As palavras que não refletem seu coração

3 Capítulo 3 - Para o bem de Yuzu e Mei


Notas iniciais
É a véspera da saída de Mei do colégio, mas Yuzu parece não desconfiar de nada. Mei, por sua vez, chega mais cedo ao conselho estudantil e lê dois relatórios sobre uma certa pessoa que ela não consegue esquecer. Harumin, Nene e Matsuri mexem os pauzinhos para ajudar Yuzu. Shiraho-senpai e Himeko também planejam algo para ajudar Mei.

Já é manhã de quinta-feira, e Yuzu acorda para preparar o seu bentô e tomar café com sua mãe, que conseguiu pegar dois dias de folga depois das terríveis horas-extras no serviço. Ume não quer saber de sair de casa; tudo o que ela quer no momento é tomar seu café e ficar no sofá o dia inteiro, se distrair assistindo a dramas coreanos românticos, com suas latinhas de cerveja e seus petiscos.

Os dias de folga de Ume também estão servindo como uma forma de escape, devido a uma preocupação que surgiu logo no começo da semana. Por meio de um telefonema vindo da mansão, Ume soube das novidades a respeito do casamento de Mei, o que a entristece, pois sabe que não é o caminho que sua filha do coração quer de verdade. Mei-chan, você é uma garota de apenas 17 anos, tem muito tempo pela frente antes de se casar, por que a pressa? Eu não quero que você cometa um erro que pode custar sua felicidade, os negócios de sua família são importantes, mas não podem contrariar o que está em seu coração. Gostaria que você voltasse para casa, não apenas por mim, mas por sua felicidade e por Yuzu! Foi só você partir e o clima ficou tão triste, Ume diz para si mesma, como se isto fosse o suficiente para Mei mudar de ideia.

Logo após receber a notícia bombástica, a mãe da gyaru ficou apreensiva, pois logo todos na escola saberão da proximidade do casamento. Qual será a reação de Yuzu? Com certeza não será a melhor, e é isso o que preocupa a senhora Aihara, que precisa se preparar para lidar com a dor da filha. Desde o telefonema, ela passou a sentir um aperto no peito do tipo que nunca havia sentido antes, como se fosse um aviso, um pressentimento sobre algo prestes a acontecer. E pelo visto, não deve ser nada bom.

Yuzu está totalmente alheia ao que as amigas e sua mãe sabem. Qualquer coisa que envolva o nome da sua amada parece ser uma faca pronta para ser enfiada em seu corpo. Por enquanto, ela se distrai do sofrimento colando o rosto nos livros, logo ela que tinha a fama de não ser aplicada. Ela conseguiu o top 50 da última vez, mas seu foco é chegar ao top 10 para, quem sabe, o avô postiço tenha algum tipo de consideração por sua pessoa. Talvez, quem sabe, até Mei se surpreenda e venha pelo menos parabenizá-la pelo feito.

Como nos últimos seis meses, o café da manhã transcorre silencioso, com poucas palavras trocadas entre mãe e filha. Entre goles e biscoitos, Ume olha de relance para a filha, a gyaru com um olhar distante pensando em outras coisas. Terminado o café, Yuzu vai até a geladeira pegar as sobras do jantar de ontem e prepara o seu bentô rapidamente, enquanto a mãe continua observando cada gesto da loira. Yuzu então volta ao quarto para pegar suas coisas e enfim ir ao colégio. Porém, antes de se dirigir à porta, ela é parada por sua mãe para uma conversa.

— Yuzu-chan, venha aqui só um pouquinho. Queria falar algo contigo. Você anda tão aplicada que nem um tempinho comigo tem mais! Sinto sua falta!

Ciente da verdade que a mãe acabou de dizer, Yuzu vai até o sofá e senta ao lado da mãe. Talvez ela se atrase hoje e receba uma bronca do conselho estudantil, mas diante dos últimos resultados escolares, não se preocupa muito.

