As Três Faces do Medo.
22 Capítulo 21: Fortalecendo Laços parte I.
Notas iniciais
Tudo bem?
Aqui está um novo capítulo... Ele será como uma passagem de tempo (o próximo será semelhante)... Na verdade seria apenas um capítulo de passagem de tempo, mas como ele estava ficando enorme decidi dividi-lo em duas parte e postar a que já estava pronta (assim não demoraria tanto para postar!^^)
Quero mandar um agradecimento à quem favoritou, adicionou aos acompanhamentos e quem comentou. Muito obrigada seus lindos!^^
Um abraço especial para "Amaterasu nix" que escreveu uma linda recomendação!^^
Vamos ao capítulo! o/
Ps: Não betado... Qualquer erro me avisem, por favor!^^
Agosto...
Itachi tinha atendido diversos pacientes, mas havia ido mais cedo para casa, pois Naruto ligou avisando que não iria à consulta do dia. Quando o moreno abriu a porta do apartamento um aroma delicioso o atingiu, fazendo-o perceber o quanto tinha fome. Mas espera! Quem estava na sua casa?
Em total silêncio, largou a maleta que carregava e caminhou até a cozinha. Todos seus instintos e sentidos concentrados em descobrir e atacar o invasor. Apesar de ter se formado médico, havia passado grande parte do seu tempo livre treinando artes-marciais para poder se defender e atacar com perfeição, caso necessitasse.
Assim que entrou na cozinha e viu quem estava diante do fogão seu corpo todo relaxou, mas a expressão compenetrada ainda estava lá. Como ele havia entrado ali?
O homem que estava cozinhando virou cantarolando uma música qualquer, mas quando os olhos negros caíram sobre a figura séria parada a porta, todo o rosto bonito se contraiu em uma careta de susto, enquanto da boca saía um grito pouco masculino.
Itachi riu, relaxando a expressão...
- Você quer me matar de susto, Itachi?! – Levou a mão ao peito e tentou controlar a respiração descompassada.
- Você invade a minha casa e eu que tento te matar de susto, Shisui? – Arqueou uma sobrancelha.
O mais velho fez uma falsa expressão indignada...
- Eu invadi sua casa para preparar seu jantar. – Cruzou os braços. – Sou o amigo legal, lembra? E achava que iria conseguir terminar ante de você chegar. – Resmungou a última parte.
- Você ia preparar o jantar e ir pra casa? – Se aproximou do fogão e descobriu que o mais velho estava preparando curry e arroz. – Como você entrou aqui? – O encarou com uma sobrancelha arqueada.
- Com a chave extra que você deixa escondida dentro do vaso ao lado da porta. – Sorriu abertamente e voltou a se concentrar na preparação do jantar.
Itachi girou os olhos, deveria saber que qualquer dia o outro iria invadir sua casa. Dando de ombros saiu em direção ao seu quarto, iria se banhar e trocar de roupa para depois apreciar o jantar preparado pelo amigo.
Shisui o acompanhou com os olhos e sorriu, logo voltando sua atenção ao curry.
Após o jantar os dois se encontravam na sala assistindo um programa qualquer na televisão, ambos no sofá maior. O mais velho estava deitado com a cabeça apoiada no colo do mais novo, que estava sentado de forma relaxada. Eles sempre tiveram esse costume, mesmo que fosse considerado estranho para outras pessoas.
- Você sabe por que o Naruto-kun não foi à consulta? – Shisui indagou calmamente. – Tem relação com a recente volta do Nagato-san ao País do Vento?
- Não. – Balançou a cabeça em negativa e olhou para baixo, fitando o amigo diretamente nos olhos. – Ele disse que tinha que conversar com o Sasuke. – Deu um pequeno sorriso.
- Esses adolescentes hormonais. – Sorriu divertido, mas depois ficou mais sério. – Espero que esse dois pirralhos sejam felizes... Eles merecem.
- Eu também acho. – Suspirou e voltou a encarar a televisão, mas os olhos estavam opacos. – Eu realmente espero que nada de ruim aconteça...
Shisui se ajoelhou no sofá e virou-se para Itachi, fazendo-o fitá-lo nos olhos.
- Ei, Itachi. Não comece com esses pensamentos pessimistas... Você disse que está avançando bastante com o caso do Naruto-kun e o Obito também disse que está conseguindo reunir todas as informações necessárias pra prender o Madara.
- Eu sei, mas aquele maníaco pode agir a qualquer momento, Naruto ainda não se lembra dele exatamente e... – Sentiu um dedo tocar seus lábios e fitou o mais alto com olhar confuso.
