Era meu primeiro dia de aula (tão clichê isso) e estava quase sem nenhuma expectativa, a escola era praticamente ao lado da minha casa, o que me desanimava muito de ir.

O que mudou minha decisão sobre isso foi que novas coisas me aguardavam, o que eu poderia encontrar a partir de agora?

Como uma preguiça levantando de seu habitat eu segui lentamente para a escola e entrei na sala de aula com a mesma postura, mesmo estando atrasado eu entrei na sala mesmo assim. Todos me olharam com um teor ignorante. Eu já esperava este tipo de impressão, todos esses anos na escola, sempre foram os mesmos entediantes. Nada poderia mudar agora, certo?

Errado, de todos que estavam me olhando com ignorância, apenas uma estava nem aí para mim, um olhar rápido, ela fingia que não estava olhando para mim, mas realmente ela estava. Eu também a ignorei, o professor mandou eu sentar e perguntou meu nome.

– Qual seu nome, filho?

– É Taylor.

– Então Taylor, atrasado não parece uma boa impressão. -Disse o professor seriamente. -Então sente-se, por favor.

Eu não falei nada, apenas sentei, não é que eu sou preguiço, que eu não goste de estudar. Estudar para mim é uma maneira fácil e objetiva de aumentar sua capacidade cognitiva e abrir sua mente para novos mundo, assim como nos livros de fantasia, você se sente o físico, o matemático, o filosofo, o biólogo, etc. Estudar para mim, era uma das poucas coisas que eu realmente gostava de fazer. E com certeza não era o único que gostava disto.

No intervalo, eu peguei meu prato de refeição, peguei os aperitivos que mais apreciava e sentei numa mesa, solitário como sempre. Eu estava lá, degustando da refeição tranquilamente e sozinho. Até que uma garota chega do nada e fala:

– Você é aquele garoto que ganhou o prêmio de tecnologia, não é?! -Disse a garota enquanto sentava na mesma mesa que eu.

– Sim, como sabe disso? Isso foi bem longe daqui.

– Tecnologia é minha especialidade, e um drone voador controlado via celular, não é para qualquer um. Essa tecnologia é muito interessante.

– Fico feliz que tenha gostado. Você também gosta de robótica ou só aprecia?

– Eu também trabalho nisso. Alias, eu estou trabalhando num novo protótipo agora.

– Sério!

Minha expressão de fascinação era explicita. Eu estava impressionado de encontrar alguém que tenha o mesmo interesse que o meu, e mais ainda pelo fato dessa pessoa ser uma garota.

– Sim é claro. Se quiser, eu posso de mostrar mais tarde.

– Seria um prazer.

– Pode me encontrar no final da aula? –Perguntou ela com um tom emotivo.

– É claro.

Quando eu dei minha resposta positiva, ela se foi. Com um sorriso no rosto.

Eu estava curioso no que me aguardava. Aquela garota era interessante, talvez um atraso na hora de chegar em casa, não seja nenhum problema, eu pensei. Acabando a aula, eu saí da escola. Naquele devido momento, eu senti um sentimento nostálgico que sempre me vinha. Por algum motivo, eu criava emoções e sensações de acordo com o tempo e o local onde eu vivi, me apegando a eles. Nem sempre isso, acontece, e quando este tempo que eu me apagava fosse embora. Eu não seria feliz tão cedo. Eu evitava mudar, mas mudava para conhecer coisas novas. Porém a única coisa que eu menos queria era mudar de escola. Seria obvio que eu seria infeliz com a nova, porém. Até naquele momento não. Eu me sentia apegado a tudo que estava ocorrendo ao meu redor, me sentia diferente e pressentia algo que iria mudar minha vida.

Eu nunca tinha tido essa sensação antes e quando eu a sinto, aparece uma desconhecida querendo falar comigo. Eu penso, logo existo.

Na saída da escola eu estava procurando a garota, como sempre, nenhum sinal dela. Desci a pequena escadaria que ficava em frente à minha escola. Atravessei a rua e nenhum sinal dela.

Quando eu estava meio desorientado e distraído. Eis que surge ela, do nada, falando comigo. Como se já me conhece.

–Então. Você é novo aqui? –Disse a garota, enquanto encostava no meu ombro.

–Ah?! De onde você veio?

–Eu sempre estive aqui. –Brincou ela. –E aproposito. Meu nome é Eliza.

Eliza era o nome dela, enfatizando suas características. Eliza era bem magra e baixa, tinha como principal característica uma jaqueta com um capuz que quando posto, tapava bem o seu rosto, juntando com uma jeans até a coxa. Seu estilo era bem chamativo. E por isso, eu achava ela diferente... Assim como eu.

Dispenso apresentações. Creio que sabe o meu nome.

–Como não poderia saber, você é o cara mais sério e esquisito que eu já vi. – Disse Eliza, enquanto caminhávamos.

–Você não é muito diferente. O que me faz pensar que não é de Chicago também.

–Eu sou de um lugar distante.

–Então. Eu gostaria de saber, o que uma garota como você estaria interessado em mim... er... Quer dizer... Em meus atributos?

–É nisso que iremos tratar está noite. –Sugeriu Eliza. Me encontre no Empty Bottle, nesta noite. Você irá saber o que eu acho interessante em você.

Ela sempre falava de uma forma sedutora e convincente. Por ter esses atributos, eu não resisti e aceitei a proposta.

Sim. Mas eu sou novo aqui. Não sei onde fica esse lugar.

–1035 N Western Ave. Tenho um certo alguém para lhe apresentar.

Ao dizer o veredito final de nossa conversa. Eliza foi distanciando de mim, até desaparecer de forma impressionante na multidão. Nesse momento, eu tive a certeza, ela não era uma garota comum. Quando ela se foi, eu percebi que ela tinha colocado algo no bolso de minha jaqueta. Era um papel. Imediatamente eu o abri e tinha uma mensagem: Irmandade!

Abaixo da palavra tinha um símbolo, parecia um compasso com ambas as pontas largas e conectadas com a outra, no centro tinha outro símbolo esquisito.

Fui para casa sem palavras, minha postura tênue releva o quão animado eu estava. Eu adorava mistérios.

Quando eu adquiri idade o suficiente para me virar. Eu comecei a ficar sozinho em casa frequentemente, e aquele dia era esse dia. O dia perfeito pra invadir sites.

Aproveitando a estadia a só. Naquela época, eu usava o hacking para tentar achar informações sobre meu irmão. Aos 14 anos, eu comecei a ficar meio famoso na internet. Virava noites invadindo sistemas de lojas, aeroportos, etc. Na procura de meu irmão. Mesmo nunca o conhecendo e ao menos nunca ter o visto, eu me sentia próximo dele, isso me instigava mais ainda em sua procura.

Naquele mesmo dia em que eu conheci Eliza. Algo estranho aconteceu, algo incomum. Alguém tinha invadido meu computador, eu me impressionei, eu sempre me camuflava e redirecionava vários IPs para me esconder mais ainda. No início eu pensei que tinha invadido para roubar algo, mas era o inverso. Uma mensagem criptografada foi deixada. Eu tirei seu script, deixando visível a mensagem:

Você não é o único, nem o primeiro, mas o último. Sua vida insensata de tantas buscas irá terminar por aqui. Hoje você conheceu minha subordinada, essa noite venha conhecer o Mestre...”

Entusiasmado, eu senti um tom desafiante naquela mensagem. “Mestre”, ele tinha mais habilidades do que eu e isso me deu uma vontade conhece-lo e sabia onde encontra-lo.