Assim diz a Lenda

5 Sonhos e Olhos de Lua


A lenda diz:

Os Otsutsuki podem não ser os mais inteligentes, mas são com certeza os que têm mais informações, tome cuidado com que fala e faz no campo de visão deles, nada passa despercebido.

Shikamaru observava de longe o loiro sair correndo enquanto Sasuke desviava a atenção do príncipe, ele se lamentava por não poder fazer nada naquele momento, estava impotente.

— Problemático. – Sussurrou.

— O que é problemático? – Temari apareceu do seu lado, apesar de ter levado um susto ele não demostrou. – O príncipe e o Uchiha? – Perguntou olhando para onde o Nara estava olhando.

Ela queria saber o que acontecia no País do Fogo, porque, desde a chegada da família imperial as pessoas pareciam ter ficado tensas, e tinha a impressão que uma bomba estava prestes a explodir. Mas Shikamaru não podia simplesmente dizer que a guerra civil do país tinha matado muitos e que a maioria dessas pessoas foram mortas pelos Otsutsuki, que governavam a rédeas curtas. Pois a história é contada pelos vencedores, e a família imperial espalhou que assumiu o controle depois de um confronto entre as famílias nobres, causado pelos Hyuuga.

— O príncipe Toneri e o Uchiha estão apenas conversando. – Disse dando de ombros.

— Sério!? – Disse cínica. – Então porque o loirinho saiu dessa conversa correndo? Ele não me parecia muito bem.

“Droga, desde quando ela está olhando? Ela é perspicaz.” – O Nara a observou analítico.

— Sim, só uma conversa. – Insistiu.

— Conversa...? – Pensou um pouco. – Então podemos conversar sobre como a família imperial chegou ao poder? Ou por que somente Sakura Senju, está nessa festa e não sua família inteira? Ou o motivo de ninguém aqui estar se divertindo?

— Tudo bem! – Shikamaru falou dando fim as perguntas. – A que ponto quer chegar?

— O ponto é, vamos fazer negócios aqui, e para me prevenir e prevenir meus irmãos quero saber o que acontece entre as famílias nobres e a imperial. – Disse diretamente, ela não precisava fazer rodeios com o Nara.

— Não tiro sua razão nisso. – O moreno concordou e Temari que sorriu de canto. – Fez sua lição de casa.

“Convencida” – Ele pensou sorrindo também.

— Eu não acredito facilmente na primeira história que me contam. Então vai finalmente me dizer o que realmente aconteceu no seu país?

— Esperto de sua parte. – Ele se colocou de frente para ela, Temari engoliu seco, pela postura dele ter mudado, ter ficado sério, o moreno se aproximou de seu ouvido. – Mas não fez sua lição direito, se tivesse feito saberia que não é bom questionar a família imperial bem na frente deles.

Uma onde fez os braços dela se arrepiarem inteiros, era a primeira vez Temari ficou sem palavras. Shikamaru encarou a mesa dos Otsutsuki e eles não estavam olhando para o casal, mas se podia sentir a presença e a pressão que faziam no ambiente, de repente ela se sentiu sendo encarada, olhou para os lados e percebeu que os guardas imperiais olhavam atentamente para os dois.

“Como? Como eles puderam perceber que estávamos dizendo deles? Eles ouviram? Não, estão muito distantes...” – Ela pensava assustada enquanto olhava para os lados.

— Temari no Sabaku, está uma noite linda lá fora, que tal uma volta pelo jardim? – Perguntou com um pequeno sorriso e estendendo o braço.

A loira engoliu seco, aceitou o convite colocando a mão em cima do braço do homem e foi conduzida para os jardins, lá a luz não era forte, a conseguiam ver poucas coisas a sua frente. Eles andavam quando Shikamaru começou a falar.

—Está uma linda noite hoje, este é um bom lugar para admirar a Lua. Não tem muitas estrelas no céu, particularmente, prefiro quando as estrelas estão mais brilhantes.

