Assim diz a Lenda
7 Dúvidas e Certezas
Notas iniciais
A lenda diz:
O País do Fogo é um oásis no meio do deserto, dentro de seus limites não há como perceber a areia, pois dentro de seus limites, a terra é fértil, úmida e rica.
— Acho melhor nos retirarmos. – Temari se levantou junto com o irmão. – Já ouvimos o suficiente dessa conversa, é melhor não atrapalhamos. Iremos para nossos quartos.
A loira anunciou quando viu Hinata saindo da antessala para buscar as tais anotações que teriam um mapa da sua antiga casa. Ela se despediu formalmente e saiu pelas portas.
— Que pena. – Gaara anunciou pensativo.
— Pena? Do que?
— Estava curioso para ouvir o resto.
— Há! Você acha que eles confiariam em nós se continuássemos lá? Ouvido toda a possível estratégia deles? É como eu disse Gaara, somos estrangeiros e não é nosso dever nem da nossa conta essa briga.
O ruivo riu.
— Por enquanto. – Gaara olhou para a irmã. – Estou quase te pedindo para se casar logo com o Nara para saber do que eles falam.
— A curiosidade matou o gato, querido irmão.
— Pelo menos ele não morreu sem dúvidas. – Gaara sorriu malandramente.
— Estamos aqui somente para observar, papai me deixou aqui para me aproximar do meu “noivo” e você está aqui para me acompanhar.
O mais novo deu de ombros.
— Você já conversou com ele mais do que qualquer outro homem, acho que já conversou com ele mais até do que já conversou com o papai nos últimos tempos!
— Que exagerado! Nos só conversamos umas duas vezes.
— Ah! E faz quanto tempo que você e o papai não dirigem a palavra um para o outro? A não ser claro, para brigar?
Riu, ela realmente não dirigia a palavra ao pai desde que ele começou com essa história de casamento.
— TEMARI!
Foi chamada de longe, quando os irmãos se viraram Shikamaru andando depressa até eles, quando os alcançou respirou estava um pouco cansado.
— Minha mãe pediu para acompanha-la.
— Está lhe faltando folego Nara? – A loira riu vendo que estava tão cansado depois de correr tão pouco.
— Quando for minha esposa saberá que não me falta folego.
Shikamaru não tinha refletido muito sobre sua fala, mas sorriu quando Temari ficou vermelha, não percebendo o quanto estava gostando da companhia dela, e reparando que era divertido provoca-la. Enquanto Gaara achou melhor sair discretamente já que os dois ainda se olhavam, ela com o rosto completamente vermelho, e ele com um sorriso ladino feliz por ter causado aquela reação.
— É muito gentil e cavalheiro de sua parte, mas já estou acompanhada do meu... – Olhou para trás, sem vestígios de Gaara.
— Acho que ele não te esperou. – O sorriso do moreno só ficava maior.
— De qualquer forma, sei onde fica meu quarto, posso ir sozinha. – Disse firme voltando a andar. – Até quando terei que aturar isso? – Praguejou para si mesma.
— Até nossos pais decidirem todos os termos do casamento.
A loira se virou assustada vendo Shikamaru, já ali, do seu lado, estendeu o braço para escolta-la, Temari encarou aquele braço estendido e depois olhou para os olhos do Nara, ambos estavam se desafiando.
— Não tem mais nada para fazer? Já disse que posso ir sozinha.
— Deixe-me pelo menos fingir que estou te cortejando. E te fazer companhia até seu quarto.
— Pensei que não se importasse em ficar sozinho. – Disse voltando a andar, não aceitando a escolta, Shikamaru a seguiu.
— Só não quero que minha mãe fique reclamando em meu ouvido, dizendo que eu pelo menos não me esforcei para conseguir sua atenção.
— É o único aqui que está querendo minha atenção Nara. Sua família foi a única com quem meu pai conversou. Acho que se não fosse pela persuasão de seu pai já teríamos casado.
— Porque seu pai quer tanto te casar?
— Pra que quer saber?
