. Se manteve firme em seus princípios, você é um homem honrado, John.
– Vai querer me comprar agora? Ficou louco não é? Se você está tão desesperado por informações sofre o Sherlock, pergunte a ele o que quer saber, e não me venha com “muitas histórias entre vocês”. Ou então mande seus homens vigiarem melhor o Sherlock!
– Não John. Eu o subestimei na primeira vez que o vi e não vou fazê-lo novamente... Não estou preocupado com Sherlock e sim com você.
– Comigo? Por quê?
– Todas as outras pessoas que se aproximaram do meu irmão queriam alguma coisa. Sempre foi muito construtivo ver como meu irmão botava para correr um a um. Queriam dinheiro da nossa família, aproveitar de sua inteligência, da sua ingenuidade... do seu brilho... Mas você, John... – Mycroft parou um pouco procurando a palavra correta e não encontrou. — Não queria nada disso... não quer nada disso.
– Não estou entendendo o sentido dessa conversa, Mycroft. – O irmão mais velho de seu amigo levantou a mão.
– Não me interrompa!
– Deus, isso deve ser mal de família, deve passar pelos genes! – Mycroft riu.
– Acho que entendo porque Sherlock lhe mantém perto. De alguma forma, meu irmão mudou depois que te conheceu, John. Porém isso em longo prazo vai matá-lo. Sim, a ele ou a você meu caro doutor. Meu irmão está mais forte e quando se tem algo para proteger nós fazemos qualquer coisa, mas isso se torna nossa maior fraqueza.
– Mycroft, eu realmente não estou entendo nada do que você está querendo me dizer, você poderia ser mais claro?
– Você no dia que conheceu meu irmão, lhe salvou a vida. E vem cuidando dele desde então, mas essa abnegação tem preço. Você está disposto a pagar por esse preço, John?
– Abnegação? Preço?
– Não se apegue. – Mycroft disse. – Todos se apegam e... acabam... você sabe ou vai acabar descobrindo se continuar nessa linha.
– Não me apegar?
– Sim, todos que se aproximam dele, se apegam. Acham que podem mudá-lo, ou fazer com que meu irmão perceba que eles existem. Pensam que ele talvez possa ter algum tipo de sentimento por eles, mas Sherlock é incapaz de sentir. Isso nunca acontece, Sherlock é um ser auto suficiente, não precisa de nada e nem de ninguém, John. Não se iluda com algumas poucas situações onde talvez ele demonstre preocupação por você. Não é o que parece, pode ter certeza.
John sentia que tinha levado um murro no estômago.
– Não entregue seu coração a ele John. Ele irá pisá-lo como quem pisa em uma barata. Ele não tem sentimentos, isso faz dele forte, e se algum dia ele os tiver, isso irá matá-lo. Vocês já são quase um casal, é interessante de observar mas completamente letal para ambos.
– Mycroft pelo amor de Deus, eu não sou Gay...
– A questão aqui nunca foi sexualidade, querido John. Sexualidade é um mero detalhe no problema todo. Só estou tentando lhe poupar um pouco de dor, a maioria das pessoas não resiste.
– Não resistem a quê?
– A não terem seu amor por Sherlock correspondido. – John prendeu a respiração.
– Eu... não sinto nada disso que você está falando pelo Sherlock, ele é meu amigo e é normal que eu queira o seu bem! – Mycroft levantou-se da cadeira em que estava sentado e foi em direção a mesa de John. Ele se aproximou o máximo que o móvel entre eles permitia, colocou as duas mãos espalmadas sobre mesa e ficou bem próximo ao médico, sua voz era quase sussurrada, e naquele momento lembrava muito a do seu amigo.
– Me diga se estou enganado em algum ponto. Toda vez que Sherlock se machuca, seu coração se aperta, e essa sensação só faz aumentar a cada dia. Você faz tudo que ele pede, pois assim você se sente importante. Se importa com tudo que as pessoas falam dele, mas não com o que elas falam de você. Se alguém apontar uma arma para ele, você é o primeiro a pular na frente. Você o entende muito mais do que eu que sou irmão. Você é a consciência dele, John. Ouso dizer que você é o coração dele.
John levantou da cadeira e foi para o outro lado do consultório.