A loira não estava entendendo para onde aquele assusto iria, mas logo percebeu que estavam, mesmo distantes, sendo observados pelos olhos dos guardas Otsutsuki, então decidiu entrar na atuação.

— Sim, a Lua está bonita, mas pena não posso ver as estrelas, queria ver a diferença do céu desse país, me disseram que conseguem ver muitas constelações aqui.

— De fato, há pessoas que estudam o céu aqui, mas a maioria é por hobby. – Shikamaru finalizou o assunto, olhando para trás. – Estamos em uma distância suficiente agora.

Temari tirou a mão do braço do Nara e se abraçou.

— O que há com essa família!? Tem olhos na nuca? – Disse se esfregando com o calafrio passando.

— Está mais para olhos em todas as partes do corpo, nada passa despercebido na presença deles, nem pelos seus guardas. Por isso digo, cuidado com que fala. Eles são desconfiados de tudo e de todos. E a essa altura eles já devem saber que planejam um casamento para nós, então deixaram passar se nos afastarmos um pouco. Além disso, você é uma estrangeira então acredito que suas perguntas e sua audácia em fazê-las serão esquecidas.

— Então agora pode me responder e ser claro com o que há nesse país? – Perguntou já um pouco irritada.

— Até onde você conhece nossa história?

— O que sei são só coisas que ouvi. Me disseram que a família imperial fez fortuna arrancando olhos de crianças, que eles mantem em sua capital uma prisão tão horrenda que até o pior dos assassinos têm medo de ir pra lá. Que as famílias nunca brigaram ou entraram em um conflito, que quem começou a guerra foram os Otsutsuki, por sede de poder. – Terminou de falar olhando em volta.

— Quem lhe disse essas coisas?

— Um tal de Jiraiya.

Shikamaru arregalou os olhos, fazia tempo que não ouvia esse nome, Jiraiya, o nômade, Jiraiya, o sábio. Ele era uma figura popular no País do Fogo, tinha publicado vários livros, de diversos assuntos diferentes, nunca ficava mais de dois meses em um lugar só. Era amante de Tsunade Senju, e tinha uma relação tão próxima dos Namikaze que se tornou padrinho de Naruto. Ele estava sempre perambulando, e diziam que era o único que poderia saber como é a capital. Mas quando foram procura-lo, a dez anos atrás ninguém tinha notícias dele, nem Tsunade, nem Minato. Alguns pensaram que ele tinha morrido, outros que tinha sido convocado para a capital, as duas opções davam na mesma. E outros falavam que tinha apenas saído do país. Parece que foi o que aconteceu. O Nara respirou aliviado.

— Faz quanto tempo que falou com esse Jiraiya? – Perguntou urgente.

— Não sei... Foi a menos de um mês. – Disse dando de ombros. – Vai me encher de mais perguntas ou pode responder as minhas agora?– A loira esta impaciente e irritada.

— É tudo verdade. Tudo do que ouviu é verdade. – Disse simplesmente.

— E o que as famílias nobres fazem em relação a isso?

— O que nos fazemos!? – Ele riu. – Nós estamos sobrevivendo com as palavras, e aguardando o momento certo para tirar as armas. – Shikamaru olhou rapidamente para o salão.

— Confessar isso para uma completa estranha, é muito corajoso ou estúpido da sua parte. – Temari sorriu de lado.

— Você que é atrevida o suficiente para falar da família imperial na frente dela. É corajosa o suficiente para entrar nesse país sabendo o que aconteceu nele. E é imprudente o suficiente para ficar fazendo questionando para uma pessoa estranha que poderia ser aliada dos Otsutsuki. É problemática.

Shikamaru riu dela e recebeu um belo soco no ombro, sem olhar para trás Temari voltava para o salão, fazendo com que o moreno não visse seu rosto vermelho, ninguém nunca na vida dela tinha conseguido a deixar sem palavras e o Nara se atreveu a fazer isso, duas vezes. Quando Shikamaru voltou para o salão, sozinho, ainda massageava o braço por causa da dor, não deu muito tempo e ele foi atacado por um loiro suado e ofegante que o agarrou, bem no local que doía.

