Até Os Mais Fortes, Às Vezes Caem
4 Capítulo 4 - Tempo de Sentir
Notas iniciais
Esse é o quarto capitulo da fic... vamos descobrir um pouco mais sobre os assassinatos, nosso querido Mycroft vai dar o ar da graça novamente, será o que ele quer dessa vez?
E nosso querido detetive vai pegar nosso querido médico em uma situação pra lá de constrangedora.
AVISOS: Ç_Ç desculpem por atualizar tão tarde... mas o dia foi dificil hoje... mas espero que o capitulo justifique a demora... *_*... por favor leiam os avisos no final da fic..
Enjoy!
Tempo de sentir
John chegou à cena do crime, várias viaturas podiam ser vistas no local, uma faixa amarela isolava a área, algo parecia estranho. Ele se aproximou e pôde ver Donovan discutindo com Lestrade, eles estavam longe e o loiro não podia escutar direito o que diziam, John tinha tido vários treinamentos no exército e um deles era a leitura labial. Ele não queria ser intrometido, mas a situação ali parecia diferente, o que tinha acontecido? Todos pareciam estar com os nervos à flor da pele?
“ – Já é o terceiro incidente, a mídia vai cair matando, você viu o estado daquele lugar? Dos corpos ou o que sobrou deles? Aquela aberração não descobriu nada, você vai deixar mais alguém morrer só para aquele idiota levar a glória? Nós não precisamos dele, nunca precisamos, Ele no mínimo é amigo do assassino, ou ele mesmo matou aquelas pessoas. Ele é um sóciopata, ele é...”
“ – Donovan não fala besteira! – Lestrade falou mais alto, mas abaixou o tom de voz. – Você acha que ele seria capaz de fazer aquele tipo coisa? Aquilo lá dentro é hediondo, acha mesmo que ele seria capaz? – A sargento abriu a boca para responder, mas foi interrompida por Anderson que tinha se aproximado e estava com cara de poucos amigos.”
“- Lestrade, quando vai liberar a cena do crime pra mim? Tenho que fazer o meu trabalho! – O inspetor suspirou e passou a mão pelo rosto. – Sherlock ainda não terminou, assim que ele terminar, te aviso.”
“ – Assim não dá... ele tá lá em cima já tem um tempão, fica falando sozinho, andando para todos os lados, não está usando as roupas apropriadas, tá contaminado a cena do crime, ele está tão feliz que tá quase dançando. Como alguém fica feliz com uma cena daquela? – Anderson tinha uma expressão de nojo no rosto. – Nós não precisamos dessa aberração...”
“ — É mesmo? – Lestrade cruzou os braços sobre o peito e disse. — Se acha que pode fazer melhor é só subir lá examinar o que sobrou dos corpos e me dá o nome e o endereço do assassino, vou ficar feliz em prender o desgraçado! – Anderson abriu a boca, mas foi interrompido pela mão levantada de Lestrade. – Vá dar uma andada, na hora que Sherlock terminar eu te aviso.”
Anderson se afastou, e quando John se aproximou o legista o viu e foi em sua direção.
- O que faz aqui? – O loiro piscou sem saber o que dizer, Anderson praticamente cuspia farpas.
- Sherlock me chamou. – John se viu justificando sua presença ali.
- Aquela aberração não tinha que está aqui, nem você, gostou de apanhar foi? Levou uma pancada na cabeça e quer mais? – John fechou os punhos tentando se controlar. Anderson percebeu que tinha irritado o doutor, já que não podia descontar sua raiva em Sherlock iria descontar em outra pessoa. — Que foi doutor? Anda meio nervoso! – Anderson ria. – O que foi? A aberração não deu direto pro senhor ontem à noite? – John foi pra cima de Anderson.
- Repita isso, para que eu tenha motivo para te socar até cansar! – John gritou.
- O que doutor? Vai fazer o quê? – John levantou o punho em direção ao rosto de Anderson.
