Notas iniciais
Obrigada pelos comentários! Eles deixam a autora muito feliz :)

Capítulo dois

O dia já havia rompido.

O quarteto prosseguia com sua jornada pela floresta há mais de horas, sem pausa para um descanso. Emma sentia-se terrivelmente esgotada, uma vez que era a única que não havia dormido nada, porém se mantinha firme. Precisava chegar logo até o outro acampamento, beijar alguém, vencer Cora, voltar para Storybrooke e reencontrar Henry.

Ela iria conseguir, custe o que custasse. Para voltar para o seu filho, arriscava o seu coração e o que mais fosse preciso.

— Ainda falta muito, Mulan? – Aurora reclamou com a respiração pesada.

— Sim.

De canto, Emma observava Aurora. A princesa era quem se mostrava mais exausta, até mais que ela própria, talvez por ser a menos acostumada a esse tipo de “aventura”. Snow se mantinha firme e inabalável, assim como Mulan.

Emma respirou profundamente, sentindo as pernas latejarem. Não podia se render ao cansaço. Ainda não.

— Aurora! – Snow gritou, correndo até a princesa. Segurou-a pelos ombros, impedindo que ela caísse.

— O que foi? – Mulan subitamente parou, lançando um olhar preocupado para a amada do príncipe Philip – Você está bem?

— Só estou cansada...

— Beba um pouco de água – disse Snow em um tom maternal, entregando um recipiente com água para ela – Você vai se sentir melhor.

— Obrigada...

Emma observou os gestos de carinho e proteção de sua mãe para com Aurora, sentindo, em algum lugar dentro de si, uma pontada de ciúmes. Em seguida, viu Mulan olhar para os lados, como se procurasse por alguém, e avançar na direção de um arbusto.

— Mulan...?

A guerreira pareceu agarrar algo, puxando-o com força.

— Ei! – o homem bradou revoltado – Me solte!

Os olhos de Emma se expandiram ao constatar a figura de ninguém mais ninguém menos que Hook.

— Eu sabia! – Mulan acusou, segurando-o com força – Bem que eu percebi que tinha alguém nos seguindo.

— Oh, olá, Emma – ele acenou com o gancho, dando à voz um tom burlesco: – Quanto tempo desde o pé de feijão. Seu amigo gigante é muito simpático, sabia?

— O que você quer? – ela avançou na direção do pirata, preparando-se para retirar a faca de prata do bolso – Veio procurar vingança? Saiba que eu não vou entregar a bússola para você!

— Que mulher destemida – Hook estalou a língua – Ainda se acha no direito de me ameaçar depois de ter me abandonado no pé de feijão.

— Você teria feito o mesmo.

— Na verdade, não – ele a encarou com veemência – Eu conheço uma coisa chamada “confiança”. Eu arrisquei a minha segurança para ajudar você. E o que eu ganho em troca? Uma traição.

Emma mordeu o lábio, fitando-o. Quando percebeu, Snow já havia se colocado ao seu lado de modo protetor.

— O que você quer, Hook?

— Primeiro fale para ela me soltar – o pirata apontou para Mulan.

Emma olhou para a guerreira.

— Mulan, por favor.

Esta assim o fez, todavia, manteve sua espada em mãos apontada para Hook.

— Obrigado, minha dama – e então voltou a olhar para Emma – Eu realmente poderia estar procurando por vingança, Swan, mas este não é o caso. Quero me juntar a vocês de novo, sem ressentimento algum.

Snow arqueou uma sobrancelha:

— Por quê?

— Cora – ele declarou – Ela é muito perigosa. Ela vai me matar quando me encontrar. E eu preciso voltar para Storybrooke.

— Você sabe que eu sei identificar quando uma pessoa está mentido – Emma avisou, guardando a faca de prata de novo.

— Mas eu realmente quero ir para Storybrooke! E para isso acontecer, tenho que manter meu coração longe da Rainha de Copas.

Emma fungou. Ele estava dizendo a verdade, ou, pelo menos, parte dela. O medo de ter o coração arrancado por Cora realmente existia. O desejo de ir para Storybrooke era verídico – para se vingar de Rumplestilskin. Para se vingar daquele que havia tirado a mão do pirata e a mulher que ele amara. Milah. Emma se lembrou da tatuagem de Hook com o nome de Milah. Ele havia perdido alguém querido, alguém que jamais retornaria para ele. Ela ainda podia ter a chance de ver Henry de novo. Se Henry lhe fosse tirado, Emma tinha a ciência de que enlouqueceria também.