— Preciso... de... sua ajuda! – Foi o que Naruto conseguiu falar entre uma respiração e outra.

— Calma! – O parou e empurrando seu peito. – O que quer Uzumaki?

— Não aqui, não agora, vamos falar com Sasuke antes.

...

— O que vocês querem? – O Uchiha olhava irritado para Naruto e Shikamaru depois que Sakura tinha saído do canto em que estavam.

— Quero que vocês, depois da festa, vão para a cozinha peguem comida para duas pessoas para um dia, levem essa comida para o corredor de quartos do lado leste, na segunda porta, lá estarão a dançarina e o músico que apresentaram essa noite, os levem para a biblioteca, entrando, depois das prateleiras, do lado direito irão achar uma porta discreta, coloquem os dois lá, por favor. – Disse sério.

— Por quê? – Sasuke ainda processava as coisas que o amigo pediu para fazer.

— Peço que por enquanto não façam perguntas sobre eles nem para mim nem para os dois. Eu prometi que os protegeria e é isso que estou fazendo. Só que agora fiquei muito tempo longe os olhos dos Otsutsuki, e, sabem como é, é falta de educação o anfitrião ficar muito tempo sem entreter seus convidados. Preciso que façam esse favor para mim, sem perguntas e expliquem somente o necessário.

Os dois morenos se entreolharam, não sabiam em que problema o Uzumaki tinha se metido agora, mas não pretendiam deixar o loiro na mão, então concordaram. Sem mais nada a dizer Naruto, agradeceu com um aceno, se separou dos amigos e voltou à mesa, do lado da família imperial, que tomavam os últimos brindes da noite. Já era quase madrugada quando a festa terminou, ela tinha se estendido por mais tempo que qualquer um esperava.

O Uchiha e o Nara se esgueiravam pelos corredores com medo de serem ouvidos, quando estavam na cozinha pegaram comida necessária e colocaram em um cesto, se dirigiram para o corredor de quartos que Naruto tinha indicado, eles bateram na segunda porta, e não houve resposta, os rapazes se entreolharam e abriram a porta. O quarto estava escuro, se via pouca coisa refletida no espelho daquele cômodo, quando Shikamaru e Sasuke sentiram laminas, uma em cada pescoço.

— Naruto nos mandou! – Shikamaru disse rápido, com um sussurro gritado.

As lâminas se afastaram e uma vela foi acessa então os amigos conseguiram ver a dupla, ambos com suas vendas brancas e com as sacolas de couro nas costas.

— Ele não disse que mandaria outras pessoas para nos levar. – Apontou o homem com certo rancor na voz.

— Ele não pode, afinal é o anfitrião da festa, e se ficar muito tempo sem entreter seus convidados sua família cai em ruína. – Respondeu o Uchiha, estreitando os olhos.

Se calaram e por um momento as duplas ficaram se encarando.

— Por favor, não vamos perder muito tempo aqui. – A mulher acabou com o silencio. – Vamos nos apressar.

Os quatro se esgueiravam, tomando cuidado para não trombarem com um guarda da família imperial por acaso. Passaram pelos corredores, guiados pela vela que a morena tinha acesso e a luz fraca que as tochas dos corredores faziam. Chegaram na biblioteca que estava clara graças a luz da Lua, que deixava o lugar com um ar misterioso. Shikamaru e Sasuke seguiram na frente, passando por todas as prateleiras e indo para a direita. Lá realmente havia uma porta estreita e discreta, em que só se passava uma pessoa por vez.

— É aqui que Naruto pediu para os dois ficarem. – Disse o Nara dando espaço para os dois seguirem. – Acredito que ele venha assim que conseguir. – Falou por fim entregando o cesto de comida para o homem.