- Anderson não fale alto, isso diminui o QI de toda a rua. – A voz de seu amigo o tirou da onda de raiva que o consumia. – John, preciso da sua opinião aqui em cima. – John ficou olhando de Anderson para Sherlock que estava em uma janela uns andares acima. – Suba. – Aquilo não era um pedido, era uma ordem, e John era bom em obedecer a ordens. Ele largou um Anderson apavorado e subiu as escadas do sobrado que era a cena do crime.
Ao subir as escadas ele respirou algumas vezes para se acalmar. Aquilo estava acontecendo com freqüência. Ele sempre tinha sido um homem calmo e tranqüilo, tinha que ser por causa da sua profissão de médico, ninguém gostaria de ser atendido por um médico descontrolado, será que o estresse pós-guerra estava voltando? Ou seria síndrome pós-concussão?
Quando John chegou à cena do crime propriamente dita, havia dois corpos no chão ou parte do que possivelmente tinha sido um copo, a sala estava coberta de sangue por todos os lados.
- Oh Deus! – O loiro encostou-se ao batente da porta e tentou não colocar seu lanche para fora. Havia sangue por todos os lados, o cheiro era horrível, havia pedaços de carne humana grudada nas paredes e teto. – Meu Deus, o que houve aqui. – John cobria a boca e o nariz, sua cabeça rodava, aquela cena era tão familiar, tão próxima, aquele cheiro queimava suas narinas, ele podia escutar os tiros, os gritos de desespero, suas pernas fraquejaram, e braços lhe impediram de cair no chão.
- John!
- O que houve com ele?
- Ele está sofrendo de T.S.P.T.
- O quê?
- Transtorno de estresse pós-traumático, os corpos ali, ou o que sobrou deles deve ter acionado algum gatilho mental para as lembranças da guerra. – O moreno olhava para John, ele estava muito pálido e transpirava.
- Não é melhor levá-lo para o corredor? – Lestrade perguntou preocupado com o loiro. John saiu da sala amparado por Sherlock, Lestrade arrumou uma cadeira e o sentou nela. O loiro respirava com dificuldade.
- Não precisa de um médico? – O inspetor perguntou.
- Não... – John disse entre uma respiração e outra. – Não precisa, já estou melhorando. – o loiro sentia a mão de Sherlock em seu ombro esquerdo, o ombro que tinha sido baleado. Por algum motivo ele não sentia dor, só um calor reconfortante.
- Você não deveria tomar remédio ou algo assim? – Lestrade perguntou sem saber mais o que dizer.
- Tinha... meses... que eu não apresentava nenhum sintoma. – John respirou fundo mais algumas vezes. – Por isso parei de tomar os remédios. Eles não me faziam muito bem mesmo.
- John, preciso que olhe o que sobrou dos corpos, preciso de uma segunda opinião. – Sherlock disse. O loiro arregalou os olhos, engoliu em seco, respirou fundo mais algumas vezes.
- Sherlock, você não pode pedir isso a ele, John não está em condições de voltar para lá. Vou chamar Anderson. – O inspetor ia saindo quando ouviu a voz do loiro.
- Não Lestrade, eu vou. Só me dê uns minutos para me acalmar. – Sherlock deu um pequeno sorriso, e o loiro sorriu sem jeito de volta, o moreno tirou a mão de seu ombro, e um frio estranho se apossou do local onde a mão de seu amigo tinha estado.
Lestrade e Sherlock voltaram para a cena do crime deixando John se recompor. Ele sentia um fio de suor descer pelas suas costas, ainda sentia dificuldades de respirar normalmente. Uma brisa passou por ele trazendo consigo o cheiro de sangue, a náusea voltou.
- Oh Deus! – O loiro gemeu.
- Aqui. – John viu uma mão cobrindo sua boca com uma máscara. – Vai evitar por alguns minutos que sinta o cheiro do sangue, mas com relação às imagens dos corpos não posso fazer nada. – John não precisou levantar os olhos para saber quem estava falando, aquela voz ele reconheceria em qualquer lugar.