— Desculpe, mama, não era minha intenção te deixar de lado. Vamos, sou toda ouvidos, pelo menos por enquanto!

— Então, querida, vou ser direta ao ponto: desde que Mei-chan voltou para a mansão por conta do casamento arranjado, você não é mais a mesma garota alegre e alto astral de antes. Quando vocês duas se conheceram, achei que as coisas não dariam certo, mas depois de um tempo senti que vocês criaram um tipo de laço, não sei explicar. Alguma coisa ruim aconteceu com vocês antes da Mei-chan voltar a morar com o avô? Você sente falta da Mei, certo?

Yuzu suspira por não querer tocar no assunto, mas já que é a mãe, ela cede.

— Mama... Eu e a Mei estávamos começando a nos dar bem, uma vendo um lado que a outra geralmente não demonstra quando está na escola. Eu via a Mei que a maioria da escola não tem a oportunidade de ver: uma pessoa com fraquezas e defeitos como todas as outras, que dorme facilmente em qualquer lugar, que não sabe ligar um forno microondas. Esses pequenos traços dela, que em nada lembram a kaichou disciplinadora e rígida da Academia Aihara, me deixavam feliz. Mas a saída repentina dela e a carta que ela me deixou, explicando os motivos, me deixaram sem chão. Fiquei desolada por ela não ter dito pessoalmente para mim, a irmã mais velha.

— Querida, temos que entender o lado dela. Como herdeira de um grande grupo, ela precisa assumir responsabilidades, e isso inclui abrir mão de muitas coisas que garotas como você podem ter. Eu, no lugar dela, não gostaria de ter meus passos desenhados de antemão. Mas a família dela faz parte de um mundo totalmente diferente do nosso.

— Eu sei, mama. Só que eu sei que não era isso o que ela queria. Ela inclusive me contou que desde pequena, ela aprendeu apenas a cumprir o que esperavam dela, nunca se sentiu no direito de pedir algo. Ela sair assim, de repente, para casar com alguém... alguém que ela não conhece, só porque o avô pensa primeiro nos negócios, é algo que partiu meu coração. Eu queria muito ela de volta, vivendo com a gente, como uma garota normal, que pode ficar junto da pessoa amada.

— Yuzu-chan, meu amor, olhe para sua mãe. — Ume pede e sua filha obedece. — Infelizmente, Mei-chan havia me pedido para não dizer nada a você sobre a volta à mansão. Eu senti que não era o que ela queria, mas não teve como recusar o pedido do avô. Não fique brava com ela.

— Eu não estou brava, estou triste e arrasada. Eu quero ela aqui comigo, com todos. A casa dela é aqui, ela pode pedir qualquer receita que eu preparo, ela pode me dar bronca e eu vou entender. Sinto muita saudade da Mei me ensinando as matérias da escola, dela ao meu lado na cama, no nosso quarto... — Yuzu fica vermelha e para antes que comece a falar coisas que não deve.

— Querida, tem algo machucando seu coração que você queira contar para mim? Você e Mei-chan criaram um laço bonito, e sinto que tem algo guardado com vocês duas, como um segredo que eu não sei. Eu estou aqui, pronta para ouvir e apoiar minhas duas garotas.

A gyaru então levanta e vai até a mãe e a abraça forte, lágrimas caindo. Ume fica consternada com o gesto e coloca as duas mãos entre o rosto da filha.

— Sou sua mãe, e qualquer luta que você tiver de travar eu estarei aqui para te apoiar. Você e Mei-chan estão sofrendo muito, eu sei. Eu estarei aqui sempre que vocês precisarem.

— Obrigada, mama. Me dê forças para enfrentar essa saudade que eu sinto. A casa está tão vazia e tão sem graça com a Mei ausente. Nem na escola conseguimos nos ver mais; ela mudou de sala, e os trabalhos dela no conselho estudantil ficaram muito mais exigentes, não a vejo nem quando passo um tempo a mais na escola. Parece até que ela não está mais lá, como se tivesse saído de vez sem dizer adeus até mesmo para Momokino-san.

