Assim diz a Lenda

6 Simplicidade e Soberba


Notas iniciais
Olá pessoas!!! Tudo certo? Espero que gostem do cap.

A lenda diz:

O Sol e a Lua sempre foram amantes amaldiçoados, fadados a viver um longe do outro, mesmo que separados o amor entre eles nunca se acaba.

Jiraiya olhava para o Sol se pondo, estava próximo a um precipício, encostado em uma árvore que dava uma visão linda do céu anoitecendo. Ele usava o último resquício de luz para terminar suas anotações, estava empenhado em sua pesquisa, já havia reunido as últimas peças para montar o quebra-cabeça, e agora poderia retornar para sua família. E como estava com saudade de sua família, ou, pelo menos, das pessoas que poderia chamar desse jeito, de Tsunade seu amor de infância, de Minato seu filho de consideração – havia sido contratado como tutor, mas com a guerra e a morte dos pais do garoto Jiraiya colocou o menino sobre seus cuidados – de Kushina a ruiva de pavio curto e grande coração e de seu afilhado Naruto, alguém que refletia a si mesmo. O grisalho acompanhou o pequeno Uzumaki desde o nascimento, e assim como os pais ficou muito preocupado quando o menino deu seus sinais de descontrole e revelou seus olhos vermelhos.

Não demorou muito para Jiraiya reunir suas coisas e partir de novo, dessa vez ele faria uma viagem mais longa, não sabia quanto tempo duraria, estava disposto a saber tudo que fosse necessário para entender o que acontecia com Naruto, seu querido afilhado, para seus olhos ficarem vermelhos, afinal o amava como um neto. Não acreditava na simples explicação de que um demônio foi aprisionado no corpo do loirinho. Como ele? O sábio poderia acreditar nisso? Achou melhor partir sem contar para ninguém onde ia, afinal, nem ele mesmo sabia a que caminhos a sua pesquisa iria levar, e o levou para muito longe.

Jiraiya se aproveitou disso, ele levou a verdade sobre o que aconteceu com seu país para todos os cantos em que esteve, o que para ele foi um pequena alívio de sua consciência e uma pequena vingança contra a família imperial, que havia espalhado mentiras. E depois de tudo que presenciou, de tudo que pesquisou, viu e ouviu estava na hora de voltar para o seu lar, para os braços de sua família e contar o que descobriu.

Como um curioso nato não foi só sobre a condição do neto que estudou, também havia acumulado conhecimentos sobre a família imperial e seu covil. Estava ansioso para contar a todos que, com sua pesquisa, estavam um passo mais próximos de tirar os Otsutsuki do poder. O velho se levantou rapidamente quase tropeçando em seus pés dormentes e se equilibrando com a ressaca que estava, afinal na noite passada ele estava em comemoração, voltaria para casa e agora...

— Onde diabos estou!?. – Se amaldiçoou por não ter tentado achar o caminha de volta, quando acordou em lugar desconhecido, simplesmente pegou seu caderno e começado a anotar suas conclusões e epifanias, até o fim do dia.

...

Naruto estava preocupado, andava de um lado para o outro na sala de visitas, os amigos, tentavam acalma-lo e os pais entendiam sua preocupação, mas nada podiam fazer, a família imperial havia proibido a entrada de qualquer um no salão aberto, com isso muitos dos convidados acabaram indo embora sem um café da manhã, eram poucas as famílias que ainda estavam na casa Uzumaki. O loiro parou de andar quando ouviu os Otsutsuki se aproximando, logo tratou de fazer uma reverencia na presença deles.

— Foi uma linda apresentação. – O Imperador se dirigiu ao casal anfitrião. – E foi uma ótima festa, mas infelizmente temos mais afazeres a tratar na capital então teremos que partir.

— Foi uma honra recebe-los, Vossas Majestades Imperiais. – Minato falou se curvando, em seguida Kushina.