Ambos fizeram uma reverencia em agradecimento e se despediram de Shikamaru e Sasuke, que foram embora rápido. Hinata e Neji não perderam tempo também e abriram a porta, passando primeiro cada pertence, depois a comida, logo a morena se esgueirou com facilidade e Neji foi atrás, passando com um pouco de dificuldade. Ambos observaram o ambiente em que estavam, era uma espécie de depósito de papel e tinta, haviam prateleiras simples de madeira e nelas algumas folhas desorganizadas e frascos fechados de tinta.

Com a vela que tinham em mãos acenderam algumas lamparinas que tinham ali, que era seco e a pouca claridade que vinha eram de aberturas minúsculas no topo da parede.

— Acha que aqui estamos seguros? – Hinata perguntou.

— Não sei, parece ser um lugar que só um Uzumaki saberia onde fica. – Neji pontuou.

— É...

Não se podia duvidar da capacidade de procura de um Otsutsuki.

...

Naruto abria uma pequena fresta da porta de seu quarto, viu o guarda da família imperial dar as costas e se afastar.

“Agora!”

Saiu de seu quarto o mais silencioso que podia e foi para o quarto dos pais, que por sorte não era muito longe, abriu a porta rapidamente e já conseguia ouvir os roncos dos dois. Naruto odiava acordar alguém, principalmente se esse alguém era sua mãe. Mas ele precisava conversar com eles, era um assunto urgente. Achou mais seguro acordar primeiro seu pai, ele saberia se seria necessário acordar Kushina. O loiro se aproximou da cama.

— Pai. – Naruto o cutucou, recebendo um murmúrio de resposta. – Pai. – Tentou de novo dessa vez o balançando na cama. – Preciso que acorde.

Balançou mais forte até que finalmente o pai acordou, esfregou os olhos e quando sua visão desembaçou finalmente disse:

— Naruto!? O que faz aqui a essa hora da noite? – Questionou confuso e bocejando.

— É um assunto urgente pai! Dois Hyuuga em nossa casa!

Minato ainda estava meio tonto por causa do sono, demorou um pouco para entender as palavras do filho, e quando finalmente raciocinou arregalou os olhos, virou o rosto e viu que a esposa ainda dormia, achou melhor não incomoda-la, ela tinha ido para cama com uma pilha de nervos por ter aguentado a família imperial durante toda a festa. O homem levantou da cama e foram até as cadeiras que ficavam no quarto.

— Me explique direito, dois Hyuuga? Aqui? – Minato cruzou os braços e fitou com seriedade o filho.

— Sim pai, a dançarina e o músico que contratou, os dois são Hyuuga, usam a venda nos olhos para que ninguém perceba quem são.

— Como sabe disso? – Naruto pegou folego.

— O príncipe estava testando minha paciência, lembro-me de estar com muita raiva e, quando estava prestes a dar um soco bem no narizinho arrebitado e nojentinho dele, Sasuke me parou e me pediu para correr. Eu corri, fui parar no quarto deles, sem perceber lógico, onde a dançarina estava sem a venda, ela chamou pelo irmão, pensou que ele tinha entrado no quarto, e ao invés de pedir desculpas e ir embora eu me aproximei, eu sei não sei por que fiz isso, mas quando ela se virou para mim eu vi aqueles olhos, tão brancos e tão brilhantes, eu estava tão perdido neles, no medo que tinha naquela expressão, eu só queria protege-la, então não os deixei ir embora, os coloquei no armazém da biblioteca.

O loiro mais novo respirou fundo quando terminou sua história, ele falava rápido e meio desconexo, Minato já estava acostumado com isso, tanto seu filho quanto sua esposa faziam isso quando estavam nervosos ou ansiosos.

— Entendi. – O mais velho colocou uma das mãos em seu queixo e outra debaixo do cotovelo. – Devia ter os deixado irem embora.

— Eu sei, mas simplesmente não consegui... Agi por impulso.

— Quantas pessoas sabem disso? – Minato o encarou preocupado.

