Assombrado Pelo Destino
6 Propósito
Notas iniciais
Capítulo 5 — Propósito.
Pânico. Essa sensação agonizante se espalhava pelo meu corpo. O que fazer quando se está preso em um consultório hospitalar? Nada. Absolutamente nada vinha à minha mente.
– Anda Robert! Pense! — Sussurro inúmeras vezes para mim. A única conclusão na qual eu chegava era que eu durante meus dois dias na Inglaterra não foram nada normais. Descobrir que você tem um irmão de uma hora para outra não é tão incrível. E ainda têm aquela garota maluca que me trancou aqui. Tento pensar em uma solução, e começo a analisar o local, basicamente não havia nenhuma janela no lugar o que quer dizer que a única saída era pela porta. Sendo assim, dirijo-me até a escrivaninha branca no canto da sala em busca de algo que possa abrir a porta. Dou uma olhada em uma gaveta, depois em outra e assim em diante até que, na última gaveta encontro três armas de fogo. Observo o objeto por alguns minutos e aquilo me assusta, uma coisa dessas não deveria estar ali. De súbito, ouço passos do outro lado da porta, a maçaneta gira e a porta se abre. Ali surge o médico grisalho que havia me atendido há alguns minutos atrás. Ele me encara por alguns segundos e pergunta.
– O que está fazendo aí? Mexendo nas minhas coisas?
Empurro a gaveta de volta para o lugar e rapidamente mudo de assunto.
– Uma garota! Aquela que veio me visitar! Ela me trancou aqui! — Digo exaltando a voz. O médico ergue uma de suas sobrancelhas e olha para mim como se eu fosse louco.
– Bem, meu rapaz, quando eu abri esta porta ela não estava trancada.
– O quê? — Solto um grito.
– Está passando bem? — Pergunta o doutor.
– Preciso sair daqui, agora! — digo sem responder a pergunta do médico. Ele por sua vez, demonstrou certa inquietação com o que eu falei.
– É melhor o senhor ficar aqui por mais um tempo, lembre-se que acabou de ganhar dois pontos na cabeça.
– Mesmo assim eu quero dar uma volta. — falo enquanto vou em direção a porta e no mesmo instante o grisalho impede minha passagem.
– Realmente é melhor que você fique aqui. – ele ordena, e eu o olho por algum tempo imaginando qual seria o problema de sair lá fora
– Eu tenho apenas dois pontos na cabeça, não há nada de mais ir lá fora! — Falo alto, já perdendo a paciência.
Antes que o doutor dissesse algo eu o driblo e vou correndo porta a fora. Surpreendentemente dou de cara com um corredor vazio, paredes negras e luzes fluorescentes oscilando. O lugar onde eu estou não poderia de maneira alguma ser um hospital, estava mais parecido com uma cena de filme de terror! Começo a correr e não demorou muito para que o médico gritasse me pedindo para parar. Decido então acelerar cada vez mais o passo.
– Você não pode continuar! Ordeno que pare agora! — O doutor grita novamente. Após vários minutos cambaleando pelas entranhas do extenso corredor sou capaz de avistar uma porta aparentemente de elevador, aperto o botão e rapidamente escorrego para dentro do cubo. Já que eu estava sem a menor noção de direção, subo até o último andar. Tento respirar, minha boca esta visivelmente entreaberta à procura de oxigênio.
– O que eu faço? – resmungo pra mim.
Ao chegar no ultimo andar e sair do elevador percebo a silhueta de uma porta vermelha, ali, solitária, sem nada mais. Toco na maçaneta amarelada e a giro, por sorte, ela não estava trancada. Meus pés me levam para dentro do lugar e repouso todo o meu peso sobre a porta agora fechada. Estou ofegante. Então eu me dou conta do lugar que estou. Era enorme. Havia duas poltronas à minha frente, no centro da sala uma grande mesa, nos arredores do lugar tinha várias estantes repletas de livros e além da mesa uma gigante janela iluminava minha face, dando-me o direito de ver a grandiosidade do big-ben e da cidade de Londres. A porta atrás de mim se abre repentinamente tirando a minha atenção da janela. Ali surge o misterioso médico que perseguia há alguns minutos atrás.
– Eu mandei você ficar na sala! — ele tenta gritar. Inútil, pois ele estava tão ofegante quanto eu.
– Eu não iria ficar em lugar com armas de fogo! — eu respondo alto.
– Você deixou que ele visse as armas? — E, ainda por cima, permitiu que ele viesse até aqui? – Questiona uma misteriosa voz vinda do fundo da sala.
– Sinto muito senhor. — responde o médico com uma súbita mudança em sua voz.
Eu olho na direção de onde a voz vinha. Além da mesa de centro, havia uma cadeira que vagamente foi girando até estar virado totalmente, sentado nela estava o senhor Dermott — o diretor da escola — e ao lado dele Annie sorria.
– Você cometeu um grave erro Simon, espero que não aconteça novamente. — fala o diretor se referindo ao médico. — pode se retirar.
O tal de cara chamado Simon sai da sala.
– Quanto a você Robert, precisamos conversar.
Mais e mais mistério rondava a vida de Annie, mas agora, o que o diretor iria querer comigo? Qual a razão de tudo isso estar acontecendo? De qualquer maneira eu sentia que descobriria a real verdade de tudo.
– O que faço aqui? Que lugar é esse? Por que me seguiu quando fui até o hospital abandonado? O que vocês querem de mim? — faço todas as perguntas, uma atrás da outra.
– Eu não sou a pessoa mais indicada para te responder isso. — Annie diz calmamente e aponta para a poltrona onde estava o diretor, ele que por sua vez mantinha seus dedos entrelaçados em frente a sua face diz:
– Robert, O meu propósito é encontrar um indivíduo chamado Jacques Brainor Jones. O seu pai.
Fico incapaz de esboçar qualquer tipo reação.
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