- Ele ficou muito tempo sem fazer nada e parece que agora está voltado apenas para os problemas da corporação. Vamos acreditar que ele desistiu do garoto Uzumaki, ok? – A voz saiu extremamente séria e os olhos brilhavam com confiança. – Precisamos acreditar nisso e, além disso, estaremos vigiando o Naruto-kun e também o Madara, certo? – Piscou um olho e afastou o indicador dos lábios finos do amigo.
- Tudo bem. – Assentiu calmo, mas ainda ficou encarando os olhos negros diante de si.
- O que foi? – Franziu o cenho. – Tem alguma sujeira no meu rosto?
Itachi balançou a cabeça negando e deu um pequeno sorriso.
- Eu apenas me lembrei do que conversamos no dia que o Naruto fugiu. – O sorriso aumentou quando viu a expressão desconcertada do moreno de cabelos curtos.
- Sobre aquilo... – Coçou a nuca, um tanto sem graça. Sabia exatamente do que o outro estava falando.
- Você estava com ciúme do Kisame, simples assim. – Virou o tronco e colocou uma perna sobre o sofá, ficando de frente para o mais alto.
- Como se fosse realmente simples. – Apontou em tom acusatório. Estava se sentindo um maldito adolescente envergonhado, mesmo tendo quase trinta anos.
- E é simples, Shisui. – Sorriu divertido. – O que tem de tão complexo? Você tem ciúme de mim. Só resta saber se é ciúme fraternal ou não. – Deu de ombros.
O mais velho estava totalmente abobalhado com a atitude do amigo. Apesar de não terem uma mente fechada, nenhum dos dois jamais tinha se relacionado com pessoas do mesmo sexo e Itachi agia como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- O que você vai fazer se não for um ciúme fraternal? – O tom saiu sério e rouco. – E se eu disser que sinto ciúme por amar você de forma nada fraterna?
- Bom... – Fez uma expressão pensativa. – Eu teria que te dizer que temos um problema.
- Um problema? – Enrugou as sobrancelhas.
- Sim. – Assentiu com extrema seriedade. – Eu sou um cara cheio de problemas, com pouco tempo livre e esse tempo livre já é ocupado por uma pessoa muito importante... – Pausou. Seus olhos calmos vagaram pela postura e expressão tensa de Shisui. – E eu já amo essa pessoa há bastante tempo, mesmo que nunca tenha deixado muito claro.
Shisui ficou em silêncio. Os olhos estavam neutros e ele se endireitou no sofá, ficando de perfil para Itachi. Ficaram um tempo em um silêncio tenso, o mais novo carregava a típica expressão calma e o mais velho parecia frio e distante, como um perfeito Uchiha.
- Certo... – O de cabelos curtos se levantou. – Você deveria começar a se abrir mais com seu melhor amigo, Itachi. – Deu um sorriso sarcástico. – Evitaria muitas coisas. – Começou calçar os sapatos que estavam ao lado do sofá.
- Shisui. – Itachi chamou suavemente, sem nem sair da posição em que estava.
– É melhor eu ir pra casa... – Murmurou, não encarando o amigo.
- Shisui. – Falou mais alto, se levantando.
- Amanhã tenho que ir trabalhar e...
- Shisui! – Puxou o outro pelo braço, ficando frente a frente com ele. – Quem é a única pessoa que toma todo meu tempo livre, insiste em me dizer pra “relaxar” e ainda invade minha casa? – Arqueou uma sobrancelha.
O mais velho ficou um tempo parecendo processar o que havia escutado, logo suas feições se contraíram em uma mistura perfeita de surpresa, vergonha e alegria.
- Eu? – Fez uma expressão sapeca, abrindo um belo sorriso.
- Você é um idiota que fica agindo com um menininho estúpido, muitas vezes. – O de longos cabelos girou os olhos, mas não conseguiu conter o pequeno sorriso. – Quem mais seria?
Itachi sentiu os braços fortes do melhor amigo lhe rodearem e em instantes sua boca foi tomada pelos lábios grossos do mais alto. O beijo foi forte, afoito e apaixonado, como se para demonstrar todos os sentimentos guardados por tanto tempo.
Separaram-se ofegantes e corados. Itachi percebeu que estava deitado no sofá com o outro cobrindo seu corpo por completo. Extremamente próximos, as respirações descompassadas se misturando e, de repente, o ambiente pareceu quente demais.
Shisui estava tentando memorizar cada detalhe daquele rosto de traços suaves e expressivos. Os olhos estreitos de cílios medianos e espessos, os lábios finos avermelhados por causa do beijo, o nariz afilado, as marcas de expressão e por fim o longo cabelo negro espalhado ao redor do rosto. Eles tinham a cor dos olhos e dos cabelos iguais, fora isso não eram parecidos em mais nada.
- Pare de me olhar assim. – O médico murmurou rouco.
- Assim como? – Sorriu ladino e se aproximou até os narizes se encostarem.
