Notas iniciais
Então... essa é a minha prima fic publicada, e estou um pouco nervosa. >

Minha linhagem nasceu de um encanto há séculos atrás, em uma floresta onde o único cheiro que podíamos sentir era o de nossos irmãos e o que se escondia nela entre as flores. Com o passar dos anos, a floresta começou a ser invadida e a explorada. Meus antepassados acharam que seria interessante se misturar e conviver em paz com esses seres tão parecidos com a gente, e tão diferentes ao mesmo tempo. E assim nossa família como várias outras, começaram a viver no meio de humanos. E aqui estou, mais um ano nesse colégio, vivendo com humanos que nem sabem sobre minha verdadeira natureza e mesmo assim sou tratado como uma aberração.

"Odeio esse lugar, odeio esses cheiros! Isso tudo é inútil." Digo em um tom entediado. Olho ao redor do meu dormitório na minha escola preparatória e penso no quanto realmente odeio esse lugar. É irritante e chato. Sou mais esperto que alguns professores, nada de novo acontece aqui, nada de interessante.

"Não parece, já que você está aqui três semanas antes das aulas começarem" diz Laura, entrando logo atrás de mim. "E pensei que você estivesse treinado seu olfato."

"Não preciso de treinamento”. E o motivo pelo qual estou aqui tão cedo, é que não aguento todas aquelas cores e cheiros estranhos, entrando e saindo da minha casa. Mas isso não falo em voz alta, não preciso dar satisfações à minha irmã. Deixo as malas em um canto.

Venho de uma família mística onde nossas capacidades que nos diferenciam, como o fato de sentirmos cheiros onde normalmente pessoas humanas não sentem. Podemos ver cores em torno de cada ser vivo. Místico ou não. E isso tudo é frustrante. Não pelas cores, mas pelos cheiros. Cada linhagem de família tem um elemento em sua mistura, que foi adicionado a seu feitiço de nascimento.

"Tudo bem, irmãozinho. A escolha é sua" Laura revira os olhos.

"Ok. Não preciso mais de você. Pode ir agora." Falo e me sento na cama. Pelo menos é sempre o mesmo quarto, o mesmo cheiro. Benefícios de uma família poderosa, tenho o privilégio de não precisar dividir o quarto com mais ninguém. Ter o tio Peter como novo diretor do colégio não é nada mal em tudo. Às vezes minha genética pode ser útil.

"Que seja. Ligue se precisar de algo." diz Laura, chateada e irritada enquanto saia do meu quarto, deixando um rastro verde atrás de si. Não a culpo por ficar brava comigo às vezes.

Única coisa que preciso é ficar sozinho, e de um enrolado de maconha. Penso enquanto vasculho minha bolsa com minhas drogas variadas.

Conheço melhor do que ninguém esse colégio. Tenho andado por ele há anos e sempre escondido pelos cantos, me mantendo distante o máximo possível de pessoas.

Gosto de privacidade, preciso de meu lugar habitual.

Aqui posso ter o mais próximo da felicidade.

Paro e me reclino na parede, puxando um enrolado, acendo e deixo a fumaça tomar conta de meus pulmões e mexer com a minha cabeça. Fico pensando se esse ano será diferente, se algo poderia mudar. Eu sei que não, mas às vezes me prendo na fantasia, de me sentir livre, como me sinto quando estou sozinho escondido aqui ou quando consigo fugir para mais longe, onde encontro somente árvores e pedras, os cheiros são deliciosos e é silencioso.

Agora o local está coberto com muita fumaça, e o cheiro é ótimo. Ninguém entenderia ou acreditaria se eu dissesse que pra mim, maconha tem cheio de morango e a fumaça uma linda cor amarela brilhante. E porque eu contaria para alguém? Não tenho amigos, não tenho companhia. E eu prefiro assim.

É cansativo olhar para as pessoas e ver que seus sentimentos são sempre opostos de suas palavras. Ver alguém alegre, mas sua cor está opaca e pouco trêmula. E também, pessoas são entediantes e óbvias.

Me levanto lentamente. Estou exausto, meu corpo parece mais pesado que o normal. Preciso de uma noite de sono, depois de dois dias sem dormir.

Chego ao meu dormitório, me deixo cair como uma pedra na cama. Inclino a cabeça para trás e respiro profundamente, me deixando levar e esquecendo meu lado sensível. Com o pensamento seguro que sou o único por perto...

Até que sou atingido por um odor totalmente diferente, é um cheiro doce, ácido, amargo. Deus, eu não consigo distinguir. E por agora me arrependo amargamente de ter fumado.

Drogas sempre ampliam meus sentidos.

"Merda." Sussurro virando a cabeça no travesseiro, tentando esconder meu nariz. Porém é inútil, esse cheiro é mais forte do que qualquer outro que já senti.

Como pude ser estúpido em acreditar que não haveria mais ninguém no colégio? Balanço a cabeça de um lado para o outro e penso em sair mais uma vez do quarto, para fugir dessa sensação. E logo mudo de ideia. A pessoa pode estar no corredor, pode estar muito perto, se não o cheiro não estaria tão forte assim.

Tendo me controlar e deixar o cheiro de lado. Ando em direção ao banheiro. Tomar um banho pode me acalmar e relaxar, já que as drogas nesse momento seria uma péssima ideia.