- Obrigado Sherlock!
- Podemos ir? – John respirou fundo mais algumas vezes e levantou.
Eles voltaram para a sala e a cena continuava a mesma, os restos dos corpos em todos os lugares, paredes, tetos, janelas. John sentia a presença de Sherlock logo a suas costas, ele estava tão próximo que ele sentia o calor emanando do corpo do amigo, a sensação era tão boa.
- John? – O loiro ouviu a voz de Sherlock a suas costas, ele piscou algumas vezes tentando sair da letargia. Entraram na sala, a sensação de pânico, as vozes, a dor não tinham voltado, o loiro conseguiu se aproximar, seus sentidos de médico e soldado trabalhando juntos.
O abdômen das vítimas tinha sido completamente destruído, ou melhor, não tinham abdômen, era como se algo tivesse saído de lá, como no filme do “Alien o oitavo passageiro”. Ok, isso tinha soado muito dramático, John pensou...
- O qu..o que aconteceu aqui? – O loiro perguntou.
- O que me diz? – Sherlock perguntou de volta. – O que me diz dos ferimentos, do estado da carne que sobrou nos corpos? Reconhece os dois?
O loiro se aproximou mais, as expressões de terror no que sobrou do rosto das vítimas, olhos saltando das órbitas algo neles era familiar, mas estava escapando da memória de John. O médico olhou para os restos, a carne estraçalhada, queimada em alguns pontos, ele se aproximou e cheirou.
Algo lhe veio à memória, aqueles ferimentos não eram estranhos, era de alguém que tinha sido... John olhou para Sherlock e viu o mesmo brilho de reconhecimento nos olhos azuis do amigo.
- Isso mesmo John, esses ferimentos foram causados por uma bomba.
- Como? Se isso tivesse acontecido esse prédio teria ido abaixo. Como alguém conseguiria fazer isso, uma bomba normal não causaria somente esses danos. – O loiro se levantou e ficou ao lado de Sherlock, seu amigo tinha aquele olhar que via a frente, vendo vários cenários, seu cérebro trabalhando rápido como uma máquina.
John queria muito poder acompanhar o raciocínio de Sherlock, mas era tão impossível tão inverossímil. Era como querer prender o ar com apenas as mãos. Seu amigo tinha aquele sorriso nos lábios de alguém que tinha recebido o presente de Natal antecipado.
- A bomba foi feita para causar somente esse dano, John. Foi feita especialmente para eles. É o que a policia costuma chamar de queima de arquivo.
- Queima de arquivo? Não era mais fácil meter uma bala na cabeça deles? – O loiro perguntou tirando a máscara do rosto, Sherlock o olhou e abriu a boca, e revirou os olhos.
- E onde estaria a arte da situação?
- Arte? – O loiro não podia acreditar no que tinha ouvido. – Sherlock eles estão mortos, mataram pessoas, mas não acho que mereciam um fim tão ...tão trágico como esse, chamar isso de arte é... — John tentava encontrar uma palavra que definisse aquela situação. – Ah esquece, mas eu não vejo partes da bomba em lugar nenhum, o pessoal do Lestrade já retirou?
- Não encontraram, e nem vão encontrar ele fez algo único, para não deixar pistas, deve ter se desintegrado com a explosão. – Seu amigo franziu a sobrancelha, ele tinha um pequeno sorriso nos lábios.
- Você fica falando ele... ele... como sabe que é um homem. – John perguntou, mas seu amigo o ignorou e fez outra pergunta.
- Então John, não os reconhece? Claro, da última vez que os vimos eles estavam com um pouco mais de carne e vivos. – O moreno olhou para John e viu que ele ainda não os tinha reconhecido. – Ah vamos lá John! Coloque esse cérebro para funcionar.
- Por que você simplesmente não diz e nos poupa a humilhação? – Lestrade comentou e se aproximou de ambos. Sherlock olhava para Lestrade, e seu olhar dizia que ele não tinha gostado da intromissão.