— Eu e você sabemos que eles são Hyuuga, mas pedi para Sasuke e Shikamaru levarem eles para o armazém, pedi para que não fizessem perguntas. Fiz um acordo de que os protegeria, uma promessa.

— Devia ter pensado com mais calma filho. – Minato respirou fundo. – Mas o que está feito está feito.

— Pai eu não posso simplesmente deixa-la ir, não consigo, meu coração não consegue.

— Deixar quem ir?

— Hinata Hyuuga, a dançarina.

— O que é isso Naruto? Como não pode deixa-la ir?

— Não sei explicar. – O loiro se levantou e começou a andar de um lado para outro no quarto. – É como se uma coisa dentro de mim quisesse Hinata intensamente a cada instante, e isso aconteceu desde o primeiro momento que coloquei os olhos nela, é algo inquietante e agonizante. Se ela fosse embora, esse algo ira me fazer segui-la.

O olhar de Naruto estava perdido, era a primeira vez que Minato via o filho assim, tão assustado com uma coisa desconhecida. O mais velho, se levantou e abraçou-o fortemente, querendo transmitir, naquele ato, toda a segurança que fosse preciso, e era disso que o rapaz precisava, sem demora retribuiu o abraço do pai, se aconchegando em seu ombro e fechando os olhos por um momento.

— Obrigado. – Sussurrou antes de desfazer o abraço.

— Um assunto de cada vez meu filho. Primeiro esperamos os Otsutsuki irem embora, depois os Hyuuga seguem seu destino. Agora vá descansar, boa noite meu filho.

Falou por fim acariciando os cabelos de Naruto e seguindo para a cama, com um gosto ruim na boca por causa das palavras do pai, ele não queria deixar Hinata ir, tinha medo de perde-la novamente.

“Perder novamente!?” – Mais uma vez o loiro se assustou com seus pensamentos.

— Boa noite filho.

— Boa noite.

Se despediu, abrindo a porta, se certificando que nenhum guarda imperial passava por ali e foi para o quarto. O quarto de Naruto, para o padrão dos quartos dos herdeiros de famílias nobres, não era muito grande, tinha uma cama de casal, com um colchão macio e cortinas brancas e pesadas ao redor, um grande tapete fofo com desenhos abstratos que lembravam flores e folhas no chão, com travesseiros e almofadas de diversos tamanhos e de cores quentes, principalmente laranja, espalhados. O guarda-roupa era grande e ficava em uma das paredes que ao lado a escrivaninha e a frente do guarda-roupa uma divisória de madeira entalhada extremamente decorada com um espelho. As janelas sem vidro, eram fechadas com madeira reforçada, e tinham a sua volta cortinas brancas leves, de baixo de uma dessas janelas havia uma cadeira confortável com uma pequena mesa ao lado, em cima dela uma lamparina de metal negro bem esculpida, com vários detalhes mínimos e delicados, foi presente de seu padrinho, quando fez doze anos, depois disso nunca mais o viu. O loiro se sentou na cadeira.

— Onde está você seu velho tarado? – Disse soltando a respiração, com saudades de Jiraiya e encarando aquela Lua que tanto lembrava os olhos da moça mais bonita que já havia conhecido.

Uma grande raposa laraja andava sobre a neve, ela olhava para a Lua, enquanto sua grande cauda balançava alegremente.

Naruto acordou, não se lembrando do sonho que teve, e estava com uma dor enorme nas costas, tinha caído no sono enquanto observava o céu em sua cadeira. Mesmo com seu corpo reclamando ele se levantou, estava cansado, mas não seria bom voltar a dormir agora. Decidiu tomar um longo banho, assim poderia se despedir dos convidados apropriadamente. Chamou os empregados, para que pudessem levar água quente para seu banho, e assim que entrou na banheira Naruto se deixo mergulhar mais e mais, aliviando as tensões do corpo, se deixou fechar os olhos por um momento.