— Bom eu te contei sobre a verdade da história do País do Fogo, e também deixei você e seu irmão participarem do início da reunião.
Temari parou, se virou para o moreno pressionando o indicador no peito dele.
— Primeiro, você não me contou nada, só confirmou o que já sabia. Segundo, não pedi para participar dessa reunião, você que pediu para que ficasse, e eu sei lá como conseguiu convencer a todos. Então eu não preciso te contar nada. – A loira voltou a andar.
— Ora eu tinha certeza que você queria saber mais sobre meu país, além disso, teve uma amostra de como será quando nos casarmos, afinal faço parte de uma das famílias principais do País do Fogo, os estrategistas.
— Se nos casarmos. – O corrigiu
— Mas você irá se casar com alguém de qualquer forma, já que tem medo viver sozinha.
A No Sabaku parou de andar, olhou para trás, Shikamaru parecia tranquilo com os braços atrás da cabeça e olhar preguiçoso, não percebendo o olhar vermelho de raiva dela.
— Como? – Perguntou receosa.
— Da primeira vez que conversamos você me chamou de esquisito por não ter medo de viver sozinho, o que me faz pensar que talvez você tenha medo de viver sozinha. – Temari bufou.
— Não preciso te responder nada.
— Sua resposta só me faz confirmar isso. – Shikamaru colocou as mãos atrás do corpo, e começou a andar até ela. – É tão ruim assim se abrir um pouco com alguém?
Estava cutucando a onça com vara curta, sabia disso, mas queria saber qual era o limite da loira, Shikamaru queria provoca-la, ver suas reações e expressões, queria conhece-la. E estava ansioso para isso.
— Pra que está tão interessado? Nos conhecemos a três dias, estamos presos em um contrato que nem está certo. Está fazendo perguntas sem sentido, e pra que? Testar minha paciência?
— Do jeito que as coisas estão indo, não vai demorar muito para nos unirmos em matrimonio. Seu pai parece querer que você se casa logo, visto que ele já te deixou aqui, meu pai acha que é uma boa oportunidade, já que, depois de anos buscando uma noiva para mim, você foi a única que apareceu. – Shikamaru ficou de frente para Temari. – E você sabe muito bem disso, só não quer admitir.
A Sabaku engoliu seco. Sim, ela sabia muito bem que, desde o momento que colocou os pés no País do Fogo, seu pai não sairia sem achar um pretendente, já que, a própria loira, se encarregou de garantir que nenhum homem do País de Areia tivesse interesse nela. Rasa até achou bom, era uma oportunidade para negociar com outro país e expandir seu comercio. Temari continuou andando calada andando até o quarto e Shikamaru a seguiu, a observando de vez em quando.
— Pare de me encarar assim. – Disse já incomodada.
— O que posso fazer? Estou curioso por uma resposta.
Temari suspirou cansada, tudo que queria era deitar na cama e poder descansar um pouco.
— Se te contar você me deixa em paz? – Disse em seu último fio de paciência.
“Talvez” – Foi o que Shikamaru pensou, mas sabia que essa resposta não agradaria a moça e não saciaria sua curiosidade.
— Sim – Decidiu responder.
— Meu pai quer se livrar logo da filha que só trás problemas, que sujo a honra da família, se metendo em brigas, não falando de forma cortês e não sendo uma boa comerciante.
— Isso são motivos para um pai querer uma filha longe de si?
— Para o meu é. – Parou de andar e se voltou para o Nara. – Pronto, respondido, pode ir embora agora.
Ele decidiu não abusar de sua sorte.
— Bom descanso. – Disse indo embora, vendo Temari agradecer com a cabeça, dando um leve sorriso.
O moreno ficou estático com aquele singelo sorriso, não era algo que esparava dela tão cedo, um sorriso sincero, sim, a loira já havia rido dele, um riso de deboche. Aquele era de alguma forma diferente, um sorriso de alívio. Já Temari caminhava pelo corredor com o coração mais leve, nunca havia falado de seu pai para ninguém, além de seus irmãos, e falar com Shikamaru deu certo alívio em seu coração, sentiu que seu desabafo não havia sido apenas ouvido, mas ela estava sendo compreendida.