- Como conseguem? – O moreno perguntou, John suspirou com o comentário, o inspetor deu de ombros. – São os homens do beco, o que me atacou e o que bateu na cabeça de John. – Seu tom dizia: isso é tão claro como água por que ninguém vê?
- Alguém vez justiça com as próprias mãos e matou os assassinos? – O inspetor estava anotando algo em sua caderneta.
- Não Lestrade, isso ... – Sherlock apontou para os restos na sala. –... é o que vocês chamam de queima de arquivo, eles fizeram algo que não deviam, estávamos muito perto, era questão de horas até eu chegar a eles, e a pessoa que os contratou ou aquele por trás disso tudo não quis se arriscar, e os eliminou.
Enquanto Sherlock passava o que tinha descoberto para Lestrade, John se afastou um pouco e ficou vendo seu amigo trabalhar de longe. O moreno tinha um porte altivo, ele se expressava com o corpo e rosto, era bonito de se ver.
- Apreciando a vista doutor Watson?
- Mycroft? O que faz aqui? – Se o irmão do seu amigo estava na cena do crime, algo realmente não estava certo. O que estavam escondendo dele? – Me chame de John.
- Claro... John. – Mycroft sorriu. – Fico pensando se levou em consideração o que lhe falei. Mas pelo seu olhar, vejo que não. – John olhava para ele e depois para Sherlock. – Sim, John.
- Eu não perguntei nada! – o loiro se indignou.
- Mas pensou, a maioria das pessoas pensam tão alto que posso escutar seus cérebros falando. Sim, meu irmão também escuta.
- Vocês leem mentes? – John riu.
- Ler mentes é ficção caro, John. – Mycroft colocou sua mão no ombro do médico.
- Então como sabem?
- É simples... – John parou de prestar atenção no que Mycroft estava falando quando viu Sherlock olhando para eles, ele continuava falando com Lestrade, mas seus olhos não saiam da sua direção, ou da direção de Mycroft. – E eles viveram felizes para sempre.
- Desculpe, como?
- Não prestou atenção em nada do que eu disse John.
- Desculpe, pode repetir? – O loiro pediu sem graça. Mycroft olhou na direção que John olhava e entendeu.
- Hum claro. Só digo uma coisa, você não vai sair ileso dessa história. Caso precise de algo, é só me procurar. E se cuide, você não parece nada bem.
John viu Mycroft ir embora sem entender direito o que ele tinha ido fazer lá.
Depois de passar todas as informações para Lestrade, Sherlock arrastou John para fora do prédio.
- Algo me diz que não estamos indo para casa... – O loiro comentou, o moreno o olhou de soslaio e continuou a andar, seu amigo levantou o braço e chamou um taxi. – Vai me dizer para onde estamos indo, ou vou ter que adivinhar? Ou você vai querer que eu pegue outro carro? – Seu amigo o olhou, algo passou por eles, mas foi tão rápido que John achou que estava vendo coisas.
- Vamos pegar o mesmo táxi, você vai para Baker Street, eu tenho que ver umas coisas. – O táxi parou e eles entraram.
- Por que vou ficar na Baker Street? – o loiro se sentiu excluído, Sherlock apenas o olhou. – Não vai me responder?
- Não é óbvio, John?
- Não Sherlock, não é. – Ele disse em um tom cansado e emburrado, sua cabeça doía e os pontos da sua cabeça ardiam, ele se sentia um pouco enjoado, achava até que tinha um pouco de febre. Será que estava sentindo alguns sintomas de pós-concussão?
- Seria melhor te deixar em um hospital. – Seu amigo disse.
- Não, estou bem. Pode ir resolver seus assuntos.
- Pare na Denmark Street – Sherlock disse ao motorista.
- Denmark? O que vai fazer lá?
- Pegar informações. – Ele simplesmente disse e se calou até o motorista informar após alguns minutos que tinham chegado a Denmark Street. – Me espere, já volto.