— Claro! – O Imperador falou com ar de ironia, com os anéis lapidados nos dedos aproximou a mão de Minato. – É bom ter aliados como os Namikaze Uzumaki. Estão sempre nos surpreendendo. – Riu em desdém.

Minato foi compelido a beijar os anéis na mão do Imperador, aquilo embrulhou seu estômago. Satisfeito o Imperador, saiu da casa Uzumaki, ele parecia contente e isso assustava a todos, ainda mais os anfitriões, pois a família imperial não estava acompanhada de seus guardas.

Algo gelado subiu pela espinha de Naruto que não tardou em correr para o salão aberto, abrindo as portas com brutalidade, olhando atentamente para o lugar, haviam cinco guardas caídos no chão e no centro do salão o corpo do moreno de bruços. O loiro foi depressa até ele viu que ainda respirava com dificuldade, isso o deu um certo alívio, mas não podia se demorar em verificar Neji, o levantou e girou seu corpo para cima, colocando a cabeça do Hyuuga em seu colo. O loiro viu que ele não usava mais a venda, e se assustou ao perceber que um de seus olhos foi arrancado.

— Na..ru...to. – O moreno abriu o olho, com dificuldade, observava o jardim. – Hi...Hi...

— Você perdeu muito sangue, descanse agora. – E a última coisa que ouviu antes de desmaiar foi. – Irei atrás de sua irmã. – Garantiu.

O Uzumaki mais novo gritou por ajuda, e logo seus amigos vieram, Sasuke e Shikamaru pararam na porta de entrada olhando os corpos de guardas imperiais no chão e no centro Naruto com uma expressão temerosa olhando para o músico em seu colo, logo Sakura apareceu, esbarrando nos dois morenos e correu para o loiro se preocupando em salva-lo. Ela se agachou e vendo o estado do homem.

— Deixe comigo. – Disse serenamente.

Naruto obedeceu e correu para o jardim, tinha esperanças de ainda encontrar Hinata lá, e rezava para que ela estivesse bem.

— HINATA!!! – Gritou.

O Uzumaki andava para mais dentro do jardim.

— HINATA!!!! – Gritou mais uma vez.

Nenhum sinal, o loiro começava a ficar preocupado, andou mais.

— HIIIINAAATAAAA!! – Gritou mais uma vez, a plenos pulmões.

Com o coração acelerado ele parou e olhava em volta quando viu uma movimentação perto da árvore, de lá desceu a Hyuuga, que ainda com a venda nos olhos se aproximou curiosa e temerosa. Ela pode ver o homem a sua frente respirar fundo, aliviado.

— Onde está Neji? – Perguntou agitada. – Onde está meu irmão? – Era uma voz quase de desespero.

Naruto, apenas abaixou a cabeça e com a boca seca disse.

— Está no salão.

Sem perder tempo a morena correu até lá. Hinata viu uma moça de cabelos rosa limpando o olho direito de seu irmão, tinham mais pessoas em volta, mas ela não prestava atenção em ninguém além de Neji. Se aproximou, com cuidado, com medo do que poderia ver, uma buraco no lugar do lindo olho cinzento. Se ajoelhou, do lado do moreno, tirou sua venda. Todos os presentes mais novos respiraram fundo, admirados, era a primeira vez que viam os olhos de um Hyuuga.

— Como ele está? – Perguntou para a mulher que agora o enfeixava.

— Ele perdeu muito sangue, em alguns dias de descanso ele ficará bem. – Sakura garantiu, concluindo seu trabalho.

— DIAS!? – Hinata arregalou os olhos. – Obrigada por cuidar dele, mas precisamos partir imediatamente, antes que a família imperial mandem mais pessoas. Eu não quero envolve-los em nossa briga. – Lágrimas desceram pelo seu rosto, quantas pessoas mais ela teria que ver morrer?

