Notas iniciais
Bem vindo a mais um capítulo dessa história onde a mocinhas são as próprias vilãs.

Claro que ela já estava acostumada a flertar com homens desde nova. Mirela agora tinha vinte anos, e isso era mais do que tempo suficiente para aprender como roubar prazer , dinheiro e até apresso de muitos homens. A maioria deles era carente ou burro, felizmente muitos eram os dois. Desde que a mãe morrera e sua amiga Ana fora internada há dois meses, ela não havia tido ânimo de ir atrás de nenhum homem. Era sempre mais divertido junto com a mãe ou com suas melhores amigas. Agora ao mesmo tempo que ela queria terminar a noite em algum quarto com aquele homem, apenas pelo prazer de saber que ainda tinha habilidade de conquistar, ela também queria ir pra casa e dormir mais um bocado. Contudo, ainda não eram nem uma da tarde. Além disso, ainda ia visitar a amiga no hospital naquela tarde.

Observou o casal sentado no canto escuro em uma mesa com sofá. O rapaz parecia querer agradar a menina de todas as formas. Mirela nem sabia identificar se a garota já tinha idade para beber. Observou a mão dele apoiada na dela enquanto ria de algo que a garota falava.

—Patético. — Suspirou sozinha e pensou em uma estratégia de se aproximar.

—Acho bonita a forma que se olham.

Mirela ouviu alguém sentado ao seu lado falar e não se virou, percebendo que ele havia ouvido-a e estava caçoando do comentário dela. Continuou olhando o casal por alguns segundos antes de levantar o dedo indicador chamando pelo bartender que logo acenou para outro rapaz que veio imediatamente.

—Aqui está sua conta, senhorita. — O rapaz estendeu um caderninho e em abri-lo, Mirela colocou em cima do caderno uma nota de cem reais.

—O troco é seu. — Ela piscou para ele que sorriu agradecido.

Mirela levantou-se delicadamente com a postura ainda muito elegante, pegou a bolsa que havia apoiado na cadeira do lado direito e depois virou-se para o rapaz do lado esquerdo sorrindo levemente para ele.

—Boa tarde, para o senhor.

O moço, que ela rapidamente observou as mãos para constar que não tinha aliança -velho hábito — sorriu de volta e levantou seu copo de uísque para ela em cumprimento. Ele era extremamente atraente e se ela estivesse ainda com a ideia de seduzir alguém naquela tarde, seria ele. Apagou o pensamento e saiu rebolando em direção da saída do bar. Lá fora estava um sol forte, mesmo encoberto pela poluição do ar ela podia sentir ele queimando-a. Tentou não respirar fundo.

Ainda não havia almoçado, e nem pretendia já que naqueles dois meses havia engordado 5 quilos e estava disposta a perdê-los o mais rápido possível. Caminhou pela calçada pensando sobre como agir quando chegasse ao hospital. Ela tinha pavor de hospitais e ver a amiga magra como estava e adoentada, fazia com que ela travasse quando se tratava de reações e palavras. Acabou que a criação que teve a fez ter o coração muito fechado, amou apenas sua mãe e agora que a amiga estava doente percebia que amava ela e as outras duas muito mais do que achou que fosse capaz. Achava que amor não existia. Ver Ana morrendo era doloroso demais. Saber que a morte era certa, fazia ela entrar em desespero. Parou no ponto de táxi e seguiu seu destino.

Parada em frente ao prédio em que sua amiga estava, ela refletia novamente sobre como sorrir, o que falar e quando ir embora. Respirou fundo e se dirigiu até a porta. Reconheceu rapidamente Maiara e Tamires em seus saltos altos e vestidos curtos. Ela estavam na recepção e aparentemente haviam acabado de chegar. Conversavam animadamente com a recepcionista que Mirela já havia perguntado o nome mil vezes, porem sempre esquecia qual era. A dita cuja acenou para ela quando a viu e as duas amigas viraram para trás para ver de quem se tratava.

—Ai garota, finalmente. — Maiara falou melosa vindo abraça-la.

—Nós acabamos de chegar, não liga pra ela. — Tamires falou rindo e acenando. Nem Mirela e nem ela gostavam de abraços como Ana e Maiara.

Subiram com Maiara falando sem parar sobre um plano que ela e Tamires haviam montado, mas quando Mirela tentava saber do que se tratava, ela apenas dizia que saberia quando chegassem ao quarto. Assim foi feito então. Caminharam em silêncio até a porta do quarto da amiga, que tinha seu nome em letras dourados, obviamente enfeitado por elas, e figurinhas de coração pro todo o lado da porta branca.

—Oi gatinha! -Mirela foi a primeira a entrar, mas Maiara quem falou alto atraindo a atenção de Ana que estava sentada com um computador assistindo algum anime.

Mirela ficou surpresa pois da última vez que havia visto-a, ela estava pelo menos uns dez quilos mais magra. Isso já fazia um mês.

—Finalmente você veio. — Ana ignorou as outras e esticou os braços para Mirela. — Sei que não gosta de abraços, mas depois de um mês fugindo de me ver, você precisa me abraçar.

—Não seja boba.- Mirela se sentiu envergonhada.

As meninas sabiam que Mirela não estava em uma boa fase, ela havia acabado de perder a mãe e estava prestes a perder a melhor amiga. Era inevitável. Sempre foram unidas, mas tinham suas próprias vidas e seus próprios problemas. Na verdade, nem sempre foram assim tão unidas.

Mirela havia conhecido primeiro Ana, aos 7 anos de idade as duas se conheceram na escola, depois foram irmãs por um breve período de 2 anos, que foi quando sua mãe se casou com o pai de Ana para poder dar mais um golpe para a sua lista. Então no fim, Ana Cristina e Mirela foram irmãs por um curto período de tempo.

Notas finais
Comente aqui o que você acha de cada personagem.