John não teve tempo de perguntar nada, Sherlock já tinha saído do carro e ia em direção a uma mulher que estava encostada em um poste um pouco a frente. Seu amigo retirou do bolso um pedaço de papel e o loiro pode ver que ao entregar o papel o mesmo estava enrolado a uma nota de libra esterlina, mas não conseguiu identificar o valor.
Sherlock entregou o papel e voltou para o carro.
- Baker Street, 221B.
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Eles chegaram ao apartamento. John foi à cozinha fazer um pouco de chá para tomar com os remédios. Sua cabeça latejava agora, parecia que tinha alguém com uma marreta tentando fazer um buraco em seu cérebro. Ele colocou água na chaleira e se encostou a pia da cozinha, ele matinha os olhos fechados, pois assim a dor parecia menor.
Quando a água esquentou ele fez duas canecas de chá, uma para Sherlock e outra para ele. Encontrou seu amigo sentando em sua poltrona favorita, ele tinha os olhos fechados às mãos juntas e os dedos tocavam os lábios na sua velha posição de meditação. O loiro colocou a caneca na mesa ao lado de Sherlock. Pegou sua caneca e sentou-se em sua velha poltrona vermelha.
Ele colocou os remédios na boca e tomou o primeiro gole do chá. Ele ficou vários minutos observando Sherlock. Seu peito subia e descia calmamente, quem não o conhecia podia dizer que ele estava dormindo, mas John sabia que ele estava muito alerta. A luz da tarde entrava pela janela e estava sobre os cabelos do seu amigo, e seus cachos pareciam um tom mais claro, pareciam tão macios, John sentiu uma vontade incontrolável de tocá-los.
Agora John entendia o que Mycroft queria dizer naquele dia, a verdade caiu sobre ele como uma rocha, como... quando aconteceu? Ele olhava para Sherlock e sentia um imenso aperto do peito, ele não conseguia definir ou nomear o que sentia por seu amigo, mas era algo forte e intenso. Mycroft tinha razão, não tinha como aquilo acabar bem.
Não tinha como sair daquilo com o coração ou a alma inteiros, ele já tinha se entregado e nem tinha percebido. O Holmes mais velho havia dito que todos eram atraídos para Sherlock como mariposas à luz. Mesmo seu amigo sendo do jeito que era frio e indiferente, as pessoas giravam em torno dele como se ele fosse o astro rei, e elas dançavam conforme ele queria.
Quando olhava para o moreno, John sentia um imenso carinho, ele tinha vontade de protegê-lo, seu amigo por diversas vezes tinha um olhar perdido quase infantil que enganava, que escondia um homem brilhante, distante e muitas vezes insensível.
Insensível, essa era a palavra que podia classificar Sherlock. Ele não se preocupava com as outras pessoas, se morriam ou estavam viviam, se comiam ou passavam fome, sentiam frio ou calor, nada disso parecia afetá-lo.
Empatia, esse era um sentimento que segundo Mycroft, Sherlock não possuía, John queria muito acreditar que esse distanciamento era para se proteger, era um escudo que por algum motivo ele havia erguido. Ele não podia acreditar que seu amigo era desprovido de sentimentos, não era possível que alguém com tamanha capacidade seja indiferente as dores das pessoas a sua volta. Ele via um Sherlock tão diferente, um Sherlock que as outras pessoas não viam. Que tinha humor, estranho mais tinha. Ele sentia raiva das pessoas que diziam que seu amigo era uma aberração, uma coisa para ser mantida a distância.
Ele fechou os olhos e tentou controlar o turbilhão de sentimentos que ameaçava sufocá-lo. Tentou identificar cada reação de seu corpo, cada pontada que sentia em seu coração, mas foi inútil. Ele ficou vários minutos com os olhos fechados tentando se dominar, controlar os sentimentos que estavam ameaçando sair do seu controle.
