As Três Faces do Medo.

23 Capítulo 22: Fortalecendo Laços parte II.


Notas iniciais
Hei pessoas... Tudo bem?
Hoje vou passar bem rapidinho (falta de tempo e internet mais lenta que tartaruga com preguiça)... Então vou demorar um pouquinho pra responder os comentários!

Por falar nisso... Ando sentindo falta de algumas carinhas (triste)... Espero rever algumas pessoas! ^^

Vamos ao capítulo!

Ps: Não betado.

Outubro...

Sasuke parou em frente à porta do apartamento e apertou a campainha, em seguida colocou as mãos nos bolsos da bermuda que usava. Alguns segundos depois passos rápidos foram escutados e a porta foi aberta, revelando um homem alto que sorriu ao ver o jovem.

– Sasu-kun! – Falou alegre e puxou o mais jovem para um abraço de urso. – Quanto tempo sem te ver pirralho!

– Você me viu antes de ontem quando foi na porta do Instituto junto com Itachi, Shisui. – Resmungou tentando se libertar do abraço.

– Mas você quase não prestou atenção em mim, só tinha olhos pro seu namoradinho loiro. – Nem se abalava com os empurrões do outro.

– Larga ele Shisui, vai acabar matando meu irmão. – A voz sombria chegou até eles e o moreno alto soltou o adolescente que suspirou aliviado.

– Obrigado, nii-san. – Deu um meio sorriso.

– Disponha irmãozinho. – Devolveu um sorriso idêntico e sinalizou para que o mais novo entrasse.

Shisui observou os dois sumirem apartamento à dentro, conversando naturalmente e deu um sorriso. Ele sabia o quanto Itachi sentiu falta do irmão durante aqueles anos, era bom vê-los próximos novamente.

O domingo passou regado de conversas amigáveis. Itachi revelou ao irmão que estava namorando Shisui, mas Sasuke pareceu nenhum pouco surpreso e revelou, oficialmente, que estava com Naruto.

Os mais velhos fizeram questão de constrangê-lo com conselhos amorosos e sexuais, o que o fez ficar vermelho até as orelhas por imaginar certas coisas e lembrar-se de outras com certa personalidade sádica.

Mas no fim eles mudaram para assuntos mais banais, como para qual curso o jovem iria prestar vestibular e as histórias das vivencias dos mais velhos em suas respectivas universidades.

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– Você acha que eu vou conseguir me lembrar do rosto dele? – O Uzumaki estava deitado no divã e tinha a cabeça virada em direção ao psiquiatra.

– Só precisa ter paciência, Naruto-kun. – Itachi sorriu minimamente. – Você não teve mais nenhuma lembrança significativa?

– Não... – Levou a mão direita a própria testa e massageou levemente o local. – Eu não consigo nem lembrar o motivo de Kyuubi ter aparecido no dia da festa e isso está me deixando irritado.

– Gostaria de repetir o relato sobre o que aconteceu naquele dia? – Secretamente o Uchiha torcia para que a repetição o fizesse recordar o motivo.

O psiquiatra quase não pode esconder a frustração quando descobriu que Naruto nem ao menos se lembrava do rosto do homem. O loiro relembrou de Sasuke, lembrou-se que o moreno estava sempre acompanhado de um homem e lembrou-se de dois dos capangas de Madara, mas ainda não queria passar essas informações para a polícia, pois desejava se lembrar do rosto do seu maior agressor.

– Eu me lembro de ter estado com Sasuke no jardim, ter ido até o Buffet e depois só me lembro de acordar no meu quarto com Juugo sentado próximo a minha cama. – Contorceu o rosto em uma expressão de concentração, mas logo bufou. – Nada... Daquele dia só consigo recordar dessas coisas e de uma sensação quase sufocante de medo.

– Entendo... – Olhou para o bloco que segurava onde estavam anotadas exatamente aquelas informações, depois encarou o jovem. – Não se esforce tanto, você conseguirá lembrar quando algum estimulo evocar essa lembrança.

– E o que é esse tal estímulo? – Perguntou chateado.

– Não há como saber, Naruto-kun. – Sorriu levemente e se levantou. – Bom... Acho que podemos terminar mais cedo hoje, afinal é seu aniversário. – Piscou um olho.

O Uzumaki se colocou em pé, mas não demonstrava empolgação e seguiu para a porta.