— Já estamos envolvidos. – Disse Naruto, logo atrás de Hinata. – Já estamos envolvidos desde que os Otsutsuki massacraram a família Hyuuga, desde que eles cortaram as cabeças dos Uzumaki, mataram centenas de homens dos Uchiha, subjugaram os Nara e destruíram a paz dos Senju. – O Uzumaki se abaixou do lado da morena e colocou a mão em seu ombro. – Hinata, estou envolvido desde o momento que não consegui cumprir meu acordo, minha promessa, de proteger vocês dois.

Ela limpava suas lágrimas, era a primeira vez que se sentia completamente sozinha e perdida, pegou uma das mãos de seu irmão e levou até sua bochecha, fechou os olhou por um momento ficando em silencio, não tinha outra escolha se não ficar ali e esperar Neji se recuperar. Encarou o Uzumaki, estava comovida pelo seu discurso, não podia negar, ele tinha razão e determinação, e Hinata sentia que poderia, ter, por breves momentos encarando aqueles olhos azuis, tão profundos e intensos quando o céu iluminado por um Sol brilhante, desde a primeira vez que os encarou achou lindos, ela poderia facilmente se perder naquele céu, não sabia o porquê confiava tanto naqueles olhos.

"Isso é perigoso..." – A voz de seu irmão ecoava pela sua cabeça.

Mas o que poderia fazer? Neji estava incapaz, tudo graças a família imperial que sabia exatamente onde os dois estavam, Hinata tinha que tomar a decisão para proteger a sua única família.

— Eu só quero que Neji acorde logo.

— Vamos levar seu irmão para o quarto. Recebera o melhor tratamento. – Fez um gesto para que os empregados trouxessem uma maca.

— E também... – Continuou. – Farei tudo ao meu alcance para ajuda-los, é uma promessa. – Garantiu.

Naruto passou a mão pelas costas dela, sentindo os arrepios nas pontas dos dedos por tocar na pele macia. O toque era tão delicado que Hinata não podia deixar de se arrepiar, era um tipo de carinho que nunca tinha sentido antes. Quando a maca chegou Neji foi colocando cuidadosamente, ambos os servos, Sakura e Hinata, seguiram para um dos quartos. Naruto se levantou e aproximou dos amigos e dos mais velhos.

— Então parece que a fagulha do barril de pólvora finalmente foi acessa – Disse Sasuke.

— Já era hora. – Shikamaru parecia tenso.

— Temos de decidir qual será nossa base – Falou Fugaku Uchiha, com a expressão séria de sempre.

— É mais prudente que a base seja nos territórios Uchiha. – Ponderou Minato. – É onde ficam os soldados, é o lugar mais seguro que conheço.

— De fato. – Concordou Kushina. – Pelo que sabemos os Otsutsuki não esperam uma revolta e estaremos mais protegidos lá.

No recinto todos esperavam a aprovação dos Nara, afinal eles eram os melhores estratégitas. Enquanto era o centro de atenção de todos Shikaku pensava, a família imperial tinha uma base sólida de aliados, em pontos estratégicos nas periferias do País do Fogo, o que fazia com que ficassem cercados. As famílias nobres aliadas teriam que atacar de dois lados, se dividindo entre a capital, no centro do país, e as fronteiras, isso fazia com que o exercito enfraquecesse rapidamente e que fossem derrotados. Por mais que os homens dos Uchiha treinassem exaustivamente, o Nara achava, como sempre, que um ataque silencioso, matando somente a família Otsutsuki seria o ideal, sem muitas baixas para nenhum dos lados.

Shikaku já tinha formulado e descartado várias estratégias, mas era complicado não conhecer o inimigo, não sabia seus pontos fracos e seus pontos fortes não ajudavam em muita coisa. Mas parece que pelo menos agora eles tinham algo para atiçar a ambição da família imperial, dois Hyuuga, era inevitável que os Otsutsuki viessem atrás deles. Porém o mais urgente agora era criar uma base de comando e ironicamente o melhor lugar para isso era o território Uzumaki, exatamente no centro dos inimigos, nem muito longe da capital, nem muito perto dos territórios periféricos.