Depois de um tempo ele abriu os olhos e voltou a olhar para Sherlock, seu amigo tinha tirado o casaco quando entrou no apartamento e estava vestido com uma camisa branca fina, ela estava um pouco aberta deixando a mostra uma parte da sua pele branca. John ficou olhando para a curva do pescoço do seu amigo, Sherlock deu um longo suspiro, ele tinha os lábios entreabertos.
Os lábios de Sherlock pareciam que tinham sido desenhados, tão vermelhos... ele poderia facilmente levantar e beijá-los, eles pareciam ser tão macios, eram por demais convidativos. O loiro mordeu o lábio inferior tentando segurar o impulso que lhe invadiu.
John piscou várias vezes e se sentiu envergonhado. Ele nunca tinha se interessado por homens antes, agora estava sentindo coisas pelo seu amigo, sentia o sangue correr mais rápido nas veias, um calor que não tinha origem. Ele queria desesperadamente tocar aquela pele tão branca.
O loiro balançou a cabeça tentando afastar aqueles pensamentos, o que estava pensando? Ele se mexeu desconfortável no sofá, e percebeu que tinha começado a ficar excitado, ele sentiu o rosto ficar vermelho, ele pegou a almofada com a estampa da bandeira da Inglaterra e colou no colo.
- Algum problema, John? – O loiro sentiu o coração ir à garganta quando escutou a voz de Sherlock, seu amigo ainda mantinha os olhos fechados.
- Nenhum problema, Sherlock. – John se levantou do sofá e ainda segurava a almofada no colo. – Vou tomar um banho. – E caminhou em direção ao seu quarto.
- Vai levar a almofada para o quarto? – John se virou e viu que seu amigo estava com os olhos abertos, ele podia ver um certo brilho predador neles, ele devia tá vendo coisas, e apertou mais ainda a almofada na frente da calça. Ele ignorou a pergunta de Sherlock e foi para o quarto.
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John ficou um tempo encostado à porta do quarto, depois foi para o banheiro e encheu a banheira, tirou a roupa e entrou. Ele ficou olhando para o teto por vários minutos. Ele fechou os olhos tentando se acalmar, mas tudo que conseguiu foi lembrar-se da voz de Sherlock, da pele do pescoço a mostra que era um convite para ser mordido.
John gemeu.
Podia se lembrar com riqueza de detalhes da boca do seu amigo entreaberta, tão vermelha.
John gemeu de novo.
O movimento da água dentro da banheira ao invés de deixá-lo relaxado o estava deixando ainda mais excitado.
Oh Deus, ele precisa de alívio.
Desde sua volta do Afeganistão ele não se sentia assim vivo, queimando, sentindo pela primeira vez em anos seu sangue correr rápido pelas suas veias.
John fechou os olhos, tocando em seu próprio membro. Estava tão carente tão necessitado que não via outra solução ali, senão masturbar-se, liberando todo o desejo reprimido.
Oh Deus sim, ele precisava daquilo.
Ele mordeu os lábios, e por algum motivo a imagem de Sherlock lhe veio à mente, as mãos firmes do detetive consultor lhe tocando, deslizando por seu pescoço e lhe tocando o torax e o abdômen, descendo até seu membro, apertando-o, massageando.
Deixou-se levar por aquele momento, não se preocupou se era certo ou errado se tocar pensando em seu amigo, desejar que a sua mão lhe tocando fosse à dele.
Tocou seu membro sem pudor, fazendo-o enrijecer-se cada vez mais pela massagem e pelas imagens que passavam em sua mente. Sentiu-se envolvido pelo calor da água, mas queria sentir-se envolvido por aquelas mãos ágeis, por aqueles braços, sentir o gosto daquela boca na sua.
Masturbou-se totalmente entregue às imagens de Sherlock de quando o viu nu no quarto. Masturbou-se porque pela primeira vez, depois de muito tempo, se sentia vivo.
- Hum... – Ele gemia cada vez mais...
- Oh Deus sim...
- Sherlockkkk...