...
Hinata tinha três cadernos nas mãos, os colocou na mesa de centro, se ajoelhando, para ficar na altura do móvel e começou a folheá-los, eram cadernos antigos, as folhas estavam amareladas e a capa, que antes era preta, estava cinzenta e um pouco fosca. A morena olhava atentamente para as folhas, procurando algo, enquanto as pessoas ao seu redor olhavam atentamente para ela.
— Não lembro exatamente onde estão essas anotações. Mas lembro de ter visto o mapa da antiga casa de meu pai.
— Que caderno são esses? – Perguntou Naruto curioso.
— São diários do meu pai, quando ele e meu tio fugiram não levaram nada da antiga casa deles, além das roupas do corpo, então eles reuniram todas as lembranças que tinham daquela casa e de sua família nesses cadernos, papai escreveu três completos, enquanto meu tio escreveu pouco mais que dois.
— Que bom que você ainda tem essas anotações, e sorte a nossa que seu pai e seu tio resolveram escrever sobre isso. – Minato se aproximou de Hinata, ela já estava folhando o segundo caderno, deixando de lado o primeiro. – Posso ver? – Pediu permissão, com um aceno de cabeça ele pegou o diário.
As letras eram rebuscadas, difíceis de entender de tão perfeitas. Ele passou algumas páginas, ainda não entendendo muito bem o que estava escrito ali, entendi, uma palavra solta ou outra, mas o que elas significavam? Precisava de um contexto.
— A letra de meu pai é mesmo ruim. Neji uma vez me falou que somente um Hyuuga conseguiria entender a letra dele. – Hinata riu um pouco. – Eu achei um pequeno mapa que ele fez da casa, se puderem me trazer tinta e papel, posso colocar em uma escala maior e “traduzir” o que meu pai escreveu.
Não demorou muito para o papel e a tinta especiais dos Uzumaki estarem nas mãos de Hinata, que silenciosamente começou a redesenha mapa feito pelo seu pai, graças a sua visão ela conseguia distinguir os detalhes mínimos que tinha naquela planta. A morena fazia isso com facilidade e não se desconcertava por nenhum momento, Kushina sorriu com aquela cena, se lembrando de quando se reuniu com a família Hyuuga, pessoas que levavam suas responsabilidades bem a sério e que não mediam esforços para cumprir o seu papel como defensores de seu território.
Ela não podia esperar menos de Hiashi Hyuuga, possivelmente o pai de Hinata, era de se esperar que o herdeiro dessa família se preparasse para tudo, deixando anotações para trás, caso viesse a faltar um dia, para preparar os filhos ou até mesmo deixar para trás anotações que ajudassem em uma possível guerra contra a família imperial.
— Hinata. – A morena olhou para trás, observando onde a ruiva estava. – Você já leu tudo que seu pai escreveu nesses cadernos?
— Sim, li.
— E o que diz neles? – Perguntou curiosa.
Ela olhou insegura para a ruiva, depois olhou para os diários do pai.
— O primeiro fala de como era a vida dele no antigo território Hyuuga, ele fala em como foi treinado para ser o herdeiro. – Ela falava com um pequeno sorriso, que logo se murchou. – O segundo fala sobre a casa e como foi sobreviver a aquele massacre. E o último, é sobre a vida que ele teve depois de fugir, como ele conheceu minha mãe, meu nascimento e a gravidez...
— Não precisa dizer. – Kushina a interrompeu. – É doloroso lembrar de algumas coisas.
—Não tem problema. – Falou, com um sorriso gentil para Kushina.
Hinata virou o rosto e voltar a redesenhar o mapa, ficou calada até terminar, e quando isso aconteceu, sorriu satisfeita para o desenho, olhou para Naruto que estava, até agora, a sua frente e entregou o mapa. Olhando para aqueles mapa, ninguém diria que foi feito a mão, com linhas retas e as letras caprichadas, o loiro entregou-o para seus pais que sorriram em agradecimento para Hinata.
