Notas iniciais
Finalmente um capítulo de tamanho humano kkkk

Agora***
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Acordei ligeiramente assustado. Algumas desatinas lembranças do passado vieram á tona para me atormentar, ou para me lembrar do quão fui feliz.

Faz apenas dois dias que as meninas viajaram e nem ontem, nem hoje Grimmjow deu as caras, o que me leva ao questionamento: mas isso é bom ou ruim, porra?!

Meu telefone toca em algum lugar da escrivaninha. Dormir sentado na cadeira apoiado nesta mesa não é lá muito confortável.

Ergo o tronco e ouço alguns estalos acompanhados de uma dor nas costas. Pareço até um velho.

O celular parou de tocar no segundo em que o encontrei soterrado por folhas de atividades; livros e cálculos de química. Apertar os olhos foi quase inevitável ao ver quem me ligara.

Rukia.

Tsc. Ela parece estranhamente preocupada sobre qual o meu relacionamento com Grimmjow. Reviro os olhos, soltando um letárgico suspiro.

A baixinha nunca foi lá uma grande fã do azulado, contudo apoiava nosso relacionamento nos tempos do ensino médio, entretanto isso não é mais o ensino médio. Esses tempos estão ficando cada vez mais distantes e eu não preciso que meu amor colegial retorne e atrapalhe meu casamento precoce. Acho que para elucidar os fatos para Grimmjow, precisarei desenhar que definitivamente não irei escusá-lo por seus erros. Definitivamente não!

Levanto da cadeira, espreguiçando o corpo, não tendo uma exata noção de tempo. Arrasto-me até o banheiro, notando as marcas de caderno perfeitamente desenhadas em minha bochecha e testa ao ver meu reflexo no espelho. Pela provável décima vez, solto um suspiro cansado, logo inclinando o rosto sobre a pia, jogando um pouco de água.

Está escuro lá fora e segundo o aparelho celular são exatamente onze da noite. Para minha alegria, amanhã é sábado e não tem faculdade. Sem faculdade, sem Samantha, sem Hanna. Sem Grimmjow...

Que tédio de vida. Não sou fã de ficar tanto tempo sozinho.

Rukia e Ishida mudaram de cidade para fazerem suas faculdades. A cidade que Rukia está morando é vizinha a Karakura, por isso não ficou tão distante assim. Renji está muito mais ocupado do que eu, já que está levando a faculdade de engenharia civil realmente a sério. Ainda vejo Sado e Orihime algumas vezes perdidas, entretanto eles não são diferentes dos demais, também sempre ocupados com suas faculdades. E Grimmjow... Eu não sei. Agora que parei para pensar, percebi que realmente não faço a mínima ideia sobre que faculdade ele está cursando, se é que cursa alguma; se arranjou um emprego; se se apaixonou por alguém em algum intervalo entre esses três anos...

Suspirei.

Apenas queria esquecer essa rotina de estudos pelo menos por um dia. Fitei a escrivaninha atentamente, focando cada folha, cada cadeia carbônica, cada tese, cada livro, cada grupo funcional, cada ramificação... Realmente estou sem cabeça para continuar estudando. Mostro-me inexorável para as súplicas que os livros fazem a mim; como se berrassem para que eu os leia. Foda-se isso, porra!

Balanço a cabeça vagarosamente antes de tomas o aparelho celular nas mãos e ligar para Rukia. Caminho até a cozinha, pegando na geladeira alguns ingredientes para um sanduíche.

— Ichigo? – pergunta do outro lado da linha. Ponho os fones de ouvido e coloco o celular no coes de minha calça moletom.

— ah, oi Rukia. – cumprimento-a.

— está tudo bem?

— está sim.

— então... Como foi com o Grimmjow? – indaga aparentemente muito interessada no assunto. Reviro os olhos, já completamente ciente de seu intento.

— em nosso encontro, quase soco a cara dele pela segunda vez um dia depois de tê-lo socado. – informo aos risos, ouvindo um suspiro vindo do outro lado. Um suspiro que parece me censurar, ou talvez censurar o outro mesmo antes de saber o que houve.