O loiro pensava em como diria para Hinata que não queria que ela partisse, queria que ela ficasse aqui, com ele... Poderia oferecer para eles um contrato de permanência Afinal era comum, famílias nobres, terem músicos e dançarinas que vivem próximos para esses tipos de eventos, esses artistas eram financiados pelas famílias. Isso até seria bom, pois assim os Hyuuga não passariam mais noites sem abrigo ou teriam que se preocupar com a comida. Mas sabia que convencer aqueles dois seria difícil, principalmente convencer Neji. Naruto terminou seu banho lavando o rosto e rapidamente se ergueu da banheira. Vestiu-se apropriadamente e foi para o salão aberto, lá seria servido o café da manhã com a despedida das famílias, ele sorriu ao ver os pais ali, já preparando para a chegada dos convidados.

— Bom dia filho. – Disseram os dois.

— Bom dia. – Respondeu.

— Dormiu bem? – Minato perguntou, vendo o rosto cansado do filho.

— Mais ou menos, sem perceber acabei dormindo na cadeira do quarto. – Riu encabulado passando a mão pela nuca.

— Já contei para sua mãe sobre a conversa de ontem a noite.

— Que conversa de ontem a noite? – O Imperador e sua família apareceram de surpresa, os Uzumaki não esperavam que eles fossem os primeiros a acordar, ficaram imediatamente tensos.

— Bom dia Vossas Majestades Imperiais. – Minato fez uma reverencia rápida, a família o acompanhou, e raciocinou uma desculpa convincente. – Naruto, nesses últimos dias, tinha saído muito para beber, depois que demos a devida punição e o devido sermão ele se arrependeu e veio conversar comigo ontem a noite, pedir desculpas sobre suas atitudes.

— Entendo, mas por que não poderia fazer isso nessa manhã? – Perguntou o Imperador como se nada fosse, mas a família Uzumaki sabia que eles estavam testando pra ver se era alguma mentira.

— Eu não iria conseguir dormir direito se não tirasse aquela culpa de mim. – Naruto se arrepiou enquanto ria disfarçadamente, sabia que não era bom mentindo, tentou soar o mais convincente possível.

— Então além de descontrolado é imprudente. – O príncipe sorriu, Naruto mordeu a boca, se controlando. – Pelo menos conseguiu dormir? – Perguntou mais atrevidamente.

— Sim, Sua Alteza Imperial, só que um pouco de mal jeito, por isso acordei com dores. Obrigado pela preocupação.

Os Uzumaki continuaram com seus sorrisos falsos até que os Otsutsuki se dessem por satisfeitos e sentassem em sua mesa, e quando fizeram isso, os três que estavam sustentando a mentiram relaxaram os ombros e se colocaram em seus lugares novamente.

— Eu queria saber, aquela dupla de ontem... Os Irmãos Cegos, ainda estão? – Perguntou o Imperador, passando levemente os dedos no queixo com ar de superioridade.

— Desculpe pela indelicada, Vossa Majestade Imperial, mas por qual razão quer saber? – Kushina disse, queria a todo custo não trazer novamente os Hyuuga para perto dos Otsutsuki.

— Gostamos da dança deles, eram de certa forma, diferentes, queríamos ver outra vez. – Dessa vez foi a Imperatriz que disse, não era comum ouvir sua voz que soava como uma serpente sibilando. – Um de seus empregados nos disse que eles ainda estavam por ia, que viu os dois andando pelos corredores nessa madrugada.

— Bem os contratamos apenas por uma noite, já podem ter ido embora, sabe como são esses artistas itinerantes, assim que são pagos não querem mais saber de você – Kushina tentou mais uma vez.

— Vá chama-los. – O Imperador deu a ordem final.

Os Uzumaki não tinham mais saída, tinham que trazer a dupla.

— Meu filho, por favor, se os achar chame-os até aqui. – Disse a ruiva derrotada.

— Sim mamãe.

