Assimetria conveniente
4 Propostas! Intrigas! Revelação.
Notas iniciais
Enfim, parei. Bom divertimento.
Capítulo 4 — Propostas! Intrigas! Revelação.
DEATH THE KID P.D.V
Logo que cheguei no apartamento da Maka já me deparei com o inferno – As almofadas no sofá estavam jogadas para todos os lados, a televisão estava posicionada de maneira torta e o pior – Soul estava usando um pijama que as peças NÃO COMBINAVAM. Diante de tanto terror, meu TOC atacou e eu comecei a ajeitar tudo – meus olhos não aguentariam aquilo por muito tempo. Qunado o equilíbrio do ambiente foi restaurado eu comecei a suplicar ao Soul que colocasse a camiseta correta do conjunto de pijama que ele estava usando.
–Me deixa em paz, cara. Você é pior que a Maka! – Ele resmungou, bufando.
–Por favor Soul, eu faço qualquer coisa! – Eu implorei.
–Hmmm... – Ele esfregou o rosto, suspeitosamente pensativo. — Qualquer coisa? – Ele sorriu maliciosamente. Por que eu fui dizer aquilo? – Então espera aí um segundo.
Ele saiu da sala e se direcionou ao corredor que provavelmente levava ao quarto dele. Eu sentei no sofá e aguardei impacientemente – eu temia o pior. Sabe lá que tipo de estratagema ele havia bolado. Em pouco tempo ele voltou, cercado por uma aura diabólica, carregando em uma das mãos a peça do piajama dele e uma tiara de ursinho e na outra um pedaço de papel com algo escrito e uma câmera fotográfica.
–Vamos fazer assim Kid, você pode escolher: Ou você segura essa placa bem bonitinho, coloca a orelhinha eu tiro a foto que eu quero e depois eu troco o pijama, ou boa sorte aí chorando até sabe lá quando por causa da minha falta de simetria. – Ele propôs.
Ele mostrou a placa e nela estava escrito: “A sua ursinha quer um abraço de urso, Papa! ♥ ”. Lida aquela frase, um calafrio percorreu meu corpo inteiro e eu comecei a suar frio. Se eu aceitasse a oferta e a Maka visse uma foto daquelas provavelmente meu homicídio seria notícia nas capas dos jornais e depois ela ainda dançaria no meu túmulo. Mas meu desejo por um mundo equilibrado pedia que eu aceitasse aquela proposta audaciosa. “Maldito. Um dia eu dou o troco.” Pensei, conflitado. Cerrei os dentes. Refleti por alguns segundos, respirei fundo e então tomei uma decisão perigosa, mas necessária naquele momento angustiante.
–Me dá essa placa. – Falei, me dando por vencido.
–Eu espero por uma oportunidade dessa a anos! — Soul disse, comemorando e então soltou uma risada de satisfação.
Posicionei a placa, segurando-a na minha frente.
–Diga “xis”, ursinha! – Ele anunciou, gargalhando.
Sorri amarelo e então escutei o clique da foto. Soul colocou a máquina na mesa, se aproximou de mim e deu um tapinha tendencioso no meu ombro.
–Você tá ferrado se a Maka ver isso, cara. – Ele disse, pegou os objetos torturantes e saiu para guardá-los. Permaneci em silêncio, resignado e em estado de choque. Um arrependimento logo me dominou. Pelo menos, quando ele voltou, recebi a tão merecida recompensa: Ele trocou a camiseta e agora as roupas dele estavam em perfeito equilíbrio com a simetria.
Algumas horas depois preparei o almoço enquanto pensava em alguma maneira de deletar aquela foto que poderia me trazer tantos problemas futuros. Quem sabe me infiltrar no quarto do Soul? Arranjar, talvez, uma desculpa para pegar algo lá? Acho que seria muito suspeito. Bem, eu pensaria em um jeito quando a hora chegasse. Terminados os preparos eu e Soul começamos a almoçar em silêncio. Logo, pude notar que ele expressava satisfação em relação ao sabor da refeição, mesmo não dizendo nada.
–Está bom? – Perguntei, despreocupado.
–Bem melhor que a comida da Maka — Ele respondeu.
–Aposto que não. Considerando ser ela uma pessoa tão cuidadosa, a comida dela deve ser uma delícia.
Soul franziu as sobrancelhas diante de minhas palavras.
–Cara, o que você vê nela? Olha pra isso – Ele esticou os braços e apontou as mãos pra mim (que estava no corpo da Maka). – É uma tábua!
–Nem todo mundo vê as pessoas apenas pelo exterior, sabe. Ela é admirável, inteligente, engraçada. – Comentei, respeitosamente. Ele apenas desviou o olhar e resmungou qualquer coisa. Logo, o silêncio novamente tomou conta do lugar. Ele parecia incomodado com algo mas resolvi não questionar. Assim, terminamos de comer sem trocar mais palavras.
