Assim diz a Lenda
4 Submissão e Dança
Notas iniciais
A lenda diz:
O herdeiro Uzumaki tem um demônio aprisionado no corpo, por isso ele tem seis riscos no rosto, três de cada lado. Se você irrita-lo verá seus olhos ficarem vermelhos.
Ele olhava para seu reflexo no espelho, agora sem sua venda. A mulher se aproximou, também sem venda e segurou em sua mão, encarando também o reflexo.
— Porque tínhamos que nascer com esses olhos minha irmã?
— Eu não sei, simplesmente os aceito. – Disse cabisbaixa.
— Esses olhos de Lua, não eram para serem presentes?
— Sim. – Respondeu sem emoção.
— Então porque tenho vontade de arranca-los?
— Você já tentou isso uma vez. Não deu certo. – Ela respirou fundo. – Apesar de tudo foram esses olhos que nos ajudaram a sobreviver até agora, eles que nos alertaram dos perigos pelo caminho, eles que me fazem poder enxergar claramente as emoções e reações de uma pessoa quando estamos apresentando. Você também consegue ver Neji?
— Sabe que sim, eles ficam encantados, parecem estar viajando para um lugar maravilhoso. – Neji se virou para irmã. – Mas a qualquer sinal de perigo, temos que ir embora Hinata, mesmo que o sinal for mínimo.
— Eu sei meu irmão. – Ela esticou os braços e o abraçou.
Neji e Hinata estavam no quarto oferecido pela família Uzumaki, com duas camas encostados na parede a direita separadas por um biombo, na parede da frente tinha duas janelas, ao lado de uma delas um grande espelho, onde os irmãos estavas e ao lado da porta, uma mesa, em que estavam os pertences. Era simples, mas já estavam muito satisfeito de, essa noite, terem um teto sobre suas cabeças para dormir, afinal uma dupla de artistas itinerantes não podia se dar ao luxo de gastar mais que o necessário para comer ou se vestir, as estalagens eram caras e muitas vezes dormiam sobre as estrelas, era bonito, mas era frio. E com o barulho de pessoas na casa os Hyuuga adormeceram.
...
Um respiro aliviado foi sentido por toda a casa quando todos já estavam em seus devidos quartos. Agora o que importava era manter a compostura até o dia seguinte, quando a festa começava. Os Uzumaki tinham tudo planejado e as informações foram passadas com sucesso nessa recepção, dessa forma, pelo menos eles poderiam dormir mais tranquilos aquela noite, a aproveitar o máximo que podiam na festa.
O dia seguinte já começou agitado, a cozinha estava a todo o vapor, os empregados se aproveitavam que muitos convidados ainda não tinham acordado para terminar o preparo das comidas e finalizar as decorações. A família anfitrião foi a primeira a acordar, eles se dividiram, Naruto cuidava da cozinha, verificando se todos os pratos estavam sendo preparados com perfeição e claro, provando todos. Minato cuidava da decoração do salão aberto, revestido de pedras brancas, o espaço era quadrado com cobertura em toda sua lateral, onde ficariam as mesas para os convidados e no centro, em que ficava um pequeno palco, as apresentações seriam lá, o resto do lugar era aberto, com grandes aberturas que davam vista para jardim da família. Além da dupla de irmãos, haviam músicos e dançarinas próprios da família Uzumaki. E Kushina, segurava a todos na sala de visitas até que tudo ficasse pronto.
Como era de costume, seria dia e noite de festa, as apresentações musicais e as danças seriam intercaladas com as refeições e bebidas. Quando a maioria das famílias estava de pé, e principalmente, a família imperial, Kushina finalmente abriu espaço para que todos fossem ao salão aberto, que estava decorado com esmero. Os pilares estavam revestidos com seda colorida e nelas flores que faziam o espeço ficar com aroma agradável, da cobertura do centro também se estendia tecido de seda até as laterais, proporcionando sombra para o local aberto. Os tapetes colocados no chão eram grossos e de cores fortes, enquanto as almofadas tinham cores discretas, e as mesas estavam decoradas com flores e velas aromáticas, com pratos dourados, ornados com um fino trabalho decorativo.
