Assim diz a Lenda

8 Passados, Amores e Dores


Notas iniciais
Acabei de revisar o capítulo, não ia postar hoje, mas fiquei tão ansiosa que acabei postando... No mais sabiam que o som que o camelo faz é blaterar? Descobri escrevendo o cap. Enfim, espero que gostem.

A lenda diz:

Diferente dos deuses, os seres humanos são capazes de sentir muitas emoções de uma vez, isso os torna seres imperfeitos.

O loiro andava na frente, mostrando o caminho de um bosque que ficava atrás da casa Namikaze-Uzumaki, as árvores de porte médio, tinham copas verdes e cheias eram espaçadas umas das outras, o que fazia muita luz do Sol entrar, iluminando o chão gramado, com grama longa e macia. Hinata se sentia em um bosque encantado, já que o Sol dava brilho em tudo que seus raios tocavam.

— Aqui é lindo. – Disse em um suspiro.

— Sim, é muito reconfortante ficar aqui, é como se nada de mal pudesse passar por essas árvores.

— Entendo o que está querendo dizer. – Hinata respirou fundo aquele ar. – É um refúgio

— Sim, esse é meu refúgio, desde criança.

— É um ótimo lugar para se esconder– Agora ambos andavam lado a lado.

— Você parece saber exatamente o que vou dizer. – Hinata riu, e o loiro a acompanhou.

“Será que realmente pensamos as mesmas coisas?”

— Vinha aqui para me esconder de meus pais, para me acalmar, para fugir das lições de Iruka-sensei. – Naruto riu nostálgico e explicou. – Iruka é meu professor desde que eu me lembro por gente, nos primeiros dias ele não tinha nenhuma paciência para me ensinar, mas eu também não contribuía, não prestava atenção nas aulas, dormia muitas vezes e meu passatempo preferido era pregar peças nele. Mas...

O loiro abaixou a cabeça, se lembrando do seu incidente.

— Eu estava pregando mais uma, de minhas peças em Iruka peguei alguns de seus livros e fui até o lugar mais afastado que conhecia, ainda estava na área da casa Namikaze-Uzumaki, mas estava longe de qualquer supervisão, tão longe que eu podia ouvir o barulho da cidade, com os comerciantes gritando e os camelos blaterando. Mas uma movimentação próxima de mim chamou atenção. Um homem de cabelos brancos que tinha um facão em mãos saiu do meio dos arbustos, ele olhou para os lados, e quando me viu, um sorriso diabólico apareceu no seu rosto, pelo menos diabólico pra mim, uma criança que sempre viveu protegido pelos muras da casa. Lembro de suas exatas palavras: “Isso está se tornando cada vez mais fácil”. Eu travei de medo.

— O que esse homem queria? – Perguntou preocupada.

— Me explicaram, na época, que ele queria roubar a casa, eram tempos difíceis para todos, a guerra tinha acabado e as pessoas ainda estavam juntando os caquinhos de suas vidas. Então quando o homem viu o herdeiro Namikaze-Uzumaki bem a sua frente ele pensou que sequestrar uma criança e pedir o resgate seria mais seguro que tentar invadir uma casa com guardas. – Naruto mirou nos olhos de Hinata, estava interessada na história. – Enfim, o homem avançou para me pegar, e eu, tremendo, não me movi, apenas fechei os olhos.

— E o que aconteceu?

— Quando abri os olhos Iruka estava na minha frente, o facão do homem havia resgado parte de seu ombro e seu braço, e logo atrás dele nossos guardas chegaram, prendendo o invasor. – O loiro sorriu e respirou profundamente.

— Ele foi muito corajoso.

— Depois de desse episódio meus pais quiseram dar uma recompensa para meu professor, por ter evitado esse sequestro. E ele respondeu que não tinha ambições financeiras, só queria que seu aluno tivesse um pouco de senso e educação de escuta-lo. – Riu. – Em resumo, levei uma boa bronca dos meus pais e como punição pelo meu comportamento meu pai me aplicou provas de conhecimento, dependendo o quanto errasse era o tempo que ficaria na sala de estudos, lendo sobre o assunto.