- Como se estivesse me cultuando. – Fez uma expressão presunçosa.
- Oh... – Lambeu sensualmente os lábios do mais novo e recebeu um suspiro como resposta. – Por hoje vou te cultuar, mas não se acostume. – Piscou maroto.
- Talvez você consiga algo com isso... — Levantou um pouco a cabeça e conseguiu capturar o lábio inferior do companheiro com os dentes, mordiscou levemente e o chupou.
Shisui soltou um som estrangulado e o beijou com desejo, mas logo o ato tornou-se mais calmo, como se eles buscassem conhecer e mapear a boca um do outro, as mãos acariciando os corpos lentamente, causando arrepios e fazendo os corações dispararem.
Logo o beijo acabou, encostaram as testas e ficaram se fitando com intensidade e carinho. Leves sorrisos enfeitavam os lábios avermelhados e inchados.
- Dorme aqui hoje? – Levou uma das mãos até os cabelos de cachos suaves e iniciou um cafuné.
- Só dormir? – Sorriu malicioso, mas o sorriso morreu ao ter o cabelo puxado de forma pouco delicada, mas sem causar muita dor. – Seu maldito brutamonte! Não puxa meu cabelo!
- Só dormir, Shisui. – Arqueou uma sobrancelha, ignorando completamente o xingamento. – Ainda temos que trabalhar amanhã e não quero atender meus pacientes parecendo um zumbi.
- Mas você pode ser um zumbi feliz... – Abriu um grande sorriso.
- É claro... – Fez sua melhor expressão presunçosa e empurrou o outro, que caiu no chão resmungando impropérios. – Então vamos para o quarto, já vou avisando que não tenho lubrificante, então você será um zumbi feliz que não conseguirá sentar por algum tempo.
Shisui fez uma careta...
- Eu tinha esquecido o quanto você pode ser desestimulante, Itachi. – Olhou o mais novo se levantar e se encaminhar para o quarto, o seguiu ainda resmungando. — Certo... Nada de avançar hoje... – Abraçou o outro por trás e aspirou o perfume dos longos cabelos negros, a ação fez o menor se arrepiar.
- Mas não precisamos ficar totalmente quietos. – Soltou displicente.
- Claro... – Estreitou mais ainda o aperto e, de forma um tanto atrapalhada, foram caminhando para o quarto.
Estavam juntos desde sempre, o amor surgiu com naturalidade, a cumplicidade era tão grande que pareciam estar fazendo algo corriqueiro, mesmo sendo a primeira vez. Até ali as ações pareciam fluir perfeitamente e Shisui agradecia intimamente aos anjos pelo momento de descontração que Itachi estava se permitindo ter e não podia negar a sensação gostosa que tinha ao pensar que ele era o responsável por proporcionar aquele momento.
Quando chegaram ao quarto caíram na cama Queen Size aos beijos, as mãos afoitas buscavam explorar o corpo alheio, mas não passaram disso. Os toques foram tornando-se mais lentos, os beijos mais suaves e logo ambos dormiam calmamente abraçados.
Felizes e, momentaneamente, despreocupados com o futuro...
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Naruto chegou a casa carregando um bobo sorriso no rosto, tentou de todas as formas conter a expressão contente, mas simplesmente não conseguia. Era só ficar sério que as imagens do fim de tarde passado com Sasuke voltavam a sua mente e a expressão boba surgia outra vez.
- Filho? O que aconteceu? – Minato parou ao lado do jovem, que parecia muito entretido fitando a parede do hall, enquanto sorria de uma forma jamais vista pelo mais velho.
- Hãn? – Piscou confuso e corou. – Er... Nada pai.
- Nada? – Franziu o cenho. – Onde você esteve? – Cruzou os braços e fitou os olhos azuis idênticos aos seus com intensidade.
- Bom... Eu... É... – Olhou ao redor e o rosto esquentou ainda mais.
- Minato! Para de aterrorizar o Naruto! – Uma voz grossa e divertida surgiu atrás do loiro mais velho e em seguida Jiraiya apareceu sorrindo divertido para o neto.
- Pai! Não acabe com o clima de tensão... Ele precisa saber que eu estou de olho. – Estreitou os olhos, mas a cena ficou um tanto cômica.
- Eu fui conversar com o Sasuke... – Falou baixo e viu os dois mais velhos o olharem com certa curiosidade. – Acabamos ficando conversando e bom... Eu... Meio que não vi o tempo passar.
- Conversando, não é? – O tom do loiro mais velho saiu carregado de descrença.
- Ah Minato, para de ser um maldito superprotetor! Eu não te criei pra isso! Deixe o Naruto aproveitar a primavera do amor. – Deu uma chave de braço no filho. – Mesmo que eu não entenda como meu netinho se interessou por um macho pálido e estoico, livre de qualquer sinal de bons e macios airbags... – Balançou as sobrancelhas sugestivamente.
