Notas iniciais
Demorei, mas voltei! Desculpem pelo abandono da fic, mas é que eu estou com um nível de inspiração horrível como podem perceber. Mas vou me esforçar. Bem, aconselho que vocês releiam o último capítulo, afinal creio que tenham lido há algum tempo. Boa leitura

A viagem mal havia começado e eu já estava entocada em minha cabine, sem querer ver a luz do dia. A noite foi terrível e o balanço constante me deixou enjoada. Ao menos eu não tinha que fingir uma conversa amigável com Faelern, mas ficar naquele cubículo pelo resto do dia me deixaria louca. Resolvi andar pelo convés e respirar um pouco de ar fresco. Não havia muitas pessoas por ali além da tripulação que trabalhava para manter o navio em ordem. Avistei o elfo em um canto afastado e me dirigi exatamente para o oposto, feliz por ele não ter me visto. Os passageiros eram em sua maioria Liths que voltavam para sua terra, embora eu não me lembrasse de vê-los na ilha. Me sentei num canto perto de barris e então ouvi um homem alto e de pele negra conversar com uma garota pequena e ruiva. Falavam em uma língua que eu não conhecia, mas pareciam bastante interessados na conversa. Depois de um tempo me perdi em minhas próprias ideias e deixei de prestar atenção neles.

Eu realmente espero que a teoria de Malvin esteja errada, não quero ter condenado o mundo por causa de um diário, afinal se não fosse por ele eu jamais teria ido atrás de Diego e até aquele castelo. Isso começava a me assombrar, mas não tanto quanto o perigo que seria pisar em Ildis e arriscar ser descoberta por Diego. A ideia de colocar em risco a vida de meus amigos me deixava em pânico.

– Olá – uma voz me tirou de meus devaneios. Era o homem negro que antes falava com a Lith.

– Olá.

– Onde estão meus modos? Deixe-me apresentar. Sou Sinha, um estudante de Daren. – ele fez uma breve reverência.

– Sou Aida. Sou nada vinda de lugar nenhum...

– Ora, “nada” não me despertaria a atenção. Me dedico ao estudo das raças, bem como a sua. – ele me analisou. – Se importaria que eu fizesse algumas perguntas?

– Não sei...

– Obrigado. – ele se ajeitou perto de mim. – Onde nasceu?

Talvez eu tenha demorado um pouco para respondê-lo, mas naquele momento eu não me dava ao luxo de pensar apenas na gentileza e na bondade das pessoas, passei um bom tempo pesando os prós e contras de dizer a verdade e os de mentir, mas ele não parecia uma má pessoa, não faria mal ter uma conversa interessante, afinal eu não poderia esperar nada de Faelern.

– Bem, não sei onde eu nasci, mas passe a minha vida inteira em Valond.

– Ah, Valond... Estive lá apenas uma vez, em Aplletown, é uma cidade maravilhosa! – ele sorriu, fazendo com que meu humor misteriosamente melhorasse muito. – Ouvi dizer que os Nobres têm velocidade, força e visão muito superior as de qualquer outra raça, isso é verdade?

Devia ter pensado em esconder os cabelos. Sinha não era um problema, apesar de suas perguntas, mas qualquer outra pessoa que tivesse más intenções poderia fazer algo.

– De certa forma isso é verdade. Não é como se eu enxergasse milhas de distância ou corresse como um tigre Kaeldor, mas creio que sou um tanto mais rápida e posso ver ligeiramente melhor.

– Ora, isso foi muito esclarecedor, obrigado! Ah, ouvi dizer que os Nobres não podem conceber uma criança com alguém de outra raça, isso é verdade?

Sei que sempre vou me lembrar disso como o momento mais constrangedor da minha vida, talvez pelo fato de eu ter deixado essa pergunta levar meus pensamentos mais longe do que jamais haviam ido, e é claro que eles me levaram até Zander. Tenho certeza que Sinha é uma das pessoas mais educadas que cheguei a conhecer, afinal ele fingiu não notar o quanto eu estava vermelha.

– Sobre isso... Bem, eu não tenho a resposta certa, mas já ouvi dizer que isso é quase impossível.

Ele sorriu e fez uma breve reverência como agradecimento. – Isso vai me ajudar muito com meu livro. Obrigado por toda informação! – ainda com os olhos em mim, Sinha se afastou e voltou a conversar com a garota ruiva.

Até que ficar no convés não era uma coisa tão ruim, o balanço do navio parecia muito pior enquanto estava trancafiada na cabine.

– Solyn.

Retiro o que disse.

– Elfo. – forcei um sorriso e me virei para cumprimentar Faelern.

– O que pretende dizer ao chefe da aldeia Lith quando chegarmos lá?

– Ah estava pensando em algo do tipo “por acidente eu abri um portal que provavelmente vai nos matar, ops”, mas estou aceitando sugestões.

– Eles não entenderiam seu péssimo humor.

