Assim diz a Lenda

3 Apertos de mãos e Irmãos


Notas iniciais
Espero que estejam gostando!! E espero que gostem deste cap. Boa leitura!!

A lenda diz:

Um convidado deve ser sempre muito bem recebido, seja ele seu amigo ou inimigo, pobre ou rico, se não, sua casa e sua família irão sofreram com infortúnios.

Kushina e Minato recebiam as encomendas de comidas e bebidas para a festa. Faziam o inventário de tudo que chegava em suas portas, nos fundos da casa. Alguns itens iam para a cozinha, outras para a adega, umas para o salão. O casal estava concentrado, coordenando o que cada funcionário devia fazer, eles tinha que terminar rápido essa organização, pois os convidados logo chegariam. Kushina, estava de costas, na parte de fora da casa, verificando a quantidade de alimentos que tinham chego, quando sentiu algo tocar suas costas, virou rapidamente por conta do susto.

— Desculpe atrapalhar – Uma voz baixa e melodiosa disse. – São Sr. e Sra. Namikaze Uzumaki?

— Sim. – Kushina respondeu confusa, vendo o sua frente um casal, a moça segurava firmemente os braços do homem ao seu lado.

— São a dupla que eu contratei. – Minato falou se aproximando olhando para a esposa. – Lembra querida? Zabuza Momochi adorou a performance deles.

Quando o loiro finalmente olhou para a dupla se surpreendeu, e entendeu o choque da esposa. A mulher carregava um riqq* em uma das mãos, e tinha uma sacola de couro em suas costas, já o homem, que carregava uma sacola ainda maior, que tinha um derbak* amarrado, ambos com vendas brancas amarradas nos olhos.

—Desculpa, não sabíamos que eram... assim...– Kushina não soube terminar.

— Cegos? – Dessa vez foi o homem que disse, sua voz era grave e serena. – Não há problema em dizer, isso não nos limita em nada.

— Garantimos uma apresentação magnifica para sua família e seus convidados. – Disse a mulher com uma leve reverencia. – Desculpem a indelicadeza... Mas a viagem foi longa e queremos estar descansados para a festa, onde podemos nos instalar?

— Ah! Sim! Irei arranjar alguém para leva-los ao quarto. – A ruiva saiu em busca de uma empregada.

— Como podemos chama-los? – Minato se dirigiu a eles com um sorriso social.

— Nos chame de Irmãos Cegos. – O loiro estranhou, então o homem continuou. – Não escolhemos esse nome, simplesmente começaram a nos chamar assim, e não nos importamos. Não há com que se preocupar.

— Bom... Haverá uma recepção mais tarde para os convidados, também podem participar se assim desejarem.

— É muita gentileza Sr. Namikaze Uzumaki. – Disse a mulher levemente corada.

— Não queremos incomodar, só viemos fazer nosso trabalho. Obrigado, mas teremos que recusar o convite. – Disse o homem agradecendo e se desculpando com uma reverência.

— Bem, o convite se estende até o final da recepção. Não há porque vocês nos incomodarem. – O mais velho sabia que insistir não era a melhor coisa a se fazer.

Em seguida uma das empregadas apareceu, interrompendo a conversa, ela seria a responsável por levar a dupla para seus quartos. Minato e Kushina os viram se distanciando.

— Vamos terminar logo com isso. – A ruiva respirou fundo, cansada. – Ainda temos que organizar muitas coisas.

Mas não deu tempo nem dos dois voltarem a fazer o inventário. Ouviram logo um furação loiro se aproximando

— Muito sagaz da parte de vocês! – Naruto se aproximou deles. – Não era mais fácil ter me dito o que planejavam do que me fazer reescrever acordos e contratos que a tinta ainda estava secando!?

— Meu filho, unimos o útil ao agradável. – Kushina riu da cara brava do mais novo. – Precisávamos te dar uma punição e precisávamos te atualizar de como estavam nossos contatos.

— Fico feliz que tenha entendi nossas intenções filho. – Minato falou.

— Ficamos! Que bom que Naruto tenha a sagacidade de um Namikaze, um Uzumaki, mesmo que tivesse entendido o porquê fizemos isso, teria ido atrás da pessoa que redigiu um contrato tão mal, cheio de defeitos e frases incoerentes.