— E quanto tempo ficou na sala de estudos?

— Alguns dias. – Passou a mão pela nuca, constrangido. – Meus pais sempre me deram muita liberdade, desde que não passasse dos limites aceitáveis, é assim até hoje. Então quando passo dos limites eu recebo uma punição.

Hinata riu, mesmo sendo um adulto, o futuro líder da família Namikaze-Uzumaki ainda tinha um espírito de criança.

— Mas e você? – Perguntou para Hinata, interessado nela.

— Eu!?

— Sim, como foi sua infância? – Perguntou curioso.

Hinata olhou para baixo, acariciou a crina de sua montaria.

— Minha infância não foi tão divertida.

— Ora! Me diga, quero saber mais sobre você.

— Bom... – Olhou insegura para Naruto, que mantinha os olhos atentos nela. – Eu não conheci meus pais. Eu e Neji fomos criados por uma família que eram nossos vizinhos, até meus 10 anos e ele 14.

— O que aconteceu para que se separassem desses seus vizinhos?

— Digamos que não é a primeira vez que os Otsutsuki veem atrás de nós, mas é a primeira vez que eles encontram uma prova de nossa existência.

— Desculpe... Se não fosse pela minha falta de noção... – Naruto apertou as rédeas.

— Tudo bem, vocês já fizeram muito tratando do meu irmão, além disso, também foi minha escolha ficar aqui, poderíamos ter fugido assim que você tivesse virado as costas naquela noite.

“Obrigada por não fugir” – Naruto pensou alegre.

Hinata ergueu o olhar para o céu e respirou profundamente.

— Sinto falta de Kurenai e Asuma. Foram eles que nos ensinaram a sobreviver, e foi a partir desse dia que começamos a usar faixas em nossos olhos. Bem, depois disso eu e Neji começamos a roubar, quase fomos pegos, muitas vezes na verdade, mas sempre conseguimos escapar, graças a esses olhos. – O loiro a encarou curioso e não precisou perguntar. – Quando nos concentramos conseguimos prever certos movimentos, antecipar alguns ataques, o por isso nunca fomos pegos. Eu não lembro direito qual foi o momento que nós paramos de roubar e começamos a nos apresentar, fomos mudando aos poucos, afinal é mais fácil ganhar o dinheiro de forma honesta do que sair correndo pelas ruas, com pessoas atrás de você.

—Então é por isso que nunca pararam em um lugar. – Naruto disse olhando para frente.

A Hyuuga concordou com a cabeça.

— Não podíamos confiar em ninguém, nem ficar muito tempo em um mesmo lugar, a família imperial podia nos achar.

— Mas... porque nunca saíram do país?

Hinata abaixou a cabeça.

— Sinceramente, não sei, sair do País do Fogo, nunca passou pela nossa cabeça.

— Bom agora tem a nós para ajuda-los. – Quis desviar do assunto tenso e alegra-la um pouco.

— Eu sei, Sakura também me falou isso, mas é difícil de se acostumar depois de tanto tempo.

— Você vai se acostumar, e vai gostar. – Ele riu para a morena. – Bem, nós chegamos. – O loiro parou o cavalo, logo em seguida Hinata fez o mesmo.

As árvores daquele bosque tinham dado espaço para um grande salgueiro, que se destacava, por causa de seus galos curvados para baixo e folhas pequenas e claras, desciam até quase tocar chão, o tronco era grosso com veios profundos por entre a casca escura, quanto mais próximo do tronco mais sombra o salgueiro fazia e, por causa disso, dava pra se ver até alguns vagalumes que piscavam sua luz amarela. E Hinata teve a certeza que tinha viajado para um mundo mágico que só encontrou nas histórias infantis.