- ‘Vô, não diga essas coisas! – Arregalou os olhos.
- O que? – Se fez de inocente. – O garoto Uchiha realmente não tem peitos, Naruto. Você vai ter que se contentar em abraçar um tórax reto.
- Pai para de dizer isso... Eu estou morrendo aos poucos... – Minato fungou teatralmente.
Naruto sentiu o rosto, pescoço e orelhas esquentarem, provavelmente estava parecendo um tomate loiro. Desde que havia apresentado melhoras, sua família estava se sentindo mais livre em falar e brincar com ele, na verdade, lhe fazer passar vergonha. Seus avós e seus pais pareciam se divertir às suas custas principalmente quando o assunto era Uchiha Sasuke.
- O que vocês estão fazendo aí? – Tsunade apareceu com olhar severo.
- Naruto acabou de dizer que chegou de um encontro com o pirralho Uchiha. – A voz do homem loiro saiu chorosa.
- Ora Minato! – Colocou as mãos na cintura. – Vai dizer que você não sabia que isso ia acontecer? Eu desconfiei quando eles eram pequenos e tive certeza quando vi Naruto grudado naquele celular durante todo o período de férias. – Girou os olhos.
A atenção do loiro mais jovem se voltou completamente para sua avó, a vergonha cedendo lugar a curiosidade.
- Quando éramos pequenos? – Enrugou as sobrancelhas.
Tsunade caminhou até o neto e abraçou sua cintura de lado, o incitando a caminhar com ela adentrando mais a casa. Os lábios delicados eram emoldurados por um sorriso doce.
- Sim, garoto. Lembra-se da conversa que tivemos logo depois de você voltar? – O menino assentiu. – Eu não disse aquele dia, mas eu sempre soube que Sasuke era o garoto do parque. Só que você não se lembrava dele e, pelo que ouvi dizer, ele também não se lembrava de você. – Riu graciosamente. – Quando eu os via juntos naquela época, era como se estivesse diante de uma nova versão de Minato e Kushina.
- Aquele parque parece ter algum tipo de poder sobrenatural. – Jiraya tomou a palavra, parecendo nostálgico.
- Ainda estou morrendo aos poucos... – A voz de Minato soou ao fundo.
- Cala a boca, Minato. – A mulher loira lançou um olhar mortal ao filho. – Agora chega de conversa e vamos logo jantar, antes que Kushina apareça e arrebente todos vocês.
Os três se entreolharam e apressaram o passo em direção à sala de jantar, onde a mulher ruiva já os esperava com um sorriso doce e um brilho raivoso nos olhos.
- Oi, mãe. – Naruto foi direto dar um beijo na bochecha da ruiva, que relaxou a expressão.
- Oi, meu menino. – Acariciou o rosto do jovem. – Como está o Sasuke-kun? – Sorriu abertamente.
Naruto corou ao escutar o coro de risadinhas que se seguiu à pergunta... Seus familiares lhe lembravam de um bando de crianças matreiras, mas não podia negar que isso só servia para tornar seu primeiro dia de agosto ainda melhor.
Mais tarde, deitado na cama, o loiro enviou uma mensagem pelo celular:
“Eu esqueci de perguntar... Você se lembra do parque?”
Ficou fitando o visor e notou que já passavam das onze da noite, sentiu-se mal, pensando que o moreno já estava dormindo, mas logo o celular vibrou e o ícone de mensagem apareceu.
“Eu sempre lembrei do parque, mas por causa de várias coisas acabei me esquecendo do nome e rosto do garoto que brincava comigo... Só há algum tempo me lembrei dele e descobri quem ele é.”
“E isso é bom? Mesmo ele ñ sendo o q era antes?”
“Sim... Já q eu tbm ñ sou o q era antes... Nos vemos amanhã na escola?”
“Sim... Boa noite e até amanhã, Sasuke.”
“Boa noite, Naruto.”
Os olhos azuis ficaram presos ao viso do celular, até que a tela se apagou, mas ele não estava mais ali. Sua mente estava divagando sobre os momentos de poucas horas antes, até que o sono o embalou.
Sentia-se leve, como há muito tempo não sentia...
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Era final do segundo dia de aula, Kiba, Hinata e Shino iam saindo do Instituto a passos lentos, afinal o Inuzuka estava usando muletas. A jovem Hyuuga sorria para os dois amigos que discutiam sobre algo bobo e sem sentindo, na verdade, Kiba discutia e Shino apenas respondia do típico jeito sombrio.
- Hinata-chan! – A voz conhecida soou e os três pararam e se viraram.
- Naruto-kun!– Sorriu para o amigo loiro e o sorriso aumentou ao ver Sasuke andando próximo a ele.