— Ah, talvez ela esteja muito ocupada com outros assuntos familiares, provavelmente saberemos de algo nos próximos dias... — Ume hesita e quase deixa escapar a informação do casamento.

— Hein? O que tem nos próximos dias com a Mei? Ela conversou com você, mama? — Yuzu fica surpresa com o que a mãe fala.

Desconversando, Ume se levanta e apressa a filha.

— Ah, nada, foi só impressão sua, eu apenas pensei que talvez ela apareça aqui algum dia desses. Yuzu, vamos, se apresse, antes que o conselho te dê bronca!

Praticamente enxotada de casa, Yuzu calça seus sapatos e vai correndo até a estação de metrô.

______________________________

Mei chegou mais cedo à escola, trazida pelo motorista de seu avô. Como este é seu penúltimo dia na Academia Aihara, ela prefere adiantar todos os papeis pendentes antes de passar o cargo para Himeko. Sozinha na sala do conselho, ela vai até os arquivos ver os relatórios feitos pelos membros e professores. Nos relatórios dos últimos, ela alcança um arquivo em específico.

— Yuzu Aihara, segundo ano, turma 2-A. Participativa nas aulas, pontual, melhorou muito o desempenho nas últimas provas; ficou no top 50 de melhores pontuadoras da escola, notas acima da média em todas as disciplinas. Não tem demonstrado indisciplina além do uniforme inapropriado. No geral, seu comportamento e desempenho escolar espantaram os professores, que preveem um provável top 10 se o nível se cotinuar constante. — Mei lê em voz alta. Logo em seguida, ela pega o relatório feito pelos membros do conselho e faz a mesma coisa.

A aluna Yuzu Aihara têm colaborado ultimamente, chegando cedo à escola e indo direto para a casa logo após o termino das aulas. As companhias de sempre(Harumi Taniguchi, Nene Nomura e Matsuri Mizusawa) estão afastadas de sua pessoa, e portanto devem ter colaborado para a melhora no comportamento da aluna em questão. Exceto pelo uniforme, Yuzu Aihara têm seguido as normas da escola, e seu desempenho têm sido elogiado inclusive pelos professores.

Surpresa pelos relatórios a favor de Yuzu, Mei sente orgulho pela loira ter encontrado o caminho correto, ainda que tenha sido um tanto tardio. A kaichou lembra do fatídico dia em que viu Yuzu sendo beijada por Matsuri numa esquina perto de casa. Logo depois de ter presenciado a cena, ainda teve de reunir coragem para informar a gyaru do 97º lugar. Mei havia ficado possessa com a cena, sua cabeça focada na possibilidade de alguém vir tomar o lugar dela na vida de Yuzu. Aquele demônio de cabelo rosa teve a audácia de roubar um beijo da Yuzu! Quem essa garota pensa que é para desafiar Mei Aihara?

Depois de ter disputado contra Matsuri e ter vencido a batalha por Yuzu, a kaichou se lembrou da péssima noite de Natal, quando seus sentimentos foram recusados. Será que Yuzu se assustou por Mei ter ido com muita sede ao pote? Logo vieram os dois meses ignorando a gyaru, tentando fingir que ela não existia. Mei sentiu muita falta de Yuzu nesse período, mas não queria ceder e pedir desculpas pelo ocorrido. Um sentimento mais forte pela loira tomou conta da herdeira dos Aihara, mas sua falta de habilidade com as emoções a impedia de dizer que amava Yuzu. Foi só com a ajuda de Sara e Nina durante a viagem a Kyoto que Mei conseguiu enfim fazer as pazes com Yuzu. E foi a partir daí que seu romance com a gyaru deslanchou, chegando a um ponto em que já estava quase impossível esconder o namoro.