Desceu do cavalo, ainda hipnotizada pela beleza, nunca tinha visto um salgueiro, tanto que mal percebeu o loiro, que já tinha amarrado os cavalos, segui-la com os olhos, a admirando, era como se Hinata fizesse parte daquela paisagem. Tirada de lendas. Naruto ria silenciosamente a cada expressão que ela fazia, maravilhada, tinha um sorriso permanente no rosto.

“Como é possível, ela fica mais bonita a cada segundo que passa?”

— O que achou? – O Uzumaki perguntou quando os dois já estavam próximos do tronco.

— É lindo. Quantos anos será que esse salgueiro tem? – Disse ainda olhando para a árvore.

— Sei que um salgueiro pode viver de 20 a 30 anos, mas esse. – Encostou na madeira escura e olhou para cima. – Ele tem um tronco muito grande, então acredito que ele tenha vivido por pelo menos uns 80 anos.

— Sabe bastante sobre árvores?

— Só sei o bastante para impressionar você.

— Ahhh... – Surpresa Hinata tinha seu rosto tingido de vermelho, colocou a mão na boca para não deixar o queixo cair. – Porque não nos sentamos?

Ela rapidamente passou pelo loiro e se sentou no chão, apoiando as costas na madeira, estava tão envergonhada que não sabia como responder aquilo, nem se deveria responder. Decidiu que o melhor era esquecer o que tinha ouvido, então respirou fundo e voltou a admirar o lugar. Sentiu Naruto sentar do seu lado, ele se sentiu mal por ter a deixado desconfortável.

“Parabéns, gênio.” – Se reprimiu.

— É realmente um lugar lindo Sr. Namikaze Uzumaki. – Hinata quis aliviar o clima.

— Pode me chamar de Naruto. Poxa! Afinal estou te mostrando meu refúgio particular, meu cantinho secreto. – Fez beiço. – Acho que já podemos nos consideram amigos Hinata. – Deu um sorriso largo.

Ela sorriu e o clima entre eles de repente se tornou leve. Apesar da Hyuuga ter se arrepiou quando ouviu seu nome sendo dito por ele.

— É realmente um lugar lindo Na-Naruto.

— É... – Ele a encarou, contente de como seu nome soou na voz da morena. –, Desculpe a pergunta, mas, quantos anos tinha quando seus pais morreram? Não precisa falar se não se sentir confortável – Acrescentou rapidamente.

O olhou, incerta, poderia compartilhar aquela história com alguém? Bom por muito tempo não podia, nem deveria dizer suas origens para qualquer pessoa. Mas agora estava tudo bem, não? Afinal, Naruto era seu amigo.

— Dois anos. Eu só tenho relances de lembranças dos meus pais e dos meus tios, mas sei que até aquele dia eramos felizes. Eu só estou viva graças a Neji, que tinha seis anos na época. Na verdade, todas as vezes que estamos em perigo eu só saio viva graças a ele. – Hinata sentiu as lágrimas nos olhos, contar isso estava sendo um alívio para seu coração, mas ela não sabia o porquê chorava, de alívio, de medo ou de saudade daqueles que se foram. – Me sinto inútil, meu irmão sempre esteve me protegendo, e eu coloco-o em perigo. Parece que coloco todos a minha volta em perigo. Meus pais, Kurenei e sua família e agora Neji.

Hinata, não sabia o quanto precisava daquele momento até tê-lo, ter Naruto ao seu lado era a melhor coisa, todo seu corpo dizia que poderia confira nele, até mesmo agora seus instintos, que antes a alertavam, falavam o mesmo. Depois de tantos anos, colocou seus sentimentos para fora, se lembrando de todos que perdeu e no medo que teve em perder o irmão. A morena tapou o rosto com as mãos enquanto chorava. Já Naruto sentia uma dor no coração ao vê-la chorar, amava todas as expressões que ela fazia, mas uma daquele tipo, era o que ele queria evitar.