— É melhor começar a convocar as outras famílias. – Disse Kushina, encarando séria, o marido.

— Chame todos dispostos a lutar. – Falou Shikaku. – Os chame para o território Uzumaki.

— Não moramos em uma fortaleza. – Disse Kushina estranhando a fala do amigo.

— Não. – Concordou. – Mas moram no melhor lugar para se planejar algo, seguro e próximo das forças militares.

...

Hinata estava sentada em uma cadeira, do lado da cama do irmão, a expressão de dor que havia no rosto dele tinha diminuído, mas o coração da morena ainda estava pesado, se lamentava por não ter conseguido protege-lo, por ter corrido para o jardim e não ter esperado por ele. Respirou profundamente.

"Não posso mudar o passado agora." – Ergueu a mão e acariciou os cabelos de Neji.

— Vocês dois são bem próximos. – A moça de cabelo rosado ainda estava lá, ela verificava os sinais vitais do moreno.

— Sim. – Hinata tinha uma expressão triste. – Somos somente eu e ele contra o mundo.

— Não se preocupe, estamos aqui para ajudar. – Hinata concordou com a cabeça meio contrariada, então a médica continuou. – Eu também perdi minha família, por sorte minha madrinha Tsunade me adotou.

— Sinto muito.

— Já faz muito tempo. – Deu de ombros. – Alias Sakura Haruno Senju, é um prazer.

— Hinata Hyuuga, também é um prazer. – Apertaram as mãos.

— Sei que deve ser de mau gosto, dada as circunstâncias, mas seus olhos são lindos, ninguém de minha geração havia visto algo assim. – Os olhos de Sakura brilharam.

— Obrigada, Neji costuma amaldiçoar esses olhos. Mas eu, acho que tê-los só mostra o quanto nós dois somos sobreviventes.

— Eu concordo. Vocês dois sabem lutar, aqueles guardas lá embaixo são a prova disso. – Sakura deu um leve sorriso, se sentia um pouco vingada, já que aqueles a guarda família imperial é assustadora, Hinata cora um pouco envergonhada com o elogio.

— É algo que se aprende quando vive por muito tempo nas ruas, cada dia é uma provação diferente e eu tenho Neji para me proteger, assim como ele tem a mim.

— Vocês devem ter vivido muitas aventuras. – Sakura falou animada.

— Mais ou menos, é um pouco assustador não ter um lugar para se refugiar, um lugar para chamar de casa. Mas com o tempo fomos nos acostumando.

— E a dança? Você dança muito bem Hinata, onde aprendeu?

— Da mulher que nos abrigou durante um tempo, Kurenai. Ela e o marido eram uma dupla de artistas itinerantes, assim como eu e Neji, ela me ensinou a dançar e seu marido Asuma ensinou Neji a tocar vários instrumentos.

— Onde eles estão agora? – Perguntou curiosa. Hinata demorou um pouco para responder, engoliu seco.

— Abrigar qualquer Hyuuga em sua casa é uma sentença de morte para qualquer um... – Hinata colocou as mãos no colo e olhava para o nada.

— Sinto muito.

— Por isso quero sair daqui o mais rápido possível. – Disse encarando os olhos verdes da médica. – Ou pelo menos queria, só sei que ficando aqui vocês correm riscos.

A morena sentiu um peso macio sobre suas mãos, era a mão de Sakura, de joelhos a sua frente e que a olhava com compaixão.

— Só posso imaginar pelo que você passou.

— Eu só queria uma vida pacífica. – Dasabafou.

— Eu entendo. Todos nós queremos. – Respirou fundo, depois sorriu envergonhada. – Como é possível que, mesmo depois pelo que passou, inda só deseje ser feliz, sem nenhum sentimento de ódio ou vingança?

— Eu tenho esses sentimentos. – Também sorriu envergonhada. – Só não sou forte o suficiente para expressa-los, para realiza-los. Tenho fé demais nas pessoas.