Assim cada família ocupou o seu lugar, se sentando nos tapetes e nas almofadas. O assento privilegiado ficava de frente para onde aconteceriam as apresentações, e esse era o lugar ocupado pelos Otsutsuki, era necessário que fosse colocado uma plataforma, para mostrar a superioridade da família imperial, nunca ficando no mesmo nível que as outras famílias. E ao lado, o lugar de honra, era ocupado pelos anfitriões, que precisavam servir e mostrar respeito ao Imperador e sua família, tudo isso era uma pequena encenação, para mostrar a todos quem deveria reinar e quem deveria ser submisso. Naquele dia os Uzumaki teriam que engolir o orgulho, e demostrar felicidade e satisfação em servir. Para Naruto e Kushina isso seria mais difícil.
Quando todos já estavam sentados, alguns empregados apareceram com pratos de comidas diversos se colocaram de lado da família imperial, Minato se levantou, foi até um empregado que tinha um prato de arroz com lentilhas e fios de carne de cordeiro, pegou a bandeja, foi até a mesa da família imperial e os serviu, Kushina e Naruto fizeram o mesmo em seguida, com pratos diferentes. O mais novo teve que se segurar para não arremessar o que servia no rosto do príncipe Toneri Otsutsuki, que riu em desprezo quando colocou comida em seu prato. Com a família imperial servida os outros poderiam comer, os empregados entregavam bandejas em cada uma das mesas e os murmúrios de conversa logo começaram junto com a música que se iniciava no centro do salão. Assim a festa começava.
Naruto respirou pesadamente, teria que aguentar aquela humilhação por muitas horas e só poderia sair de seu lugar depois que a janta fosse servida, e que as bebidas alcoólicas começassem a fazer seus efeitos. O jovem Uzumaki olhou para os lados, todas as famílias estavam nas mesas distribuídas de forma estratégica. Espertamente mantiveram Sakura mais longe possível da família imperial, em um canto discreto junto com os Mitsashi, que estavam próximos dos Uchihas.
As horas se passaram e quando a noite caiu tochas foram acesas, e a meia luz deixou o ambiente propício para uma refeição final. Os Namikaze Uzumaki serviram os pratos da família imperial, depois se sentaram e todos foram servidos. Quando uma música suave começou, Naruto não tinha visto quando aqueles dois haviam parado ali, duas figuras parecidas, um homem e uma mulher, ambos com cabelos negros lisos, os cabelos da mulher, que tinha um brilho azulado, iam até o começo de sua bunda e ela deixava uma franja reta cobrir um pouco da faixa em seus olhos.
Já o homem mantinha uma franja comprida atrás de sua orelha com seus cabelos amarrados na ponta, no meio de suas costas, também com a faixa em seus olhos. Ele começou com uma batida leve no derbak, e a mulher, com os snujs* em suas mãos o acompanhou, seu corpo começou a se mexer, de um lado pro outro, em sua saia havia sinos que compunham a música, a cintura acompanhava suas pernas e os braços se mexiam livremente pelo seu corpo e pelo ar, fazendo com que cada vez mais as pessoas ficassem pressas aos seus movimentos.
Subitamente os dois pararam, respiraram fundo e em poucos segundos recomeçaram, e a música tinha outro tom, mais acelerado e animado, a mulher saiu de seu pequeno palco, e como se fosse brincadeira, caminhou por cada uma das mesas, cada uma tendo seu show particular. Ela mexia as mãos, o ventre, a cintura e os pés, era como uma naja sendo hipnotizada pela flauta, fazia os movimentos que a música desejava, mas as pessoas nunca prestam muita atenção na música, as pessoas se admiravam com a naja.
Ela pulava de família em família, de mesa em mesa, cada uma recebia uma apresentação diferente e a dançarina rodopiava seu corpo, espalhando seu perfume de jasmim fazendo com que fosse desejada. Ela não se importava com os olhares que recebia, já estava acostumada, mas ela não percebia o quanto seu corpo era bonito e o quanto chamava a atenção quando estava apresentando, isso era bom, para ela significava mais gorjetas. A morena deixava um gostinho de quero mais em cada pessoa que se apresentava, assim que passava para outra.
Mas Hinata, conforme se aproximava da família imperial, ficava mais tensa, com medo de seu corpo a trair de tanto que estava tremendo e caísse antes mesmo de terminar a primeira música, mas ela era uma dançarina profissional e isso não aconteceria. Já Naruto, conforme a aproximação da dançarina ficava cada vez mais admirado, não se importava de encara-la de forma tão descarada, o que ele podia fazer? Não conseguia evitar, ela mexia com ele inexplicavelmente, era como se a presença dela despertasse algo que estava a muito tempo selado e depois de vê-la dançar esse algo ou alguém não deixaria que ela fosse embora, nunca mais. Nesse momento o loiro só queria era entender o que estava acontecendo com ele.