— aquele idiota... O que ele fez?

— falou o que não devia. – informo pegando os ingredientes e começando a monta meu sanduíche. Ouvi um segundo suspiro vindo da pequena, entretanto, dessa vez é um lúcido suspiro de desaprovação.

— aquele desbocado... – resmungou aparentemente chateada. Fez-se um breve, porém incomodo silêncio. Apertei os lábios

— err... Como está a faculdade?

— bem. – diz simplesmente. – Olha Ichigo... Eu sei que foi difícil para você aquele último ano do ensino médio, mas... Ele sente muito, falou? Só é burro demais para pedir desculpas. Já faz três anos, acho que deveria deixar para lá... – revirei os olhos.

— eu já deixei pra lá Rukia. Só não me vejo mais com ele. Passou.

— será que você poderia conversar com ele? Só isso? – terminei meu sanduiche e peguem uma garrafinha de suco, arrastando-me até a sala, antes de desabar sobre o sofá.

— por que toda a preocupação com esse assunto? Pensei que você não gostasse dele.

— não sou uma fã, mas reconheço o quanto ele te fazia bem. – ao ouvir sua última frase, revirar os olhos foi inevitável.

— Rukia...

— Ichigo, você pode me dar ouvidos apenas uma vez em sua vida? Converse. Com. Ele. – ordenou pausadamente; usando aquele tom ameaçador de arrepiar até meus ossos.

— eu não vou... – bip. Ela simplesmente desligou em minha cara? Mas que droga! O que deu nessa garota? De repente ela passou a amar desliga o celular em minha cara e sempre quando estou no meio de uma frase indubitavelmente importante. Já está começando a me irritar.

A confusão com Grimmjow no ensino médio, foi apenas um ato desatino, o qual me soou caso de assassinato na época do ocorrido, agora me soa uma grande besteira, um ato completamente infantil; digno de meu perdão, contudo não posso ter um caso com ele. Eu cresci, tenho minha família. Por que deixaria minha vida estruturada por um amor colegial que é incrivelmente egocêntrico, snobe e arrogante? Para completar ele se acha muito engraçadinho, aquele smurf.

Tudo bem que ele não comentou sobre voltarmos; na verdade não deixei nenhuma deixa para que ele falasse seja lá o que for. Nem o deixei contar sua versão-de-cara-arrependido ou algo do tipo, mesmo que duvido muito que ele venha a pedir desculpas.

Reviro os olhos para meu sanduíche, como se toda essa merda fosse culpa dele. Encaro-o por breves segundos, não tradando a perceber que o mesmo não aprece nada apetitoso. Suspiro

E se ele me pedisse desculpas? As desculpas que provavelmente procrastinou até agora. As desculpas que me deve. O que eu faria? Separar-me de Samantha? Brigar pela guarda de Hanna? Tira minha esposa de meu apartamento e viver como uma família feliz, Hanna, Grimmjow e eu? Quanta estupidez...

Por que aquele idiota não consegue ser mais incisivo quando o assunto é consertar burradas causadas por si mesmo? Quase pulo do sofá quando meu celular vibra no coes da calça moletom. Atendo pelo fone, torcendo que seja Rukia pedindo mil desculpas; informando que a ligação havia caído; que o sinal estava ruim, o que obviamente seria uma grande mentira.

— alô?

Faz-se um breve silencio até que o ouço murmurar:

— yo.

Tão clichê. Cena de filme. Está você á pensar nesta pessoa quanto ela simplesmente te liga. Suspiro. Entre todas as coisas que eu poderia dizer; entre todos os atos que eu poderia escolher como desligar a ligação ou atirar o celular janela a fora eu escolhi a opção mais pacifica.

— yo... – murmurei. Não sei por que, um leve e abobalhado sorriso me cortou os lábios. Talvez eu pense em seguir o conselho de Rukia. Talvez!

Que ele tem algo importante para me dizer é óbvio, mas que ele vá dizer... Isso já se torna um assunto incrivelmente delicado.

— soube que as mulheres da casa viajaram. – comentou incisivo.