— Não. – Sakura colocou outra mão em cima das de Hinata. – Ter esses sentimentos tão intensos e mesmo assim reprimi-los só mostra o quanto você é forte. Confiar em pessoas que você não conhece só mostra a segurança que você tem sem si mesmo. – A médica respirou fundo. – Eu queria que as coisas fossem resolvidas do seu jeito Hinata, mas infelizmente não é assim que a maioria pensa, eu inclusive, a família imperial já feriu muitas pessoas, sendo elas famílias nobres ou não.

— Eu entendo... – Disse simplesmente.

— Você deve estar cansada, é melhor eu sair e deixar vocês dois, tente dormir um pouco Hinata, seu corpo irá te agradecer.

— Obrigada Srta. Haruno Senju, eu tentarei, e obrigada novamente por cuidar de meu irmão.

— Não há o que agradecer, só estou fazendo o meu trabalho e, por favor, me chame somente de Sakura. – a médica sorriu e se levantou. – Bem deixarei vocês agora, as coisas devem estar agitadas lá embaixo, muito que se discutir e não sabemos quanto tempo.

Se despediram com um aceno de mão.

"É bom ter uma amiga, ou pelo menos ter uma pessoa que possa chamar assim." – A morena pensava esperançosa.

Amiga... Hinata não podia se dar ao luxo de ter muitas, na verdade não tinha nenhuma, ficava pouco tempo em uma cidade para fazer qualquer tipo de amizade, além de ser um risco, poderiam descobrir sua identidade. Olhou para o irmão, rezando para que acordasse logo, era difícil ficar sem ele, era difícil o ver naquele estado. E então sozinha Hinata olhou para baixo, relembrando daquele dia que tanto queria esquecer.

Flashes passaram por sua cabeça, se lembrava de ter chego na casa de sua cuidadora com o irmão, ambos carregavam lenha e quando viram o chão da casa de madeira estava pintado de sangue, a morena paralisada só conseguia tentar procurar algo vivo ali, nem mesmo Mirai, a filha recém-nascida do casal, havia sido poupada. Os Hyuuga, naquele momento, só pensaram em correr, e correram, por suas vidas, até não sentirem mais seus pés.

"De onde veem esse ódio dos Otsutsuki pela minha família?" – Essa era uma pergunta que Hinata tinha anos.

...

Sakura desceu as escadas da casa Uzumaki, ela estava com os pensamentos ainda presos nos irmãos Hyuuga. Quando ouviu uma discussão. Os Nara pareciam ser os únicos que estavam defendendo que essa base ficasse no território Namikaze Uzumaki. Quanto mais ela chegava perto da sala mais dava para perceber o porquê discutiam, quando os argumentos cessaram houve silencio, por pouco tempo, já que Shikamaru se pronunciou.

— Porque não fazemos nossa base na fronteira entre o território Uzumaki Uchiha? – Falou como se essa fosse uma opção obvia.

Os mais velhos se calaram, era o jeito de satisfazer a todos, então concordaram ainda calados. Seria difícil agradar essas famílias, Sakura respirou fundo, foi até o cômodo em que todos estavam, era uma antessala relativamente grande, um lugar confortável para ficar, tinham poltronas e sofás e no meio desse circulo de móveis uma mesa de centro, que estava somente decorado com um arranjo de flores. Mal conseguiu pisar dentro da sala que já foi bombardeado os olhares preocupados e um loiro que se aproximava rapidamente dela, Sakura levantou a mão, pedindo paciência.

— O Hyuuga ficará bem, ele só precisa de muito descanso, o corpo irá conseguir se recuperar do sangue que foi perdido.

— E como está Hinata? – Naruto perguntou preocupado.

— Fisicamente? Ela está bem, só levou alguns arranhões. Psicologicamente? Está abatida, se culpando pelo irmão estar ferido, mas ela é uma pessoa forte, então logo irá se recuperar. Recomendei que dormisse um pouco. – Naruto ia dizer algo, mas conhecendo o amigo ela o interrompeu. – Então seria bom esperar um pouco antes de qualquer um dos dois recebesse uma visita. Sei que está preocupado, mas agora meus pacientes estão descansando.