Ele gemeu e disse o nome de seu amigo um pouco mais alto que devia.
- Sim... – uma voz rouca se vez ouvir no banheiro.
John congelou, o loiro percebeu que seu amigo estava bem atrás dele, de pé na cabeceira da banheira, o vendo completamente excitado, se tocando e o pior, o escutou gemendo e falando o seu nome.
Ele queria morrer literalmente, como ele iria explicar aquilo? Como iria justificar seu estado de excitação e pior, como iria explicar que estava excitado e gemendo o nome do amigo? Ele queria se afundar na banheira e se afogar.
- John... – Sherlock disse seu nome era quase como um aviso, sua voz estava grave, rouca e profunda. Aquilo devia ser proibido. O loiro respirava com dificuldade, e usou a tática mais velha do mundo. A melhor defesa era o ataque.
- O que está fazendo no meu banheiro? Já conversamos sobre privacidade Sherlock!
O moreno deu a volta na banheira, e ficou de frente para John. Ele o olhava, seus olhos passando pelo seu corpo como que registrando cada pequeno movimento.
O loiro viu Sherlock o devorar com os olhos, passando por seu rosto, ele devia está vendo como suas pupilas estavam dilatadas, sua respiração sôfrega, e seu membro completamente rígido, seu rosto completamente vermelho de vergonha.
- Eu ouvi sons estranhos vindos daqui. – Seu amigo disse por fim, sem deixar de olhá-lo nos olhos. – E vim ver se estava tudo bem. – John abriu a boca várias vezes, mas não conseguiu formular nenhuma resposta coerente.
- John, eu sei que as pessoas ficam excitadas, e se masturbam para se aliviarem quando não tem outra pessoa para fazer isso por elas. – Sherlock desceu um pouco o olhar, John o olhou horrorizado. – Mas o que me intriga é por que você disse meu nome... – Sherlock se aproximou mais da banheira e inclinou o corpo em direção ao de John.
- Vamos John, responda! – Se existia algum momento bom para morrer, àquela deveria ser uma delas. E antes que ele pudesse formular uma frase ou Sherlock falar qualquer outra coisa, a campainha da porta tocou.
Seu amigo esperou uns segundos e saiu do banheiro e foi em direção à porta, John conseguiu juntar forças e saiu da banheira se secou e se vestiu o mais rápido que pode. Quando estava abotoando o ultimo botão da sua camisa, ele ouviu a voz de Sherlock vinda da sala.
- John, temos que sair. Vamos!
O loiro terminou de se vestir e Sherlock já estava descendo as escadas, quando passou pela sala ele viu a caneca de chá que havia feito para Sherlock vazia. Quando seu amigo tinha bebido o chá?
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Um silêncio constrangedor se abateu sobre eles no táxi que pegaram para ir onde quer que Sherlock o estivesse levando. De vez em quando ele olhava pelo vidro da janela do taxi para ver o rosto do seu amigo. Ele parecia normal, agindo como se não o tivesse visto no banheiro completamente excitado e gemendo seu nome. John fechou os olhos com força, será que tinha alguma chance do seu amigo esquecer o que tinha acontecido e não tocar mais no assunto.
- Não, não tem John. – O loiro olhou para Sherlock ele continuava a olhar para fora.
- Eu não disse nada.
- Mas pensou. – Sherlock foi categórico. — Quando voltarmos, abordarei o assunto novamente. – John gemeu.
Não demoraram a chegar ao endereço que Sherlock havia dado ao motorista, eles pararam em frente a um prédio abandonado.
- Tem certeza que estamos no lugar certo, Sherlock?
- Você trouxe sua arma?
- Sim, eu trouxe.
- Então vamos entrar, cuidado onde pisa. – O moreno disse e foi entrando no prédio.
- Pode me dizer o que está acontecendo? – John estava cansado de ser arrastado para todos os lados sem saber para onde estava indo.