A dançarina, quando finalmente se aproximou da mesa Uzumaki sentia sou corpo subitamente relaxar, a presença de alguém ali a fazia se sentir calma e acolhida, como não se sentia a muito tempo, não sabia quem dali a fazia sentir assim, mas sabia que na mesa ao lado era onde estava seu maior temor. Quando ela se aproximou da mesa da família imperial, se virou para Neji, assim eles não conseguiriam ver seu rosto assustado, a música parou e ela mexeu sua cintura rapidamente deixando somente os sinos a acompanharem, quando acabou correu de volta para o centro do salão, sentindo seu coração se acalmar um pouco. Começaram outra música e outra dança.
...
O loiro ainda olhava para a dançarina em sua última dança da noite, ele não tinha conseguido desviar os olhos dela por muito tempo, mesmo estando com Sasuke do seu lado. Ambos estavam atrás de um pilar.
— ...eu não sei como Itachi conseguia aguentar o pai em cima dele o dia inteiro, parece que um sangue suga, mas ao invés do sangue ele suga toda sua vontade de viver. – O Uchiha desabafava, percebendo que nada do que falava tinha sido ouvido, se aproximou da orelha do Uzumaki. – SEU OLHO VAI FICAR SECO SE NÃO PISCAR!
Naruto recuou um pouco, colocou a mão na orelha e olhou para o Uchiha sem entender o que havia acontecido. Sasuke sussupirou.
— Olha, ela é realmente uma boa dançarina, seu pai fez bem em contratar eles para distraírem a família imperial. Só que você precisa de um babador, se não se controlar logo a saliva sai dessa sua boca escancarada.
O loiro colocou a mão nos lábios, não havia percebido que até agora sua boca estava aberta.
— Me desculpe. É que... Não consigo parar de olhar. – Dessa vez ele só a viu no canto dos olhos, não queria ser hipnotizado de novo por aquela cintura.
— Isso eu já percebi, a moça irá cair desidratada de tanto que você seca ela, bem você e quase todos os homens daqui, ela é uma mulher bonita, mas, por favor se controle.
Naruto, olhou em volta, não sabia por que estava tão bravo e incomodado com outros homens olhando para a dançarina, sendo que nem ao menos a conhecia. Fechou os olhos, respirou fundo três vezes e se fixou no amigo. Precisava mudar de foco, ou algo ruim podia acontecer.
— Como foi sua conversa com Sakura? – Decidiu mudar de assunto, o amigo o olhou com a cara brava. – Ah! Não vai dizer o que aconteceu para o seu cupido?
— Cupido!? – O Uchiha desdenhou. – Você é no máximo uma vela.
— Por favor! Se não fosse por mim vocês ainda estariam flertando cada um em um canto. – Naruto cruzou os braços. – Pode falar.
— É... Colocamos o assunto dia. – Sasuke respondeu simplesmente e um pouco envergonhado.
— Deram umas bitoquinha?
— O que? – O Uchiha olhou estranho para o amigo. – Desde quando virou o tio chato e inconveniente?
— Não virei. – Naruto fez beiço. – Só estou perguntando.
Uma salva de palmas interrompeu a conversa dos dois. A dançarina e o músico estavam fazendo reverencia perante a aquela aclamação. A família imperial, que ficou o tempo todo com os semblantes sérios, agora aplaudiam devagar, meio que a contra gosto, isso era um sinal de que a dupla havia, pelo menos, os agradado.
— Olhe só para eles. – Sasuke tinha nojo em sua voz. – Se achando superiores, os Senju nunca seriam capazes de se colocar acima dos outros como eles fazem. Os servi no ano passado, que humilhação.
— Eles fazem de tudo para testar nossa paciência, como se isso fosse provar ... – Suas palavras foram cortados quando viram Toneri se aproximando.
