Assombrado Pelo Destino
3 Bilhete
Notas iniciais
Capitulo 2 — Bilhete
Acordei bem cedo com o barulho do despertador, vesti uma roupa social já que as escolas em Londres eram muito rigidas em relação aos uniformes.
Fui em direção a cozinha para tomar um café e percebi que Kate estava ausente, provavelmente ela tinha ido trabalhar.
Peguei minha mochila que havia dentro apenas alguns cadernos e canetas. De acordo com minha tia era necessário levar bolsa no primeiro dia de aula porque eu teria um armario no colégio onde poderia guardar minhas coisas.
Decidi ir a pé até a escola que ficava há dois quarteirões do apartamento, tambem seria a primeira vez que eu estudaria em período integral. Não demorou muito para chegar ao meu destino.
— Uau! — suspirei.
A escola era enorme, havia uma fachada de cor cinza, no centro uma fonte jorrava agua e algumas árvores, ao redor grandes prédios brancos.
— Acho que a expressão de surpresa em meu rosto chamou a atenção de algumas pessoas. — pensei.
Alguns alunos que usavam o mesmo uniforme que o meu estavam me encarando. Suspirei tentando me acalmar e agir o mais naturalmente possível.
Continuei seguindo em frente à procura de alguem que me daria informações sobre o colégio, até entrar por coincidência no pátio, então eu vi uma pessoa que usava um blazer vermelho diferente de todos os outros alunos. Me aproximei da pessoa e toquei seu ombro.
— Com licença, é meu primeiro dia de aula aqui, você pode me dizer o que fazer? — perguntei o mais educadamente possivel.
— Ah é só você seguir em frente, virar a esquerda e subir as escadas, então você vai ver a sala de número um. — falou a garota agora me encarando.
— V-você! — gritei alto fazendo com que mais pessoas olhassem para mim. — Você é Annie Colins!
— Eu não faço a minima ideia de quem é você. — ela sorriu.
— É a menina do avião! — exclamei.
— Esta chamando muita atenção garoto! É melhor ir logo falar com o diretor. — sussurrou ela. — Depois nós conversamos.
Segui a informação de Annie até chegar a sala do diretor, bati na porta e após um " Entre " vindo de dentro da sala eu peguei a maçaneta e abri.
— Bem senhor... — procurei a placa com seu nome em cima da mesa. — Senhor Dermott, é meu primeiro dia de aula.
— Sim, sente-se. — afirmou ele.
— Qual a primeira coisa que eu devo fazer? — perguntei.
— A primeira coisa a se fazer esta aqui. — falou o diretor me entregando uma chave. — esta é para abrir seu armario, você pode guardar suas coisas lá.
Sacudi a cabeça em sinal de concordância.
— Aqui esta seu horário e o livro de regulamento da escola. — falou ele. — Antes que eu me esqueça aqui estão os livros de todas as matérias.
Foi então que eu reparei o tapa olho sobre o olho direito que mais parecia de pirata:
— Obrigado senhor. — falei agradecendo. — O que aconteceu com seu olho?
A fisionomia em seu rosto mudou completamente, de calmo para irado. Ele tomou o livro de regulamento da escola e abriu em uma pagina.
— Leia. — falou ele.
Estava escrito " Jamais fale do olho do diretor ".
— Sim senhor. — falei assustado.
— Pode se retirar senhor Jones. — disse o diretor. — tome cuidado nessas ruas a noite.
Não entendi o que ele quis dizer, a maneira assustadora que ele falou me deu calafrios, bem de qualquer forma era melhor eu ir para a aula.
— Hum. — murmurei enquanto encarava o papel dos meus horários. — a primeira aula será de quimíca.
Abri a porta da sala e vi que os alunos trabalhavam em duplas, e bem ao fundo tinha uma carteira com apenas uma pessoa.
— O novo aluno! — exclamou o professor. — apresente-se para a turma!
— Meu nome é Robert Jones, prazer em conhece-los. — falei o mais alto que eu pude.
— Sente-se ao lado da senhorita Colins. — ordenou o professor.
Sentei ao lado " dela ".
— Você estava diferente. — falei tentando puxar assunto.
— Fala da garota que te respondeu educadamente no pátio? — perguntou ela.
— Sim. — afirmei mesmo sabendo que a pergunta era retórica.
— Me desculpe. — disse ela. — Mas o que pensariam de mim se eu tivesse dito que te conhecia? Provavelmente surgiriam boatos sobre, a presidente do conselho estudantil.
— Uau! — exclamei. — é um cargo muito importante mesmo.
— Pois é. — ela afirmou.
— Enfim, a sua personalidade parece bem diferente da que você tinha no avião. Até parece outra pessoa. O que aconteceu? — perguntei.
— Vamos dizer que aquela é a verdadeira eu.
— Verdadeira eu?! O que ela quer dizer? — pensei.
— Você não pode ser nova nessa escola, já que é presidente do conselho, o que fazia naquele voo?
— Eu viajei por uma semana. — respondeu ela.
— Hum. — murmurei — Pode me contar sobre o olho do diretor?
Ela me encarou e não pareceu nem um pouco surpresa. Foi então que eu percebi que era inacreditável ela ter dezessete anos, tinha uma aparência mais jovem.
— Ninguem sabe o que aconteceu com o senhor Dermott, existem alguns boatos que em um surto de raiva ele arrancou o próprio olho fora. — afirmou Annie.
— Ainda não entendo como sua personalidade mudou tanto.
— Não tente entender, irá apenas perder seu tempo. — ela se levantou e no mesmo instante o sinal fez um barulho ensurdecedor. — Só digo uma coisa, tome muito cuidado, seu pior pesadelo pode ter começado.
Agora, definitivamente minha cabeça estava uma confusão. Frequentei o resto das aulas, pensando nas palavras de Annie e do senhor Dermott, passei horas sem conseguir estudar. Enfim o dia havia acabado e todos já saiam do colégio.
Voltei para casa caminhando calmamente, abria a porta:
— Cheguei! — falei, mas ninguem respondeu, então tia Kate ainda não tinha voltado.
Sentei no sofá e descansei um pouco afinal foi um dia cansativo.
Então eu percebi um papel sobre o tapete próximo a porta, peguei o papel e ele dizia " Encontre-me hoje a noite no hospital abandonado há três quadras do colégio. Isto se você quiser saber a causa da morte de sua mãe. Venha sozinho. "
Um choque percorreu minha espinha, o medo ficou evidente. Aquilo só poderia ser brincadeira. Três rostos surgiram em minha mente: Kate, Annie e Senhor Dermott. Por que estas pessoas pareciam suspeitas? Quem eu encontraria la?
Meu corpo todo começou a tremer. Mas de repente bateu uma vontade de ir até o local, eu sabia que era arriscado mas era a única maneira de descobrir quem estava por trás de tudo isso.
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