— Vamos seguir em frente – a garota Swan declarou para as outras três – Não temos tempo a perder.

— Mas, Emma... – Snow apontou para Hook – E ele?

— É Swan, e eu? Vai me abandonar de novo? – ele acusou – Vai deixar Cora me matar? Eu não tenho para onde ir!

Emma deu de ombros.

— Ele faz o que ele quiser. Ele só quer ir para Storybrooke por motivos próprios – voltou-se para as outras mulheres – Nosso tempo é curto. Vamos.

Mulan, Aurora e Snow concordaram, dando as costas para o pirata.

As quatro mulheres continuaram a percorrer a trilha indicada por Mulan. Embora o sol já brilhasse no topo do céu, as copas das árvores de grande porte impediam que a luz jorrasse por completo no interior da floresta, evocando uma sensação de eterna penumbra.

— E então, para onde estamos indo? – o pirata indagou com um sorriso sedutor nos lábios.

Emma revirou os olhos sem volver a cabeça para trás.

— Você vai mesmo nos seguir?

— Eu já disse que não tenho mais para onde ir. Se Cora me encontrar, ela certamente irá arrancar o meu coração e esmagá-lo, já que eu roubei o feitiço dela, subi no pé de feijão e ajudei você, senhorita Swan, a pegar a bússola – ele justificou, apertando o passo para chegar junto de Emma – Eu preciso ir para Storybrooke. E vocês, apesar dos pesares e de abandonos inesperados, são uma companhia mais segura.

Emma fitou Snow de canto, como se aguardasse um consentimento da outra.

— Olha, Hook, você pode até nos acompanhar – Snow começou em tom sério, fitando rapidamente a filha, Mulan e Aurora – Mas estamos em uma missão muito importante. Se você começar a nos atrapalhar, serei eu aquela que vai deixá-lo para trás.

A garota Swan engoliu em seco. Mary Margaret conseguia ser assustadora sem grandes esforços. Hook sorriu de forma galante, sem parecer afetado pelo tom ameaçador de Snow White.

— Não se preocupe, minha dama. Garanto que vocês nem notarão a minha presença. Apenas quero uma passagem de ida para Storybrooke – ele passou a língua pelos lábios, e momentaneamente mirou Emma – Nada mais. Palavra de pirata.

Emma ainda o encarava, duvidosa. Ela sabia detectar muito bem quando uma pessoa estava mentido. E com Hook não era diferente, todavia, algo falhava em sua percepção. Uma parte da história do pirata se mostrava verdadeira, enquanto outra se mostrava incompleta, e ela não conseguia definir se ele estava ocultando seus motivos por estes serem particulares ou se ele estava mesmo mentindo. Era estranho. Aquilo nunca havia acontecido antes.

— E então, minhas belas damas, para onde estamos indo? Qual é a nossa perigosa e importante missão?

Mulan meneou a cabeça, dando as costas para ele e prosseguindo com a caminhada. Snow e Emma fizeram o mesmo.

— Ah, não me deixem de fora – ele insistiu, seguindo-as – O que vamos fazer?

Emma virou-se para ele:

— Não interessa, isso é...

— Emma fez um acordo com Cora e agora precisa fazer alguém se apaixonar por ela – Aurora relatou inocentemente – Ela precisa conseguir um beijo de amor verdadeiro antes do pôr do sol do...

— AURORA! – Mulan, Snow e Emma a repreenderam.

A princesa se encolheu.

Hook riu.

— Você é louca, Swan? Quem faria um acordo desses com a Cora?

— Tenho os meus motivos, e pelo que sei, não tenho obrigação nenhuma de lhe dar qualquer justificativa – ela bradou, seguindo Mulan.

— Deixe-me adivinhar... Você ainda está bastante motivada para voltar para o seu filho, certo? – Killian Jones aproximou-se do quarteto que caminhava sem descanso – Segundo a Snow, vocês estão com pressa porque tem uma missão a cumprir. A missão é encontrar alguém que possa se apaixonar pela Swan e beijá-la, segundo nossa querida Aurora – ele piscou para a princesa – Então vocês estão indo procurar um pobre infeliz para se sujeitar a isso.

Emma tomou uma longa respiração, controlando-se para não esmurrá-lo. Snow, como se detectasse os sentimentos da filha, colocou a mão em seu ombro em um gesto que transmitia calmaria.