Com a pele pálida, cabelos brancos e olhos azuis tão claros quanto água cristalina, ele até aparentava ter um coração nobre, se não fosse pelo sorriso debochado em seu rosto, ou pelo olhar de desprezo que encarava todos. O Otsutsuki com certeza estava ali para testar a paciência de todos, principalmente à da família anfitriã, e parecia ter um carinho especial por Naruto, não que o loiro gostasse disso. Com a proximidade dele o Uzumaki pode perceber o colar que o príncipe carregava, eram pedras redondas, brancas como a Lua e mais brilhantes que qualquer joia que já tenha visto. Naruto sentiu a comida se revirar no estômago.
— Até que não foi uma perda de tempo vir aqui. Sua família, pelo menos conseguiu me entreter um pouco, deveria dar uma gorjeta para vocês, ou seria melhor gastar meu dinheiro com a dançarina? – Falou calmamente para Naruto, com uma pequena satisfação no semblante.
— Obrigado Sua Alteza Imperial. – Falou fazendo uma reverencia, olhando mais fixamente para o colar.
— Ah! Isso. – Toneri pegou as joias e puxou com leveza. – São pedras da Lua, já deve saber de onde elas veem. – Riu, do rosto assustado de Naruto e soltou o colar. – Não fui eu que peguei essas pedras, claro, me deram quando era bem pequeno. Sabe nunca vi um Hyuuga na vida, mas se os olhos deles fosse tão bonitos quanto essas pedras, eu iria querer levar um para casa, e ficar admirando. – O semblante do loiro ficava cada vez mais raivoso, era nítido o nojo que estava sentindo. – Pensando bem, se fosse eu que estivessem no comando no dia do Massacre da Lua pediria para pouparem pelo menos as mulheres, assim poderia pegar uma delas coloca-la em algum lugar para admirar, e as outras, bem... – Ele sorriu malicioso, vendo os olhos do Uzumaki mais novo ficaram mais escuros de ódio. – Digamos que eu não me preocuparia se as joias da Lua estivessem acabando.
Com os punhos fechados Naruto poderia facilmente dar um soco, bem forte no rosto de Toneri, mas Sasuke o segurou, se colocando a frente do amigo e se curvando.
— Estamos contentes que esteja satisfeito Sua Alteza Imperial.
— Não seja insolente Uchiha, estou falando com o Uzumaki. – O pálido ergueu a voz. – Sai da frente!
Mesmo temeroso não havia nada que Sasuke podia fazer então se afastou. Os olhos de Naruto não estavam mais azuis como o céu, estavam escurecendo, ficando vermelhos suas pupilas estavam se tornando fendas, e ele tentava controlar sua respiração, se acalmar, estava sendo difícil.
— ARÁ! Então é ai que estão os seus vermelhos! – O príncipe, exclamou, parecia comemorar. – Quando conheci você, fiquei decepcionado. Como um Uzumaki não teria em sua cabeça as lindas madeixas vermelhas que lhe daria longa vida? Sabe, os cabelos que foram vendidos? Parece que realmente funcionam, os compradores vivem até hoje, depois de tantos anos. – Toneri não se cansava de provocar. – E ai estão os vermelhos de Naruto Uzumaki. – Ele se aproximou do ouvido do loiro. – Mas diferente dos lindos cabelos da sua mãe, que foram presentes do Sol, os seus olhos são a prova de que há um demônio em seu corpo. – O príncipe se afastou. – Será que também há joias nesses olhos, pedras tão vermelhas quanto o fogo do inferno? – Riu maldoso.
Naruto ergueu o punho, mas foi rapidamente parado por Sasuke, que com força abaixou a mão do loiro, ele já tinha visto Naruto ficar daquele jeito uma vez. Quando as emoções dentro dele estavam muito fortes Naruto não tinha mais controle sobre seu corpo, sabia disso, pois, quando ficava assim, batia em tudo e todos, virava um animal, Sasuke jurava que até via seus dentes, cabelos e unhas crescerem, mas depois de se acalmar, com a ajuda da mãe, ele não se lembrava de nada que havia feito. Nesse momento o moreno só pensou em uma coisa, se aproximou do ouvido do amigo e sussurrou.
— Corre.
E assim o loiro fez, correu e correu o mais rápido que pode e o mais longe possível, se abrigou dentro da casa, estava um pouco escuro, então abriu a primeira porta que viu, a bateu com força se abaixou no chão ficando agachado, com a cabeça entre os joelhos e os braços em sua nuca. Naruto respirava pesadamente pela boca, não tinha visto nada desde que bateu a porta atrás de si.
