Astronauta
1 Capítulo 1
George acordou e se aprontou para as atividades diárias dentro da estação espacial, esquentou aquela pasta estranha que chamava de café da manhã, e seguiu em direção ao painel de controle.
Uma luz piscava incessantemente avisando que havia uma mensagem para ele. George coçou a cabeça, achando estranho não ter ouvido nenhum sinal avisando da ligação. A mensagem era em grande parte apenas ruídos, mas depois de quase um minuto era possível ouvir algumas palavras soltas:
“...uma explosão...sobreviver...boa sorte...”
— Uma explosão? Será que foi na nave? – George estava confuso.
Se houvesse qualquer tipo de dano na estação, ele teria sentido, mesmo que estivesse dormindo. Com um toque na tela da central, um mapa com o status da nave se abriu, todas as luzes estavam verdes, mostrando que não havia nenhum defeito nas funções essenciais.
Ele decidiu ouvir novamente a gravação para ter certeza de que não havia se enganado. Nada de diferente, apenas chiados e as mesmas palavras soltas.
— Base, estão me ouvindo? – George esperou alguns segundos, mas não recebeu nenhuma resposta – Base? Tem alguém aí?
Em anos de treinamento e trabalho para a agência espacial nacional, George nunca tinha visto uma chamada ficar sem resposta. O pânico começava a tomar conta dele.
— Base? Não sei se vocês conseguem me ouvir, talvez tenha acontecido algo com a comunicação, vou sair da nave para checar se há algo de errado.
Nenhuma resposta.
George vestiu a roupa espacial e esperou que ela ficasse pronta para ser ejetado. Quando abriu a comporta, uma bola vermelha se formava logo a sua frente, um planeta estava sendo destruído.
“Não, não, não, por favor não. ” – Ele olhava em volta procurando por qualquer sinal de que aquela bola azul que um dia ele chamou de casa ainda estava lá. Ele fez um movimento que o impulsionou para cima, na tentativa de ver por cima da nave, a Terra também não estava lá.
As lagrimas começavam a se formar, mas graças a gravidade não conseguiam cair. Ele colocou as mãos sobre o capacete e gritou até não poder mais. Sabia que só havia uma coisa a se fazer, sair dali o mais rápido possível, antes que a explosão o alcançasse. Isso demoraria um certo tempo, mas antes que fosse lançado para algum lugar distante no universo, ele precisava partir.
Quando estava em uma distância segura, ele se sentou na frente do painel de controle e ajustou a comunicação para ser enviada em todas as frequências possíveis.
— Alguém consegue me ouvir? Meu planeta... – As lágrimas se formavam novamente, ele tentava afasta-las com as mãos – Algo aconteceu com meu planeta, só ouço estática no rádio. Tem alguém aí fora? Alguém pode me ouvir?
Ele colocou as mãos no rosto, enquanto chorava entre soluços. Haveria alguém lá fora, ou ele viveria o resto de seus dias vagando como um satélite pelo espaço?
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