Apesar da cara de cachorro perdido que Naruto fez sabia que nada mudaria a ideia de sua amiga, respirou fundo, derrotado e voltou para a roda de discussão que havia se formado. Sakura escanceou a sala rapidamente, as família nobres principais estavam ali, os Uzumaki, os Uchiha, os Nara e com ela, os Senju, além dos Mitsashi e mais duas figuras novas, os No Sabaku também estavam ali, uma mulher loira e um rapaz ruivo. Sakura, apesar de achar estranho eles ali, decidiu ficar calada e andou sem pressa para perto de Sasuke, que se espremeu um pouco no sofá com sua família, dando espaço para a médica que deixou seu corpo cair sentado no estofado, relaxando imediatamente.

— O que eu perdi? – Perguntou em cochicho para o moreno.

— Só uma discussão acalorada de onde ficaria base de operações.

— Pude ouvir assim que comecei a descer as escadas.

— Você nem imagina. – Ele suspirou. – Graças ao bom Senhor, Shikamaru acabou com essa discussão. Todos estão com os nervos a flor da pele, depois de ter que suportar os desaforos da família imperial, da confirmação da existência dos Hyuuga sobreviventes e o que aconteceu com eles.

— Não os culpo por estarem nervoso e discutindo por qualquer coisa.

— Concordo com você. – Sasuke cruzou os braços. – Eu estou tenso até agora.

Sakura olhava para os rostos das pessoas naquela sala, o Uchiha mais novo não era o único tenso, todos ali pareciam de alguma forma soar frio e pensar em como as coisas aconteceriam dali em diante. A Senju não estava muito diferente, tinha se mantido calma para seus pacientes e a conversa com Hinata havia a ajudado a relaxar um pouco. Ela respirou fundo e entrelaçou as mãos nos braços do amado, encostando a cabeça em seu ombro.

— Então está decidido, os Hyuuga ficam aqui enquanto movemos nossas forças para se instalar em entre as fronteiras dos territórios. – Naruto estava de pé, atrás das cadeiras dos pais. – Mas precisamos deixar guardas aqui...

— Não, os irmãos irão conosco. – Disse Shikaku interrompendo de imediato a raciocínio do Uzumaki.

— Como assim? Porque eles iriam conosco?

— Aqueles dois são nosso trunfo para essa guerra, eles são a ambição dos Otsutsuki encarnada. Se os deixarmos aqui a família imperial concentrará suas forças aqui.

— Não seria melhor esconde-los? – Perguntou Minato.

— E vamos escondê-los, sob nossos olhares. Agora que eles sabem o cheiro de olhos de Lua dificilmente irão esquecer ou larga-los, então é melhor que eles fiquem escondidos, sobre tutela de nosso exercito. Somente o que estão nessa sala podem saber sobre a existência deles, estou contando com a descrição de todos.

As famílias ali concordaram, com um aceno de cabeças que não iriam abrir a boca sobre aquilo. Quando os rostos se voltaram sobre os No Sabaku, esperando a discrição deles também.

— Eu e meu irmão não falaremos nada, como estrangeiros e sem nenhuma aliança. – Temari olhou para Shikamaru. – Não tomaremos partido.

— Seremos apenas espectadores. – Completou Gaara.

— Por enquanto é o melhor a se fazer. – Apontou Shikaku.

Quando todos perceberam uma silhueta se aproximando, ela era baixa, andava devagar e parecia não querer fazer muito barulho para não interromper a conversa.

— Hinata! – Naruto foi o primeiro a perceber quem era, se aproximou rapidamente oferecendo o braço para a escolta dela.

— O que faz aqui? – Sakura levantou o rosto, indignada. – Disse para descansar, dormir um pouco.