— Neji!? – Uma voz suave e doce o fez parar de tremer de raiva instantaneamente, ele de repente não sentia mais aquele ódio que estava o consumindo, Naruto se espantou com aquilo, mas ao mesmo tempo gostou. – É você meu irmão? Neji, por favor se apresse em arrumar as coisas, precisamos sair logo daqui.
Naruto levantou e viu que a voz vinha de uma mulher, que estava de costas, iluminada somente pela luz da Lua reconheceu a dançarina, seu corpo novamente tremeu, mas dessa vez de ansiedade, ela estava agachada, já com uma túnica em volta do corpo, colocando algumas coisas em sua sacola de couro. E estava fazendo isso apressadamente.
“Do que ela está com tanto medo? Nem pude cumprimente-la, parabenizar pela apresentação. Porque será que ela está assim? Com tanto medo? Tenho que falar que nada de mau acontecerá com ela, quando eu estiver aqui.” – Naruto pensava se impressionando com o que estava imaginando.
Ele lentamente se aproximou da dançarina, queria toca-la sentir sua pele o seu cheiro, mais uma vez. Quando levantou a mão para isso, ela se virou. Naruto perdeu a respiração com o choque e ficou admirando o que estava a sua frente. Olhos tão brancos quanto a Lua, mais brilhantes que diamantes. Eram olhos transmitiam serenidade, o jovem Uzumaki queria ficar ali eternamente, admirando aqueles olhos, tocando naquela pele, deixando os cabelos dela escorrerem sobre seus dedos.
Já a mulher levou um susto, era ele, aquela pessoa que transmitia segurança pouco antes de dançar para a família imperial. Hinata, não sabia como reagir, não sabia se podia confiar naquela pessoa. Seria ele fiel ao Imperador? Ela ficou imóvel, por não saber o que fazer, estava confusa. Esperando que em algum sinal de ameaça seu corpo reagisse e fugisse, o rapaz se aproximou, e diferente do que ela pensava, seu corpo continuou paralisado, não por medo, por... não sabia, várias emoções passavam por sua cabeça.
“Eu tenho que fugir, mas porque meu corpo não se mexe?” – Pensava, chocada com suas reações.
— Por favor. – Hinata disse em um sussurro e Naruto parou de se aproximar dela.
A porta foi aberta, com cautela e Neji entrou apressado, ainda estava com a venda nos olhos, ele olhou sua irmã sendo acuada, pegou sua adaga, sempre andava com ela, e antes mesmo que Naruto pudesse virar completamente para poder ver quem mais estava lá sentiu a lâmina em seu pescoço. Ergueu os braços em rendição e viu no canto dos olhos, o músico, engoliu seco respirou fundo.
— Não quero lhes fazer mal. – Tinha a fala difícil por medo da arma em seu pescoço.
Neji não abaixou a guarda e apertou a lâmina no pescoço do loiro.
— Eu não vou arriscar. – Disse sibilando.
— Eu sou Naruto Namikaze Uzumaki, quando encontrarem meu corpo morto nesse quarto saberão que foram vocês e irão atrás.
— Já estaremos bem longe daqui quando seu corpo for achado.
— Acredito que não, meu amigo, Sasuke Uchiha, está vindo atrás de mim. – Blefou.
— Neji, por favor. – Hinata o olhou com temor nos olhos, o homem suspirou tirou a adaga do pescoço do loiro e se aproximou dela. – Sr. Namikaze Uzumaki, só podemos implorar para que não fale de nós para ninguém, principalmente a família imperial. – Ela se curvou. – Eu e meu irmão só queremos viver em paz, então, por favor, nos deixe ir e juramos que nunca mais pisamos em território Namikaze-Uzumaki.
— Então as lendas são verdadeiras. – Refletiu para si. – Dois Hyuuga sobreviveram...
— Por favor, Sr. Uzumaki não conte para ninguém. – Hinata implorou mais uma vez.
Ainda desconfiado Neji se pronunciou.
— Pode nos dar a sua palavra? – A atenção se voltou para ele. – Eu ouvi dizer que os Uzumaki nunca a descumprem. Nos dê a sua, palavra, prometa de que irá nos deixar ir. Nos iremos, sem que ninguém perceba.
— Não! – Naruto disse instantaneamente, ele não queria se separar da morena, não deixaria que ela fosse longe. Percebendo o que disse decidiu se retratar. – Posso lhes oferecer proteção.