Poucas horas depois, a campainha tocou. Soul estava deitado no sofá e não quis atender – moleque preguiçoso! Suspirei, parei de arrumar a casa de acordo com a simetria ideal e eu mesmo fui até a porta. Como eu estava no corpo da Maka, acredito que não haveria problema para mim atender a visita.
Era Maka.
–Oi, Kid – Ela disse, amigável.
–Oi Maka! Está bonita, hem? – Cumprimentei, brincalhão.
–Bobo! – Ela deu um tapinha amigável em meu ombro e riu da piadinha narcisista. Sorri em resposta.
–O que te traz aqui? – Pergunte, curioso.
–Vim apenas para fazer um trato com minha querida amiga Blair. – Ela falou, agora com expressão sombria.
– Aliás, eu nem vi ela ainda – Comentei com indiferença.
Maka deu de ombros e entrou no apartamento. Ela então cumprimentou Soul, que estava assistindo televisão, e se direcionou ao quarto dela. Preferi esperar na sala. Aproveitei e sentei no sofá para acompanhar o programa que Soul estava assistindo.
MAKA P.D.V
Fui direto para o meu quarto a procura da Blair. Ela estava exatamente onde eu imaginava: Deitada na minha cama, em uma pose estranha. Ela estava pintando a unha.
–Kid? O que faz aqui? Nya~ – Blair indagou e se levantou, deixando o pote de esmalte de lado.
–Não é o.. – Não pude terminar a frase pois senti duas “almofadas” enormes sufocando meu rosto. – Mfh...!! – Tentei dizer, impedida por aquela maciez desagradável.
–Quanto tempo que eu não te via, Kid! Nya ~ — Ela disse enquanto pressionava meu rosto cada vez mais contra os peitos dela. Minha paciência se esgotou em pouquíssimo tempo.
–MAKA-CHOP! – A atingi com um livro que alcancei com muito esforço na minha cômoda.
–Ai! – Ela resmungou devido a (merecida) contusão. – Maka?
–É, sou eu mesmo. Quer parar com esse costume besta e pervertido de cumprimentar os meninos assim?
Ela apenas ignorou fingindo ingenuidade e olhou com expressão de indagação.
–Por que está no corpo do Kid? – Ela perguntou.
–Eu e ele trocamos de corpo, mas é uma longa história. O que importa aqui e agora é que eu quero fazer um trato com você.
–Que tipo de trato? Nya ~
–Você vai ter que dar banho no Kid enquanto ele está no meu corpo. – Ela já começava a expressar exaltação mas logo cortei o barato dela – MAS SEM PERVERSÕES. E você não vai deixar ele ver nada, coloque uma venda nele ou algo assim. Se você fazer tudo direitinho eu tenho uma uma recompensa para te oferecer. – Os olhos dela novamente brilharam.
–Que recompensa? – Ela perguntou e a animação logo estava de volta.
–Um belo pedaço de.. hmm... Salmão?
Ela pareceu desapontada. É, salmão era algo muito comum pra ela. Refleti por um momento e lembrei de uma notícia que havia lido recentemente sobre os sushis mais apreciados no japão. Sugeri estupida e impensadamente então um dos peixes que havia lido sobre.
– Então... de Atum azul, é um dos mais apreciados do japão, sabe? Que tal? – Eu me odiei no momento em que sugeri esse maldito peixe. Ele era... o mais caro do mundo...
– A-atum azul? – Ela murmurou, encantada – Já ouvi falar... Parece tão delicioso... – Ela lambeu os beiços — FECHADO! Nya ~ — Ela logo concordou e parecia disposta a cumprir o trato.
– Mas lembre-se, não faça nada estranho. Se você fizer qualquer coisa eu poderei ver pela cara do Kid ao pergunta-lo e aí o trato já era! Bye-Bye peixinho. – Ameacei, a fim de ter uma maior certeza de um acordo efetivo. Ela assentiu com firmeza. Isso não foi o suficiente para eu relaxar totalmente, mas paciência...
Sai do quarto relativamente satisfeita porém agora com outro problema em pauta: COMO EU COMPRARIA UM PEDAÇO DAQUELE MALTIDO PEIXE CARÍSSIMO? Imediatamente Kid me veio a cabeça. Um tanto acanhada o chamei em um cantinho da sala para fazê-lo um pedido um tanto... egoísta.
– Kid, será que você poderia... bem... erm... – Não conseguia dizer, me sentia que era muita ousadia pedir aquilo.
– Pode falar, Maka. – Ele sorriu gentilmente e com isso eu relaxei um pouco.
