Até As Últimas Consequências
28 Contando Um Segredo
Notas iniciais

[RECAPITULANDO]
— Vou pensar em algumas coisas. O que eu sei é que se colocar um determinado líquido na bebida de uma certa pessoa, ele não vai nem saber o que aconteceu.
Só de olhar pela cara de contentamento de Caroline, Catherine soube que a ex cunhada poderia ajudá-la e muito a conseguir aquele determinado líquido.
— Bem, vá para Londres lá pelo dia 10, que eu consigo para você o convite e a encomenda.
— Não perderei esta festa por nada nesse mundo.
E ambas brindaram.
****
Conforme havia combinado com Charles, Fitz iria até a casa do amigo e de lá partiriam para o estádio de futebol em Manchester, a mais de trezentos quilômetros dali. Eles decidiram que iriam de trem, para não ter que se preocupar na hora da volta. Fitz vestia a camiseta branca e preta do time, e antes de sair de casa, chegou a perguntar a Elizabeth e Georgiana se elas gostariam de ir com ele. Elas negaram e dando um tchau rápido nas duas, partiu em direção à casa do amigo.
Confessava que estava animado com partida, pois fazia um tempo que não ia ao estádio de futebol, principalmente a um campeonato importante como aquele.
Não precisou nem buzinar, pois Charles já estava em frente de casa e rapidamente foram em direção à estação de trem.
Quando eles estavam na cabine, Charles fechou a porta e voltou a se sentar na poltrona a sua frente.
— Então meu amigo, me conte aí o que as meninas acharam do jantar de ontem?
— Elas gostaram bastante. Minha filha por poder brincar com a sua filha e Elizabeth por conhecer Louisa, as duas se deram muito bem.
— É, minha esposa também gostou muito dela. Devemos marcar outro jantar.
Darcy apenas concordou, não querendo de todo se comprometer, pois o seu futuro ainda era incerto.
— Mas enfim, o que eu gostaria de saber mesmo é sobre esse rolo em que você se meteu. Ontem você me enrolou e não quis abrir a boca, dizendo que o lance de vocês é complicado e como temos, — Charles olhou para o relógio e voltou a encarar o amigo — mais ou menos uma hora e meia até chegarmos ao nosso destino, acho que pode começar a desembuchar.
Olhando para a janela, Darcy viu a paisagem passar depressa, e como sabia que não poderia fugir do assunto, voltou a encarar o amigo.
— Antes de qualquer coisa, Charles, só me responda uma coisa, você acredita que pessoas podem viajar no tempo?
Observando bem o rosto do amigo, esperou até que ele chegasse a uma conclusão.
— Ouvi dizer que existem cientistas que acreditam na viagem do tempo, e outros que dizem que não é possível. Mas o que isso tem a ver com a história?
— Tem tudo a ver. E se eu te dissesse que a viagem no tempo é possível, e eu mesmo pude comprovar.
— Como assim? — Charles o olhou intrigado, e coçou a cabeça.
— Elizabeth não é desse século, ela é de 1795. Ela é nada mais nada menos que a moradora mais ilustre de Pemberly.
— Você está de brincadeira comigo. Como é possível?
— Eu não estou brincando, toma aqui o meu celular. — Retirando o celular do bolso, Darcy mostrou a foto que havia tirado do quadro e outra de Elizabeth.
Charles por um momento não conseguiu formular um argumento.
— Sem dúvida, elas são bem parecidas, mas ainda estou tendo um pouco de dificuldade em acreditar. Parece ser impossível.
— Eu também me neguei a acreditar, mas depois ela me mostrou as provas e agora não tenho mais dúvidas de que ela é quem diz ser.
— Perai, volta desde o começo, por que eu me perdi.
Recostando no banco e encarou a rosto incrédulo de Charles.
— Isso tem a ver com a minha vinda a Pemberly. — Soltando o ar que prendia, Fitz falou tudo de uma vez. — No dia em que cheguei, o corretor tinha me dito que aquela casa em especial era famosa, por que diziam que existia uma fantasma de uma mulher chamada Elizabeth Bennet, que havia enlouquecido com a morte da filha, que tinha contraído meningite. Dizem que depois que isso aconteceu, ela desapareceu com o corpo da menina. E por causa desse triste fatalidade, os tios dela se juntaram e encontraram a cura.
— Mas como você me explica que aquela Elizabeth de 1795, veio parar aqui a mais de duzentos anos depois? Como isso é possível? — Charles ainda via dificuldade em acreditar.
— Elizabeth é uma mulher fora do comum, ela é muito inteligente, muitos a consideram uma gênia, e naquele século, mulheres como ela, não eram bem vistas pela sociedade. A sorte era que ela tinha tios excêntricos que a deixavam em paz com os seus experimentos, porém, como não ela não podia assinar nada em seu nome, eram eles que levavam a fama. Mas esse não é o caso aqui. Surpreendentemente, Elizabeth descobriu que existe uma dobra do tempo ou um portal no quarto que é de Georgiana. Quando a pequena Jane adoeceu ela começou a trabalhar em um aparelho que parece um controle remoto bem rústico, — mostrou a ele outra foto do controle. — Esse aqui. Ela começou a fazer testes para ver se conseguia reverter aquela situação, até que na semana passada no meio da noite, eu ouvi Georgiana gritando por mim, e quando eu fui ver o que era, Elizabeth estava ajoelhada segurando minha filha como se fosse a dela, e desde então, ela está lá em casa.
Em todo o momento que Darcy estava contando a história, Charles estava atento, a assim que terminou, ele soltou um assobio de assombro.
— Rapaz, bem que você me disse que era complicado, mas eu não sabia o quanto. Ela vai ficar aqui ou vai voltar para o passado?
— Ela pretende voltar para a filha. O tal aparelho descarregou quando ela chegou aqui, então está esperando o momento certo para poder voltar.
— E o que você vai fazer? Pelo que eu entendi, a filha dela tem a mesma doença que Georgiana teve quando mais nova, se por acaso ela conseguir salvar a filha, vai acabar mudando muita coisa.
— Você acha que eu não sei disso? Estou ficando louco de pensar sobre o assunto. — Disse sentindo um estremecimento.
— Louisa acha que existe uma química entre vocês dois. Por que você não faz alguma coisa para tentar convencê-la a ficar aqui?
Darcy apenas sorriu.
— Meu amigo, você acha que eu não estou tentando fazer alguma coisa? Um mulherão daquele é difícil deixar passar despercebido. Eu teria que ser um lesado se lhe dissesse que eu fico louco todas as vezes que estou com ela. Se sexo fosse à resposta para esta pergunta, eu não estaria preocupado.
Se compadecendo situação do amigo, Charles deu um tapa no joelho para lhe dar animo.
— Se eu puder fazer alguma coisa para ajudar, estou aqui.
— Pode deixar, que se eu precisar vou pedir.
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