Naruto se colocou de pé e olhou para os três Otsutsuki, dando uma última olhada no príncipe, o único que o encarava de volta, com um sorriso sádico no rosto, fazendo o loiro se arrepiar mais uma vez. Andou pelos corredores da forma mais lenta possível, e respirou fundo quando se aproximou da biblioteca, ele poderia admirar a beleza do lugar essa manhã, pois o Sol batia diretamente nos vidros coloridos do grande vitral, fazendo com que todo o ambiente ficasse com cores suaves em seu chão e em seus móveis. Mas o Uzumaki mais novo se concentrava em bater na pequena porta.

— Sou eu, Naruto. – Se anuncio da melhor forma possível, mas quanto mais ele falava, mais parecia que sua voz morria.

Em segundos a portinha foi aberta e Naruto pode mais uma vez encarar aqueles lindas Luas, iluminadas de curiosas, ele nunca se cansaria de admirar Hinata, ela parecia tão esperta e ao mesmo tempo tão inocente, por causa daqueles olhos, daquele rosto redondo e rosado, do nariz pequeno, da boca com lábios naturalmente avermelhados.

— Sr. Namikaze Uzumaki!? Bom dia. – Hinata estava o admirando tão profundamente quanto ele. – Já podemos ir embora? – Perguntou, sem poder esconder a ansiedade.

— Infelizmente não, a família imperial deseja que dance nesse café da manhã.

Hinata olhou preocupada para Neji, que limpava um de seus instrumentos, sentado no chão. Ele bufou.

— Não a nada que se fazer agora. – Se levantou encarando Naruto seriamente. – Por favor, diga que iremos nos preparar e logo estaremos lá.

Era a primeira vez que via os olhos do Hyuuga, então ele percebeu que os dele e os de Hinata tinham tons diferentes, enquanto ela tinham um tom suavemente arroxeado, os olhos de Neji eram mais cinzentos, ainda assim ambos eram brancos e brilhavam intensamente.

— Está bem. – Disse por fim se retirando e voltando para o salão aberto.

...

Os Hyuuga estavam de frente para a família imperial, ter a venda ajudava nessas horas, já que sem ver seus olhos não poderiam decifrar com clareza o sentimento que expressavam, e nesse momento eles estavam morrendo de medo, Hinata se controlava para não tremer, ela tinha colocado duas pequenas laminas presas em sua saia e duas em seu sutiã decorado, e seu irmão estava com o punhal bem escondida em suas roupas. Ambos fizeram uma reverencia e o músico, se sentou no tapete, cruzando as pernas e começou a tocar o riqq.

A dançarina requebrava a cintura, e erguia os braços com a música, a dança era algo suave, própria para a manhã. Hinata girava lentamente em seu eixo, mesmo com a venda um Hyuuga conseguia ver muito bem o que acontecia ao seu redor, e a mulher estava vendo quais poderiam ser suas rotas de fuga, caso precisasse. Sim, o salão era aberto, mas em a cada abertura para o jardim tinha um guarda imperial de prontidão.

Já Neji se atentava aos movimentos desses guardas, que estavam parados firmemente eu seus lugares. Ambos se sentiam como coelhos cercados por uma matilha de lobos. Os Otsutsuki queriam um show particular, e foi por isso que não deixando nem mesmo a família anfitrião ficar no mesmo recinto. A morena tentava não parecer tensa, controlava sua respiração. Então ouviu palmas. Neji parou o de tocar e Hinata se virou novamente ficando de frente para a única família ali.

— Linda performance, como na noite anterior. Meus parabéns. – Disse o Imperador com um sorriso estranho nos lábios. – Mas gostaria de ver os olhos desse casal que sabe nos entreter tão bem.

Ambos paralisaram por um momento, o que iriam dizer? Hinata abria e fechava a boca, confusa, logo Neji pensou em algo.

— Desculpe Vossa Majestade Imperial, mas nossos olhos foram queimados quando éramos crianças, só temos dois buracos, onde deviam haver olhos. – Disse o mais convincente que podia.

— Oh! Que trágico. – Falou a Imperatriz sibilando. – Podemos ver a tragédia que aconteceu com seus olhos?