–Será que você poderia... me emprestar um pouco de dinheiro? É que bem.. Pra convencer a Blair sobre o banho, que já havia te dito, eu meio que estupidamente ofereci a ela em troca um pedaço de um peixe caríssimo... Sabe como é, era o único jeito de fazê-la se comportar.. Mas eu juro que devolvo... Algum dia. Eu trabalho meio período pra pagar ou algo assim. — Ele riu discretamente e afagou de leve minha cabeça assim como se faz com um cachorrinho pidão. E era exatamente como eu me parecia naquele momento.
DEATH THE KID P.D.V
Sorri diante do pedido dela — Achei uma graça ela se sentir tão acanhada em relação a tal.
–Fica tranquila, Maka. Parte da culpa que eu tenha que ser vendado eu vejo como minha, então eu vou ajudá-la e você não precisa devolver o dinheiro. Eu tenho de sobra, você sabe.
–Mas eu não posso simplesmente aceitar esse dinheiro sem devolver, Kid. – Ela disse, ainda acanhada.
– É sério Maka, não precisa. – Sorri gentilmente.
–Não Kid, não posso. — Ela parecia decidida em recusar minha oferta.
–Certo, então... Se quer me recompensar, que tal... Bem.. – Corei de leve – Quando toda essa confusão de corpos trocados acabar, você... Poderia sair comigo? Quer dizer, como amigos...
–Claro. – Ela concordou, o que me proveu tremenda felicidade. No rosto dela pareceu surgir uma leve vermelhidão. Ficamos em um silêncio vexaminoso mas em pouco tempo já conversávamos de novo normalmente.
Maka logo se despediu – ela queria naquele dia começar os treinos para se acostumar com as condições físicas do meu corpo. Em pouco tempo eu voltava a ajeitar a casa da minha maneira, enquanto escutava reclamações por parte de Soul de que toda aquela arrumação era frescura e outros tipos de “mimimices”. Ele estava me irritando profundamente e minha paciência logo chegaria no limite. O que me impediu de estourar foi o telefone que repentinamente tocou. Era Black*Star, requisitando a presença de Soul para algum programa entre eles. Ele em pouco tempo saiu afim de encontrar o amigo e Blair saiu logo em seguida para visitar o peixeiro. Eu estava sozinho. Era a oportunidade perfeita para apagar a foto desgraçosa que na máquina fotográfica se encontrava.
Era só se infiltrar no quarto e apagar a foto, certo? Errado. Nem tudo é tão simples quanto se parece. Assim que eu entrei me deparei novamente com o inferno. Não, aquilo era pior. A ardência das chamas doeria muito menos em mim do que o tanto que aquela visão me machucava os olhos. O quarto estava revirado – tudo jogado no chão, gavetas abertas, armário bagunçado. Como alguém pode ser tão esculachado? Travei meus movimentos. Eu devia segurar a minha vontade de arrumar. Ele não podia saber que eu passei por lá. Devo... Apenas... Apagar... A foto....
Fui em busca da câmera fotográfica e depois de um tempo procurando finalmente a achei. Sucesso! Apaguei a tão indesejada foto e momentaneamente me senti satisfeito. Porém, foi só eu olhar de novo ao redor e perceber novamente a bagunça que... Não pude me controlar. Comecei a arrumar tudo – Gavetas, armários, cama, escrivaninha... Foi quando eu encontrei em uma das gavetas semi abertas uma folha um tanto amassada de caderno. Com inocência e curiosidade a desamassei para ler e me deparei com algo totalmente revelador. Na folha, que mais parecia uma carta desistida de ser entregue, estava escrito, quase ilegível devido ao riscado que desfigurava as palavras, mas possível de deduzir:
“Gostaria de lhe dizer o que realmente sinto mas sempre acabo falando besteira... Queria te sentir, te beijar, ser ainda mais íntimo de você.
Eu te amo, Maka.
– Soul Eater”
O... o quê? Ele a ama? Quer dizer, eu imaginava que ele a amasse, mas pensei que fosse apenas como uma irmã. Eu... não posso deixar que algo aconteça... Eles... não podem ficar juntos... O que é esse sentimento angustiante que queima em meu peito?
–Kid, por acaso você viu o meu casaco? Eu esque... — Me perdi em pensamentos e devido a tal distração não notei a presença de Soul. Quando virei a cabeça para olhá-lo, ele estava na minha frente, embasbacado. Naturalmente, ele sabia o que havia escrito naquele papel.
–Você... leu...? – Soul perguntou.
–Li. – Eu respondi o olhando, mas agora com outros olhos. Eu o via, agora, como um verdadeiro rival em potencial. E eu não pretendia entregar a Maka para ele.
Notas finais
Observações do capítulo:
-As orelhinhas de ursinho são da Blair (Pra que né, se ela já tem orelha de gato. Mas vai saber! Lá tem até sol sorridente, então que seja).
-O Atum azul é real. É um dos mais caros do mundo, mesmo. Os japoneses o comem e ele é tão adorado que já se encontra em extinção. Pesquisem mais sobre, se quiserem.
-Mimimices é um neologismo. Hehe.
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