Os soluços dela eram tão altos que chamaram a atenção dos cavalos. E o loiro, desejava muito destruir aquela dor, agiu por instinto e a abraçou, colocou Hinata em seu colo apertando o corpo dela contra o seu, como se esse aperto fosse capaz de expulsar todos os sentimentos ruins que tinha, e a Hyuuga aceitou de bom grado esse abraço, colocando a cabeça no ombro dele. O Uzumaki esperava pacientemente ela para de chorar enquanto alisava seus cabelos, e ela se sentiu grata por estar ali, e estar com ele.

Quando a morena se acalmou levantou o rosto vermelho e úmido, secando-o com as mãos, o loiro a ajudo, em um gesto de afeto ele limpava e acariciava a face dela, passando suavemente os dedos pela bochecha rosada, estava a admirando, mas uma vez, não conseguia evitar. Hinata fechou os olhos, aceitando e aproveitando o carinho, seu rosto ficava quente por onde os dedos grossos tocavam, mesmo sendo singelo e suave toque, até que colocou a mão em cima da dele, o fazendo parar, mas não tirando do lugar.

— Obrigada. – Sorriu, com um suspiro de alívio depois do choro.

Naruto a puxou para perto, dando selinho em sua bochecha, se demorando com os lábias encostados na pele dela, cheirando seus cabelos, ele desceu o rosto e o pousou no pescoço da morena, aspirando o cheiro de jasmim que ela tinha. As inspirações e expirações fizerem Hinata se arrepiar, era um sentimento diferente, talvez ansiedade, ela não sabia dizer, e não sabia direito o que aconteceria se ele continuasse com aquelas caricias.

— Naruto... – Tentou chamar a atenção dele, o que não funcionou muito.

O loiro continuava ali, e não queria ser tirado, a mão que antes estava no rosto agora estava na nuca, segurando, delicadamente os fios de cabelo e a outra, que antes abraçava as costas dela, agora cercava sua cintura, a apertando, possesivamente. Ele esfregava o nariz, cutucando de leve, o pescoço delicado, foi quando abriu a boca mordiscando a pele sensível, ele sentiu os cabelos da nuca dela se arrepiarem. Hinata apertou uma das mãos no peito do loiro, sentindo seus músculos tencionarem, e a outra envolveu o pescoço dele, segurava-se firmemente, mesmo sentindo seus membros derreterem com o toque, ela conseguia sentir essa tensão se espalhando por todo o corpo do Naruto, a fazendo sentir prazerosamente vulnerável.

— Você está quente. – Falou soltando um hálito igualmente quente no pescoço dela.

— Hmmm! – A morena mordeu os lábios falhando em segurar o gemido.

Ambos estavam perdidos naqueles toques, nos cheiros. A Hyuuga, que antes estava insegura pelo aconteceria se as carícias continuassem, agora estava satisfeita pelo loiro não dar ouvidos ao seu alerta. Se entregava as sensações que ele proporcionava. Naruto se atrevia um pouco mais e deslizava a mão pelo corpo dela, descendo até o quadril apertando, subindo novamente, passando pela cintura, colocou a mão em sua barriga e subiu mais, com as pontas dos dedos chegando o vale dos seios dela.

HIIN IN IN HINIR!! – Relinchou Raion

Os dois despertaram do transe em que estavam, o Uzumaki viu o rosto de Hinata ficar vermelho. Que virou imediatamente em direção aos cavalos, e saltando do colo dele, ficando de pé, e de costas para o loiro, olhando para baixo.

— Me desculpe se passei dos limites. – Disse sério.

“Mais uma bola fora” – Se amaldiçoou.

— Eu... – A Hyuuga colocava os pensamentos em ordem.

— Você... – Se desanimou. – Não gostou?

Sentiu o rosto ficar mais vermelho, o tampou com as mãos.

“Eu adorei” – Pensou envergonhada.

— N-na-não. E-e-eu go-gos-gostei. – Falou gaguejando.

— Se é o caso então retiro minhas desculpas. – Ele sorriu satisfeito e ladino, se levantou e a abraço forte, quando viu que quase todo o sangue da moça estava em seu rosto decidiu parar de provoca-la. – Apesar de querer continuar o que estávamos fazendo, o Sol já está se pondo. – Disse olhando para o céu.