— Todos temos o que fazer agora. – Shikaku começou a orientar. – Nós escolheremos um ponto estratégico da fronteira dos dois territórios, os Uzumaki ficarão responsáveis por convocar a todos os aliados e os Uchiha ficarão ocupados movendo suas forças e garantindo uma boa base. – O Nara olhou para a médica. – Sakura conto com você e Tsunade para que fiquem responsáveis pelas bases médicas. – Olhou para os Mitsashi. – Acredito que lhe demos um prazo curto para a fabricação de armas. – Disse preocupado.
— Não se preocupe, somos bons no que fazemos, logo estarão com elas em mãos. – Garantiu Sr. Mitsashi
Por fim Shikaku olhou para Hinata.
— Obrigado por nos ajudar Hyuuga, peço que confie em nós para proteger a você e ao seu irmão.
A morena concordou insegura, ainda imaginava que poderia sair daquele território e fugir dos Otsutsuki, como fizeram já em outros lugares, mas parecia que agora não tinha outro jeito se não aceitar a proteção que lhe era oferecida. Não sabia qual seria a opinião de seu irmão quando soubesse disso, mas diante da situação em que estava se sentia impotente, tendo que aceitar. Hinata ainda estava ajoelhada no chão quando todos da antessala começaram a se mexer, para poder organizar tudo.
— Acha com conseguirá descansar agora? – Sakura apareceu do seu lado, estava inclinada com a mão em suas costas e um sorriso gentil no rosto.
— Tem tantas coisas passando por minha cabeça, não sei se minha mente será capaz de descansar, mesmo agora. – Disse com um sorriso envergonhado.
— Que tal um passeio? – Naruto sugeriu. – Levo Hinata para um passeio para espairecer a cabeça, depois ela pode voltar e descansar, como a doutora deseja. – Riu para Sakura.
— Naruto, eu não acho que... – Foi interrompida pelo toque de mão de Hinata.
— Vamos! Será bom para Hinata. – Sorriu sapeca e olhou para a morena.
A Hyuuga olhou para Sakura, que devolver um olhar preocupado.
— Obrigada por se preocupar, mas acho que um passeio me fará bem. – A morena se levantou, sorrindo gentilmente para a médica. – O senhor não está ocupado?
— Imagine, meus pais não vão precisar de mim agora. E por favor, me chame de Naruto, quando me chamam de senhor parece até que já tenho cinquenta anos – Falou com um sorriso indicando o caminho para seguirem.
— Hinata... – Sakura a segurou pelo ombro antes que partisse. – Tome cuidado.
— Eu tomarei. – A morena segurou a mão da médica. – E mais uma obrigada, por se preocupar, por cuidar do meu irmão e por conversar comigo, estava precisando muito daquilo para tomar coragem e descer até aqui. – Disse envergonhada.
Com um respiro longo Sakura sorriu para Hinata, deixando os dois partirem. Enquanto na antessala as famílias estavam se ajeitando para colocar o plano em prática Kushina espiava para onde Naruto levava Hinata, e sorriu, tinha uma sensação boa ao ver os dois juntos. O loiro caminhava para fora da casa, não para o jardim, mas para os estábulos.
— Sabe andar a cavalo? – Perguntou virando o rosto para ver Hinata ao seu lado.
— Já andei algumas vezes.
— Então não vou precisar me preocupar. – Sorriu divertido.
Chegaram ao estábulo, que era uma construção de madeira, simples e reforçada. Lá dentro nem todas as baias estavam ocupadas. Eles andavam até o centro do lugar quando um cavalo chamou a atenção de Hinata, ele tinha uma pelagem preta com pontinhos brancos que lembravam um céu estrelado, a crina era branca e comprida, ela se aproximou do cavalo, encantada.
— Os cavalos aqui são da família. – Naruto tinha as mãos na cintura, orgulhoso. – E vejo que já gostou de um.