- Eu não te vi nem ontem e nem hoje. Onde você esteve? – O Uzumaki perguntou assim que parou próximo ao grupo.
- Ora, Naruto-kun. – Sorriu com diversão. – Eu estava no mesmo lugar, era você que não estava... – Alternou o olhar entre o moreno e o loiro, vendo-os fazerem semelhantes expressões de constrangimento.
- Hinata-chan... – Murmurou vermelho. – Desculpe.
A morena riu...
- Não fique assim... Eu já esperava por isso. – Deu uma leve batida no ombro do Uzumaki.
- Mas ainda bem que eu te alcancei antes de você sair...
- Por quê?
- O Gaara disse que ia passar aqui no instituto. – Falou casualmente.
- O Ga... Gaara-kun? – O rosto da Hyuuga adquiriu tons de vermelho.
- Quem é Gaara? – Kiba enrugou as sobrancelhas e olhou inquiridor para a amiga.
- Dever ser Sabaku no Gaara, filho de Sabaku no Kintoki. – Shino respondeu com a voz mais grave que o normal.
- E o que você tem com esse tal Gaara? – Arqueou uma sobrancelha ao ver Hinata tocar os indicadores um no outro e abaixar a cabeça de forma constrangida.
- N-nós n-não tem-temos n-na-da, Kiba-kun. – Murmurou e o rosto ficou ainda mais vermelho.
Sasuke soltou um risinho ao ver a expressão da Hyuuga, mas parou ao receber um olhar um tanto severo de Naruto.
- Eles são amigos, Kiba-kun. – O loiro respondeu em voz baixa.
- Eu quero só ver esse tal Gaara se meter com a Hinata... – Disse entre dentes, os olhos brilhando com selvageria. – Acabo com ele!
- Você vai fazer o que? Me bater com suas muletas? – O tom sombrio e controlado fez o Inuzuka soltar uma exclamação assustada e virar em direção à voz.
Os olhos negros se arregalaram ao ver um rapaz ruivo, usando camiseta, calças e coturno pretos, com um sobretudo vinho completando o visual. Usava brincos em ambas as orelhas, seus olhos verdes eram contornados por profundas olheiras e tinha uma tatuagem na testa com o Kanji amor.
A expressão severa e altiva não contribuía para que o espanto de Inuzuka Kiba diminuísse...
- Gaara, não assuste o garoto... Ele parece ser amigo da Hinata-san. – A fala mansa atraiu o olhar de todos.
Um rapaz extremamente alto, com cabelos e olhos alaranjados e usando uma camisa bege, calças jeans e um tênis branco, parou ao lado do rapaz ruivo. Apesar de corpulento, o olhar gentil fez o Inuzuka relaxar.
- Ele que começou. – O ruivo enrugou a testa, deixando evidente sua falta de sobrancelhas. – Mas já que ele é amigo da Hinata, eu deixo passar. – Lançou um meio sorriso em direção a morena.
Hinata parecia estar em um mundo paralelo. Seus olhos perolados estavam presos à figura do Sabaku, enquanto seu rosto adquiria diversos matizes de vermelho, fazendo Sasuke – que observava, curioso, a reação da garota – pensar que ela estava prestes a...
— É melhor alguém segurar a garota. – Foi só Sasuke parar de falar, que a jovem desfaleceu. Shino e Naruto – que estavam mais próximos – conseguiram evitar que ela caísse no chão.
- Meu Deus! Meu Deus! – Os olhos azuis estavam arregalados e o rosto começou a perder a cor.
Rapidamente o Uchiha puxou o loiro para si e Gaara segurou Hinata no lugar do outro, escondendo perfeitamente o sentimento de pânico que ameaçou dominá-lo. Mas para a surpresa de todos, os amigos da Hyuuga pareciam calmos diante da situação.
- Realmente... Ela sente alguma coisa por você, Gaara-san. – Shino constatou, mas nem se dignou a olhar para o Sabaku.
- Como você pode estar tão calmo? – Naruto deixou a indignação escorrer livremente por cada palavra.
- Quando Hinata fica muito envergonhada ela desmaia. – Kiba respondeu contrariado. – Já passamos por isso algumas vezes.
Gaara arregalou os olhos perdendo toda a pose de garoto mal, Naruto deixou que o medo fosse substituído por surpresa, já Sasuke e Juugo soltaram risos discretos. Alguns segundos depois a menina recobrou a consciência, tendo como primeira visão, olhos verde-água preocupados...
A troca de olhares entre eles fez o Uzumaki sentir-se contente, aqueles dois ficariam interessantes juntos. Sentiu um toque discreto em sua mão, olho em direção a Sasuke e sorriu suavemente... Eram tantas coisas boas acontecendo que lhe parecia surreal.
