Notas iniciais
Ola, aqui estou eu de novo depois de muito tempo ausente. Pois é, me deu uma leseira danada, então eu não entrei mais. Mas agora estou de volta. Obrigada pelas mensagens que vcs me enviaram, prometo não ficar tão longe de vcs.

[RECAPITULANDO]

Darcy ficou lá, parado, observando as duas e tentando respirar, embora sentisse o peito apertado e pesado. Sabia que não podia deixar isso acontecer. Tinha de impedir Lizzie de salvar sua filha doente.

Porque se fizesse isso, existia a chance de perder a sua.

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Durante todo o tempo em que ela comeu, Darcy notou o olhar curioso que lançava para a cozinha, para os eletrodomésticos, para a luz, para o micro-ondas. Ela estava repleta de dúvidas, ele sabia. Mas ela continuou olhando para ele, e apesar de ele tentar esconder a preocupação, sabia que devia transparecer em seus olhos. Já que os dela estavam sondando e questionando. Ele evitou o olhar perturbador dela, andando pela cozinha, pegando manteiga para os pãezinhos, enchendo as xícaras de leite e os copos de suco antes de estarem pela metade.

— Darcy — disse ela, quando ele finalmente não tinha mais o que fazer e sentou-se para comer. — Tem alguma coisa errada? Você pensou duas vezes sobre me deixar ficar?

— Pode me chamar de Fitzwilliam ou Fitz e não há nada de errado.

E então um carro entrou na rua e parou perto da loja, o salvando de ter de responder. Não podia dizer para ela. Ainda não, e certamente não poderia fazer isso na frente de Georgiana. Precisava falar com ela quando estivessem sozinhos e só depois de ter encontrado as palavras certas para convencê-la de desistir dessa ideia insana.

— Tenho de… — começou ele, mas as palavras fugiram porque Lizzie estava em pé, correndo para a porta e observando o carro com espanto.

Darcy não pôde deixar de sorrir ao segui-la.

— O que é essa coisa?

— É um carro. Um automóvel. Eles… — A buzina tocou. — Ih, Lizzie, tenho uma cliente impaciente para atender. A explicação vai ter de esperar até mais tarde.

— Pode ir, papai. Nós ficaremos bem. — Georgiana veio para o lado de Lizzie e olhou para ela: — Você já viu carro antes, certo?

Lizzie negou, aquela coisa era uma grande novidade para ela, o olhar ainda fixo no mais recente modelo de Mercedes parado ali na frente.

— Não faço ideia do que seja essa coisa. Na minha época, usávamos carruagens e cabriolés puxados por cavalos. Mas nada como isso.

Darcy suspirou. Não tinha tempo para perder. Passou por elas, pela porta e desceu a rua até a loja e oficina que ficava no final. Sabia, desde que vira o passageiro do carro, que seria uma longa visita. Vagner Murple, o banqueiro e fofoqueiro de plantão da cidade. Felizmente, também era um ávido colecionador de antiguidades. Vivia levando coisas para serem restauradas ou mesmo comprando algum item. Um bom, porém fatigante, cliente.

— Dai-me forças — murmurou Darcy, colando um sorriso no rosto.

Sem que fossem notadas, as duas foram até o carro.

— Impressionante — disse Lizzie, passando a mão pelo automóvel preto, liso e brilhante, examinando através do pára-brisa. — Onde foram parar os cavalos? Como funciona? O vidro é escurecido.

— Para o sol não bater nos olhos — explicou Georgiana. — Por que você não entra, Lizzie? Mr. Murple não vai ligar. Ele é legal.

— Acho que… — Lizzie parou de falar quando Georgiana abriu a porta, o deixando ver melhor a parte de dentro da máquina. Não conseguiu se deter. Colocou a cabeça para dentro e passou a mão pelo tecido macio dos assentos. Aí levou um susto quando Georgiana abriu a porta do outro lado e pulou para dentro.

— Vamos. Vou mostrar como funciona.

— Georgiana, provavelmente não é…

— Olhe — disse Georgiana, apontando. — Tem um rádio com CD player para ouvir música enquanto dirige.

Georgiana mexeu em algumas teclas no volante e depois apertou um botão. Música alta, ou pelo menos alguma coisa vagamente parecida, inundou o veículo.

Assustada, Lizzie entrou no carro, sentou-se atrás do volante, ignorando os sons ensurdecedores.

— É muito fácil dirigir— disse Georgiana bem alto. — Até eu sei.

— Você?

— Claro. Fico olhando a meu pai.

— Seu pai possui um automóvel?

— Claro, como você acha que vamos aos lugares? Está na garagem, lá. — Ela apontou e Lizzie notou o pequeno anexo perto de onde o pônei costumava ficar. — Olhe, é fácil. Primeiro, você vira a chave, assim…

Georgiana virou a chave e o veículo ligou. Lizzie sentiu um sorriso abrir em seu rosto enquanto a vibração do motor se espalhava por seu corpo suavemente, eficiente e silencioso. Muito diferente das carruagens em que andava.

— Depois você move essa alavanca aqui — continuava Georgiana excitada com o papel de professora. — Pisa naquele pedal para andar e no outro para parar. Simples.

— Sem forçar?

— Isso. — Os olhos de Georgiana vislumbraram um brilho travesso. — Quer tentar?

Lizzie mordeu o lábio, verdadeiramente dividida. Por um lado, essa máquina não era dele e não tinha o direito de testá-la. Por outro… Ah, que maravilha era isso! Mal conseguia conter a excitação que a dominava.

A decisão escapuliu de suas mãos um segundo depois, quando Georgiana puxou a marcha e o carro deu uma guinada para trás. A traseira do carro estava virada para a casa de hóspedes, no final do caminho, e Lizzie mal conseguiu manejar o volante e alterar a direção a tempo de desviar da casa. Ela pisou no pedal que achava que deveria parar a coisa, mas, em vez disso, foi mais rápido.

— Droga! — exclamou, pilotando loucamente enquanto o carro corria para trás pela grama.

— Passei a marcha errada! — gritou Georgiana, puxando a alavanca. Houve um som horrível. O veículo deu um solavanco, de repente mudando de direção e indo para frente.

Darcy e um homem troncudo saíram da casa de hóspedes. Os dois sacudiram os braços e gritaram, embora Lizzie não conseguisse escutar o que diziam por causa da música alta latejando em seus ouvidos e da gargalhada nervosa de Georgiana. O carro saiu da grama, indo em direção aos dois, que se separaram deixando o carro passar entre eles. Lizzie olhou por cima dos ombros e viu o homem mais velho levantando-se do chão. Pelas feições, estava, no mínimo, furioso.

Ela tentou o outro pedal, e o carro parou tão repentinamente que teve de agarrar a menina para que não fosse jogado para frente e batesse com a cabeça. Não ousava tirar o pé daquele pedal. Embora, quando os dois homens vieram correndo em sua direção, tenha ficado tentado a tirar o pé para uma fuga rápida.

Darcy chegou ao carro primeiro, abriu a porta e passou por cima dela para mexer na alavanca mais uma vez. Com um rápido movimento do pulso, virou a chave e gritou para elas saírem do carro quando o motor desligou.

Notas finais
E ai o que acharam?