Mas aí vieram as responsabilidades da família Aihara e todos os planos designados pelo avô. Justo no momento em que o namoro das duas estava tão forte, em que ela havia ganhado um anel de compromisso da amada — Mei ainda se pergunta como Yuzu conseguiu comprar aquelas peças caras sem ninguém saber, incluindo Ume. De onde veio o dinheiro? Sabia que Yuzu recebia uma mesada da mãe, mas o dinheiro não seria suficiente nem para comprar um anel, quem diria um par. Como era um presente, ela não perguntou os meios que a loira havia usado para adquirir as joias. Simplesmente aceitou e guardou o anel como um tesouro.

Subitamente, a ficha caiu: estava de novo pensando em Yuzu! Quanto mais tentava se afastar da amada, mais Mei sentia falta dela. Por que quando a gente precisa se livrar de um pensamento, mais ele fica em nossa cabeça? Yuzu, Yuzu, Yuzu... É difícil parar de pensar nela, de todo o amor e atenção que ela dedicava a Mei. Apesar de a kaichou barrar todas as demonstrações de afeto, no fundo ela amava o quanto Yuzu a abraçava e pegava em sua mão em qualquer situação.

— Yuzu, o que você fez comigo? Eu não consigo mais tirar você da minha cabeça. Quanto mais eu tento, mais me complico. Droga, como vou assumir as responsabilidades do meu avô com você toda hora na minha memória? Como eu resolvo esse impasse sem decepcionar o vovô? Eu não sei se vou aguentar levar isso adiante, mas já dei minha palavra, não consigo voltar atrás.

Por dentro do uniforme, em volta do pescoço, a correntinha com o anel dado é segurado com força pelas mãos da kaichou. Amanhã é dia de se despedir da escola, da presidência do conselho estudantil, de Yuzu. A carta já havia sido uma despedida, mas agora é para valer. Nas próximas semanas, Mei só sairá da mansão do avô para ir até a mansão dos Udagawa, participar dos eventos familiares, ficar mais próxima do noivo. Não é o que ela gostaria, mas foi uma imposição do avô para agradar os Udagawa e reforçar os negócios familiares.

______________________________

Harumin não queria ir para a escola, não depois do que ouviu no outro dia quando ela, Matsuri e Nene toparam com Himeko no arcade. Infelizmente, sua irmã Mitsuko está em casa, e não pega bem dizer não para a ex-kaichou da Academia Aihara que conhecida e temida por ter liderado o conselho estudantil com mãos de ferro. A avó das Taniguchi até tenta suavizar o estilo durão da neta mais velha, mas não adianta, já que Harumin se sente desconfortável e com medo da disciplina imposta por sua onee-san. As duas não conseguem se comunicar direito como irmãs, são duas garotas com estilos de vida bem diferentes.

Quando Mi-chan vem para cá, eu não consigo ter muita liberdade, mesmo com a vovó dando bronca nela! Ah, por que ela apareceu justo agora? Queria ter uma desculpa para não ir hoje, mas não consigo pensar em nada, minha irmã me levaria à força naquela moto! E outra... como Mi-chan trabalha para o Grupo Aihara e sabe o que acontece na escola, provavelmente já sabia da decisão da Mei, só decidiu não contar para mim. Fico pensando agora em como eu vou encarar a Yuzucchi hoje, SE ela decidir aparecer depois da péssima notícia! Mas... E SE ELA AINDA NÃO SABE DE NADA?, Harumin se dá conta de que Yuzu pode não estar ciente do casamento próximo.

A caçula dos Taniguchi se arruma para tomar o café e, em seguida, seguir seu caminho para a escola. Ela desce as escadas e se senta à mesa, na companhia da avó, e depois percebe que a irmã ainda não acordou.

— Ué, Mi-chan não vai trabalhar hoje? Ela não é de acordar tarde!

— Ela tirou alguns dias de folga, parece que os trabalhos no Grupo Aihara estão puxados nos últimos dias. Algo me diz que o presidente da empresa está pensando em algumas mudanças.