— Ah! – Hinata olhou para ele, vendo se aproximar. – É lindo, nunca tinha visto um cavalo assim antes.
— Sim, ele é realmente único. Tentamos vender várias vezes, e por bons valores. – Naruto suspirou. – Mas esse cavalo sempre volta para esta casa.
— Deve gostar daqui, e gostar de quem mora aqui.
Os dois se olharam, Hinata estava com um sutil sorriso de admiração, enquanto Naruto, como sempre, não pode deixar de se hipnotizar pelos preciosos olhos dela, estava ficando mal acostumado em se perder neles, encantado não somente o seu brilho, como a dona deles, como alguém parecia ser tão perfeita? O loiro se atraia por tudo que tinha nela, se encantava por simples movimentos que fazia, singelos risos que soltava, algo dentro de si estava diferente, eram como bolhas de sabão flutuando até a boca de seu estomago e quando estouravam faziam cocegas. Ele não sabia como aplacar essa sensação, mas estava percebendo que ela só aumentava quanto mais se aproximava, mais conhecia Hinata.
“Bom, nunca disse que era uma sensação ruim” – Pensou tocando em sua barriga.
E Hinata, estava perdida, se sentia agradecida por Naruto ter hospedado ela e o irmão, gostou da atenção que ele dava para ela, e estava feliz e acanhada com a preocupação dele. Um sentimento se formava no coração da morena, ela não sabia dizer o que era, talvez admiração ou amizade. Mas também não sabia dizer o porque era um sentimento tão quente, não era o mesmo que tinha com Sakura, nem o mesmo que tinha com Neji ou Kurenai, mas isso não a assustava, ela só queria aproveitar mais daquele quentinho que vinha de seu peito quando o loiro sorria para ela, quando lhe oferecia a mão para uma escolta, ou quando simplesmente passava a mão pela nunca envergonhado.
Nada em Naruto fazia com que ela desconfiasse, ficasse temerosa ou fizesse com que queira se afastar, pelo contrário, só queria se aproximar. Nesse momento tudo que Hinata queria era abraça-lo, e sentir o dele coração, para saber se ficava tão quente quanto o dela, se ele também ficava ansioso para descobrir em que momento seria seu próximo encontro, ou se também tinha a vontade de simplesmente se entregar. E ambos tinham aquele mesmo sentimento de já ter se conhecido antes. Em transe, eles começavam a sentir os cheiros um do outro, cada vez mais próximos, a respiração quente e quase o toque macio dos lábios.
HIIN IN IN HINIR!!
O relinchar do cavalo a frente deles os despertou. Envergonhada Hinata se afastou um pouco e Naruto, já sentindo a falta do calor do corpo dela passava a mão na nuca.
— Então... Decidimos que não venderíamos mais o cavalo, e ele ficaria na família. – Continuou o assunto. – Mas é complicado, parece que ele não se dá bem com ninguém. Quando meu pai tentou monta-lo caiu tantas vezes que ficou com o corpo roxo por duas semanas, depois disso, mamãe teve medo do cavalo e não quis sequer tentar e eu... – Naruto foi até uma baia próxima onde tinha um cavalo de pelos avermelhados. – Se eu montar em qualquer outro equino que não seja Kaeru ela nunca mais olhará para mim novamente.
Hinata riu enquanto o Uzumaki tirava sua égua da baia, acariciando sua crina negra e macia.
— Ele é arisco? – Perguntou se referindo ao cavalo de manchas brancas.
— Ele? Não, é um cavalo gentil, foi difícil domesticá-lo, mas ele não é bravo ou arisco, só não se dá bem com as pessoas.
— Qual é o nome dele?
— Ele não tem.
Hinata pensou um pouco olhando para ele.
— Posso tentar monta-lo?
— Tem certeza disso?
— Claro, e se eu conseguir quero que me deixe fazer uma coisa. – Sorriu animada.
— Que seria?
— Quero que me deixe dar um nome para esse cavalo.
— E se não conseguir?
— Pode pedir o que quiser, eu vou conseguir. – Disse confiante.