– Ridi..culo.. – John gaguejou e pigarreou. – Isso tudo é ridículo Mycroft, todos esses sentimentos que você falou são normais, que amigos sentem um pelo outro.
– Sim, John. Só que no seu caso é unilateral. – “unilateral” a palavra reverberava nos ouvidos de John, e ele sentia os olhos arderem.
– Vá embora Mycroft, me deixa sozinho! – John estava quase gritando.
– Não se apaixone, John. Não quero ter que recolher seu corpo debaixo de alguma ponte porque não pôde lidar com a rejeição. – O loiro se virou para o irmão mais velho de Sherlock e foi em sua direção como um touro raivoso, o pegou pelo colarinho e o emburrou para a parede. Mycroft sentiu dor ao ser empurrado contra a parede.
– Nunca mais na sua vida repita isso sobre mim. Eu nunca... nunca faria isso.
– Talvez, mas já pensou várias vezes quando voltou do Afeganistão.
– Vá embora daqui antes que eu lhe dê um soco! – Mycroft arrumou seu casaco.
– Espero que leve meu conselho em consideração, pois começa com uma leve admiração, depois vem respeito, o sentimento de proteção, a necessidade de ficar cada vez mais próximo, e quando se der conta vai estar irremediavelmente apaixonado. No final terá seu coração estraçalhado, acredite! eu já vi acontecer mais vezes do que gostaria. Mas toda as outras pessoas eram descartáveis.
– SAIA DAQUI! – Mycroft pegou seu guarda chuva próximo a cadeira e antes que saísse pela porta do consultório do amigo de seu irmão, disse em um tom baixo, mas que era audível para John.
– Contudo, acho que meu conselho chegou tarde. – E saiu pela porta.
Momento presente
John abriu os olhos, e reparou que o rapaz que lhe tinha atendido olhava para ele. Ele sorriu sem graça, e o rapaz acenou. Sua cabeça ainda doía, mas a dor agora era suportável. Quando levou a xícara de chá aos lábios sentiu seu celular vibrar e ouviu o som de mensagem recebida. Ele tirou o celular do bolso e leu a mensagem.
“ O atendente é gay, não alimente as esperanças do rapaz, se isso for o que você quer. — S.H”
John olhou incrédulo para a mensagem no seu celular, ele olhou para todos os lados na cafeteria para ver onde Sherlock estava. E sentiu o celular vibrar novamente.
“ Não estou na cafeteria, então pode parar de me procurar. — S.H”
John começou a digitar:
“ Como sabe onde estou? Me seguiu para ver se eu ia para a cama da Sara? — J.W”
Assim que enviou a mensagem se arrependeu, depois de ler novamente, ele percebeu que ela soará um tanto sentimental e ciumenta. Oh Deus, ele estava tão fudido. Depois de alguns segundos sentiu o celular vibrar novamente. E tentou segurar a onda pânico. Ele leu a mensagem.
“ Depois que vi pela janela que você não pegou um táxi, foi fácil deduzir pela direção que tomou. Já fomos a esse café algumas vezes e é normal para as pessoas irem a algum lugar que conheçam quando querem um pouco de conforto. — S.H”
Lugar que conhecem? John olhou em volta e se lembrou da cafeteria, agora ele se lembrava do local, já tinha ido ali algumas vezes com Sherlock. Mas não tinha como seu amigo saber que ele tinha ido ali, tinha andado por horas sem nem mesmo saber por onde ia, não tinha como Sherlock saber sem que tivesse lhe seguido. John passou os olhos mais uma vez pela cafeteria. Observou através da janela uma praça e viu pessoas distraídas sentadas e conversando, procurava por seu amigo. Seu celular estava vibrando novamente.
“ John, eu já avisei que não estou ai, então pare de me procurar. — S.H”
John sentiu raiva. – Filho da mãe! – Seu celular vibrou de novo.
“Me xingar não vai resolver seus dilemas. Mas se xingar te acalma, então tente em alemão, é mais eficaz. — S.H”
“ Que dilemas? Não estou enfrentando dilema nenhum. E eu não sei alemão. – J.W”
“ Quando for conveniente, volte para Baker Street. – S.H”
“Ainda estou com raiva, então pare de me escrever. – J.W”
“ Achei que após três horas, quarenta e três minutos e quinze segundo e contanto já estaria mais calmo. – S.H”
John não respondeu a mensagem, ele tinha um pequeno sorriso nos lábios, então Sherlock estava contanto o tempo que estava fora de casa...