— Hmm, entendi, vovó. Não sabia disso, a Mi-chan não é de comentar sobre o trabalho dela.

— Mas ela vai estar em casa o dia inteiro nesses dias, vocês podem conversar à noite. Inclusive Kayo-chan ficou de vir jantar aqui, Mi-chan a convidou. Vai ser muito bom ter mais gente aqui, a casa fica mais animada. Ah! Não demore muito para chegar hoje, Haru-chan, senão Mi-chan vai pegar no seu pé até não der mais.

— Ok, vovó, vou tentar. Não prometo nada, mas farei o possível.

Algum tempo se passa até Harumin pegar suas coisas e partir para a escola. No caminho, a garota pensa em se reunir com Nene e Matsuri, até para saber se alguma delas deu a notícia do casamento para Yuzu. A intuição dela diz que a loira ainda está totalmente por fora do que acontece no conselho estudantil, e que provavelmente nem quer ouvir mais o nome de Mei. Decidida a fazer algo, Harumin pega seu celular e envia uma mensagem para Nene e Matsuri, para que as três possam arrastar Yuzu e contar as más notícias.

Na chegada ao portão da escola, Harumin topa com Yuzu, que finge não estar desanimada para mais um dia no local de tantas memórias com Mei. Ela parece muito tranquila para o último dia da kaichou na Academia Aihara, o que realmente é um indício de que a gyaru não tem noção do que está havendo. Yuzu segue em direção à sala de aula, enquanto Harumin decide ficar para trás e aguardar por Nene e Matsuri.

— Bom dia, Harumin-senpai! Você estava com saudades de mim, por isso atrasou o passo para me esperar? Que gentil da sua parte! Sinto que devo retribuir com algo, tipo, um encontro... ou se você quiser outra coisa, só pedir que estou a sua disposição.

— Bom dia, senpai! Eu pensei ter visto você e Yuzu-senpai andando juntas, mas acho que foi só uma visão minha de HaruYuzu. Já estava começando a imaginar uma cena de Momoiro Sisters em que as duas protagonistas se... Ai, meu nariz tá sangrando no meu uniforme! — Diz Nene, com seus pensamentos pervertidos logo pela manhã.

— Bom dia para as duas! Olha, para começo de conversa, não sei porque ainda ando com vocês, duas doidas varridas e pervertidas. Eu desacelerei o passo porque preciso da ajuda de vocês. A gente precisa pegar a Yuzu e ajudá-la a resolver as coisas com a Mei. Só que tem um porém: parece que ela ainda não sabe que a kaichou apressou o casório, ninguém deve ter contado isso a ela.

— Hmm, pelo visto Mei-san deve ter usado o seu poder como presidente para calar qualquer uma que se atreva a falar do casamento. Não sei para quê manter o “segredinho” dela, já que ela nem estará mais aqui depois de amanhã. Além do mais, as garotas ricas já estarão sabendo e espalhando a notícia pelo colégio, é praticamente inútil querer esconder. Que estúpida! — Comenta Matsuri.

— Senpai, você já pensou em algo? Do jeito que Yuzu-senpai anda, é meio difícil alcançá-la. Digo isso porque não temos passado tempo juntas logo depois da escola, e mesmo no intervalo ela prefere passar um tempo sozinha ou ficar na biblioteca. Toda vez que tento ver você e ela juntas perto dos armários, não consigo mais, meu ship HaruYuzu está para afundar se continuar deste jeito... — Nene choraminga para Harumin, que então fala.

— Olha, a gente vai ter que dar um jeito, nem que a gente fique de tocaia na hora da saída ou invente alguma coisa para arrastá-la para algum lugar longe daqui. Eu posso tentar alcançá-la assim que a última aula acabar, vou inventar alguma desculpa só para ver se consigo segurá-la até vocês se juntarem. Já que é para todas ajudarmos Yuzucchi de algum jeito, que estejamos todas juntas quando a bomba cair.