A mulher acariciava os cabelos do filho, ela particularmente, amava os cabelos loiros dele e do marido, apesar de arrepiados eram macios como a cauda de uma raposa.

— Temos que terminar esse inventário, logo os convidados chegam, e tudo tem que estar arrumado para a família imperial. Meu filho nos ajude sim.

Naruto concordou e começou massagear suas mãos enquanto ajudava os pais a se organizarem, estavam tão entretidos no que faziam que não perceberam as horas se passando e, quando se deram conta, uma das comitivas já estava em sua porta da frente. Os Uzumaki rapidamente foram para a sala de visitas, um espaço grande, feito para conversar e claro, para receber as visitas. Tinha o teto abobadado e os azulejos coloridos formavam desenhos simétricos e rebuscados, as “janelas” eram aberturas nas paredes, sem vidros, eram marcadas pelo desenho de flores em volta delas. No centro uma grande mesa de madeira escura com comidas pequenas, fáceis para se pegar na mão e comer, e bebidas para todos os gostos.

Quem chegava na residência Uzumaki eram os Uchiha, não era surpresa eles serem os primeiros a chegar, eram do território vizinho, seus cabelos e olhos negros, características da família, os faziam exalar certo ar de intimidação. O casal entrou na frente, logo depois de ser anunciado, o Sr. Uchiha com o rosto severo e a esposa com o sorriso amável cumprimentaram os anfitriões em seguida de um aperto de mãos. Sasuke, o filho mais novo, que estava logo atrás, fez o mesmo.

— Sejam bem-vindos a nossa residência. – Kushina mostrou um sorriso. – Por favor, fiquem a vontade, logo poderão seguir para seus quartos.

Era um costume esperar todos as famílias convidadas chegarem para assim poderem todos irem para os quartos, eles se aproveitariam desse costume.

— Não há problema. – Respondeu Fugaku Uchiha. – Temos muito do que tratar.

Os mais velhos se aproximaram da mesa de comidas, seguidos dos filhos.

— E ai? – Sasuke começou a puxar assunto. – Ainda agindo como criança?

— E você? Ainda agindo como um sabichão? – Naruto o cortou, bufando.

— Sabe que sim. – Respondeu irônico.

— Sai do meu castigo a poucas horas atrás. – Naruto falou amargo.

Sasuke gargalhou alto, tão alto que teve que pedir desculpas aos seus pais e aos pais do amigo, mas não podia evitar, mesmo com rosto maduro, voz grossa e barba, o loiro continuava tendo que ser repreendido e educado pelos pais.

— Sabe que não esquecerei desse fato tão facilmente. – O Uchiha mais novo tinha conseguido conter as gargalhadas.

— Porque ainda conto as coisas para você? – Bufou novamente.

— Porque somos irmãos, e você, mais do que ninguém, já devia saber disso. – Finalizou pegando um damasco da mesa.

Sim, os dois eram irmãos, Naruto tinha prometido ser o irmão de Sasuke desde... bem, desde muito cedo, antes mesmo do termino da guerra, quando a família perdeu seu herdeiro, Itachi Uchiha, em um última investida contra os Otsutsuki.

— Pelo menos descobri coisas interessantes enquanto cumpria com minha punição. – Naruto empinou o nariz, um riso escapou pelos lábios do moreno novamente.

— Que tipo de punição foi essa para deixar um cabeça oca inteligente? Passar um mês na biblioteca?

— Passar QUASE um mês na biblioteca. – Cantou vantagem. – Reescrevendo os contratos e acordos dos Uzumaki dos últimos vinte anos.

— Que tortura. – Sasuke pegava outro damasco. – Mas então, o que descobriu?

— Falarei de tudo quando os outros chegarem, acho que terá uma surpresa de quem estará presente. – Naruto sorriu de canto para o amigo que não entendeu.

Os dois, com algumas comidas nas mãos, conversavam apoiados em uma das pilastras da sala, enquanto o tempo passava. Quando a chegada de outra família foi anunciada. Não era comum os Nara chegaram cedo em qualquer evento, mas lá estavam eles. Shikaku Nara estava com uma leve cara de tédio quando entrou, diferente do filho, Shikamaru estava com uma grande cara de tédio, enquanto Yoshino disfarçava com um sorriso, a vontade bater nos dois. Novamente todos se cumprimentaram. E os três herdeiros trocavam olhares.