— Tudo bem. – Naruto pensou. – Se não conseguir quero uma dança particular.
Falou se aproximando do rosto dela e sorrindo de forma ladina. Hinata arregalou os olhos e ficou corada, ele tinha mesmo pedido aquilo, o loiro já estava com a mão esticada para ser apertada e fecharem o acordo. A morena olhava para ele a para a mão repetidas vezes.
— O que foi? Está com medo de perder? – Perguntou a provocando
— Tu-tu-tudo b-bem. – Ela estendeu a mão e apertou. – Na-na-não v-vou per-perder.
— Temos um acordo. – Riu da gagueira dela.
Naruto estava muito interessado nessa dança particular a muito tempo e ficou mais animado imaginava em poder ter Hinata dançando somente para ele. Assim o loiro se afastou, tirando o cavalo malhado da baia e o preparando com a sela para ser montado, fez o mesmo com Kaeru e levou os dois cavalos para fora, sendo seguido por Hinata, que estava apreensiva, não sabia se estava ansiosa para montar, ou pelo que poderia acontecer se ela perdesse. De qualquer forma o desafio já tinha sido aceito. Quando estavam no campo ela aceitou, sem hesitar, as rédeas que Naruto havia estendido. Hinata se aproximou do cavalo, ficando bem a frente de seus olhos e o encarando.
— Não irei lhe fazer mal. – Disse gentilmente acariciando a bochecha do equino. – Vamos ser amigos, tudo bem? – Ela o acariciou mais um pouco, aproximou seu rosto da testa do animal. – Só vamos andar um pouco, quem sabe trotar, será divertido. – Hinata percebeu que ele a olhava com atenção. – Vou subir. – Em um instante Hinata já estava em cima do cavalo, se inclinou para o lado e acariciou seu pescoço. – Obrigada por me deixar monta-lo, que tal andarmos uma pouco agora. – Com um toque dos calcanhares de Hinata o malhado começou a andar de forma lente.
Deu mais um toque e o cavalo começou a andar mais depressa, até que estava trotando, dando voltas no campo cercado ao lado do estábulo para treinar cavalos, a morena tinha um semblante feliz no rosto, estava tomada por aquela pequena distração das coisas que tinham acontecido até agora. E Naruto a encarava, com tanta afeição que nem se importava de ter perdido a aposta. Ele se encantava cada vez mais com ela, descobrindo cada faceta que ela tinha, só querendo ficar cada vez mais do lado da Hyuuga.
Hinata voltou para perto dele com os cabelos meio bagunçados e com um sorriso.
— Fazia tempo que não me sentia assim. – Se inclinou para acariciar o pescoço do equino mais uma vez.
— Você é boa nisso, onde aprendeu?
— Aprendi muitas coisas para sobreviver, apesar de nunca termos tido um cavalo. Alguns senhores, dos lugares que fiz apresentações, gostavam de minha companhia e me ensinaram a andar a cavalo.
— Então, qual será o nome dele?
— Raion, é um bom nome para ele. – O Uzumaki concordou com um aceno de cabeça.
— Bem agora como prometi, vou levar você para um passeio.
— Esse já não era o passei? – Perguntou confusa.
— Claro que não! – Deu uma risada gostosa, aos ouvidos dela, achando engraçada e fofa a sua expressão. – Esse é só o começo.
Sem esperar reação Naruto incitou sua égua, a fazendo correr, até pular a cerca, o loiro puxou as rédeas e virou Kaeru voltando a olhar para Hinata a provocando a fazer o mesmo, em resposta ela riu.
— Vamos lá Raion.
Fez o mesmo que o loiro e também já estava fora do cercado, se posicionando ao lado dele com um rosto de vitória.
— Quero te mostrar um lugar. – Disse, tomando a frente do caminho.
...
