As vigaristas
15 Morte
Notas iniciais

Ana acordou com a voz alta de Lucas chamando-a. Abriu os olhos sentindo ele levanta-la, ajudando-a a ficar sentada. Ana olhou em volta e entendeu que não durou nem um minuto o seu desmaio repentino. Lucas falava algo, mas ela não conseguia distinguir as palavras, sentiu que iria vomitar e levantou-se tropeçando nos próprios pés. Lucas entendeu que ela não estava bem e acompanhou-a até o banheiro. Sem saber muito bem o que fazer, ele aceitou quando ela o afastou e entrou sozinha fechando a porta atrás dela. Abriu a tampa do vaso em desespero e vomitou o mais silenciosamente que conseguiu.
Entre lágrimas, vomito e dor de cabeça, ela levantou calmamente tentando reparar se ainda vomitaria mais. Ficou ainda um minuto parada ao lado do vaso antes de ir lavar a boca e o rosto se sentindo fraca. Olhou bem no espelho e treinou o melhor sorriso que conseguiu. Respirou fundo e saiu do banheiro. Lucas estava andando de um lado para o outro nervosamente. ao vê-la saindo correu em sua direção parecendo muito preocupado.
—Você está bem? — Ele segurava o rosto dela com as mãos e analisava a loira.
—Sim, sim. Estou com uma...Virose, acho que peguei pesado hoje, deveria ter ficado de cama.
—Deveria ter me contado.
—Achei que estivesse melhor.
—Venha, vamos comer. Como coisas leves e depois se quiser posso te levar para o hotel, mas se preferir pode dormir aqui para não ter que se movimentar muito.
Ana permitiu-se ser levada até a mesa e viu Lucas carinhosamente colocar comida em um prato para ela, salada, verduras e carne. Ele posicionou o prato de frente para ela na mesa e lhe deu os talheres. Depois de fazer o próprio prato, ele arrastou a cadeira para o lado da menina e a acompanhou no jantar. estava preocupado e quanto a ela, estava desconfortável e enjoada.
Mirela estava deitada no sofá da sala do hotel onde ficaram quando viu Tamires passar apressada para o quarto com o telefone na orelha. A menina pediu licença para o contato do outro lado e voltou-se para Mirela ainda parada na porta do quarto.
—Vai pro seu quarto, Marcelo está vindo para cá. — Ela falou em um sussurro todo sorridente.
Mirela seguiu pro próprio quarto ainda sem acreditar que ela era a única até agora que não havia dado nenhum passo para frente. Sentou-se na cama e respirou fundo antes de pegar o celular e digitar o número de Olavo. Pensou duas vezes e achou melhor não ligar. Ela não podia parecer uma desesperada e sim uma mulher bem resolvida que estava cagando se ele queria ou não reencontra-la. Fora as duas irmãs plantando ideias sobre ela e as supostas irmãs serem aproveitadoras. Ela não podia vacilar.
Já era quase meia noite quando seu celular tocou interrompendo sua leitura e ela cruzou os dedos para que fosse Olavo, mas era um número desconhecido. Deixou tocar algumas poucas vezes antes de atender.
—Ola.
—Oi, aqui é o Lucas, filho do Osvaldo. Desculpe te ligar essa hora.
—Está tudo bem, eu estava acordada. — Ela se endireitou na cama preocupada com aquela ligação.
—É sobre a Ana. Ela passou mal, porém já cuidei dela e no momento ela foi dormir. Eu só queria avisar, porque ela vomitou e tudo o mais.
—Meu Deus. — Ela se arrependeu de parecer muito chocada em seguida. — Bem, ela vai ficar bem, ela só é muito sensível, acaba sempre ficando doente.
—Ah.
—Se puder traze-la amanha de manhã, seria bom ela descansar.
—Ou, eu posso cuidar dela.
Mirela achou estranho o comentário que era um pedido quase que ordenado.
—Seria melhor ela ficar de repouso pelo menos um dia, não acha.
Lucas parecia relutar do outro lado,mas por fim respondeu um "sim" entre dentes. Despediram-se e Mirela decidiu dormir e usar o dia seguinte para cuidar da meia-irmã.
—Se eu morrer antes do fim do plano, vocês sabem que podem cair fora daqui, não sabem? — Ana estava deitada na cama com suas amigas sentadas em volta dela apreensivas.
—Para de falar besteira . -Tamires resmungou.
—Estou falando sério. Não adianta ficar aqui sem mim se for pra Maiara casar com esse velho.
Elas ficaram em silêncio por longos minutos.
—Bom, o maldito decidiu que noivaremos daqui a uma semana. — Maiara se levantou irritada. — Então fique viva até lá.
—O que faremos? — Ana falou cabisbaixa. Nunca chegamos a casar com ninguém, nossos documentos são todos falsos, nossas vidas seriam arruinadas.
—Relaxa Aninha! — Maiara acalmou a amiga. — Não vamos deixar chegar a esse ponto.
— E sobre o noivado, como vai ser isso?
—Bom, tem empregados para organizar tudo então eu nem estou dando tanta opinião, só o suficiente para não gerar suspeitas. Tenho uma semana para aceitar que ficarei noiva do Osvaldo e quero que vocês me acompanham numa super despedida de solteira.
—Agora sim você falou a minha língua. — Mirela ficou de pé esfregando as mãos. Antes ou depois do noivado?
—Depois. Vai ser uma ótima desculpas para ficarmos bêbadas até o amanhecer.
—Concordo, e acho que deveríamos alugar um clube só pra gente. — Tamires completou bebendo na boca da garrafa de vinho que ela tinha consigo.
Por mais que cada uma delas tentasse disfarçar, estavam todas apreensivas, suas vidas estavam fora de controle pela primeira vez desde que estiveram todas juntas. Ana estava morrendo e a apavorava de uma forma que ela não sabia explicar, não conseguia simplesmente se conformar com sua morte, era como se ela ainda tivesse esperança,mesmo sabendo que não havia mais anda a se fazer. Todas sentiam medo e choravam escondias quando pensavam sobre isso. Tamires constantemente pensava na família e sobre quando diria para as meninas que estava caindo fora daquela vida. Enquanto isso Mirela só conseguia pensar na falta que sentia da mãe e em como ela saberia exatamente como deveriam agir naquele momento. Mesmo sendo louca, ela havia sido sua mãe. Maiara por sua vez, não conseguia parar de pensar no risco que corriam de não conseguirem concluir o plano a tempo e ela acabar tendo que casar com o velho, e pior ainda, seus documentos falsos serem descobertos. Uma descoberta dessa poderia acabar levando todas elas para a prisão.
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