— Peço perdão pelo atrevimento, Majestades Imperiais, mas nós temos muito vergonha de como ficaram nossos rostos depois do que aconteceu, preferimos ficar com as vendas. – Neji continuava com a mentira.

Viram um pequeno sinal de desprezo aparecer nos lábios da Imperatriz.

— Tudo bem, não vamos mais insistir. – O Imperador se levantou e estendeu a mão para ajudar sua esposa. – Vamos querida, ainda temos muito o que fazer hoje.

A mulher se levantou, se apoiando no marido, em seguida o príncipe os acompanhou, quando estava chegando na porta o Imperador sussurrou algo no ouvido do guarda e passou pelo portal. Neji e Hinata continuavam parados, eles estavam esperando que todos se retirassem para que finalmente pudessem sair correndo dali, mas isso não aconteceu. Os guardas da família imperial tinham um porte nobre e amedrontador, vestiam roupas de linho branco por baixo do couro cozido, e tinham lanças decoradas como armas.

Esses homens não tinham brilho nos olhos e não falavam, e começara a se mexer, não para sair, mas estavam se colocando em posição de combate. Neji e Hinata se aproximaram um do outro, o moreno tirou o punhal que carregava de suas vestes, e sua irmã tirava as pequenas laminas escondidas em sua saia. Quando um dos guardas se aproximou, Neji era o alvo, um Hyuuga sempre teve movimentos rápidos, então Hinata não perdeu tempo e lançou uma de suas lâminas no joelho do guarda, o fazendo parar e se ajoelhar no chão e Neji rapidamente o alcançou e cortou sua garganta. Não demorou muito para que os outros guardas se agitassem assim todos se aproximavam para pegar os Hyuuga.

Hinata e Neji estavam de costas um para o outro, cercados, tinham que ter uma abertura para onde correrem, e a dançarina tinha achado uma perfeita, um espeço entre os guardas, ela parou de frente para essa saída, indicando para o irmão por onde poderiam escapar, teriam que ser rápidos. A mulher com a visão aprimorada usava suas pequenas e afiadas lâminas para cortar tendões e artérias, incapacitando qualquer um e Neji, o mais forte, usava seu punhal resistente para perfurar e cortar.

Apesar de já terem matado um dos guardas, haviam ainda quatorze deles, os Hyuuga só precisavam eliminar dois para ter o caminho livre e correr. Hinata, avançou para os dois que bloqueavam a janela, conseguiu acertar a sua lâmina na artéria carótida, de um dos guardas, logo ele desmaiaria com a hemorragia, quanto ao segundo ela se aproximo, quase sendo pega no processo. Hinata passou por entre as pernas do guarda, e com agilidade tirando as lâminas escondidas do sutiã e cortando atrás dos joelhos, o fazendo cair demorado, o que deu tempo para ela o jogar para frente e se levantar. Quando olhou para o lado viu outro guarda, com a lâmina a cima da cabeça, prestes a corta-la, mas Neji o impediu, bloqueando o ataque com a adaga, e colocando a irmã atrás dele.

Enquanto Neji se colocava como escudo da irmã, afastando e atacando os guardas que tentavam a atrapalhar, eles sabiam que não conseguiriam matar todos, mas precisavam se proteger. Apesar de ser forte o moreno não conseguiria segurar doze guardas por muito tempo e quando viu os dois que atrapalhavam sua rota de fuga caírem teve que se decidir, os Hyuuga não conseguiriam fugir com tantas pessoas atrás deles.

— NEJI! – Hinata gritou, já na saída esperando o mais velho.

— VÁ, ESTOU LOGO ATRÁS.

— ESTÁ LOUCO!?

— VÁ LOGO HINATA! – Esbravejou, tanto que ela se assustou. – Estou logo atrás. – Repetiu.

E mais nova, que sempre acreditou no irmão, correu para fora, procurando um lugar para se esconder e esperar o moreno.