– É... É meu aniversário... – Murmurou encarando a própria mão que estava pousada sobre a maçaneta.

– Algo errado? – O moreno parou ao lado do jovem e pousou uma mão em seu ombro. A ação o fez perceber que Naruto havia crescido alguns centímetros desde que haviam começado as consultas, além disso, sua postura estava mais ereta.

– Kyuubi apareceu pela primeira vez no meu aniversário de oito anos, hoje esse fato completa exatos dez anos. – Virou um pouco a cabeça e encarou o mais velho de esguelha. – Eu passei meu aniversário de sete anos em um quarto de hospital, passei o aniversário de oito anos aterrorizando meus familiares, passei os seguintes sufocando em meu próprio medo... Eu os encarava como mais um ano sendo um estorvo para meus pais.

– E como você vai passar o dia de hoje? – Arqueou uma sobrancelha.

O mais novo deu de ombros e voltou a fitar a própria mão...

– Talvez eu passe as horas restantes de hoje, pensando o que mudou de verdade. – Suspirou.

– Você não foi à aula hoje, certo? –O loiro assentiu. – Talvez você já tenha passado tempo demais pensando.

– Hm... – Girou a maçaneta e abriu a porta. – Até mais, Itachi-san. – Virou para olhar o médico, que fez um aceno de cabeça.

– Tive que vir até aqui pra conseguir falar com você! – A sentença dita em tom sério fez o loiro virar assustado para a pessoa encostada na parede da sala de espera.

– Sasuke? Como você descobriu que eu estava aqui? – O encarou confuso.

– Feliz aniversário, Naruto-kun. – A voz de Itachi soou divertida e logo a porta da sala foi fechada.

O loiro encarou a madeira lisa da porta clara com o cenho franzido e depois jogou o olhar azul sobre o Uchiha que se aproximava a passos lentos.

– Tsk... – Parou em frente ao namorado. – Você não foi pra aula, não respondeu minhas mensagens e nem atendeu minhas ligações. Então liguei para Itachi, perguntei sobre o horário da sua consulta e aqui estou. – Levou a mão esquerda ao pingente de falcão e o deslizou pela corrente.

– É que hoje eu não estou muito bem... – Naruto cruzou os braços e evitou encarar o moreno.

Sasuke franziu o cenho e parou de movimentar o pingente...

– O que você tem?

– Nada demais, só precisava ficar um tempo em casa. – Ainda sem encarar o outro.

– Naruto? – Tocou o rosto marcado e fez o loiro encará-lo. – Você não gosta do seu aniversário?

– Não. – Falou sério, os olhos ficaram opacos. – Não consigo enxergar como um dia a ser comemorado, mas as pessoas não conseguem aceitar isso.

– Por quê? – Arqueou uma sobrancelha.

– O quê? – Enrugou a testa.

– Por que você não consegue ver como um dia a ser comemorado?

O loiro soltou um riso sem humor...

– Desde os sete anos eu desejo que não haja um novo aniversário. É algo que não consigo evitar, é como se todo ano, nesta data, eu fosse obrigado a enfrentar meus pedaços. – Inclinou a cabeça para o lado e suas feições se contorceram em melancolia, mas o sorriso ladino estava preso em seus lábios. – Uma alma aos pedaços, sem perspectiva de uma reconstrução.

O sussurrou pareceu atravessar o Uchiha. Em um impulso ele puxou o outro em sua direção e o abraçou com força quase o imobilizando. Naruto deixou-se ser abraçado e encostou a testa no ombro do moreno, mas manteve os braços rentes ao corpo.

– Não diga esse tipo de coisa. –O moreno murmurou repreensivo. — Cada novo aniversário deve ser comemorado, pois significa que você venceu mais um ano. Sua alma não está aos pedaços, ela apenas carrega cicatrizes e, tenho certeza, que a cada ano algumas delas vão desaparecendo, enquanto as mais profundas se tornam mais rasas.

– Como você pode ter certeza? – A voz saiu abafada.

Sasuke olhou ao redor até que viu um espelho pendurado acima do sofá de espera. Se desvencilhou do abraço e guiou o loiro até o espelho, os dois ficaram parados diante de seus reflexos, o moreno ficou ao lado e um passo atrás do loiro.

– Olha bem pra você. – Encarava os olhos azuis através do espelho. – Consegue ver?