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Setembro...
Levou a mão em direção a campainha pela décima vez e como em todas as anteriores desistiu de tocar, voltando a brincar com o pingente da corrente prateada — que nunca mais havia tirado do pescoço -, o gesto havia se tornado um tique. Estava muito nervoso, era muito nervosismo para pouca pessoa.
Fazia um mês que Naruto e ele estavam em um relacionamento – ainda não nomeado -, mas durante esse mês não voltou a ver os pais dele, o único familiar com quem tinha contato era o avô do loiro, que sempre lhe lançava olhares estranhos quando o encontrava nos corredores do Instituto.
Novamente levou a mão até a campainha, mas antes de conseguir se aproximar, a porta se abriu bruscamente dando visão para uma mulher ruiva de expressão irritada.
- Vai ficar tentando apertar a campainha até quando, seu moleque? – Disse alto e agarrou o braço do Uchiha. – Até parece que nunca veio até aqui! – Arrastou ele casa à dentro e quando chegou à sala o jogou sentado no sofá, ao lado de um constrangido Naruto.
- Mãe, não precisava de tudo isso. – O Uzumaki disse constrangido e lançou um olhar de desculpas ao moreno.
- Como não precisa? – Pousou as mãos na cintura adquirindo ar autoritário. – Eu convido um amigo – a ênfase na palavra fez os jovens corarem — do meu filho para passar uma agradável tarde de sábado conosco e o que ganho em troca? Uma estátua Uchiha na minha porta. – Os olhos claros caíram sobre os negros do adolescente. – Você, por acaso, não gosta da minha casa, Sasuke-chan?
- É claro que gosto, Kushina-san. – Rebateu prontamente, tentando manter a voz controlada, mas os olhos levemente arregalados denunciavam seu nervosismo.
- Hm, sei. – Arqueou uma delicada sobrancelha e o encarou com desconfiança. – Então porque não queria entrar?
O jovem de olhos negros ficou um tanto tenso e limpou a garganta, tentando ganhar tempo para sua mente formular uma resposta menos constrangedora e que não fosse ofensiva. Não teve resultado.
- Mãe... – O tom suplicante fez Kushina perder a pose e encarar o filho. – Pare de fazer isso, é muito constrangedor... O Sasuke vai acabar indo embora. – Os olhos azuis estavam fixos no próprio colo e ele parecia cabisbaixo.
- Na...
- Eu só estava um tanto nervoso, Kushina-san. – O Uchiha se pronunciou com seriedade e, sob o olhar atento da ruiva, pousou uma mão pálida sobre a de seu filho que estava pousada no sofá. – E eu não vou embora, afinal fui convidado para passar uma tarde agradável com vocês. – Os dedos se entrelaçaram e os dois jovens se encararam com mínimos sorrisos nos rostos.
Naquele instante Uzumaki Kushina sentiu-se perdida. Tantos foram os problemas que enfrentaram, tantas noites em hospitais, tantos dias de angustia, tantas incertezas, tantos pensamentos sobre possíveis futuros, mas nunca passou por sua cabeça o que estava vendo ali. Nunca pensou que aquele brilho dentro dos olhos de seu filho seria trazido por alguém tão jovem e fora de sua família.
Sentiu um aperto no coração e seus olhos marejaram, uma comoção estranha tomou conta de seu ser... Seu filho estava se libertando de seus medos graças a alguém que não era ela, sentia-se feliz, mas ao mesmo tempo frustrada por sua incapacidade.
- Mãe? A senhora está bem? – A voz preocupada do loiro a trouxe de volta.
- Estou sim... – Respondeu com voz rouca e virou-se em direção a cozinha. – Vou verificar o almoço, quando estiver pronto eu aviso. – Saiu sem perceber os olhares confusos dos rapazes.
- Ela está bem? – O rosto do moreno demonstrava apenas confusão.
- Espero que sim. – Respondeu sem conter a preocupação da voz e olhou novamente para o garoto ao seu lado.
Os dois ficaram se encarando, até Sasuke se aproximar e tomar os lábios do outro. O selo singelo transformou-se em um beijo profundo e calmo, as mãos do Uchiha foram para o rosto do loiro, acariciando delicadamente, enquanto este pousou as mãos na cintura do moreno.
A mulher ruiva, parada à porta da sala de estar que levava à cozinha, olhava a cena sem expressão, mas seus olhos brilhavam com um misto de sentimentos. Logo braços fortes a circundaram protetoramente e o perfume cítrico característico de seu marido invadiu seu olfato, fazendo-a relaxar e encostar-se ao peito do homem, enquanto um queixo fino se apoiava em seu ombro.
- Como se sente diante disso? – O tom da mulher era imparcial e sussurrado.
Minato suspirou...