— Por que está nos oferecendo isso? – Neji questionou confuso. – Da última vez que alguém deu proteção para nossa família, não demorou muito tempo para o Imperador nos achar. – Apontou. – Nada parece passar pelo radar daqueles Otsutsuki. Não deveríamos estar perdendo tempo com essa conversa. Mesmo que você nos prometa proteção, não sabemos se é um blefe, não sabemos que, mesmo nos deixando ir, você não saia correndo avisar aqueles desgraçados, por isso temos que ser rápidos.
— Não faria isso! – O loiro cerrou os punhos.
— Não temos certeza – Neji teimou.
— ODEIO AQUELA FAMÍLIA TANTO QUANTO VOCÊS. ELES MATARAM MEUS PRIMOS E TIOS PARA PEGAREM SEUS CABELOS. – O rapaz respirou fundo quando percebeu que estava gritando. – Meus avós conseguiram parar com a matança depois de um acordo, protegendo sua filha mais nova, minha mãe. Esse foi o último ato deles em vida, depois de sua morte a família imperial exumou seus corpos e arrancaram suas cabeças. A última Uzumaki de cabelos ruivos chorou de felicidade quando viu seu filho nascer com os cabelos do pai.
Naruto puxou uma madeixa loira de sua cabeça. Os dois Hyuuga o olharam espantados, sabiam o que havia acontecido com a família Uzumaki, mas não sabiam a gravidade.
— Sentimos muito. – Um sussurro saiu de Hinata.
— Eu também, mesmo que não tenho conhecido as pessoas que os Otsutsuki mataram, ainda eram minha família. – Naruto os olhou sério. – Sinto muito pela família de vocês também.
— Também não conhecíamos a maioria das pessoas que foram massacradas, mesmo assim, como disse, era nossa família. – Hinata terminou.
— Então agora podem confiar em minha palavra que não irei entregar vocês para a família real? Podem me deixar proteger vocês?
Os morenos se entreolharam, Neji não poderiam confiar em alguém de uma hora para outra, sendo que passou a vida inteira confiando somente em si mesmo e em sua irmã. Já Hinata tinha fé nas pessoas, ela acreditava que um dia eles poderiam viver em paz e serem felizes, como seus pais, em um curto período de tempo, alheios a guerra e a perseguição que sofriam. Ela era a esperança e ele a desconfiança.
— Então pode nos dar a sua palavra, que nos manterá em segredo e protegidos até que a família imperial vá embora? – Hinata perguntou séria, mas havia certo brilho em seu olhar.
— Isso é uma promessa. – Naruto disse sorrindo se hipnotizando pelos olhos de Lua dela, tão cativantes e sedutores.
Ficou um tempo encarando a moça sem perceber que ela estava ficando constrangida e o irmão desconfortável.
— Ainda não nos apresentamos apropriadamente. – Falou um pouco corada. – Eu sou Hinata Hyuuga. – Colocou a mão no peito. – E esse é Neji Hyuuga. – Apontou para o homem ao seu lado.
—É um prazer fazer acordos com vocês, mas agora vou me retirar, antes que sintam minha falta e venham me procurar. Fiquem aqui até o final da festa. Os Otsutsuki só iram embora amanhã, depois do café da manhã então terão que aguentar, lhes colocarei no melhor lugar para se esconderem. – Garantiu.
Recebeu um aceno de concordância e o loiro, encarou mais uma vez Hinata, querendo marcar bem aqueles olhos em sua memória, quando percebeu que estava quase se perdendo naquele rosto, deu uma piscadela e saiu do quarto.
— Tem certeza disso? – Neji continuava olhando para a porta fechada.
— Será mais seguro para nós ir embora quando a família imperial não estiver aqui, não sabemos com quantos guardas eles vieram, nem quantas pessoas nessa festa estão a favor deles.
Neji suspirou, sua irmã tinha razão, mas ele estava com um nó na garganta
— Além disso, fui eu que o deixei me ver sem a venda. – Hinata confessou.
— Como assim deixou? – O moreno estranhou.
— Não é bem que deixei, é que simplesmente todos os meus instintos de perigo e cuidado não afloram quando Naruto Namikaze Uzumaki está perto. A presença dele no quarto foi tão aconchegante que eu pensei que fosse você irmão. – Neji a encarava com certo olhar de julgamento. – Eu sei, isso é perigoso.
...