— Desculpem interromper a conversa. – Disse receosa. – Sinto muito Sakura, mas minha consciência não me deixaria descansar, sei que estão falando sobre como irão lidar com a família imperial, e eu quero participar dessa conversa, afinal, se não fosse por mim e pelo meu irmão vocês não teriam que se preocupar com isso, pelo menos não tão cedo.

Hinata aceitou o braço de Naruto, um pouco envergonhada colocou a mão por cima da dele, o loiro, com um sorriso mínimo no rosto, pode leva-la até um sofá de dois lugares, que até agora estava vazio, fazendo ela se sentar em um dos cantos e se sentando em outro

— Não há problema, você tem o direito de saber o que acontece. – Disse Fugaku, com braços cruzados. – Afinal você e seu irmão eram a faísca que estávamos esperando a muito tempo.

— Bem... – Hinata não sabia se pedia desculpas ou se sentia honrada por ser aquilo que eles estavam querendo. – Agradeço a hospitalidade. E se há algo que eu posso fazer para ajudar, por favor, me digam.

— Por acaso você não tem a planta da antiga casa Hyuuga que agora é moradia da família imperial? – Sasuke ironizou, recebendo um cutucão de Sakura e um olhar repreensivo do pai. – É só uma pergunta.

— Por acaso, eu tenho.

Os olhares se voltaram para a morena, todos os presentes pareciam chocados, já Hinata olhava de volta com inocência.

...

— Então finalmente pudemos achar aqueles dois pestinhas fujões. – Uma voz solene verificava a pedra da Lua em suas mãos, que tinha acabado de ser entregue a ele por um dos guardas.

O Imperador estava muito contente, depois de anos ele finalmente havia localizado os últimos Hyuuga, um sorriso triunfante apareceu em seus lábios, ele não conseguiu segurar, então riu, riu como se alguém tivesse contado uma piada muito boa, riu com som diabólico de um ganancioso que finalmente tinha achado o seu tesouro perdido. O Imperador estava feliz, com aquela pedra na mão ele finamente poderia acabar com todos da família de olhos de Lua.

Toc...Toc...Toc

— Entre! – Falou contendo as risadas.

— Pai. – Era Toneri. – Aqueles dois são mesmo os últimos Hyuuga?

— Não há duvidas meu filho. – O Imperador jogou a pedra que estava em sua mão na direção do príncipe, que pegou com facilidade.

— Então tenho algo a pedir. – Falou observando a pedra brilhante na mão.

— O que quer? – Disse o Imperador um pouco impaciente.

— Não me importo com o que façam com o homem, mas a mulher... Não a mate, quero ela.

O pai riu.

— Mais um brinquedo para sua coleção? – Perguntou com um meio sorriso.

— Sabe que sempre quis admirar os olhos de um Hyuuga com eles ainda em sua cabeça, e porque não fazer isso em uma mulher bonita que pode dançar para mim enquanto a admiro? – Respondeu com outra pergunta e com um sorriso assustadoramente satisfeito.

— Não irei me opor a isso, então lhe encarrego de conseguir o outro olho do homem e de capturar a mulher.

— Enquanto aos Uzumaki?

— Daremos o benefício da dúvida para eles, os Hyuuga podem muito bem ter escondido deles sua verdadeira identidade, afinal, se eles soubessem mesmo quem aqueles dois eram não teriam os contratado, nem deixado eles se apresentarem. Se forem espertos já devem ter expulsado aquela dupla de artistas de seu território.

— E se não?

— Duvido muito. Nem eles, nem uma das famílias nobres tem coragem de se levantar contra nós, não seriam burros de fazer isso. E se tiveram a coragem de manter os Hyuuga... Bem, eles não tem forças para irem contra nós, podemos simplesmente quebrar o acordo a muito tempo feito.

Falou o Imperador por fim, expulsando o filho de seus aposentos. Deixando claro o grande defeito dos Otsutsuki, a soberba.

Notas finais
Por favor, se puderem deixar suas opiniões sobre a história até agora, ficarei grata.