Na tarde daquele dia, Maiara convocou uma reunião. As quatro se encontraram em um restaurante afastado , que ficava em Leme, para poderem conversar tranquilamente. As três estavam esperando Maiara pacientemente enquanto bebiam água e falavam do clima quente do mês de Abril ali. De repente viram uma Mariana furiosa descer do táxi batendo a porta e recebendo xingamentos do motorista que saiu cantando pneu.

—Eu não suporto este Bernardo. — Falou alto vindo em direção a elas.

—Qual deles é o Bernardo mesmo? — Tamires esfregou o rosto entediada. — Ah, o filho mais velho do seu precioso noivo.

Maiara sentou-se furiosamente na cadeira enquanto esticava o dedo do meio na cara de Tamires.

—O que houve? — Ana pergunta o que todas querem saber.

—Ele fica me encarando e me encurralando em todo lugar. E ele é muito gato.

—Eu estou entendendo bem? Você tem uma queda pelo seu futuro afilhado? — Tamires começa a rir enquanto as outras duas seguram a risada. — Por isso que você não quer casar com o velho, sua safada.

—Eu não tenho uma queda por ele, eu só acho ele gato e não gosto que ele me apareça de surpresa em todo canto. Fora que ele ainda fica me dizendo com aquela voz que eu não deveria casar com o pai dele.

—Com aquela voz. — Tamires debocha da amiga.

—Espera, ele te disse para não casar com o pai dele? — Mirela se atenta a importante. — Porque?

—Disse que eu mereço coisa melhor. Como se ele me conhecesse, acredita?

—Isso é estranho. — Mirela pensa.

—Não é não. — Ana se pronuncia. — Ele está afim dela, fim. Por isso ele não quer que Maiara case com o pai dele. Por isso ele passou a festa toda te observando, achei que podia ser porque desconfiava de você como todo mundo.

—Ele estava me olhando? — Maiara nem sabia disfarçar o interesse. — Enfim, não interessa. Semana que vem é a merda do meu noivado.

—Mudando rapidamente de assunto, deixem-me contar o que houve hoje no almoço e ontem o jantar.

Mirela contou com detalhes sobre seu confronto com as duas irmãs, Priscila e Mariana. Ela estava preocupada que a dupla dinâmica mais o irmão Diogo fossem ser um problema para elas então precisavam rapidamente de uma atitude para atrair a confiança dos três.

— A gente deveria matar logo o Osvaldo. — Maiara fala de repente fazendo Ana engasgar-se com a água.

—Como assim "matar logo"? — Ana reclama. — Ele não vai ser morto em nenhuma parte do plano. — Ela demonstra estar brava com isso.

—Ninguém vai morrer. — Mirela repreende Maiara com o olhar, que não parece se sentir nem um pouco culpada do que disse e cruza os braços recostando-se na cadeira de ferro. — Vamos agilizar o plano. A Ana hoje vai dormir na casa de praia com o Lucas, eu vou convidar o Olavo para algo e Tamires trate de fazer o mesmo, você foi muito bem ontem a noite.

—Eu vou continuar coletando coisa da casa e trazendo para vocês. — Maiara sorri tirando um relógio de couro, uma caneta de ouro e o apito de prata da bolsa.

—Esse pessoal não deixa a desejar. — Ana sorri pegando da mão da amiga o relógio e averiguando-o de perto.

Tamires não disse nada, mas desde a noite anterior não havia conseguido falar com Marcelo novamente e se sentia fracassada por isso. Contentou-se em sorrir concordando com tudo, tentaria entrar em contato com o rapaz assim que possível.

—Eu vou indo. — Maiara levantou-se mostrando o celular. — Esse velho já está me enchendo o saco novamente.

—Eu marquei com o Lucas então vou indo também, podemos dividir um táxi? — Ana seguiu Maiara.

As meninas se despediram deixando Tamires e Mirela sozinhas. Tamires mexia ansiosamente na toalha da mesa e Mirela observava aquilo analiticamente.

—Qual o problema? O que tem de errado?

—Não sei se vou conseguir? — Confessou sem dar detalhes.

—Ei, olhe pra mim. Você sempre conseguiu, você estava com ele na mão ontem. Você vai conseguir sim.

Tamires respirou fundo e balançou a cabeça concordando. Se mantiveram conversando ali por mais uns minutos.

Assim que Lucas e Ana decidiram entrar depois de várias horas conversando beira-mar, ela começou a sentir enjoo. Ela poderia usar a desculpa de que a alimentação havia feito mal a ela, caso vomitasse. Mas se começasse a tossir sangue ela teria que ter uma excelente história para contar. Se manteve fazendo o mínimo de movimento possível, para que o enjoo não afetasse tanto. Ajudou-o com um jantar simples enquanto conversavam animadamente. O enjoo até dava para ser escondido em meio a sorrisos.

—Ei, você quer ir tomar banho enquanto termino aqui? — Lucas perguntou amorosamente e ela concordou.

Achou que seria bom vomitar logo para o enjoo passar então ligou o chuveiro para abafar o barulho e colocou o dedo na garganta e pôs para fora o que havia comido naquele fim de tarde. Tomou um banho longo e relaxante, bem gelado. Vestiu um short e regata leves e abriu a porta do quarto.

—Se continuar enchendo o saco, vou estourar os miolos da sua mulher e filhos. — Ela ouviu Lucas falando e então viu-o colocando a mesa enquanto falava ao telefone. -Você já recebeu o que tinha para receber, não tente me extorquir, sabe do que sou capaz. -Ele desligou o telefone.

Ana voltou para dentro do quarto silenciosamente e ainda de olhos arregalados pensou sobre o que ele dissera ao telefone. Será que o doce Lucas seria capaz de matar alguém? Arrepiou com o pensamento, mas espantou-o antes que pensasse demais sobre o que não tinha nada ver com ela. Queria aproveitar que estava se sentindo melhor agora, então saiu novamente do quarto atraindo o olhar do rapaz. Ele a comia com os olhos enquanto Ana se aproximava.

—Vou tomar um banho rapidinho e volto para comermos, está bem? — Ele falou passando por ela ainda olhando seu corpo e piscou.

Ana apenas sorriu e sentou no sofá desconfortavelmente. Depois do que havia ouvido, sua visão de um jovem sedutor mudou para um jovem sedutor e agressivo.Mas, , quando ele sai do banheiro apenas de bermuda com o corpo atlético e secando os cabelos de qualquer forma, ela esquece completamente o sentimento ruim que estava. Infelizmente por não muito tempo já que de repente sua visão fica turva e ela escorrega para o lado sem conseguir se manter sentada.