Ashes for ashes

7 Alonne - Motivação


Notas iniciais
A partir de agora os capítulos virão com o nome do protagonista no título para facilitar e saber de quem é o ponto de vista do capítulo.

1 MÊS ANTES DO ENCONTRO NO PORTO.

Eu novamente estava cara a cara com meu lorde, ele com sua armadura imponente e eu com minha couraça de treinamento.

Dessa vez ele me chamou sozinho no final da tarde e me deixou esperando no lado de fora até escurecer deixando nosso encontro iluminado por fracas velas e o luar.

— Jovem alonne, creio que seu espírito se acalmou desde nosso encontro.

— me perdoe por aquilo, mas não mudei de ideia.

Ele se levantou e senti que deveria também. Fomos até a janela que apontava para o norte, naquela direção a floresta densa mau deixou brecha para olhar a diante.

— Você trouxe argumentos?

Nas últimas semanas me dediquei a estudar as bruxas e tentei entender o que elas tinham de tão especial para serem perdoadas, mas o resultado não me deixou satisfeito.

— Eu estudei muito sobre elas, como se comportam e a história até aqui. Já houveram 3 grandes caça as bruxas e a quarta ainda está em andamento, se isso se repetiu tantas vezes por que mantê-las? Nossos irmãos perdem suas vidas e nossas damas são tomadas para rituais, eu simplesmente não consigo entendê-lo quando diz que elas são necessárias.

— Vou parabenizá-lo por se aprofundar no assunto.

— Obrigado.

Ele foi em direção a uma sala na direita, fiquei na Janela olhando o ambiente e de lá fui capaz de notar o pátio de treinamento que os mais jovens frequentavam aos montes durante o dia era tomado por veteranos com treinos mais agressivos e uma movimentação formidável.

As damas de ferro estavam em outro setor fazendo tarefas variadas: As mais velhas estavam próximas ao fogo sentadas com algumas crianças ao redor contando histórias, outras faziam treino de combate e me impressionava por se movimentarem tão bem com tanta roupa, as outras estavam sentadas ao redor esperando ou meditando.

Inconscientemente eu comecei a procurar rostos conhecidos, eu identificava as pessoas pela função: O alonne que estava lutando usando um martelo era o armeiro, ele cuidava do arsenal. A dama que estava sentada era a cozinheira e a que estava com as crianças mais novas era a mãe.

E minha dama de ferro, lembrava do jeito que ela falava, do calor de suas mãos e da maneira que ela orava com fervor e disciplina. O que fazia isso tudo ser ofuscado era a cor dos seus olhos: Azul como o céu, claro e suave como o amanhecer de verão.

Se eu quiser perguntar dela para alguém é só perguntar onde esta a irmã de olhos azuis.

— Suspirar não vai fazê-la vir até aqui.

Virei na mesma hora e o mestre estava lá com alguns livros na mão, não sei se me repreenderia ou deixaria para lá.

— Desculpe.

— Não precisa se desculpa menino, mas é melhor não se esquecer o porque não possuirmos nem nome.

“Dedicação máxima ao dever, laços afetivos se tornarão âncoras na pior hora e o passado vai te estrangular.”

Esse era um dos princípios que seguimos, Alonne remete a solidão, fomos tirados de nossas mães para não criar laços com ninguém além da ordem.

— Posso fazer uma pergunta, Senhor?

— Sim.

— A quanto tempo nós, os alonne, não podemos ter afeição por ninguém?

— Desde o fim da segunda caça as bruxas.

— por que?

— Esse tipo de questão é mais viável você mesmo correr atrás das respostas, mas do meu ponto de vista aquela caçada teria sido evitada caso tivéssemos esse postura na época da primeira.

Ele me deu um livro que já havia lido algumas vezes, mas nunca finalizei: O caminho da espada.

Esse é o código dos guerreiros alonne, ele conta desde os primórdios da ordem até a ultima grande caça as bruxas que acabou a 20 anos.

— Obrigado, mas por que isso?

— Você e aquela jovem dama de ferro irão averiguar a localização das ultimas bruxas rebeldes.

— Ainda não entendo.

— O que?

— Faz 2 meses que você me isolou de todas as atividades da ordem por eu não concordar com sua visão e agora simplesmente uma missão cai no meu colo? O que de fato você pretende?

Ele olhava para mim em silêncio, eu não fui grosseiro como da ultima vez, mas com certeza era uma afronta. Ele se encostou na janela e quebrou o silêncio.

— Quando eu era jovem, em um período tão distante que fica difícil de lembrar, eu fui colocado em uma situação que meu dever foi colocado a prova. Na época eu lia várias teorias e nunca pratiquei nenhuma delas até que finalmente fui colocado a prova. Esta na hora de você ser colocado a esse tipo de prova.

— Acho que entendi. Eu aceito a tarefa.

— Ótimo, vocês saem amanhã pela manhã. Não se esqueça de comunicar sua parceira ainda hoje.

Assim eu sai dessa reunião estranhamente motivado, foi estranho que consigo sentir minhas mãos emanarem energia o suficiente pra parecer calor, olhei para elas e uma energia azul escura emanavam da palma. Meu corpo estava gritando por ação e meu talento está desesperado para tocar a pele de bruxas.

No caminho do dormitório feminino fui ignorando todos, olhavam para mim como se estivesse algo errado. Chegando perto da porta dela uma mão me puxa para trás e me faz olhar na sua direção, era a mãe, de perto dava para ver as rugas indicando o avanço da idade e também davam ênfase na irritação.

— O que você pensa que faz aqui?

— O mestre me mandou avisar ainda hoje que eu e minha dama de ferro teremos uma missão amanhã.

— Pois pra mim você parece um maníaco preste a molestar alguém.

Não entendi na hora mais vi meu reflexo e um espelho que estava ali perto, uma aura azulada semelhante a que estava nas minhas mãos agora tomou meu corpo inteiro, estava ofegante e meus olhos não lembravam o que foram um dia.

Fiz todo o esforço para pensar em algo que me acalmasse, nesse breve momento senti minha motivação esfriar. Olhei de novo o reflexo e tinha voltado a minha antiga imagem e de certa forma parecia decepcionante.

— Desculpe, eu conversei com o mestre e me senti motivado demais.

— Não sei o que Sir Alonne te fez, mas se você se deixar levar pelo instinto e fizer alguma coisa com alguma das minhas meninas eu mesma vou arrancar sua cabeça e entregar à ele em uma bandeja. Entendeu?

— Sim, senhora.

— Agora vá dar seu recado e suma daqui antes que eu te expulse.

Voltei a meu objetivo e dessa vez fui me controlando para não criar outro caso desnecessário que nem esse. Na frente da porta ela já estava me esperando e provavelmente ouviu tudo.

— Eu sei que você tá sem tempo, que horas temos que nos encontrar?

— Amanhã de manhã, vamos viajar atrás de bruxas.

— Eu vou arrumar as provisões, o mestre te deu detalhes?

Nesse momento eu percebi que ele falou de quase tudo menos o alvo.

— Não, mas acho que de manhã vamos ser atualizados de tudo.

Assim eu espero.

Essa vai ser minha primeira missão sem ser acompanhado por um alonne mais velho, tenho que fazer o que puder para concluir bem, nem que para isso eu tenha que me dobrar às ideias dele por mais tortas que sejam.