- Feliz por saber que Naruto está quebrando várias barreiras, frustrado por saber que um pirralho está fazendo em semanas o que eu, pai, não fui capaz de fazer em anos, angustiado por saber que a sociedade poderá condená-los, temeroso por não saber se meu filho vai sofrer e mais um monte de coisas.
Kushina sorriu abertamente, o ato fez com que uma lágrima contida escorresse por seu rosto...
- Eu sei como é... – Os olhos claros caíram sobre os dois jovens que conversavam em tom baixo, as mãos deles estavam unidas e os dedos brincavam uns com os outros... Algo íntimo e inconsciente.
- Mas como pai, eu sei que o que me resta fazer é aceitar os passos dele, aconselhá-lo quando necessário, torcer para que tudo dê certo e ameaçar o garoto Uchiha. — A última parte foi sibilada.
A ruiva se virou dentro do abraço e passou os braços sobre os ombros do marido, lhe dedicando um sorriso cúmplice.
- Você é o melhor marido de todos. – Deu um beijo estalado na boca loiro.
- Eu sei. – Sorriu presunçoso.
Naquela tarde de sábado, Minato nomeou a relação entre Sasuke e Naruto. Eles eram namorados, o Namikaze não aceitaria menos que isso. Os dois jovens, que até então estavam insertos sobre como iriam dar esse passo, aceitaram completamente quando os mais velhos os trataram como casal e mostraram que os apoiariam.
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A sala estava envolta em penumbra, uma melodia clássica tornava o ambiente mais calmo, quase melancólico. Um homem estava sentado em uma poltrona de tom escuro, o corpo completamente relaxado contra o encosto, os olhos opacos fitando o nada e na mão direita um copo contendo um líquido de cor âmbar.
O barulho de saltos finos batendo no chão bem encerado fez o homem olhar em direção à porta, por onde uma mulher baixa de longos cabelos negros e expressão séria passou. Ela foi direto para o aparelho de som e pausou a música, em seguida parou diante do homem.
- Precisamos conversar, Fugaku.
O patriarca Uchiha assentiu, sinalizou para que a esposa se acomodasse no sofá em frente à poltrona e a encarou aguardando que ela começasse.
- Você está inquieto desde que Sasuke disse que iria à casa de Naruto-kun. Durante esse mês eu percebi apenas olhares de desgosto sobre nosso filho. Então quero saber: o que há de errado com o Naruto-kun? – Disse tudo com a voz calma, mas seus olhos não transmitiam nada.
— Você se lembra de quanto Sasuke era criança? Pouco antes de Itachi sair de casa e nossa vida dar um giro de 180º? – A nostalgia ecoou junto com a voz do empresário.
A mulher assentiu...
- Se lembra de um tal amigo secreto?
- O garoto que ele conheceu no parque em que Madara o levava? – Rebateu enrugando levemente as sobrancelhas.
- Esse mesmo. – Sorveu um gole da bebida. – Na época ele e Madara ficaram nesse jogo de não contar quem era o amigo, mas eu comecei a estranhar o comportamento do Sasuke em relação ao garoto misterioso.
- Sasuke era assim por ser seu primeiro amigo.
- No começo eu pensei a mesma coisa, mas resolvi ir até o parque um dia e vi os dois garotos brincando. – Soltou um riso sem humor. – Mesmo tendo várias crianças ao redor, eles pareciam ter olhos apenas um para outro, conversavam perto demais, chegaram a se abraçar...
- Eram crianças...
- Mas um dia não seriam mais e eu tinha certeza que a amizade evoluiria para outra coisa. Cheguei a pensar numa forma de mantê-los afastados, mas não foi preciso... – Murmurou a última parte e Mikoto estranhou a leve entonação de pesar.
- Como assim?
- Algum tempo depois Madara deixou de levar Sasuke ao parque e o garoto do parque foi sequestrado, lá mesmo.
Mikoto arregalou os olhos e soltou uma exclamação de espanto, levando ambas as mãos a boca. Todas as aterrorizantes notícias sobre o sequestro do filho de Minato pipocaram em sua mente...
- Naruto era o garoto do parque? – Sussurrou chocada.
- Sim. – Terminou de beber e depositou o copo na pequena mesa que estava ao lado da poltrona. – Ele foi encontrado um tempo depois, ficou meses internado e depois a família o protegeu tanto que para muitos ele nem existia mais.
A matriarca Uchiha ficou um tempo em silêncio, absorvendo toda a informação, mas logo voltou a falar:
- Eu ainda não consegui entender onde entra toda a sua antipatia pelo garoto.
- Naruto ficou muito tempo longe dos holofotes e distante de Konoha, então eu pensei que Sasuke havia se esquecido dele... – Pausou por alguns segundos. – Até que o vi atravessar a porta de entrada de casa praticamente carregando um desacordado Uzumaki Naruto. Seus olhos brilhavam em desespero e eu quando vi a interação entre eles, logo depois do garoto acordar, percebi que tudo que vi no parque estava apenas adormecido.