– Eles não seriam os únicos. – revirei os olhos. A incapacidade de compreensão daquele elfo me irritava de uma forma impressionante.

– O quer que venha por aquele portão, não vai ser impedido com humor, Solyn. – ele continuava com aquela cara de morto que sempre fazia quando estava se achando inteligente demais para o meu nível de conversa.

– Ora, ora... E eu aqui pensando que podia receber a visita com um enorme sorriso, acho que me enganei. Você é tão inteligente Faelern, me pergunto o que fez para conseguir descobrir essas coisas além o óbvio, fico impressionada! – irritar o elfo estava na minha lista de coisas diárias a fazer. – Já que você é tão esperto, me diga o que fazer. AH, tenho uma ideia! Talvez eu consiga expulsar essa coisa mortal com a minha careta, ou talvez ela se canse de me ouvir reclamar de como o mundo é mau comigo, talvez se eu me sentar e começar a amaldiçoar a lua ou o mar ou o sol ele se canse e vá embora. Oh espere. Esse é você.

Talvez eu tenha falado demais. Faelern simplesmente virou as costas e saiu de perto, não que eu vá ficar me culpando por isso. A simples presença temporária do elfo foi capaz de me irritar.

O sol já estava se pondo quando resolvi voltar para a cabine, mas algo estava errado... Não me lembro de ter deixado a porta aberta e muito menos deter deixado alguém entrar ali.

– Posso ajudar? – perguntei me apoiando no batente da porta de modo que a pessoa não tivesse por onde sair. Não que estando em um navio há para onde correr. A cabine estava escura, tudo o que eu conseguia ver era que se tratava de um Lith, podia ver a silhueta de suas orelhas acima da cabeça.

– Talvez você possa. – a voz era de uma mulher e pude ver seu rosto assim que ela se aproximou de mim e da luz do lado de fora.

– Capitã! – que diabos ela estaria fazendo na minha cabine? – O que faz aqui?

Ela colocou a cabeça para fora verificando se não havia ninguém por perto e então me puxou para dentro da cabine, fechando a porta e então acendeu um lampião, clareando o local.

– Estou procurando por provas. Alguém entre meus tripulantes está transportando uma carga ilegal.

– Espero que depois da busca que fez por aqui eu esteja fora da lista de suspeitos...

Ela abanou a mão como se aquilo fosse algo inconcebível. – Eles desconfiam que eu sei de algo, mas até o momento eu só descobri sobre a carga, não tenho ideia de quem possa ter colocado ela a bordo.

– E onde exatamente eu entro nessa história?

– Quero que vasculhe a cabine da tripulação e veja se consegue encontrar algo.

– Eu? – confesso que me assustei com o pedido. – Como sabe que sou confiável?

– Ouvi muito sobre sua história com Diego e as Águias, sei que é uma pessoa confiável, afinal qualquer um que seja louco o suficiente para se levantar contra Diego é uma boa pessoa. – ela sorriu.

Então quer dizer que a minha pequena aventura no castelo já não é mais nenhum segredo. Ótimo. Mais um motivo para eu não voltar para Valond, onde provavelmente todos me conhecem agora.

– Certo. Mas por que você mesma não faz isso? Você é a capitã, tem todo direito de exigir explicações.

– Minha cara, eu não quero que minha tripulação tenha incentivo para realizar um motim. Eles acreditam que eu confio neles e isso deve permanecer assim até que eu encontre quem é o real culpado por tentar usar meu navio para negócios ilegais.

Assenti e logo me dirigi para deque inferior onde a tripulação passava as noites, apenas alguns marujos estavam ali, não foi difícil me esgueirar pelas sombras e espiar pelos cantos, mas não havia nada que incriminasse alguém. Entrei por uma porta e me deparei com alguns barris e baús, entre eles no chão estava um pequeno pedaço de papel, só tive tempo de pegá-lo, até que um dos tripulantes entrasse na pequena sala.

– O que está fazendo aqui? – perguntou franzindo o cenho.

– Ahm... Eu... Estou procurando pela capitã. Mas obviamente ela não está aqui embaixo. – soltei um risinho forçado.

– Não, não está e aqui não é lugar para passageiros. Volte para o convés.

Enfiei o papel por debaixo da camisa sem que ele notasse e saí, aliviada por não ter me metido em problemas maiores. Estava tudo totalmente escuro, os lampiões do navio não adiantavam muita coisa, parecia estávamos navegando sob as estrelas, era uma visão maravilhosa. Encontrei a capitã em sua cabine e lhe entreguei o bilhete qual ela leu atentamente.

– Eu devia saber... – suspirou, amassando o bilhete e o jogando no lixo. – Pain é um garoto um tanto problemático, mas eu não imaginei que ele estaria trabalhando para Diego... A carga que ele transporta é Cologumite, uma poção muito perigosa. – ela voltou a suspirar, passando as mãos pelo rosto. – Resolverei isso quando aportarmos, o que será pela manhã. Muito obrigada por sua ajuda Aida, não sei como retribuir o favor.

