As Águas de Veneza
31 Capitulo 31
Notas iniciais
Quando Lovino acordou na manhã seguinte, sentiu-se profundamente aconchegado. O sol batia levemente nos lenções da cama, mas a suave brisa da janela conseguia equilibrar a temperatura. Não tinha aberto os olhos ainda por pura preguiça, e por algum motivo que ele desconhecia, estava estranhamente feliz.
Até se lembrar da noite anterior.
Neste momento, o italiano abriu as pálpebras tão rápido e tão forte que a luz do sol se tornou um raio laser e quase lhe cegou, ele protegeu o rosto virando-o pra ro outro lado, e esbarrou em alguma coisa.
Abraçado a si na cama estava Antonio que ainda dormia em sono profundo e solto. A respiração mansa denunciava que estava tendo um sonho tranquilo, talvez alguma coisa relacionada a tomates ou a italianos.
Ou quem sabe os dois.
Assim que se deu conta de tudo isso, Lovino tentou afastar-se do outro, mas quando mexeu a cabeça no travesseiro uma ponta de dor perfurou seu cérebro. Ele ainda estava um tanto dolorido por causa da ressaca.
E não era apenas isso, todos os seus músculos de alguma forma muito estranha imploravam para que ele ficasse mais uns quinze minutos na cama, e bem no fundo, ele próprio não queria sair dali. Estava quente, aconchegante, e em um dos raros momentos da sua vida, Lovino se sentia amado
E divagando por esses pensamentos, o italiano abraçou discretamente Antonio e voltou a dormir tranquilamente.
Este, mesmo em sonho, sorriu um pouquinho.
XXX
Do outro lado da Italia, na cidade de Veneza por sua vez, uma outra pessoa não estava tento um sono tão tranquilo.
–Gilbert... Gilbert... Acorda... – Dizia Roderich parado ao lado do sofá chacoalhando levemente o albino enquanto este apenas resmungava coisas incompreensíveis.
–Vamos Gilbert! Já são quase dez horas e o Ludwig não está em casa... Você sabe se ele saiu? E com essa água toda?
Como se a mera menção do nome do irmão fosse algum tipo de encantamento mágico, o alemão abriu os olhos lentamente e se sentou no sofá coçando os olhos e bocejando.
– O que foi Rod? O que tem o Lud? – Disse com a voz embargada de sono
–Ele não está em casa! E a noite choveu mais ainda, as ruas estão inabitáveis! Ele só poderia ter saído se tivesse roubado um barco.
E então na cabeça do outro, houve um pequeno estampido de memória
–Ah sim sim! O Lud! Ele saiu ontem a noite! Eu estava tentando dormir quando ele passou pela sala e saiu.
Roderich ficou pasmo
– Como assim saiu? Passou pela porta e foi embora?
– É – Respondeu o outro simplesmente coçando a nuca e se levantando – Deixe o Ludwig jovem mestre, ele já é grandinho...
Gilbert se levantou e se espreguiçou indo até a cozinha fazer um pouco de café.
–E-eu sei, seu tolo! – Limpou a garganta Roderich – E cadê aquele irmão responsável e preocupado que sempre cuidava do irmãozinho menor?
–Keseseseseseseseses – Riu Gilbert da cozinha e depois colocando a cabeça pra fora da porta disse — Ele está dormindo ainda. Vamos, vem tomar café antes que ele acorde e comece a surtar.
Roderich deu uma risadinha contida e se levantou arrumando os óculos, enquanto isso Gilbert levava duas xícaras de leite para mesa, e ao mesmo tempo em que fazia essa tarefa, o albino ia resmungando em voz fina e melosa.
“Oh pobre Ludwig, perdido nas profundezas das Águas de Veneza...Oh! Pobre dele! Tão inocente! Pobre coitadinho... OH!”
E desatava a rir enquanto o austríaco dava um pequeno tapa na testa.
–You fool...
XXX
Terminado o café e as piadas matinais, Roderich estava sentado na mesa lendo o jornal enquanto Gilbert lavava a louça. Porque se tinha uma coisa que o austríaco não sabia fazer era lavar um prato sem derruba-lo no chão.
Dado momento, Roderich levantou a cabeça do jornal e foi até a cozinha.
–Gil, — Disse encostado no batente da porta — Lembrei de uma coisa... Meu pai me ligou esta manhã, acordei com o barulho do celular, ele quer que voltemos para a Austria.
O outro fechou a torneira na mesma hora
–Mas... mas...mas... – Virou com os olhos de cachorro pidão – Ficamos tão pouco tempo... Eu não quero ir embora... Eu nem tirei fotos do canal ainda...
–Voltaremos outras vezes – Tentou acalma-lo Roderich — Mas você sabe como estão as coisas lá. Ele está se aposentando e quer deixar as coisas para mim, é complicado...
–Sim sim jovem mestre, eu sei.
–Olha- começou Rodercih um tanto culpado – Se você quiser ficar eu vou sozinho, não tem importância, eles só precisam de mim lá...
–Não! Eu vou junto! – Insistriu Gilbert – Vamos ficar juntos!