O Nara mais novo também tinha seus olhos e cabelos negros, que sempre eram amarrados firmemente a cima de sua cabeça, mas o ar que ele exalava era diferente dos Uchiha, Naruto não sabia dizer exatamente o que era, preguiça, talvez fosse a palavra que melhor definisse.

— Perdi algo? – Estranhou os olhares.

— O Uzumaki está tramando algo.

— Isso é... Inusitado? – Shikamaru fechou os olhos como se pudesse dormir em pé.

— Podem parar. – Naruto olhava para porta, ansioso.

— Ele está escondendo algo de nós. – Sasuke cochichou para o Nara.

— Não há nada que esconder, somente uma surpresa.

Foram interrompidos por outro anuncio, dessa vez era a chegada dos Yamanaka, Inoichi entrava no salão ao lado da filha, que já estava animada com a festa, Ino. A herdeira Yamanaka exalava felicidade, os olhos azuis tão claros quanto céu, ajudavam nisso e seus os cabelos loiros, mais compridos que qualquer pessoa que Naruto conhecera, estavam sempre amarrados. Ela adorava festas, das roupas que podia usar e ver, e das conversas que podia ter, essa era uma das poucas oportunidades que tinha para se divertir. Cumprimentou rapidamente os mais velhos e logo correu em direção dos rapazes.

— Souberam da novidade? – Perguntou animada.

— Que seria? – Shikamaru respondeu entediado.

— Sakura irá participar da festa esse ano. – Sasuke quase cuspiu a comida que estava em sua boca.

— Ino! – Naruto a repreendeu fazendo beicinho. – Eu queria contar isso...

— Porque não me disse antes!? – O Uchiha começou a ajeitar os cabelos e as roupas.

— Queria ver sua cara de desespero assim que ela chegasse. – Naruto conteve o riso.

Sakura Haruno Senju, filha adotiva de Tsunade Senju, teve o sua família, os Haruno, mortos graças a uma doença. Ela se tornou uma das médicas mais jovens do País do Fogo, que normalmente não comparecia a essas festas, na verdade, não comparecia as festas que a família imperial estivesse já que os próprios Otsutsuki não faziam questão de convidar qualquer um que fizesse parte dos Senju. Eles eram os antigos monarcas, e convida-los era uma afronta, os Uzumaki poderiam facilmente insultar os atuais imperadores com a presença de Sakura.

— O que dirão pra o Imperador? – Shikamaru olhou preocupado para o loiro.

— Algumas pessoas da nossa guarda foram infectadas com uma doença, que se espalhou rápido, Sakura foi uma das médicas que nos ajudou a identificar a doença e a cura-la.

— Qual era a doença? – Ino perguntou curiosa.

— Diarreia bacteriana. Os idiotas estavam bebendo água de um poço que ficava perto do esgoto. – A loira fez cara de nojo. – Meus pais falarão que convidamos Sakura para essa festa como agradecimento pelos serviços prestados.

— É convincente. – Shikamaru concluiu.

— Como estou? – Sasuke perguntou depois de terminar sua pequena arrumação.

— Igual á cinco minutos atrás. – Naruto respondeu irônico.

— Estou ansiosa para vê-la, faz o que? Cinco anos desde a última vez. – Ino falou nostálgica.

— Bom já que uma das minhas surpresas foi contada, acho que não terá importância contar as outras coisas que descobri em meu castigo.

— Castigo!?

— Longa história. O que importa é que além de Sakura teremos a presença da família Mitsashi, eles podem não ser de muito destaque e terem poucas terras, mas são fabricadores de armas, e posso dizer que são armas de qualidade, tenho uma guandao* feito por eles. Estão dispostos a nos armar quando for a hora.

— Interessante, vai ser divertido. – Sasuke já pensava nas armas que poderia utilizar.

— E a outra é que os No Sabaku também estarão nessa festa. Eles são os principais comerciantes do País da Areia, e pelo que sei, eles tem interesse em formar alianças aqui para facilitar o comercio com nosso país, agora que tipo de aliança querem formar e com qual família, isso não foi deixado claro.

Conversas vão e vem, e mais convidados aparecem: Os Inuzuka, os Aburame, os Mitsashi, os Akimichi, os No Sabaku, Sakura Senju e outras famílias. Todos já haviam se espalhado, e estavam conversando, faltava apenas a presença da família imperial, enquanto não chegava, os nobres aproveitavam para conversar, quase livremente, pois ainda existia o medo, de que, nem todos ali estavam por dentro da conspiração. Então ainda era necessário cuidado de quem falavam, com quem falavam.