Os dois desamarraram os cavalos e subiram neles, voltando pelo mesmo caminho.

— Sobre o que você estava dizendo mais cedo. – O loiro começou a conversa. – Não se culpe, todas essas pessoas, seus pais, a família que te acolheu e Neji, deram a vida para te salvar porque te amam, não fariam isso se não a amassem.

— Eu sei, mas... Eu só não queria que fosse dessa forma. Pois eu também os amava, e os amo, isso só faz minha culpa aumentar.

Naruto a observou cuidadosamente a tristeza nos olhos dela.

— Olha... – Colocou a mão na nuca, esfregando rapidamente, para acalmar o nervosismo do que iria dizer, pela primeira vez. – A pouco tempo atrás eu era um irresponsável, não levava a sério o papel que minha família exercia, organizando uma conspiração contra a família imperial. Eu sabia da importância, claro, mas era como se aquilo tudo não fosse da minha conta. Era trabalho dos meus pais, suor e palavras deles, e eu me sentia inferior aos dois, não me achava capaz, não podia nem me comparar a eles. Em minha angustia eu acabava ultrapassando os limites, fazendo tudo de qualquer forma e não levando a sério o trabalho eles tinham. Foi na manhã seguinte de uma dessas minhas aventuras irresponsáveis que recebi uma merecida punição. Na hora pensei que era injusto, mas depois de reescrever mais de duzentos acordos e contratos feitos por minha família percebi. Aquilo seria minha herança, minha responsabilidade, e tinha que levar as coisas mais a sério. Tinha que ser o herdeiro digno, e mais importante, tinha que me aceitar.

— Foi uma superação?

— Superação!? Oh! Não. Eu ainda sou inseguro, não sei o que estou fazendo, se estou fazendo certo, se meus pais vão se orgulhar de mim. Mas ao invés de me sentir sempre inseguro e ficar me martirizando com perguntas sem respostas do que eu poderia ter feito, que me impediam de agir, eu simplesmente faço. Tomo atitudes que julgo como corretas, não me importo se vou errar ou não, se eu errar aprendo e faço de novo, se não errar, ponto pra mim.

Naruto encheu seus pulmões de ar, orgulhoso pelo caminho que decidiu tomar.

— Obrigada por compartilhar isso comigo.

A morena o olhou com ternura, tinha percebido a coragem que tomou para falar com ela, afinal, admitir seus próprios defeitos e seus próprios erros não era uma coisa fácil. Em resposta Naruto sorriu abobado, e os dois voltaram para o estábulo, com a lua se erguendo no horizonte, felizes, se sentido cada vez mais próximos.

...

Sasuke olhava pela janela de sua carruagem, faltava poucos minutos para chegar em casa, ele agitava a perna impaciente. Fugaku observou o filho.

— Estamos todos muito ansiosos e receosos com tudo filho. Mas se acalme um pouco. E pare de mexer tanto essa perna. – Disse o mais velho em um tom cansado. – Lembre-se um soldado Uchiha sempre deve manter a calma...

— Para que sua mente raciocine com clareza o próximo passo. – Sua esposa complementou. – Você está falando isso mais para si mesmo do que para Sasuke, desde que saímos da casa Namikaze-Uzumaki não para de suar frio.

O moreno mais novo deu um risinho. E o pai admitiu.

— Não devíamos ter concordado com essa base. Devia ter sido na fortificação Uchiha.

— Serão um dos primeiros lugares a ser atacado, quando descobrirem o que estamos tramando contra a família imperial. – Falou novamente a senhora Uchiha.

— Sem falar no terreno. – Sasuke disse. – A fronteira está em um terreno elevado. Dá pra ver a quilômetros de distancia caso um ataque surpresa venha.

— Será uma dor de cabeça mover as tropas. – O moreno mais valho bufou, colocando a mão na testa.

