Assombrado Pelo Destino
4 Revelação surreal
Notas iniciais
Capítulo 3 — Revelação surreal.
Eu estava ofegante, não conseguia respirar normalmente. Levei minhas mãos até o rosto para massagear as temporas e percebi que eu estava suando.
— Se acalme Robert. — murmurei para mim mesmo.
O que fazer naquela situação? Era impossível que logo no meu primeiro dia de aula algo assim pudesse estar acontecendo. Ninguém daquela escola sabia que minha mãe havia morrido.
Foi então que eu me dei conta. Sim, todos sabia quais foram as vitímas assassinadas pelo Serial, que assombrou as ruas de São Francisco, mas ainda assim não tinha como saber que eu era filho de uma das pessoas mortas.
Peguei o bilhete e li novamente o que estava escrito. Havia um trecho no papel que me incomodava " A causa da morte de mamãe ".
Mamãe? Alguma coisa me levou a pensar que a pessoa que escreveu aquelas palavras era bem próxima a minha mãe, caso contrário, poderia estar escrito apenas " de sua mãe " no lugar de " mamãe ". Este logo se tornou um motivo para ir até o local.
Vesti uma blusa qualquer e peguei as chaves do apartamento, a curiosidade não me deixaria tranquilo. Enquanto eu não descobrisse quem estava por trás desta brincadeira de mal gosto.
Demorou um bom tempo para que eu chegasse em frente a escola. Olhei ao redor à procura de alguem que pudesse confirmar a informação sobre o hospital.
— Com licença, o senhor pode me dizer se tem algum lugar abandonado por aqui? — perguntei.
— Tem um antigo hospital, é só você seguir reto durante três quadras e irá chegar. — respondeu o idoso.
É claro que no bilhete dizia qual direção eu deveria tomar, mas, para ter certeza perguntei para alguem.
A cada passo que eu dava em direção ao ponto de encontro, meu corpo parecia ficar mais pesado.
Encarei o prédio abandonado e uma sensação horrível percorreu minha espinha. Era medo? A maioria das janelas estavam quebradas e não havia nenhum sinal de vida no lugar.
Respirei fundo, me faltava coragem para entrar la dentro, talvez aquele seja o local mais assustador daquele bairro. Dei meia volta e caminhei para longe do recinto assombroso.
Repentinamente meu celular começou a vibrar, retirei do bolso e fitei a tela. Era uma ligação.
— Alô? — perguntei com o aparelho ja em meu ouvido.
— Não vá disperdiçar sua caminhada até aqui. — falou uma mistériosa voz. — Eu estou te observando nesse exato momento, entre! Eu não irei te matar.
Como esta pessoa podia falar de morte tão facilmente? Mas de certa forma a última frase transmitia... Tranquilidade?.
— E se eu me recusar a entrar, o que você fará? — perguntei.
— Se não entrar você ficará o resto de sua vida sem saber o que aconteceu com o corpo de mamãe! — exclamou a voz.
— Droga. — murmurei, fiquei e um beco sem saida, isto iria me incomodar pelo resto da vida, será que ele sabia mesmo? — Em que sala você está?
— Ótimo! Enfim decidiu entrar! — Estou te esperando na sala de número trinta e sete no segundo andar.
No mesmo instante eu me lembrei do dia anterior, quando eu procurava o apartamento de tia Kate que ficava no segundo andar quarto trinta e sete. Era muito coincidência.
Retirei o celular do ouvido e coloquei-o de volta ao bolso. Abri as portas do hospital e corri até as escadas. Fitei o extenso corredor do segundo andar.
Ao longo do meu lado direito havia várias salas, por estar muito escuro tive dificuldade em enxergar os números de cada sala.
— Encontrei! — sussurei quando avistei o número trinta e sete. Meus olhos percorreram toda a sala, assim repentinamente o a sensação de medo me consumiu.
Era verdade, ele estava me esperando. Um homem de camisa preta fitava a janela.
— Olhando você mais de perto posso perceber a diferença. — falou o desconhecido. — a última vez que te vi pessoalmente foi no seu nascimento.
— Me diga logo quem é você! — falei meio nervoso.
— Meu nome é Isaac Jones, seu irmão mais velho. — ele afirmou.
Fiquei sem reação após ouvir as últimas palavras. Como podia ser verdade? A pessoa a minha frente achava que eu era retardado o suficiente para acreditar naquilo?
— Eu acho que sei muito bem quem pertence a minha família. — ironizei.
— Este é o rosto de alguém que está brincando? — perguntou ele com sarcásmo enquanto me encarava.
Apesar de ser pouca a luz na sala, dava para perceber que e seu rosto havia várias cicatrizes e também notei que ele usava um... Tapa olho?!
— Você não parece estar brincando mas, eu tenho certeza que nunca tive um irmão. — afirmei.
O tal homem chamado Isaac fechou os olhos e puxou uma boa quantidade de ar para os pulmões. Sua expressão mudou, de calma para pensativa.
— Bem como posso explicar? — perguntou para si. — na época e que você nasceu nossos pais estavam se divorciando. Eu fiquei com o papai e você com a mamãe.
— Mesmo assim, como posso acreditar nessa história?
— Ninguém da nossa família percebeu mas, sua personalidade mudou, uma criança alegre ficou profundamente triste, não é verdade?
Ele tinha razão, eu havia mudado é nenhuma pessoa ao meu redor percebeu. Uma grande tristeza estava me consumindo.
— Agora sinto que posso confiar e você. — afirmei. — Posso te fazer uma pergunta?
— Claro.
— O que há com o seu olho direito? — perguntei e a expressão dele mudou totalmente.
— Sinto muito, não gosto de falar disso.
— Entendo. — falei. — Por que estava me esperando justo no quarto trinta e sete? Isto foi proposital?
— Sim. — ele sorriu. — eu sei que o apartamento de tia Kate é este número.
Enfim eu me lembrei do real motivo de ter ido até aquele lugar e já que estava no meio daquele monte de perguntas decidi ser mais direto.
— Eu vim aqui por um motivo maior! — exclamei. — Eu quero saber onde esta o coro de mamãe!
O meu suposto " irmão ", hesitou antes de falar qualquer coisa, talvez tenha percebido que eu falava sério.
— Hoje eu tenho vinte e quatro anos, mas quando eu tinha dezessete nossa mãe. — Isaac hesitou por um momento. — ela...
De repente ouvi as janelas do consultório se quebrando, era barulho de tiros. Gritei assustado. Olhei para o pulso direito de Isaac e dois enormes buracos faziam sangue jorrar. Ele gritou de dor.
— A gente ainda vai se encontrar. — falou ele gemendo. — Isto é a prova.
No mesmo instante eu senti uma forte dor no braço. Ele fez uma agulha atravessar meu braço.
Senti uma forte dor na cabeça, que me fez desmaiar. Tudo que eu vi foi a escuridão.
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