De cabeça baixa, deixando a água cair em minha nuca, e o vapor tomar conta de todo meu corpo. Respiro o menos possível, até que o banheiro é invadido pelo cheiro que a água quente sempre tem, de banana. Me permito continuar assim por algum tempo, até que meus dedos estão enrugados.

Talvez seja melhor eu tentar dormir, já que aquela sensação de doce, ácido e amargo saiu de alcance.

Por duas semanas evito o máximo sair do dormitório, tendo em meus pensamentos a certeza de que os novos alunos começaram a chegar.

O tédio e a irritação tomam conta de meu corpo. Toco violino durante o dia e de noite sempre estou a fugir, para respirar aliviado.

E mesmo assim, aquele cheiro não me deixava. Parece estar sempre por perto, fraco em alguns momentos, mas sempre estou a senti-lo. Isso é irritante.

Começo das aulas.

Tenho feito meu treinamento de controle do olfato. Mas nunca admitiria isso a Laura, não daria esse gosto de que ela está certa e que preciso de treinamento.

Ando pelo corredor após os fins das minhas matérias habituais. Quando observo um grupo de alunos e já sei pelo que está por vir, e me preparo.

“Ei esquisito.” Grita Jackson, enquanto ele vem em minha direção e derruba todos os meus livros.

Não entendo o motivo por eles ainda insistem com esses insultos, seria ele tão cego, ou apenas estúpido em pensar que isso me chateia ou me incomoda. Talvez seja pelo fato de que sua namorada continua o traindo com um dos seus amigos e ele finge não reparar. Então joga todas as suas aflições em alguém 'frágil'.

Jackson para em minha frente me encarando de perto. Com ele está Sally, Anderson e James. Todos em suas cores trêmulas, e chatas. E continuam a me insultar. O máximo que faço é revirar os olhos.

Quando vejo que o curto vocabulário para me ofender está prestes a chegar ao fim, e penso em abaixar para pegar meus livros, uma voz desconhecida atravessa o corredor. “Ei, algum problema aqui?” E os passos ficam mais próximos. Eu não olho para o lado, nem perco tempo, apenas me abaixo e começo a recolher meus livros.

“Não Stiles, está tudo certo”. Escuto Jackson falando ao alto. “Até mais, aberração”. E ele se retira.

Isso foi estranho, mas não o suficiente para chamar minha atenção.

“Precisa de ajuda.” Uma voz estranha me pergunta.

“Não.” Digo seco e áspero, sem nem ao menos olhar para ele, e espero que isso o faça se afastar.

Ainda estou no chão, e quando o silêncio toma conta do lugar, acredito que funcionou e que estou sozinho. Assim me permito respirar mais profundamente, tendo em conta que eu estava segurando o máximo minha respiração e soltando pequenas rajadas de ar pela boca.

Reparo tarde demais o meu erro, de não olhar primeiro antes de me sentir aliviado. Porque aquele cheiro, aquele maldito cheiro toma conta de todo lugar, parece que até estar grudado em mim. Deus isso é uma maldição, minha genética é uma terrível maldição.

Prendo a respiração e me levanto, olhando em volta. É quando percebo que tem um garoto parado alguns centímetros de distância. Meus olhos se abrem em espanto, e quase deixo meus livros caírem novamente. Minha boca está ligeiramente aberta e não para respirar, e sim em espanto. Esqueço que estou prendendo a respiração e suspiro profundamente.

Mas que merda é essa. Estou enlouquecendo, só pode ser isso. Minha mente enfim veio a falhar, as drogas estão fazendo um efeito estranho em minha cabeça. Isso não é normal. Porque esse garoto não tem cor, ele está totalmente limpo, sem aura, sem cores trêmulas, nada brilhante. Oh Deus. Fecho os olhos e abro lentamente, como se em mágica a cor fosse aparecer. Então nada, nada mesmo.

“Você está bem?” Pergunta o rapaz enquanto se aproxima. É quando percebo que estava encarando-o por tempo demais, devo estar parecendo um louco aqui parado e olhando para ele sem motivos.

“Sim.” Falo sem certeza, e ele sorri. O que significa, que realmente está feliz, contente ou só sendo educado. É difícil saber sem uma cor para preencher o espaço vago em volta dele.

Ele inclina a cabeça para o lado ainda com um sorriso bobo no rosto. Então percebo que estou encarando-o novamente. Limpo a garganta e começo a caminhar, deixando minha curiosidade e espanto de lado.

Ando o mais rápido que posso, e percebo que ele está bem atrás de mim. O que? Porque ele está me seguindo? Eu quero me virar e perguntar, mas por hoje acho que já me envergonhei o suficiente.

Mas isso está me incomodando, quando chego a porta do meu quarto, ele ainda está atrás de mim, então me viro e penso em falar algo. É quando o vejo entrar no quarto ao lado do meu. Ótimo ele dorme próximo a mim.

Entro em meu quarto e vou direto para o chuveiro, preciso pensar, preciso de minha respiração regular. Estou ficando louco, o que está acontecendo comigo? Estou perdendo meus sentidos, seria isso? Mas porque ele tem o cheiro tão forte e nenhuma cor?

Após o banho sento na cama, com a mãos em meu rosto. Por isso o cheiro é tão forte, eles estão aqui ao lado, preciso pesquisar sobre isso. Tenho que saber mais. Aqui não vou conseguir nenhuma resposta. Preciso chegar em casa.