— O que me preocupa é não sabermos o número de homens que a família imperial tem. – Falou pensativo para os mais velhos.

— O que dá mais medo nos Otsutsuki é o tipo de estratégia que irão utilizar. – Fugaku observava o filho. – Os métodos deles são... impensáveis.

— São cruéis. – Complementou Mikoto.

— Por isso me preocupo com todas as famílias aliadas, quando ficarem sabendo, a noite do Massacre da Lua pode se repetir.

— Os passos deles são inesperados. – A matriarca olhou apreensiva para o filho. – Estou com uma sensação ruim.

...

Por causa dos dois viajantes a mais, os Nara tiveram que alugar outra carruagem para voltar ao seu território. A frente, na carruagem da família, estava o senhor e senhora Nara, felizes com a ideia que tiveram em deixar o futuro casal irem na carruagem alugada, claro que não completamente sozinhos, já que Gaara estava junto. Mas sabiam que sem a presença deles, os jovens não ficariam tão constrangidos, e poderiam conversar mais livremente.

Temari olhava desconfortável para Shikamaru a sua frente, ela não tinha escolha a não ser ir para a casa deles, afinal, segundo seu pai, eles tinham que se conhecer melhor.

“Conversa” – Pensou ela bufando irritada. – “Porque insiste com essa história de casamento?” – Estalou a língua entre os dentes, chamando a atenção de quem não queria.

— Resmunga até em seus pensamentos? – O moreno perguntou.

A loira o encarou de volta, visivelmente irritada. E Gaara não sabia se impedia Shikamaru de torrar a paciência da irmã, ou se simplesmente assistia o desenrolar dos acontecimentos para ver o resultado. Ficou com a segunda opção.

— Por favor, Nara, você está odiando isso tanto quanto eu, poderia acabar com isso simplesmente dizendo que não quer se casar.

“Quem disse que estou odiando?” – Pensou divertido, e suspirou respondendo.

— Já te falei, estou fazendo isso para agradar minha mãe, e também, não me importo em me casar ou não.

— Bom mesmo se nos casarmos podemos nos separar. – Temari cruzou os braços, satisfeita em tomar essa decisão.

— Não poderá se separar de mim se nos casarmos. – O moreno afirmou sério.

Dessa vez os dois No Sabaku o encararam confusos. O Nara bufou e explicou.

— “Uma pessoa pode ter quantos namorados e namoradas quiser, deve experimentar coisas novas e conhecer pessoas novas, afinal ainda se está procurando um parceiro. Mas um casamento deve ser feito quando se encontra a pessoa certa, para que seja eterno.” É o que a lenda diz. – Os dois a sua frente ainda pareciam confusos. – Não há separações no País do Fogo.

— Ah! Certo. – Finalmente o ruivo se pronunciou. – O País do Fogo, leva seus costumes e lendas muito a sério, se a lenda diz que um casal deve permanecer junto, eles irão permanecer.

— Mas isso é um casamento arranjado. – Temari falou indignada. – Nem eu, nem você nos conhecemos tempo suficiente para, como disse, “seja eterno”.

— Caso não tenha percebido, minha querida, estou tentando, desde que fomos apresentados, te conhecer melhor. – Falou com ironia.

Gaara percebeu o erro que ele cometeu, e a bomba dentro da loira estourou. Mais tarde do que imaginava.

— Caso não tenha percebido, QUERIDO. – Estava corada de raiva. – Não tenho intenção nenhuma de me casar, principalmente com alguém tão irritantemente calmo. Que olha para todos com cara de tédio, como se não se interessasse por nada nem ninguém. Que não se importa de casar com uma completa estranha, que nem conhece, só para agradar a família. – Temari pisou forte no chão da carruagem, o que fez Shikamaru dar um salto em seu assente. – Agora pare isso antes que eu faça seu nariz apontar para outro lado.

O tom de ameaça funcionou e o Nara mais novo bateu na janela do condutor duas vezes.

— Por favor, pare a carruagem.