— Eu até consigo escapar rápido da sala de aula, o problema mesmo é esperar pela Nene arrumar todas as coisas dela.

— Ei, Matsuri, hoje eu acho que consigo sair rápido, talvez eu deixe algum livro para trás! Só preciso ver se esqueço o livro certo!

— Bem, então a gente se encontra perto dos armários, logo na saída. Façam o favor de aparecerem o quanto antes, para que Yuzucchi não mude de ideia! Se vocês amarelarem, eu vou fazer questão de ignorar as duas pelos próximos meses!

Ao ouvirem a ameaça de Harumin, Matsuri e Nene sentem a corda no pescoço e entram em acordo para nada falhar. As três amigas de Yuzu rumam para suas respectivas salas, cientes de que hoje é o dia D do plano de ajudar a loira a resolver seus problemas com Mei.

______________________________

Himeko está nervosa com a véspera da saída de Mei do colégio. Sem hesitar, ela liga para Shiraho depois de tomar o café da manhã.

— Alô? Shiraho-senpai? Bom dia, aqui é Himeko Momokino. Se não for incomodá-la, poderia conversar um momento contigo? Eu sei que não deveria ligar a esta hora da manhã, mas é um motivo muito urgente!

— Ah, bom dia, Himeko-san! Claro, pode falar! É algo sobre Mei-san e Yuzupon, certo?

— Você já sabe então?

— Espere, Himeko-san, tem algo errado com as duas?

— Ah, então ainda não te contaram. Bem, é o seguinte: Mei-mei decidiu adiantar o casamento, e amanhã ela deixará de ser a presidente do conselho estudantil. Eu serei a sucessora dela, mas tem alguns outros detalhes que você precisa saber.

— Mei-san então decidiu adiantar tudo? Então era por isso que Yuzupon estava com uma aura tão negativa quando nos encontramos no começo da semana? Agora está explicado!

— Não sei nada sobre Aihara Yuzu. Aliás, não sei se já a comunicaram, visto que ela faz parte da família. Mas, enfim, o que tenho para dizer é outra coisa. Mei-mei não me parece nada feliz com a decisão, e meu maior medo é vê-la sofrer pelo resto da vida. Está muito claro para mim que, desde que ela saiu da convivência com aquela delinquente loira, tudo voltou a ser o que era antes, ou talvez até pior. Mei-mei está prestes a cometer o maior erro da vida dela, e eu não sei o que fazer mais. A tristeza dela é tão aparente que me fez lembrar de quando o pai dela saiu de casa. Por favor, senpai, preciso de sua ajuda, me dê alguma ideia para ajudar Mei-mei nesse momento tão complicado.

— Himeko-san, mesmo não tendo visto Mei-san nos últimos tempos, sei que as coisas não andam boas pelo modo como Yuzupon estava na última vez que a encontrei. Eu soube que as duas estavam longe uma da outra, mas não sabia que era por conta do casamento. O que posso te dizer é que Yuzupon está sofrendo muito, mesmo ela tendo dito para mim que estava tudo bem. Algo me arrastou para o mercado no dia em que encontrei com ela, e parece que era esse sofrimento envolvendo as duas irmãs.

— Eu não sei o que Yuzu e Mei-mei fizeram para ficar tão unidas. Toda vez que toco no nome daquela delinquente, parece que estou enfiando uma faca no peito da minha amiga. Alguma coisa aí me inquieta, mas não tenho coragem de perguntar.

— Vamos manter a calma. Que tal nos encontrarmos logo após as aulas? Invente alguma desculpa para o conselho, diga que sua família tem um assunto urgente para tratar com a minha, algo que seja plausível para Mei-san. Podemos esperar por Yuzupon e ver o que faremos.

— Entendi, senpai. Vou ter que mentir para Mei-mei, mas é para o bem dela... e de Aihara Yuzu. Nos vemos mais tarde, então.

Notas finais
Agradeço a tod@s que estão acompanhando esta fanfic de Citrus!