Fiquei me perguntando como ela saberia meu nome, mas ela já sabia quem eu era, então não era exatamente uma surpresa.

– Não há maior recompensa do que estragar um dos planos de Diego. – sorri.

– Nina. – ela retribuiu o sorriso – Meu nome é Nina.

– É um prazer Nina! Agora eu realmente devia ir dormir um pouco, o dia amanhã será longo.

– Boa sorte menina. Com o quer que vá procurar em Taran.

– Obrigada.

Mal me lembro de ter feito o caminho até minha cabine, só me lembro de ter acordado com a luz do sol me obrigando a levantar e o som de gaivotas e então é claro, fui “agraciada” com a presença de Faelern me dizendo que eu durmo demais.

Desembarcamos com poucas pessoas, muitos dos passageiros seguiam viagem até Valond, algo que eu gostaria muito de fazer, mas que não era possível. Logo chegamos até uma floresta vasta. Então aqui é Ildis... Esse lugar é realmente lindo.

– O acampamento dos Lith não deve ser muito longe daqui. – deduzi.

– Solyn...

Ergui a sobrancelha para o tom de voz dele, ele geralmente me chamava quando ia reclamar de algo, mas não era o que parecia agora.

– Me desculpe por sempre reclamar para você ou de você, é que... – ele suspirou – Eu sei que sempre critico o jeito como você faz as coisas, mas é porque eu vejo que muitas vezes você segue meus passos e eu sei como é se sentir culpado por perder alguém que você ama.

Eu não esperava algo assim logo cedo. Mas o tom em que ele falava me fazia sentir culpada por tratá-lo mal.

– Não tem que se desculpar Faelern. Eu estou sempre irritada e acabo descontando isso na pessoa mais próxima e geralmente é você.

Ele aparentemente não esperava que eu falasse dessa maneira, afinal não tinha resposta, apenas assentiu com a cabeça e voltou a andar. Logo chegamos ao acampamento, mas fomos impedidos por um dos guardas na entrada.

– Desculpe, mas não estamos recebendo visitantes no momento. – ele falou com a voz séria.

– Por quê? – perguntei se uma forma um tanto grosseira, pigarreando em seguida, tentando amenizar a situação.

– Há um julgamento em andamento e enquanto estiver acontecendo não podemos receber visitantes. – o guarda explicou com calma, apesar do meu tom.

Suspirei. – Certo... Ao menos sabe quando o julgamento termina? Eu realmente preciso falar com Seeru... Questões de vida ou morte.

– Não há nenhuma previsão senhorita, mas pode esperar aqui se quiser. – ele mal havia terminado de falar e outro guarda chegou, sussurrando algo em sua orelha de coelho. – Parece que estão com sorte, o julgamento terminou.

Entramos no acampamento seguindo o guarda que nos levaria até Seeru, o líder dos Lith, a pessoa que deveria me dizer tudo sobre o Reino Antigo e então salvar minha pobre alma libertadora de condenações.

– Isso não é certo Seeru, faça algo! Ela não tem para onde ir!

Essa voz... Fechei os olhos com força e trinquei os dentes, tinha que sair dali...

– Ela sabia da consequência de seus atos... Isso não está mais em minhas mãos.

– Não está mais em suas mãos? Por Eana, ela é sua filha!

Não conseguia andar. Cada palavra que ouvia pronunciar parecia me segurar com ainda mais força no chão. Eu só precisava correr dali antes que ele me visse, antes que ele arrancasse de mim qualquer esforço que eu fazia para não voltar para Valond.

– Isso torna as coisas ainda piores! – ouvi Seeru suspirar – Eu gostaria de ficar a sós com ela agora, conversaremos depois. E temos parece que temos visitantes, cuide deles para mim.

Não... Não, NÃO!!! Por que não conseguia simplesmente sair dali? Eu não queria vê-lo!

– Seeru... – ele bufou e então veio em nossa direção, aparentemente distraído ou sem nos olhar diretamente. Sei que é impossível não reconhecer alguém com minha aparência mesmo que de costas, como era o caso. – O acampamento está temporariamente fech...

Por Eana, isso não está acontecendo...

– ...fechado. Aida...

Agora é a hora em que ele vai decidir qual sentimento pesa mais, a saudade ou a raiva, a raiva vai vencer e eu serei incinerada por um mago realmente muito irritado. Mas então fui surpreendida por um abraço que quase quebrou meus ossos.

– Não estou sonhando... Por favor, diga que é real... Se não for, apenas deixe estar.

Já era tarde demais para correr. Meu coração parecia querer saltar pela boca e eu fazia um esforço enorme para não tremer.

– Olá Zander...

Notas finais
E então o que acharam? Espero que tenham gostado. Bem, na primeira parte da fic eu escrevia os capítulos de acordo com a divisão do jogo, mas eles ficavam enoooooooormes, então dessa vez estou fazendo diferente, me digam se acham que está bom ou como preferem! Volto em breve!! Beijos!