Assim que parou a No Sabaku empurrou a porta, quase a quebrando, e saiu a passos fortes, estavam em uma estrada no meio de um pequeno monte, então a saída da carruagem dava para um gramado de inclinação pequena, com minúsculas flores amarelas que se destacavam no verde. Ali o vento era forte, fez o lenço que cobria a cabeça de Temari sair, mostrando suas mechas loiras que refletiam o Sol, e suas calças largas e bufantes, com uma bata comprida também larga grudaram em seu corpo, dando, uma sensação de nudez, enquanto o vento tocava seu corpo.

— Minha irmã está bastante irritada com você.

— Eu percebi. – Falou irônico.

— Calma, estou tentando amenizar as coisas.

— Só não entendo o que falei de errado. – Gaara o observou curioso.

— O que fez de errado? É simples. Se coloque no lugar dela, Temari está em uma terra que não conhece, tendo que se casar com um homem que não conhece, tudo porque o pai a abandonou, ela não tem pra onde fugir e não sabe em quem confiar. – O ruivo parou por um segundo. – Tirando eu, é claro. E esse seu discurso de tanto faz, tanto faz me casar, tanto faz não me casar, só a está deixando mais angustiada.

— Eu, realmente... – Shikamaru não tinha pensado por esse lado.

“Que grande estrategista.” – Pensou.

A carruagem da frente foi avisada da parada e os Nara mais velhos saíram.

— O que aconteceu? – Perguntou a senhora Nara.

— Minha irmã decidiu tomar um ar. Foi uma viagem muito intensa pra ela. Se não se importarem de esperar um pouco, logo ela voltará. – Gaara pediu compreensão com os olhos e os dois mais velhos aceitaram e voltaram pra carruagem.

“O que posso fazer para acalma-la?” – Shikamaru deu um passo para ir atrás dela, mas o ruivo o impediu.

— Se fora atrás dela agora, ela irá cumpria a promessa de apontar seu nariz para outro lado.

— Tenho algo a dizer.

— Isso não importa agora, se estão apressados, eu irei falar com ela, se não, é melhor esperar um pouco.

Gaara voltou a prestar atenção na irmã, enquanto Shikamaru se amaldiçoava por ter a provocado tanto, mesmo assim, ele sabia que não seria a última vez que faria isso, e mesmo sabendo que poderia acabar ficando com um roxo ou dois.

— Temari me falou que Rasa já não a quer em casa, por ela não ter dom com os negócios.

— Ela te contou isso!? – Riu fraco, então a irmã não odiava ele completamente. – Sim, foi essa a desculpa que nosso pai nos deu. – Encarou o moreno. – Acho que posso falar para você a verdade, o que nem ela mesma quer acreditar, e bem, nem eu queria que essa fosse a verdade. Sim, Temari não tem a lábia para os negócios, mas convenhamos isso é uma coisa que as pessoas podem aprender, mas nosso pai não quer ensinar, porque Temari é uma mulher. Rasa treinou Kankuro para ser comerciante, e está me treinando isso também, mas porque ele não treinou Temari? A resposta é meio óbvia. Tenho certeza, de que, se ela fosse homem, nosso a ensinaria, e não haveria desculpa para abandonar a filha em um país desconhecido.

— Isso não é uma coisa que um pai, que quer o bem para filha, faça. – Shikamaru disse horrorizado.

— Bem, esse é o nosso pai. – Gaara deu de ombros.

Ambos perceberam a loira se aproximando, com o lenço, agora, enrolado em seu corpo.

— Acho que podemos ir.

Shikamaru voltou rapidamente para a carruagem alugada, pensando em suas atitudes, querendo matar seu futuro sogro, e pensando na melhor forma de fazer Temari confiar nele, para que assim pudesse confortar ela.

“Ela está me deixando maluco e idiota” – Pensou com as mãos na cabeça.

E partiram assim os No Sabaku entraram no veículo.

...