–Ok, você quem decidiu... – Disse Roderich, sabia que não adiantava discutir — Só temos que avisar seu irmão.
XXX
–COMO ASSIM VOCÊS VÃO EMBORA???? — Ludwig ainda não conseguia acreditar no que ouvia – Mas vocês ficaram tão pouco...
–Não vai ter jeito Lud – Dizia Gilbert apoiado na bancada com uma mão, e na outra uma latinha de cerveja – O pai do jovem mestre tem coisas a resolver, e ele precisa estar lá... Coisas de gente rica, sabe?
–EI! – Ouviu-se Roderich gritar em protesto do quarto do alemão
–Keseseseseseseses – Riu Gilbert tomando mais um gole da latinha.
–Bom então – Começou Ludwig – Já que vocês vão embora... Eu queria avisar que Feliciano me convidou para jantar na casa dele esse final de semana E pediu para levar vocês, como forma de se desculpar pelo jantar passado.
Gilbert levantou a sobrancelha
–Sério?
–Sim. Ele realmente quer se desculpar...
Gilbert não havia entendido ainda o motivo exato de Feliciano estar querendo “se desculpar”, porque ele no final não havia feito nada de mais. E francamente, a culpa do fracasso do jantar anterior, fora mais sua do que de qualquer outro.
De qualquer forma, o alemão aceitou o pedido e se comprometeu a ir antes de ir embora, o mesmo aconteceu com Roderich, que depois de terminar de arrumar suas coisas no quarto, veio conversar com os irmãos.
XXX
Do outro lado de Veneza, em uma casinha que um dia já fora amarela.
–Fratello, tente entender... Ele é praticamente...
–NÃO! De jeito nenhum!
Naquele exato momento, Feliciano estava sentado na banquetinha de seu telefone a discutir com seu irmão sobre se ele traria ou não Antonio para o jantar no final de semana. Fazia algum tempo que o italiano queria conhecer esse tão famoso espanhol, só o tinha visto uma vez no restaurante, e nem conversaram direito, então aquela seria a oportunidade perfeita.
E havia mais! Além de conhecer Antonio, seria a oportunidade perfeita de apresentar Ludwig e a familia dele para seu irmão.
Mas todo plano tem falhas...
–Lovino... Me escuta... Vai ser uma oportunidade única, eu não sei quando vai poder acontecer de novo... ve~~
–Pela ultima vez – Dizia Lovino – ele não vai e ponto.
Feliciano deu os ombros.
–Tudo bem, mas acho que antes de decidirmos alguma coisa, devíamos perguntar pra ele...E considerando que ele está trabalhando em Veneza...
O italiano do outro lado da linha arregalou os olhos
–Você não faria... Você não se atreveria....
–Mas é claro que sim! Se ele quiser aparecer então que venha...
–Mas... Mas... Mas... – Lovino estava ficando sem argumentos – Você não sabe onde ele mora...
–Ah por favor fratello, eu conheço Veneza toda... E alem disso, ele é barqueiro, nunca se sabe onde posso encontra-lo...
Uma das coisas mais marcantes em Veneziano, era o contraste na sua personalidade, ele era naturalmente doce e tranquilo, talvez até um pouco bobo. Mas quando queria alguma coisa e estava determinado em consegui-la, acabava se tornando extremamente engenhoso e um tanto manipulador. Lovino nunca gostara dessa parte de seu irmão.
–Que seja então! – Exclamou – Faça o que você quiser!
E desligou o telefone.
XXX
–Lovi? Aconteceu alguma coisa?
–Anh?
O italiano se virou novamente para a cama, e naquele exato momento Antonio estava acordando e se espreguiçando lentamente.
–Não... Nada, está tudo bem
–E porque estava gritando ao telefone?
–Eu já disse que está tudo bem, não enche!
Sua cabeça ainda doía um pouco, e a ultima coisa que Lovino queria fazer era entrar em uma discussão, mas era inevitável de sua parte, ele sempre acabava se estressando, mesmo quando tentava manter a calma
Antonio percebeu isso
–Ok então... Mas saiba que eu estou aqui se precisar
–Hm
O espanhol se levantou e se aproximou de Lovino discretamente enquanto este caminhava para a cozinha, ao chegar na porta, Antonio o abraçou por trás.
–O que diabos você está fazendo????
–Te abraçando...
–Por que?????
–Porque sentia que você precisava de um abraço... Você estava tão triste no telefone, e eu estava tão sozinho...
E então o italiano percebeu uma coisa importante.
–Mas que diabos... – Disse baixinho Lovino — Pelo menos coloque alguma roupa!!
–Não – Respondeu o outro com um sorriso
–ARRRRGHHHH! SAI DE MIM!
–Fusososososososos – riu o espanhol quando Lovino escapou de si – Mas eu te amoooo!
–SAIA. DE. PERTO. DE. MIM. –Gritou Lovino correndo para o outro lado do quarto e jogando um monte de almofadas no outro.
–NUNCA LOVINO VARGAS! EU NUNCA MAIS VOU SAIR DE PERTO DE VOCÊ
–ARRRRGHHH!
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