Naruto e Sasuke estavam em um canto do salão, o loiro olhava para todos, prestando atenção no que acontecia ao seu redor, com quem era necessário falar e quando. Já havia confirmado com Kiba Inuzuka, família proprietária da maior quantidade de terras e pecuaristas, o fornecimento de couro para trajes de combate. Shino Aburame havia dito que um dos seus insetos tinha conseguido chegar a capital, mas não tinha conseguido entra na casa da família imperial, Naruto não entendia bem o que aquilo significava, mas Shikamaru estava conversando com ele agora. Choji Akimichi disse que alguns dos seus haviam se oferecido para entrar no exercito dos Uchiha.

Falando neles, o loiro olhou para o lado, Sasuke bufava a cada minuto. Havia cinco anos que ele e Sakura não se viam, a troca de olhares indiscretos além dos sorrisos velados eram suficientes para Naruto perceber que a química entre os dois continuava forte. E, para o Uchiha mais novo, a Senju só tinha ficado mais bonita, seus cabelos rosa e curtos se destacavam da multidão, era uma linda flor no meio de tantas folhas, ele estava sedento para toca-la e encarar os olhos verdes intensos. Mesmo depois de cinco anos ele ainda podia sentir o aroma de cereja vindo dela, e depois de tanto tempo separados se perguntava se o gosto dos lábios dela continuava o mesmo.

— Porque não vai conversar com ela? – Naruto o tirou de seus pensamentos.

— Ela está ocupada. – O moreno virou a cabeça, Sakura e Ino conversavam animadamente.

— Depois eu que sou a criança. – Riu sozinho e Sasuke fez uma cara emburrada. – Tudo bem, você que pediu por isso.

Naruto puxou o amigo em direção as moças, e não o largou, mesmo ouvindo os xingamentos que ele soltava. Assim que se aproximou sorriu para as amigas.

— Sakura! – Falou acenando. – Mal saiu de nossas terras já teve que voltar.

— É uma ocasião especial, afinal, parece que muitos estão animados pela reunião, Ino já me atualizou sobre os assuntos importantes. – Deu uma piscadela.

— Que bom. – Empurrou Sasuke para ficar perto dela e se virou para a loira. – Ino, posso falar com você um pouco?

Naruto não deu espaços para protestos logo se afastando caminhando pelo salão com a Yamanaka. Deixando os dois sozinhos sem mais nem menos.

— Bancando o cupido Uzumaki? Que coração bom. – Olhava para trás rindo dos rostos corados e dos grandes sorrisos.

— Depois dessa ou Sasuke vai querer me matar ou me colocar em um altar.

—Ele irá querer te matar de qualquer jeito. – Deu um pequeno riso, imaginando a situação. – Então, só me tirou de lá para deixar os pombinhos a sós?

— Não. – Parou de andar e olhou para a loira. – Está vendo aquela moça? – Na ponta da mesa uma mulher, com os cabelos castanhos amarrados em dois coques, estava petiscando algumas comidas, e vendo qual seria a próxima que iria provar. – Aquela é Tenten Mitsashi, assim que os dois trocarem pelo menos uma dúzia de palavras você pode apresentar o Sasuke para ela? Preciso que os dois tenham contato.

Ino entendeu o que seu amigo queria, afirmou positivamente com a cabeça e foi até a Mitsashi. Naruto logo voltou a andar pelo salão, ele estava feliz que as coisas, até agora corriam bem, precisava se apresar em fazer os contatos com as pessoas certas, antes que a família imperial chegasse. Ele sabia que era questão de tempo até que isso acontecesse, mas logo teve sua caminhada interrompida com uma figura ruiva de olhos verde água.

— Gaara no Sabaku. – Se apresentou. – Deve ser o Uzumaki mais novo.

Olhou de cima a baixo, Naruto fez o mesmo. Ambos fizeram uma reverência em seguida de um aperto de mãos.

— Pode me chamar de Naruto, como foi a viagem?

— Foi boa. O que me surpreendeu foi o que vi ao chegar ao seu país. – Naruto recuou um pouco a cabeça, tentando entender. – Nunca vi um povo tão triste, queria saber, se estou certo ou é somente uma má impressão que tive do seu país.