Sakura andava a cavalo de volta para casa, ela decidiu fazer uma viagem rápida e discreta, sem carruagens ou muitos guardas, somente sendo escoltada por dois guardas, também estavam a cavalo. O território Senju, infelizmente era próximo dos Otsutsuki, e depois de uma longa viagem finalmente estava chegando em casa. Mas, logo que chegou a cidade ela já notou que algo estava diferente. As ruas não estavam cheias como de costume, os comerciantes não gritavam a plenos pulmões sobre as promoções e as crianças não estavam rindo nem brincando. A espinha de Sakura se arrepiou.

Quando chegou aos portões de sua casa viu onde estavam os habitantes da cidade, cercando a casa dos Senju. As pessoas se acumulavam nos porões tentando ver o que acontecia lá dentro.

— Abram caminha. – Gritou um dos guardas.

Os habitantes assim que olharam para a moça de cabelos rosa estreitaram os olhos, como um pequeno alerta. Ela desceu do cavalo e se aproximou de um dos moradores.

— O que houve? – Perguntou angustiada.

— Guardas imperiais entraram na casa senhorita. – Disse fazendo uma reverencia.

— Droga! O que eles querem? – Já ia se retirar para entrar na casa, quando o morador a segurou.

— Por favor, senhorita, eles já devem estar saindo. – Pediu.

Sakura entendia aquele pedido. “Se quiser ter uma vida feliz e saudável vá morar no território Senju.” Era uma lenda recente que corria pelo país, a família sempre ajudou seus moradores, com tudo que podiam, então eles não podiam arriscar perder a herdeira da família, caso algo muito ruim acontecesse lá dentro. Assim que viram com guardas imperiais saindo da grande casa a médica sentiu um puxão, e logo começo a ser engolida pela multidão. Os moradores se colocavam na frente dela, e o senhor, que antes conversava com ela, segurava as rédeas do seu cavalo. Ela se sentia feliz com aquela atitude, mas estava preocupada com sua mestra.

Sakura observou que os guardas Senju também estavam sendo protegidos pela multidão, quando viu os guardas imperiais passarem.

— Abaixe a cabeça. – Sussurou uma mulher em sua nuca.

A moça o fez, mas, mesmo com a cabeça baixa ela pode ver os guardas imperiais passando, com seus olhos mortos e sujos de... sangue. Todos perderam a respiração, e a médica foi segurada para não sair correndo em direção a casa. Só a soltaram quando os guardas imperiais estavam longe o suficiente. Correu para dentro, já ofegante de medo pelo que pode ter acontecido, não se preocupou em quase arrancar as portas para entrar, e quando fez isso o cheiro de sangue se tornou muito forte.

No chão Sakura viu as pegadas deixadas pelos guardas e as seguiu, correu e correu até chegar na parte de trás da sua casa, onde ficava o laboratório e a sala de treinamento para novos médicos. Quando entrou lá viu o massacre. Os médicos e enfermeiros que estavam sendo treinados, mortos no chão, que antes era branco, agora estava vermelho. Sakura teve que se lembrar de respirar, suanva frio, com o coração acelerado.

“Um ataque de pânico” – Mas ela não queria se acalmar.

No meio daqueles corpos viu uma mulher de cabelos loiros compridos, ela fazia uma massagem cardíaca em uma pessoa que já não tinha chance nenhuma de estar viva. Tsunade estava coberta de sangue, com lágrimas secas em seu rosto.

— Mestra. – A rosada se aproximou. – Mestra Tsunade. – Se abaixou e colocou as mãos por cima da loira.

Tsunade levou um susto, mas logo que olhou para Sakura um sentimento de felicidade e tristeza a atingiu.

— Minha criança. – A abraçou, com uma força que a mais nova nunca tinha sentido chorando novamente

E era assim que uma Guerra havia se iniciado.

Notas finais
Tenho uma leve impressão que nesse capítulo eu joguei a bomba e sai correndo... Bom o que estão achando da história? Teorias? Sugestões? Ficarei feliz em saber