Mirela mantinha a boca aberta em surpresa. Não é como se isso nunca tivesse acontecido, elas todas já haviam passado por situações assim e sabiam que a mãe de Mirela havia passado por mais de dez situações de pedido de casamento. Elas sabiam como reagir: Aceitar e depois fugir. Contudo, desta vez o plano ainda estava começando. Ainda não haviam feito nada nem conseguido nada. Mirela observou Maiara abrir um enorme sorriso e derramar lágrimas de suposta felicidade enquanto aceitava o anel de noivado com as mãos trêmulas e depois pulava no pescoço de Osvaldo beijando-o apaixonadamente. As pessoas aplaudiram um pouco devagar e parecendo contrariadas, as pessoas não a conheciam e provavelmente achavam que ele havia acabado de conhece-la.

Tamires e Mirela se entreolharam se perguntando o que fariam agora. Antes que pudessem ter tempo de conversar, os três sobrinhos de Osvaldo se aproximaram novamente puxando assunto com elas.

—Então, vocês vieram conhecer a cidade? — Olavo perguntou.

—Sim, ainda não conhecemos, mas dizem ser magnifica. — Mirela respondeu.

—Podemos apresenta-la para vocês. — Ele continuou.

—Será um prazer. — Tamires acrescentou.

—Quanto tempo vão ficar? — Diogo falou pela primeira vez.

—Na verdade viemos sem prazo de volta, agora com essa surpresa — Mirela apontou para os recém noivos. — Talvez fiquemos por muito tempo, já que ela precisará de ajuda com o que está por vir. — Ela referia-se ao casamento.

—É verdade. — Diogo concordou olhando o tio e a noiva cumprimentarem as pessoas.

Enquanto os cinco conversando coisas aleatórias tentando encontrar coisas em comum para se aproximarem mais, Lucas conversava com Ana em um canto isolado. Os dois estavam com taças vazias nas mãos e conversavam baixo sobre eles mesmos, trocando informações vagas sobre si. Ana sempre preferiu rapazes simples e magrinhos, mas quando se tratava de um golpe ela não deveria se prender a esse tipo de coisa. O que viesse era lucro. Literalmente. Lucas era loiro alto, musculoso e ainda por cima narcisista de primeira qualidade. O rapaz de vez em quando cantava Ana e deixava a com uma falsa vergonha.

—Você é muito linda, de verdade.

—Obrigada! -Sorriu timidamente.

—Meu pai disse que vocês vão ficar em Ipanema, não é?

—Sim, estamos hospedadas lá.

—Me passa seu telefone? Gostaria de te buscar para sair, qualquer dia desses.

—Claro. — Ela passou o número e voltaram a falar de coisas aleatórias.

Maiara aproveitou quando finalmente pararam de cumprimentar pessoas e disse ao noivo que tomaria um pouco de ar. Saiu pela porta de trás e dirigiu-se a um balanço que havia visto pela janela. O local estava escuro e silencioso. Sentou-se segurando as lágrimas. Sem sucesso, ela apoiou o rosto nas mãos e chorou baixinho.

—Está tudo bem? — Ela ouviu a voz de um homem vindo de trás dela e virou-se.

Sentado encostado na cerca branca que circulava o balanço, estava o filho mais velho do Osvaldo, Bernardo. Ele estava arrancando grama com as mãos e jogando de lado distraidamente.

—Desculpe por ver isso. — Ela enxugou as lágrimas delicadamente para não borrar a maquiagem.

—Você não quer casar com meu pai, não é? — Ele ainda não havia levantado os olhos do chão.

—Como é que é? — Ela não poderia demonstrar isso. — Eu amo o seu pai.

—Eu sei que não. Meu pai é um homem frio e maldoso, você deve saber disso se o conhece tão bem.

—Não deveria falar assim de seu pai.

Ele sorriu ainda olhando para grama e então levantou os olhos cor de mel para a moça sentada no balanço. Ela sentiu o coração acelerar, não sabia se era pela beleza dele ou pelo fato de ele acusa-la de não amar seu noivo.

—Não sei quais são seus motivos para estar com ele, mas acho que você merece coisa muito melhor.

Ficaram se encarando por alguns segundos antes de Bernardo se levantar, dar a volta no balanço e sentar ao lado de Maiara que congelou na posição em que estava. A menina sentia o coração disparar.

—Ei, você não precisa mesmo casar com ele. Não acho que ele te mereça.

Ela se levantou fingindo estar ofendida e entrou novamente no restaurante sem dizer mias nenhuma palavra a ele. Caminhou entre as pessoas desconhecidas procurando pelas suas amigas e encontrou Ana em um canto com Lucas alisando seu rosto carinhosamente.

—Posso rouba-la um pouco de você? — Maiara enroscou seu braço no de Ana já puxando-a levemente.

—Claro. — Ele não parecia feliz com isso, mas o que poderia fazer?

As duas caminharam pelas pessoas, devagar para conseguirem manter a elegância que vinham tendo.

—Não aguentava mais esse cara se gabando de quem ele é. — Ana resmungou.

As duas procuraram pelas duas amigas e as encontraram com os sobrinhos do velho Osvaldo. Aproximaram-se sem fazer rodeios Maiara pediu licença.

—Vou pegar minhas irmãs emprestadas rapidinho, esta bem? — Ela segurou o braço de Mirela e puxou-a por uns segundos informando que deveriam segui-la.

As meninas seguiram a amiga e se encontraram com ela no banheiro feminino do restaurante. Maiara olhou em cada box do banheiro duas vezes para saber se não tinha ninguém e depois finalmente parou ofegante. As outras três estavam olhando-a curiosamente.

—Eu não vou casar com esse velho chato! — Falou baixo. — Eu não estou acreditando que ele fez isso.

—Maiara, se você desistir agora, tudo vai por água a baixo. — Tamires falou.

—Nem começamos a agir ainda! — Mirela não ia permitir que parassem antes mesmo de começarem.

—Não é vocês que tem que aguentar esse velho narcisista e grudento.

—Já vi a quem o Lucas puxou. — Ana encostou-se na parede.

Depois de ouvir a voz de Ana, Maiara finalmente caiu em si. Só precisava aguentar mais um pouco, por Ana. Para que a amiga realizasse essa última aventura antes de sua morte. Maiara respirou fundo.

—Bom, acho que posso estabelecer uma data longe para o casamento.

—Exatamente, aí a gente cai fora antes de chegar o dia. Não se preocupe, nós nunca casamos, você não vai casar desta vez.

—E vocês? Como estão com os meninos?

—Lucas está quase me levando pro altar já. — Ana falou.

As meninas riram debochando.

—Eu vi o tal do Marcelo de olho na Tamires o tempo todo, mas comigo acho que eles tem algum problema. Eu to feia? — Mirela foi até o espelho se olhando. -Eu estou maravilhosa, porque ninguém em quer?

—Não dramatize. — Tamires riu. — Você não notou o Olavo te olhando porque ele só te secava quando você não estava olhando. Ele está se fazendo de difícil.

—Tem certeza? — A amiga confirmou. — Se me der certeza eu invisto.

—Absoluta. Você sabe que nada escapa dos meus olhos.

—Ótimo então. Vamos voltar para essa maldita festa. — Maiara sugeriu. — Eu quero comer até passar mal.

—Querida, por favor mantenha seu papel de moça educada. — Tamires saiu primeiro do banheiro após se dirigir a Maiara.