– O quê? – Franziu o cenho e encarou os olhos negros, com confusão.

– Não há touca, cachecol ou casaco. Não existe mais medo de encarar meus olhos, os ombros não estão mais curvados e você parece mais seguro. – Sorriu presunçoso. – Você até passou a tomar iniciativa em nossos beijos. – O loiro corou.

– E o que isso tem a ver com o que estamos falando? – Fechou a expressão ao ver o namorado girar os olhos.

Uma alma aos pedaços, sem perspectiva de reconstrução. Você disse. – Apontou para o reflexo do loiro, fazendo-o encarar a si mesmo. – Você vê isso quando se encara? Não é o que eu vejo.

Naruto ficou alguns segundos encarando seu reflexo, depois relembrou de cada aniversário anterior, até sua mente voltar para os olhos azuis refletidos no espelho. Então a verdade despencou sobre ele, cada mudança ocorrida naquele ano e até algumas dos anos anteriores. Sorriu levemente e virou o corpo em direção ao moreno, que o encarava intensamente.

– Obrigado. – Segurou o tecido azul-marinho da camisa que o outro usava e o puxou com delicadeza em sua direção. – Obrigado, mesmo. – Murmurou antes de capturar os lábios finos do Uchiha e iniciar um beijo casto.

Sasuke suspirou e entreabriu a boca, o Uzumaki entendeu o recado e serpenteou a língua para a boca do outro, os olhos se fecharam e o beijo se aprofundou. As mãos do loiro se infiltraram nos cabelos negros, enquanto braços cálidos o apertavam de encontro ao corpo esguio do Uchiha.

Então algo estranho aconteceu...

O moreno sentiu sua nuca ser arranhada, sua língua foi sugada libidinosamente e em seguida seu lábio inferior foi capturado, mordiscado e chupado. Mesmo estando juntos apenas há pouco mais de dois meses, ele sabia exatamente como eram os beijos do outro e, definitivamente, não eram daquela forma. O Uchiha finalizou o beijo e encarou o Uzumaki com o cenho franzido em estranheza.

Os olhos azuis brilhavam maliciosos e os lábios estavam torcidos em um sorriso de escárnio. Antes do jovem de olhos negros falar qualquer coisa, o loiro sinalizou para ele fazer silêncio e o levou para fora da clínica.

Assim que os dois saíram, Itachi abriu a porta do consultório e tinha nos olhos um brilho de surpresa. Afinal jamais teria imaginado que seu irmão seria capaz de captar as incertezas do Uzumaki e ainda abrandá-las.

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Os dois jovens já estavam à uma distância razoável da clínica, caminhavam calmamente pela rua movimentada e já iluminada pelas luzes dos postes. Era por volta de sete da noite.

– Desfaz essa cara de cú, moleque. – A zombaria ecoou ao lado de cada palavra e os olhos claros transmitiam cinismo para o garoto moreno.

– Você não consegue ser mais agradável, Kyuubi? – O Uchiha rebateu friamente, sem encarar o loiro ao seu lado e por isso não percebeu a rápida aproximação.

Kyuubi foi para bem perto do moreno, aproximando os lábios, perigosamente, à orelha clara e sussurrou maliciosamente:

– Claro que consigo, Sasu-chan. – Depositou um beijo atrás da orelha dele e se afastou com um sorriso ladino, ao ver o outro estremecer com o gesto.

– Não faz isso. – Sibilou, automaticamente sua mão tampou o local beijado e ele olhou ao redor para saber se alguém tinha visto.

– Tá com vergonha? – Arqueou uma sobrancelha.

– Não, mas Naruto disse que ainda não quer expor o que temos.

– Hm... – O sorriso malicioso voltou ao rosto marcado. – Então posso fazer o que quiser se encontramos um lugar mais privado?

– É claro que não! – Girou os olhos e bufou. – Eu ainda lembro que você disse que Naruto ia ficar chateado pelo que aconteceu na pousada...

– Ele ficou? – Indagou displicente.

– Não, mas... – Parou e encarou o outro de forma acusatória. – Você sabia que ele não ficaria. – Falou de forma pausada e fechou a expressão ao ver o sorriso presunçoso na face do outro.

– É claro que eu sabia. – Rebateu entediado.