— como você soube?

— tenho minhas fontes. – aquele risinho soou como sempre irritante. Revirei os olhos, não evitando bufa.

— suas fontes têm nomes? – indaguei meio irritado e cavouquei minha memória na tentativa de lembra para quem eu dei aquela informação. Não me lembro de ter dito para Rukia; ela seria a principal suspeita de traição já que parece está do lado dele. A baixinha seria a informante mais óbvia, porém não me lembro de ter dito nada disso á ela.

— tem sim. Mas não posso dizer para você. Isso é confidencial. – novamente revirei os olhos.

— tem algo que queira me contar? Conte de uma vez. – resmunguei impaciente, colocando meu sanduiche no criado mudo.

— tem mais de uma semana que quero te contar, porém tem que ser pessoalmente. Me de o número de seu apartamento. – fiquei estático por breves segundos, logo soltando uma risada. Sério? Hmm... Ele soou bastante sério para mim.

— não. Sem essa. Fale por aqui. – ordenei em um resmungo, ouvindo um risinho do outro lado da linha.

— o que foi ruivinho? Não confia em mim? – seu tom é sarcástico e posso agora mesmo imaginá-lo com aquele sorriso sacana, talvez um tanto snobe desenhado nos lábios.

— nem um pouco. – soltei sem dar voltas.

— ora, ora. Por que não confiaria? – revirei os olhos.

— porque você é um ótimo molestador e... – parei. Espera... Eu acabei de dizer Ótimo? Trinco os dentes antes de apertar os olhos. – err... Eu quis dizer que você é aproveitador, e provavelmente se aproveitaria da situação. – emendei quase que sem pensar, em seguida me amaldiçoando por ter dito algo tão insensato. Ele riu. Exatamente aquela risada que odeio.

— entendi o que quis dizer... Te vejo depois.

— espera, como... – bip. Ora aquele... Não acredito que desligou em minha cara. O que é isso? A nova brincadeira Vamos desligar na cara de Ichigo? Detestei.

Não lembro exatamente quando, mas foi ligeiramente tentados fechar as pálpebras, apenas uma pausa para descansá-las... Apenas uma pausa? Para quem não dormia bem há quase uma semana, esse cochilo foi revitalizado, porém dolorido já que dormir sentado no sofá. Dormir sentado se tornou um clichê. É dormida depois de dormida, sinto que a curvatura de minha coluna está começando a in para o lado errado aos poucos.

Espreguiço-me, ouvindo o mesmo som que ouvira em meu sonho. Um estressado toc, toc; o mesmo que soa cada vez mais impaciente. Checo as horas no aparelho celular, constando que já marca duas e quarenta e cinco. Suspiro e cambaleio pela sala.

— quem é? – indago soando um tanto quanto rabugento. Não houve resposta do outro lado, o que me fez trincar os dentes e revirar os olhos. Bem que Samantha sempre falou que deveríamos por um olho mágico para simplificar nossas vidas.

— quem é porra? Espera que eu adivinhe? – resmungo impaciente, apoiando o antebraço na parede, usando as costas de uma das mãos para coçar os olhos. Ao perceber que o silêncio reina, acabo por rosnar.

— é você Grimmjow? – perguntei quase certo, já que nenhum outro idiota em sã consciência bateria na porta de alguém ás duas da manhã sem nenhum aviso prévio. O silêncio retumbou, propagando-se á cada segundo. Ri baixinho e cocei a nuca.

— é você, não é mesmo? – indaguei rindo. O silêncio insistiu como a resposta mais odiosa de todas. Suspirei e destranquei a porta, abrindo-a em seguida.

Com uma cara de tacho encarei seu sorriso arrogante, como se ele soubesse que eu abriria e isso soa muito engraçado. Os cabelos azuis estão um tanto quando desgrenhados. Minha expressão não mudou em sequer um tom antes de bater a porta em sua cara.

Respirei fundo e me encostei á parede. Tudo continuou quieto até que normalizei minha respiração a mesma que está estranhamente descompassada; olha que ele ainda anão me fez nada. Não que eu esteja pensando que... Esquece.