- Você não me disse por que estava gemendo o meu nome lá no seu banheiro. – Sherlock não se deu ao trabalho de virar para dizer isso.
- Sherlock pelo amor de Deus, isso não vem ao caso. – John sentia o rosto queimar.
- Não vem ao caso? – O moreno parou de andar e John trombou em suas costas.
Os dois ouviram ruídos próximos a eles.
- Não se mexa John! – Sherlock gritou.
Mas John já tinha tirado sua arma e se virado para porta por onde tinham entrado. Eles sentiram um tremor debaixo dos pés, um barulho ensurdecedor preencheu o local, e a última coisa que John sentiu foi o chão sumindo sob os seus pés.
Continua...
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Nota da autora: Oie pessoal!! \\o\\... esse é o quarto capitulo da fic, espero que tenham gostado. E não queiram me matar... será que vou receber muitas ameaças???xD
Perdoem se o John pareceu meio devagar nesse capitulo, eu estava meio febril quando escrevi..xD e ainda estou.. ç.ç
Esse capitulo ficou um pouco mais sério que os outros, espero que isso não tenha espantado vocês??? Ç__Ç
Gostaria de agradecer as reviews que eu recebi de: Yuna D, Evil Queen, ElixirofEverything, Aurora, Cintia,Haruna e Livia.
Cintia: Obrigada linda pela review, não se preocupe em não tem conta no FFnet, sem problemas.
Haruna: Obrigada pela review... ç.ç desculpa se te fiz sofrer junto com o John, eu sofro junto com ele, mas é tudo por uma boa causa... como pode ter percebido não consegui atualizar na parte da tarde, pois morar na mesma casa que sua beta é viver perigosamente.. xD Sorry.... espero que me perdoe.
Livia: Encadernar? Sério? Ahhh que isso nem é tanto assim vai... tem tanta fic boa por ai... O John é super fofo, acho que não tem essa pessoa que não gosta dele, o Martin Freeman o fez fantástico. Acho que muita gente se identifica com ele, eu também ^_^ Motim?? O__O *sai correndo*
Queria agradecer a minha irmã a SHOLMES que é super fofa, que leu o capitulo primeiro, surtou horrores e betou a fic pra mim \\o\\....mas se sobraram alguns erros, se lembrem, eles são todos meus.. @_@
E faça uma ficwriter feliz, deixe uma review, nem que seja para cobrar o próximo capitulo. Não há nada melhor no mundo do quê uma review recebida ou uma review respondida!! \\o/
Devo atualizar no dia 22/06, não sei o horário.
E para aquelas pessoas que não tem conta no Nyah, se quiserem me adicionar no Twitter fiquem a vontade, pois mando mensagem avisando da atualização, se quiserem me adicionar: @karlamalfoy
Kisses for all.
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Próximo capitulo: Vamos descobrir o que houve no prédio, será que vamos ter algumas mãos boba? E será que Sherlock vai descobrir por que John estava gemendo seu nome? Alguém se candidata a contar? Quem quer levanta a mão o/
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Cenas do próximo capítulo:
John sentia muito frio, nem quando estava no Afeganistão ele sentiu tanto frio. Ele achava que seus dedos iam congelar, suas costelas doíam, e ele tinha a vaga impressão que podia ter quebrado alguma.
Estava um pouco escuro, mas ele podia ver Sherlock sentando do seu lado com os olhos fechados, seu amigo tinha um corte feio no supercílio direito, e sua camisa estava com várias manchas de sangue.
John começou a tremer descontroladamente, devia estar entrando em hipotermia, aquilo não ia acabar bem. Ele se abraçou o máximo que pode, mas o frio não ia embora. Ele sentia seu corpo entrar em letargia, se aquilo acontecesse ia morrer com certeza.
Mas quando estava quase caindo na inconsciência, sentiu algo quente próximo a ele, o cobrindo.
- Venha John, vamos nos esquentar. – O loiro sentiu braços quentes ao seu redor. Ele nunca se sentiu tão feliz e quente....
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