Sasuke respirou aliviado quando conseguiu convencer o príncipe de que o amigo tinha problemas de autocontrole, e precisava se afastar um pouco para tomar ar e se acalmar. Estava prestes a ir atrás do loiro, para ver se poderia ajuda-lo, quando sentiu um leve toque no ombro.
— Está bem? – A voz de Sakura era calma e tinha um olhar preocupado.
— Eu estou, quem não deve estar é Naruto ele saiu daqui com... aqueles olhos. – Deu um sorriso triste, por causa do amigo, e feliz, seu coração se enchia quando a mulher de cabelos rosa estava próxima.
— Faz tempo que ele não se descontrola. – Ela refletiu.
— O príncipe foi causador disso.
— Não me surpreende.
Sasuke olhava para Sakura fascinado. Já ela estava distraída em seus pensamentos que não notou que estava sendo encarada de forma tão vibrante. Agora seria uma boa oportunidade de fazer a sugestão do amigo loiro. O moreno levantou uma das mãos e colocou o cabelo da moça atrás de sua orelha, ela se espantou com a atitude, pois ele não era muito de demonstrar afeto ou carinho, principalmente em público.
— É só para ver seus olhos melhor. – Se justificou.
Sakura olhou para os lados, encabulada, normalmente era ela que o constrangia com atitudes inusitadas.
— Você está quase da cor de seu cabelo. – Ele riu a vendo ficar mais vermelha.
— Você só me pegou desprevenida. – Bufou.
Sasuke aproximou seu corpo com o dela. Que novamente se assustou com a atitude.
— Posso te pegar desprevenida quantas vezes quiser.
Disse a puxando para um ponto cego no salão, um lugar onde a família imperial não os veria. Sasuke a prendeu na parede começando a beija-la em sua testa, nas bochechas, na ponta do nariz e finalmente nos lábios. Estava saboreando cada segundo ali, ficou feliz ao descobrir que com o passar do tempo os lábios dela só ficaram mais saborosos. O beijo não teve um começo suave, ele a queria mais que tudo, então a segurou firme e com intensidade, as vozes a sua volta foram ficando distorcidas, até parecerem murmúrios distantes.
Sakura só conseguia se concentrar naquele beijo que estava tirando todo seu folego e sanidade, estavam enrolando suas línguas, ela segurou os braços do Uchiha, precisava se apoiar em algo, e isso só o fez querer mais, se separou da boca dela e começou o rastro de beijos pelo pescoço, pela clavícula, deixando a pele dela quente e avermelhada.
— O que... está acontecendo com você... Uchiha?. – Falou se concentrando nas palavras para não gemer de prazer pelos beijos.
— Faz cinco anos que não nos vemos. – Ele se ergueu e a encarou. – Me surpreende você não estar sedenta por isso também. Ainda me controlei na recepção. Lá até tinha mais lugares para se esconder. – Sorriu malandramente.
— Sabe que estava com saudades também, é só que... – Respirou fundo, colocando as mãos no rosto dele. – Que temos que ter cuidado, a família imperial não gosta dos Senju, e qualquer coisa que façamos é cuidadosamente inspecionada por eles, se expormos nosso relacionamento assim, as duas famílias fundadoras do País do Fogo? Em um relacionamento amoroso? – Sakura falava com certo ar de ironia. – Mesmo que não tenhamos nos unido para conspirar eles não iram ver de outra forma.
— Grande merda. – Sasuke deixou sua cabeça cair nos ombros dela. – Graças a esses fodidos estamos pisando em ovos.
— Eu sei. – Ela acariciava os cabelos dele. – E sabe também que daremos um jeito meu amor.
— Sei, e infelizmente ainda não posso te pedir em casamento por causa desses putos.
— Temos que ser pacientes, os Otsutsuki irão cair, e sinto que essa queda está próxima. – Sasuke se ergueu e a encara nos olhos.
— Espero que isso aconteça logo. – Disse com uma ponta de esperança, encostando a testa na amada e respirando fundo o perfume dela. – Não sabe o quanto estou louco para ter você.
— Você não sabe o quanto estou louca por isso também meu amor.
Quando ele sentiu novamente algo encostando em seu ombro, dessa vez um cutucão. Se virou raivoso, quem ousa atrapalhar esse momento?
— Desculpe, mas temos um assunto urgente a resolver. – Shikamaru apontava para trás de si, onde estava um loiro ofegante.
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