Voltei a abrir a porta. Ele me encara com a mesma expressão, o mesmo sorriso. Revirar os olhos é inevitável. Não o convidei, porém ele veio entrando, tirando os sapatos, fuçando as coisas de minha escrivaninha e estudando a casa, como se fizesse um mapa em sua cabeça de cada centímetro deste lugar.

— ninguém nunca te ensinou que não se abre quando não se sabe quem é? – indagou pegando o sanduiche que estava em meu criado mudo e dando uma mordida, logo se sentando no sofá. Que acomodado. Revirei os olhos e cruzei os braços, tendo as sobrancelhas erguidas enquanto o encaro sentir-se em casa.

— quem disse que eu não sabia quem era? – perguntei sorrindo, vendo-o revirar os olhos.

— se você tá dizendo... – murmurou de boca cheia, logo se apossando de meu copo de suco. – acredito que você sabia que eu viria. – sorriu, erguendo o sanduiche como quem faz um brinde. Pela décima vez revirei os olhos, dessa vez estalando a língua e me encostando a parede.

— quem disse que fiz isso para você? Era meu lanche. – informei pendendo a cabeça para o lado. Ele apenas assentiu. Suspirei e o observei me encarar enquanto termina de comer.

— então... Diga. – ordeno, vendo o azulado erguer uma sobrancelha e me encara desentendido.

— o quê? – pergunta em algum tipo de resmungo que soa como sempre grosseiro.

— você encheu meu saco na última semana. Disse que tem algo para me contar, porém tem de ser pessoalmente. Estou esperando. – resmunguei impaciente.

— não fale nesse tom comigo. Pensei que eu fosse arrogante. – resmungou tomando o suco e pousando o copo sobre o criado mudo.

— será que pode ser mais incisivo? Está tomando minhas horas de sono. – resmunguei e o vi arquear as sobrancelhas. Suspirou, entrelaçando os dedos, apoiando o queixo ali como se fosse um pensante sagaz.

— sobre aquele problema do último ano... Foi mal. Eu... Eu não deveria ter feito. Fitei-o com minha melhor cara de paisagem e reticências se formaram ao topo de minha cabeça. Era essa a paz interior pela qual ele procurava? Encheu-me esse tempo todo para dizer isso?

— err... Você só tem isso á dizer? – indaguei. O outro fez careta, externando seu desagrado antes de bater o pé, como se fosse um pirralho birrento.

— e o que você esperava cabeça de cenoura? – resmungou cruzando os braços. Sinceramente... Ele ainda usa esses insultos infantis?

— algo menos clichê que um pedido de desculpas esfarrapado de um smurf arrogante. – rebati no mesmo nível de infantilidade, talvez mais um pouco maduro. Ele cerrou os olhos e levantou em um passe, me puxando pela gola da camisa.

— do que me chamou maldito? – perguntou com um sorriso psicótico, rosnando as palavras.

— smurf arrogante. – repeti com prazer antes de lhe socar o queixo. Ah como eu queria socá-lo. Ele me olhou segurando o maxila, abrindo a boca como quem confere se ainda está ali.

— ora seu cenoura estragada! – rosnou vindo em minha direção com o punho preparado para me acertar, segurei seu braço e senti que meus reflexos ainda continuam bons, porém infelizmente fui atingido por uma joelhada no estomago. Trinquei os dentes com a dor; fazendo impulso, chutando certeiramente o meio de suas pernas.

Encarei os olhos azuis arregalados antes de seu corpo desabar. Contorcendo-se de dor, segurou saco enquanto me amaldiçoava verbal e mentalmente.

— seu maldito... – murmurou com a voz falha; entrecortada. Sorri satisfeito, gabando-me por meu feito.

Logo a porta do apartamento foi aberta bruscamente. Rukia adentra o local tirando os sapatos e encarando a cena com os olhos sobejos, como se tentasse deduzir o que houve aqui. Franzo o cenho.

— Ichigo! Grimmjow! Parece que me atrasei.

Notas finais
O que acharam? ^^