— E Cora matou todas as pessoas do nosso acampamento – Hook continuou sem retirar o sorriso dos lábios – O que significa que estamos indo para um lugar diferente e que também tenha pessoas. Hum... Aquele outro acampamento que rivalizou com o nosso durante muito tempo, na época em que eu me passava por um simples ferreiro?

Resposta alguma foi dada ao pirata.

— Acho que sim – ele concluiu por si próprio.

O grupo continuou andando por mais uns vinte minutos, até que Aurora parou de súbito, clamando pela atenção de todos, como se houvesse feito a maior descoberta daquele dia.

— O que foi, Aurora? – Mulan voltou-se para ela, preocupada.

— Por que... Por que você não se apaixona pelo Hook, Emma? – a princesa sugeriu, apontando para o pirata – Ele já está aqui e não precisaríamos ir até o outro acampamento para encontrar alguém.

Snow suspirou:

— Não é assim que o amor funciona...

— Eu prefiro que a Cora arranque o meu coração e o transforme em cinzas – Emma declarou com ironia, encarando Hook.

Killian Jones, porém, não se rendeu ao silêncio:

— Lamento discordar da sua sugestão, Aurora. Eu prefiro as morenas, apesar de vez ou outra abrir uma exceção para as loiras – ele bradou sem cessar a comunicação visual com Emma – Mas eu nunca me apaixonaria por uma mulher traiçoeira, feia e que se veste mal. Sua mãe é mais gostosa que você.

Um discreto sorriso de contentamento cruzou os lábios de Snow, o qual se esvaneceu segundos depois.

— É, Swan, nenhum homem em seu juízo perfeito iria se apaix... – Emma o socou com força no queixo antes que ele concluísse sua fala sarcástica.

O pirata cambaleou para trás, zonzo.

— Emma! – Snow gritou, cobrindo a boca com as mãos.

— Que diabos foi isso, Swan?! – Hook bradou irritado, esfregando a área ferida – O que você tem na cabeça?!

— Já estou cansada de você, capitão – ela se colocou na frente dele, encarando-o de forma ameaçadora – Acho que a Cora é uma companhia mais segura para você neste momento.

Agilmente, Snow se colocou entre os dois, tentando apartar a briga.

— Vamos parar com isso – ela pediu – Discussões apenas vão nos atrasar, e o tempo aqui é precioso – e voltou o olhar para Emma – O primeiro dia está só começando. Ainda é de manhã, mas não temos tempo a perder. Temos apenas dez dias para ajudar você a cumprir o acordo selado com a Cora.

Hook e Emma continuaram a se encarar em silêncio, um desafiando o outro.

— Snow está certa – Mulan se aproximou, intervindo – Estamos correndo contra o tempo, e seria melhor começar a juntar madeira o quanto antes.

— Madeira? – Emma arqueou uma sobrancelha – Para quê?

— Para construiu uma jangada. O outro acampamento não fica mais nessa ilha. Ficava antes, mas eles mudaram para outra ilha e, para chegar lá, precisamos de algum meio de transporte. Estou levando vocês até a praia da ilha em que estamos. Lá poderemos construir a jangada.

Os braços de Snow caíram ao lado do corpo.

— Por que você não disse isso antes?!

— Eu... – ela estreitou os olhos seriamente, como se aguardasse a aproximação de um inimigo – Esqueci.

Emma estapeou a própria face, deixando que um suspiro cansaço se esvaísse de sua boca. Os obstáculos entre ela e Henry pareciam apenas se amplificar a cada segundo. Desse jeito, ela jamais conseguiria voltar a ver o filho.

Não, não. Emma, você tem que se manter confiante. Você vai conseguir. Você vai voltar para ele. Você vai vencer o desafio da Cora. Se você tiver que construir uma jangada, você vai construir.

— Certo... – Emma declarou, recomposta – Vamos começar a pegar madeira.

— Ah, garotas – Killian agitou seu gancho no ar, clamando pela atenção do quarteto. Elas se viraram para ele – Eu sou um capitão. Um pirata capitão.

Emma lhe lançou um sorriso irônico:

— Que bom. Seja feliz com isso.

— Você é adorável, Emma – ele sorriu em falso para ela – Mas o que eu quero dizer é que, como capitão, eu tenho um navio a minha disposição. E se vocês concordarem em me deixar acompanhá-las nesta jornada, garantindo a minha ida para Storybrooke, posso dar uma carona para vocês.

Emma, Snow, Mulan e Aurora se entreolharam.

— E então? O que me dizem?