“ Você não respondeu minha última mensagem. — S.H” – John começou a digitar.
“ Já lhe ocorreu que eu poderia está ocupado conversando com alguém? – J.W” – E enviou. Logo em seguida seu celular vibrou. – Nossa que rápido!
“ Você não gosta de conversar quando está com raiva, e se precisar responder alguma pergunta é por monossílabos para não ser mal educado. – S.H”
John abriu a boca para protestar, mas seu celular vibrou de novo.
“ Não adianta protestar, você sabe que é verdade, hoje você está no nível 6 na minha escala de *raiva John*, então... você não conversa mas responde a mensagens. S.H”
John começou a rir. Sherlock tinha classificado os seus níveis de raiva? Aquilo soava tão... tão.. fof... seu celular vibrou de novo.
“ Creio que esteja sorrindo agora, então preciso que você venha, aconteceu outro assassinato, Rua Calrson numero 33. – S.H”
John franziu a sobrancelha. – Cretino!
“ Em alemão, John... em alemão... – S.H”
Continua...
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Nota da autora: Oie pessoal!! \\o\\... esse é o terceiro capitulo da fic, espero que tenham gostado, pois amei cada pedacinho e tive vontade de matar o Mycroft em alguns momentos. Sério, alguém além de mim teve vontade de socar o Sherlock como o John teve? xD Eu tive...
Esse capitulo ficou um pouco maior que o esperado, e um pouco mais sério, vocês ainda estão aiii??? Ç__Ç
E o rapaz da lanchonete suspirando pelo John, será que ele volta? xD
Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi de: Yuna D, By Elixir, Cinyt Cintia e Haruna,
Bom a Cintia e a Haruna não logaram para mandar a review e por isso não consegui responder as suas reviews diretamente para você:
Cintia: Obrigada linda pela review super fofa, não sei se a fic terá vários capítulos, vamos ver como as coisas se desenrolam.. \\o\\
Haruna: Você teve a sorte de começar a ler fic próxima a atualização e acho que ela veio mais cedo né? Fico muito feliz que tenha gostado dela, meu coração se enche de amor toda vez que alguém comenta... xD Sim em algum capitulo terá uma ou umas cenas calientes com nosso amado detetive e nosso médico fofo, só não sei em que capitulo... \\o\\ sim eu sou má... mas vocês gostam xD. Vou fazer o meu melhor para não atrasar, e não ter nada de Hiatus.. poh dexa... o/
Queria agradecer a minha irmã a SHOLMES que é super fofa, que leu o capitulo primeiro, surtou horrores e betou a fic pra mim \\o\\....mas se sobraram alguns erros, se lembrem, eles são todos meus.. @_@
Todas as reviews foram respondidas e estão todas arquivadas e guardadinhas.
E faça uma ficwriter feliz, deixe uma review, nem que seja para cobrar o próximo capitulo. Não há nada melhor no mundo do quê uma review recebida ou uma review respondida!! \\o/
Devo atualizar no dia 15/06.
Kisses for all.
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Próximo capitulo:
No próximo capítulo, vamos descobrir um pouco mais sobre os assassinatos, nosso querido Mycroft vai dar o ar da graça novamente, será o que ele quer dessa vez?
E nosso querido detetive vai pegar nosso querido médico em uma situação pra lá de constrangedora. Vocês vão surtar horrores... eu surtei.. xD
Cenas do próximo capítulo:
Oh Deus, ele precisa de alívio. Desde sua volta do Afeganistão ele não se sentia assim vivo, queimando, sentindo pela primeira vez em anos seu sangue correr rápido pela suas veias.
Ele estava na banheira, ele sentia seu membro ganhar vida, e começou a se tocar. Oh Deus sim, ele precisava daquilo. Sim, rápido... ele não agüentaria aquela tortura por mais tempo.
– Hmm...Sherlockkk... — Ele gemeu.
– Sim... – uma voz rouca se vez ouvir no banheiro.
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