Ashes for ashes
5 Filosofia da viagem no tempo - Introdução
Notas iniciais
Quando minha mãe me contava sobre sua vida antes de meu nascimento eram sempre narrações vagas e eu mesmo em minha infância fui capaz de notar seu desconforto em contar seus princípio.
Eu sou filha de Amara, aquela que por muito tempo foi chamada de primeira bruxa do novo mundo, hoje sobre ela só existem minhas lembranças e por isso fiz o máximo para que minhas irmãs soubessem como nossa mãe foi.
Mesmo assim eu fui perdendo o controle da narrativa e de acordo com as gerações de novas feiticeiras que foram surgindo, a história de minha mãe foi de uma tragédia humana até uma odisseia divina. Isso me incomoda por não ser a verdade, minha mãe errou muito nessa vida e sua redenção veio no momento que ela conheceu o homem que ela se referiu como meu pai, alguém tão benevolente que foi capaz de sacrificar parte de sua alma para que ela tivesse uma chance de fugir.
Eu nunca o conheci, a única coisa que sei é seu nome: Gael.
Depois de muito ponderar sobre o assunto decidi usar de um conhecimento que foi perdido no velho mundo, esse que foi usado para forjar o futuro e nunca conseguiu um resultado real: A viagem no tempo.
O que se sabe dessa arte:
1: Se trata de um ritual antigo de bruxaria que exige uma determinação incondicional, um objetivo claro e um sacrifício de mesma valia.
2: Aparentemente ninguém que conseguiu realizar tal feito foi feliz com o resultado.
3: Ninguém foi capaz de executar o feitiço uma segunda vez.
Minha mente viaja entre as possibilidades de voltar em momentos chaves de nossa história, quem sabe ajudar minha mãe na sua infância para que seu arrependimento nunca aconteça, talvez no início dos tempos para ver o mundo em sua gênese e o que me fascina mais que tudo: Ver pessoalmente a história de Amara e Gael.
Eu e minhas filhas decidimos que seria nosso objetivo realizar tal feito para que nossa história um tanto nebulosa possa ser mostrada aos 4 ventos, minha mãe não era essa deusa incorruptível e sim uma mulher que fundou nossa corrente de conhecimento.
Certamente vão ter pessoas interessadas em fazer fortunas e reinos em cima desse trabalho, por isso conto com você, jovem bruxa que possui esse retrato de minha memória: Existem coisas que não devem ser usadas por quem não tem escrúpulos, esse conhecimento é uma dessas coisas e espero que use esses fragmentos com sabedoria.
Ana, filha de Amara.
A bruxa curiosa.
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