Sakura observava o Naruto e Hinata passarem pela porta, ela respirou fundo, estava preocupada, e não era só uma preocupação médica, ela se perguntava o que passava pela cabeça da morena, tentava imaginar o que estava passando. Uma pessoa que perdeu tudo, os pais, os tios, os cuidadores, e quase perdeu o irmão, uma pessoa que nunca pode confiar em ninguém a não em si mesma. Hinata era uma pessoa que ainda confiava muito nas pessoas, que não se entregou a sentimentos ruins. Isso era de se admirar, a própria rosada não sabia se poderia aguentar tudo aquilo com aquela serenidade. A médica sentiu alguém pousar a mão em suas costas, quando olhou para trás viu um pequeno sorriso do Uchiha, o que já fez ela se derreter.
— Eles vão ficar bem. – Falou em um tom calmo.
— E sei que eles ficarão bem, é só que...
— Não fique brava só porque o Uzumaki pensou nisso antes. – A provocou.
— Não estou brava! – Sakura inflou as bochechas, fazendo-as ficarem vermelhas.
— Claro que não. – Sasuke cutucou uma das bochechas achando engraçado.
— Ora! – Bateu na mão do moreno, fazendo ele parar que cutucar sua bochecha. – Poupe-me Uchiha.
Sakura deu as costas, e começou a caminhar para um outro lado.
— É assim que vai se despedir de mim? – Perguntou com uma voz magoada.
A rosada parou e olhou para trás, com a cabeça baixa voltou para onde estava, em frente ao Sasuke, tinha esquecido que todos agora tinham coisas para fazer em seus próprios territórios.
—Não.
Aproveitando o momento, o casal se abraçou, inspirando fundo o perfume um do outro.
— Queria ter mais tempo com você. – Sussurrou Sakura.
— Digo o mesmo minha flor. – Enfiou o nariz no pescoço dela, dando uma leve mordida ali, fazendo o corpo inteiro da rosada se arrepiar. – Só um beijo não me sacia por muito tempo.
A médica riu, o afastou, com as mãos no rosto de Sasuke, o encarando, lembrou-se, que desde pequena já gostava do moreno, desde a primeira vez que o viu, a paixão e o amor vieram depois que eles se conheceram melhor. Por muito tempo o moreno negou esse amor, até que não aguentou mais ficar longe dela, não aguentava mais ver outros homens flertando com ela.
— É por pouco tempo dessa vez.
Sakura o beijou, um beijo que começou singelo e apaixonado, mas a mão dele segurou sua cabeça, controlando os movimentos e aprofundando o beijo, ele estava explorando com a língua a boca dela, queria tudo que tinha para oferecer, assim como queria dar tudo para ela. Sasuke passava a sua outra mão pelo corpo da rosada apertando-o mais contra ele. Ela foi pega de surpresa e acompanhado sua sede enfiou os dedos nos cabelos negros os provocando para que continuasse.
Os dois estavam perdidos um no outro, seus corpos estavam quentes e perceberam que se não parassem ali iriam mais longe, e o momento não era para isso. Se separaram ofegantes, com as bocas vermelhas e molhadas. Olharam profundamente um para o outro novamente, os olhos dos dois cintilavam de prazer, de atração e quando Sasuke se aproximou novamente para ter outro beijo Sakura o parou com a mão.
— Teremos outras oportunidades. Não demoraremos muito para nos encontrar dessa vez. E se começarmos a nos beijar de novo não faremos mais nada além de ficar nos amando.
— Não é uma má ideia. – Ele roubou um selinho dela.
— Não é, mas agora eu e você temos responsabilidades. – Sasuke grunhiu infeliz e Sakura riu. – Eu preciso ir.
Ela deu um beijo delicado e demorado na bochecha do moreno, que aproveitou para aspirar todo o cheiro de cereja que ela tinha.
— Tenha cuidado em sua viagem, sentirei sua falta. – Falou com Sakura se afastando dos braços dele.
— Desejo o mesmo, até breve meu amor.
— Até minha flor.
A médica tomou seu caminho de volta para casa. Sasuke colocou um sorriso no rosto, com a expectativa de derrota da família imperial para que os dois pudessem finalmente viver seu amor livremente.
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