O loiro parou para pensar um pouco. Estava tão nítido assim a insatisfação do povo para com seus governantes? O problema era que o Imperador só os via como trabalhadores, insetos que ele podia usar a abusar a sua vontade. Mas os Otsutsuki também não eram burros, sabiam que uma população insatisfeita podia gerar revoltas e até mesmo outra guerra civil. Sem querer correr esse risco, o Imperador resolveu que a forma mais fácil de alienar seu povo era com o “pão e circo”.

A família Otsutsuki, por de baixo dos panos, financiava prostíbulos, casas de jogos de azar e lutas – de animais e humanos. –, sem falar no aumento da venda de ópio e fumo, por causa da pouca taxa de imposto nesses produtos. E forneciam de dinheiro, muito pouco dinheiro, para as pessoas mais necessitadas. Eles não queriam diminuir a miséria do país, só mantê-la, assim mantendo a população controlada. Também era uma das coisas que preocupavam as famílias nobres, pouco eles podiam fazer, sem a aprovação da família imperial.

Naruto se lembrou de Might Guy que propôs a construção de escolas por todo o país, oferecendo educação para quem quisesse. Ele e seu herdeiro, Rock Lee, foram convocados para a capital. Diziam que os Otsutsuki mantinham uma prisão, campo de concentração e laboratório de experimentos no subterrâneo, as pessoas que eram contra o seu governo eram levadas pra lá. Naruto não sabia dizer se isso era verdade, mas até hoje, todos que pisavam na capital nunca voltavam, então ele acreditava.

— Sinto muito que essa foi a primeira impressão de nós, os nobres e o Imperador fazemos o possível para amenizar o sofrimento do povo.

Naruto deu um sorriso social, que saiu falso, sem querer, pois disse a primeira coisa que veio em sua mente. E Gaara era observador, sabia que algo em sua fala era mentira, ele precisava saber o que estava acontecendo, pois tudo que haviam dito para ele sobre o País do Fogo parecia estar se tornando inverdade, afinal estavam ali para fazer um acordo e firmar laços definitivos. A Questão era, com qual família firmaria os laços? O ruivo nada mais disse, se despediu de Naruto e voltou para os irmãos.

Kankuro tinha cabelos castanhos e olhos negros, o mais velho dos irmãos tinha cara de mal humorado, a verdade é que ele se divertia construindo marionetes e fazendo apresentações delas para as crianças da vila. Temari, a irmã do meio tinha cabelos loiros escuros e olhos verdes, uma mulher determinada, os homens queriam tê-la por causa dessa determinação, mas por esse mesmo motivo tinham medo dela.

— Descobriu algo interessante? – Temari perguntou.

— O filho dos Uzumaki é um péssimo mentiroso, mas parece ser alguém legal. Porém eu que te pergunto irmã, você que será obrigada a se casar, papai ainda te deu a chance de escolher. Devia estar fazendo amizades, e perguntar quem é o melhor pretendente. – A loira suspirou.

— Está bem, vamos acabar logo com isso. – Temari andou para um pouco mais na frente, fechou os olhos com uma das mãos e com a outra levantou somente o dedo indicador, apontando para o nada. – Me giram. – Pediu para os irmãos.

E eles giraram, uma, duas, três voltas, até que pararam e a loira tirou as mãos dos olhos.

— Será aquele. – Ela concluiu apontando para o jovem de cabelos negros bem amarrados no topo da cabeça.

— Ótimos critérios. – Kankuro debochou.

— Porque não vai conversar com ele irmã? Antes de tomar a decisão final?

— Pra mim tanto faz, irei matar meu futuro marido de qualquer forma, seja eu que tenha escolhido seja papai. Os únicos homens que eu amo são meus irmãos.

— E papai? – Perguntou Gaara com um sorriso

— Depois eu penso no caso dele. – Disse Temari, também com um sorriso.

O pai dos irmãos, Rasa, havia voltado para os filhos, naquele momento e olhou para Temari.

— Já fez sua escolha? – Perguntou severo.

— Pra que quer saber? – Respondeu grossa.

— Então irei decidir. – Ele pensou um pouco olhando para os convidados. – Será com o filho dos Nara, uma família de pessoas inteligentes. Eles nos ajudarão nos negócios aqui e estão desesperados para casar logo o filho. O tratado será rápido.