- Você o queria longe do nosso filho por ter medo deles se relacionarem? – A mulher não conteve o tom descontente. Para ela a perspectiva do filho vir a se relacionar com alguém do mesmo sexo era algo novo e que causava certo estranhamento, mas não significava que ela iria negar a felicidade para filho.
- É claro! – Soltou naturalmente sem hesitar. – Eu, além de presidente da Corporação Uchiha, sou o líder do clã. Você acha que aqueles anciões o deixaram em paz caso descubram sobre seu envolvimento com um rapaz?
A morena o encarava com um misto de indignação e raiva. Ignorando as reações o homem continuou.
- Eu tive que esperar uma oportunidade para conseguir afastar Itachi e Shisui do clã, para que eles não sofressem retaliação. – Sua expressão tornou-se cansada. – Na verdade eu nem sei exatamente o que levou Itachi a se revoltar tanto, a odiar tanto Madara e a me enfrentar naquele dia. Eu sei que Madara tem seus negócios ilícitos, mas os anciões aprovam sua conduta e não há um modo de ir totalmente contra eles. Mas não importa, ali estava a minha oportunidade de expulsá-lo e afastá-lo dos anciões, sabia que depois Shisui viria me enfrentar e aí eu também o expulsaria.
Mikoto ainda o olhava quietamente. Nunca tinha visto o marido falar e se expressar tanto – talvez fosse o efeito da bebida -, o homem até aparentava mais idade do que verdadeiramente tinha.
- Eu vi Itachi crescer, acompanhei silenciosamente sua amizade com Shisui e percebi que havia algo mais que isso, mesmo que eles ainda não soubessem. Então quando vi Sasuke e Naruto juntos, percebi que o mesmo poderia acontecer com eles e – o riso sem humor ecoou novamente – eu estava certo. Acho que terei de afastar outro filho... – Soltou um suspiro resignado.
O patriarca do clã estava tão absorto em seus pensamentos, que se assustou ao sentir um sufocante abraço e um beijo cálido em sua boca, mas relaxou quando sua esposa se acomodou de lado em seu colo e encostou a cabeça em seu peito... Eles tinham esse costume quando eram apenas um casal de namorados, jovens e apaixonados.
- Eu fico muito feliz em saber que você não é o tirano que pensei. – A mulher sussurrou com sinceridade. – Mesmo sendo mãe e estando sempre perto dos meus meninos, não enxerguei o que estava bem diante dos meus olhos... Talvez por que algo assim significa que eles estão crescendo.
Fugaku de um leve sorriso e circundou a esposa com os braços.
- Realmente não sei como não percebeu. – Murmurou.
- O importante é que alguém percebeu. – Levantou a cabeça o encarando nos olhos, sua expressão era repreensiva. – Mas você poderia ter confiado em mim e me dito a verdade, a expulsão de Itachi quase causou nosso divórcio e eu te tratei como um crápula.
- Eu não quis envolver mais ninguém nisso. – Deu de ombros. – Apenas eu e Kagami sabíamos, afinal ele é meu braço direito e pai do Shisui, e por isso não me condenou por ter expulsado seu filho do clã.
Mikoto o encarou com olhos estreitos, era algo muito sutil, afinal ela é uma Uchiha.
- Além disso, eu sabia que eles ficariam sob a tutela de Obito e que você faria de tudo para ajudá-lo clandestinamente, para que eu não descobrisse e consequentemente os anciões também não saberiam.
- Os que chamam Madara de gênio, não tem noção de quem você é verdadeiramente. – A matriarca sorriu e voltou a encostar a cabeça no peito do marido. – E não se preocupe com Sasuke e não o expulse, deixe tudo acontecer naturalmente. Caso os anciões tentem algo, nós iremos enfrentá-los juntos. Itachi, Shisui, Sasuke, Kagami, você e eu, como uma família.
Fugaku sentiu-se leve. Há mais de dez anos uma barreira invisível parecia estar sempre entre eles e agora ela finalmente havia caído.
Notas finais
Na verdade esse não era o motivo original, mas ficou decidido que seria esse após eu ter aquela briga com o capítulo "Entre irmãos!"... kkkk
Shisui e Itachi finalmente se assumindo!
As famílias passando por um processo de aceitação!
Os rumos estão sendo definidos... Será que ficará assim por mais tempo?
Madara permanecera quietinho?
Juugo ficará para titio?
Obito vai aparecer algum dia?
O casal açucarado participará mais do próximo capítulo?
Comentários?
Sugestões?
Críticas?
Podem abrir o coração! ;)
Beijos Beijos
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