– Mas você disse que ele ficaria chateado com o que aconteceu. – Grunhiu.

– Eu menti, garoto. – Deu duas tapinhas no ombro do moreno. – Você deveria saber que as pessoas mentem. Eu quis te deixar aterrorizado... É o que eu gosto de fazer.

– Tsk... Você é o pior. – Murmurou voltando a dar atenção a rua.

Kyuubi diminuiu o ritmo de seus passos e seu olhar passeou livremente pelo corpo do jovem a sua frente. Quando estavam passando diante de um beco pouco amistoso, um sorrisinho ardiloso dominou seus lábios e o loiro agarrou o punho do Uchiha o puxando para dentro do local.

– Mas que merda! – Sasuke arregalou os olhos ao ter o corpo prensado contra a parede gelada. – O que você tá fazendo? – Tentou empurrar o outro, mas o loiro nem se mexeu. Eles tinham estaturas semelhantes, mas de onde aquele cara tirava tanta força?

– Eu quero meu presente de aniversário, hoje estou completando vinte e dois anos. – Sorriu falso e seus olhos brilharam com malicia.

O Uchiha parou de se debater e o encarou com o cenho franzido...

– Vinte e dois?

– Sim... Eu sou mais velho que o Naruto, quando apareci eu tinha doze anos.

– Como isso é possível? – Sua expressão se contorceu em dúvida.

– Sendo possível, oras. – Girou os olhos. — Eu sempre soube a idade que tinha, não lembro o que existia antes dos meus doze anos, mas sei tudo que ocorreu na infância do Naruto... É como seu eu fosse um telespectador bizarro o acompanhando a distância. – Soltou um riso nasal.

– Eu não entendo...

– Não fique tentando entender como nós funcionamos apenas aceite que estamos aí. – Espalmou as mãos na parede, deixando o rosto do moreno entre seus braços e aproximou perigosamente os rostos.

– O que você vai fazer? – Tentou se afastar, mas logo a cabeça encostou na parede.

– Já disse... – Roçou levemente os lábios nos do outro e cravou os olhos azuis nos negros. – Eu quero meu presente. – Contornou a boca do moreno lentamente com a língua.

Sasuke estava paralisado e Kyuubi achou graça de sua expressão aterrorizada, mas não ficou muito tempo contemplando. Segurou as laterais do rosto bonito e o puxou para si, chocando grosseiramente as bocas. O moreno soltou um murmúrio descontente o que acabou dando ao loiro a oportunidade para infiltrar a língua por entre os lábios entreabertos.

O Uchiha, após alguns segundos de resistência, fechou os olhos, inclinou a cabeça para o lado e retribuiu o beijo. As mãos de dedos longos seguraram a cintura do outro e a puxaram para si, deixando-os completamente colados. Kyuubi sorriu entre o beijo...

Logo o loiro capturou a língua do moreno e a sugou lentamente, em seguida desceu os lábios para o queixo fino e mordeu de forma quase delicada. Os beijos foram descendo até o pescoço, enquanto suas mãos serpentavam para dentro da camiseta que o moreno usava, apertando e arranhando a pele clara sem delicadeza.

O jovem de olhos negros tentava conter os sons que teimavam em escapar por entre seus lábios, suas mãos subiram para os cabelos loiros e rebeldes do outro. Sentia seu corpo derreter em contanto com os toques grosseiros.

Kyuubi aspirou o perfume amadeirado do outro e fez um barulho de apreciação com a garganta... Aquele moleque era irresistível... Alisou o peito magro, levantando a camiseta no processo, e depois desceu a mão arranhando a região.

– Merda... – O Uchiha sibilou e encostou a testa no ombro alheio, as mãos ainda firmemente agarradas ao cabelo loiro.

Aquela nova posição deixou sua nuca completamente exposta ao olhar faminto, Kyuubi aproximou os lábios medianos da região, aspirou o cheiro e mordeu sem piedade. Escutou um palavrão e seus cabelos foram puxados, mas nem se abalou. Lambeu o local maculado e depois beijou.

– Você é o melhor. – Sussurrou roucamente e puxou o Uchiha para um novo e sedento beijo. Seu tempo estava acabando.

Sasuke sentiu seus lábios serem sugados e mordidos, sentiu a língua macia percorrer a sua de forma sensual, mas se afastou de forma brusca ao ter um dos mamilos beliscados.