Rasa no Sabaku, era um homem sem coração na opinião dos filhos, desde a morte da esposa ele não demonstrava nenhum afeto. Mas os irmãos não conseguiam de deixar de ama-lo ou de, pelo menos, respeita-lo, afinal, foi aquele homem que os criou. E agora, em menos de quinze minutos Rasa e Shikaku conversavam animados com a aliança. Seus filhos ouviam a conversa, Temari se sentiam sendo vendida, e Shikamaru parecia não ligar para a situação ambos não haviam se encarado até agora.

— Filho, por que não leva Temari para um passeio? Conte sobre nosso país.

Bufando o Nara mais novo concordou e estendeu o braço para a loira, que o ignorou e saiu na frente, e assim caminharam para fora do salão. Andavam em silencio pelo jardim Uzumaki quando finalmente, meio incomodado, o moreno começou a falar.

— Por que apontou para mim?

— Como? – Retrucou confusa, virando um pouco para trás, ficando de perfil, mas Shikamaru ainda não podia ver seu rosto.

— Por que apontou para mim? Você estava com os olhos tapados e apontou para mim. – Ela ergueu as sobrancelhas compreendendo.

— Estava escolhendo um marido. – Respondeu simples.

— E é assim que escolhe?

— Não me importo muito quem seja escolhido, nunca deixarei colocar as mãos em mim.

Ela finalmente virou o encarando e agora o Nara conseguia observa-la de verdade, cabelos pareciam areia queimada pelo Sol e a boca, apesar de pequena, abrigava uma língua afiada, sem falar nos olhos que tinham um brilho selvagem, ele havia gostado daqueles olhos determinados.

“Um espírito livre. Será que ela também desejava ser uma nuvem?” – O rapaz refletiu.

—Então porque não recusou o casamento? – Perguntou curioso.

— Porque você não recusou? Seu pai parece ouvir você. – Ela devolveu.

— Não me importo. – Disse simples. – Meu objetivo para com o futuro da família é diferente, meus pais se preocupam com uma coisa que eu não.

— E essa coisa seria...? – Ela não queria parecer curiosa.

— Eu não me importo em viver sozinho.

— Não tem medo de viver sozinho?

— Não. –Disse dando de ombros.

— Você é estranho.

Temari riu, e pela primeira vez Shikamaru não queria ser uma nuvem, queria ser um homem, para ter ouvidos e ouvir aquela risada de novo, ele se surpreendeu com isso. Os dois interromperam a conversa quando ouviram a última comitiva chegando. A família imperial entrava no salão de visitas com ar de superioridade, eles tinham aparências limpas, usavam roupas brancas, Shikamaru tinha nojo disso. O Imperador andava a frente exibindo joias lapidadas tão brilhantes quanto diamantes em seus dedos. Enquanto as pessoas no recinto abaixavam suas cabeças, Temari sentiu a tensão aumentando.

— É uma honra recebe-los Vossas Majestades Imperiais. – Falou Kushina.

— Sejam bem-vindos ao nosso lar. – Terminou Minato.

Os dois estavam com nós na garganta, e engoliram seco ao terminar as frases.

— Fico feliz que tenham nos recebido. – A voz do Imperador era calma e assustadora.

— Por favor, fiquem a vontade. – Disse Kushina.

— Claro. – Abanou a mão cheia de anéis dispensando a cortesia. – Estamos cansados, então podemos ir logo para parte que os convidados vão para seus quartos, não quero perde tempo aqui.

Com isso dito algumas pessoas começaram a se agitar, os empregados correram para atender as famílias e leva-los para os quartos. Shikamaru agradeceu mentalmente pelos Otsutsuki terem se atrasado, ele tinha conseguido falar com algumas pessoas, mas nada de muito útil havia sido contado, ele precisava saber sobre a capital e o que a família escondia lá. Sentiu um leve toque em seu braço, tinha esquecido por um momento que Temari estava do seu lado.

— Foram eles que fizeram sua riqueza em cima de olhos arrancados? – Ela sussurrou.

O Nara sentiu um arrepio passar pelo seu corpo, não pelo assunto delicado que ela se referia. Ele não pode deixa de sentir seu perfume cítrico, do toque delicado que recebeu e do ar quente que saia da boca dela ao falar tão próxima do seu ouvido. E pela segunda vez ele não queria ser uma nuvem.