– Merda, Kyuubi. – Grunhiu e seus olhos brilhavam de irritação.

– Não resisti. – Sorriu maroto e depositou um beijo estalado nos lábios inchados do moreno. Como poderia resistir? Ali estava o Uchiha, com as bochechas um tanto rosadas, os cabelos desalinhados e os lábios inchados entreabertos, respirando ruidosamente.

O loiro retirou as mãos de baixo da camiseta escura que o outro usava e a ajeitou cobrindo completamente o dorso, agora marcado, depois se afastou sorrindo de lado.

– Valeu pelo presente. – Piscou e puxou o outro pra si, o abraçando com força.

Mesmo estando confuso com a súbita mudança, o moreno retribuiu o gesto e logo o peso do loiro ficou todo sobre ele.

– Oe... – Se esforçou para não derrubar o loiro.

– Sasuke? – O sussurro hesitante, fez o Uchiha suspirar e afastar-se um pouco do namorado.

– Você tá bem? – Indagou com seriedade, olhando dentro dos olhos confusos.

– Sim... – Franziu a testa e passou os olhos azuis pela figura desorganizada a sua frente. – O que aconteceu?

Os olhos negros giraram pelo local, a mão direita foi direto para o pingente de falcão e começou a balançá-lo. Tentava formular uma resposta, mas estava sem graça. Como deixou-se ser agarrado daquele jeito? Como se permitiu gostar daquilo?

– Sasuke? – Naruto apertou a mão que brincava com o pingente e fitou uma marca avermelhada no pescoço pálido. – Foi o Kyuubi? – O tom saiu extremamente calmo, isso captou a atenção do mais velho, que voltou a encará-lo.

– Sim... – Desviou o olhar.

O mais velho sentiu a mão do outro afastar-se da sua e ficou tenso...

– Ele realmente gostou de você. – A sentença saiu em tom despreocupado, quase divertido. – Talvez eu tenha que começar a ter ciúme. – Levou a mão até os cabelos escuros e passou a ajeitá-los cuidadosamente.

Sasuke o encarou surpreso e tudo o que recebeu foi um sorriso calmo, seguido de um selo amável. As mãos do mais novo ainda mexiam em seus cabelos, o fazendo ter uma sensação agradável.

Dois tipos de toques que eram capazes de fazê-lo derreter...

Aproximou-se do Uzumaki e o abraçou, encaixando o rosto no pescoço naturalmente bronzeado.

– Não está com raiva? – Falou baixinho.

– Não... – Respondeu calmo.

Naruto arqueou uma sobrancelha ao ver uma marca de mordida na nuca do mais velho e tocou o local delicadamente, sentindo o corpo esguio estremecer. Arregalou os olhos.

– Tsk... Vocês vão acabar me deixando louco. – O moreno resmungou e soltou um suspiro.

O Uzumaki sentiu seus pelos se arrepiarem quando o hálito quente tocou seu pescoço e não conseguiu se impedir de corar completamente.

– Não diga esse tipo de coisas, nesse tom. – Repreendeu constrangido.

Sasuke soltou uma curta risada, se afastou e segurou a mão do loiro.

– Vamos embora... – Puxou o outro para fora do beco e voltaram a caminhar entre as pessoas. – Ainda temos que buscar seu presente. Só consegui encontrar no caminho para a clínica.

O loiro fitou as mãos unidas e entrelaçou os dedos, pondo-se a caminhar ao lado do Uchiha, que lhe lançou um sorriso de canto.

– E o que é meu presente? – Os olhos azuis brilharam em curiosidade.

– Algo que me fez lembrar muito de você. – Falou em tom de mistério.

– Sério? – Apertou a mão pálida. – E onde está?

– Na loja. – Apontou com o queixo uma pequena loja logo mais a diante. – Eu comprei e pedi pra guardarem, já que o formato do pacote iria estragar a surpresa.

O Uzumaki encarou a fachada da loja, franziu os lábios e inclinou a cabeça para o lado. O que raios o outro havia comprado em uma loja de brinquedos artesanais?

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Kushina andava de um lado pra outro na sala de estar, Minato estava sentado em sua poltrona preferida e acompanhava os movimentos da esposa com os olhos. Já passava das nove da noite e nada de Naruto dar sinal de vida. Geralmente o garoto chegava, no máximo, às oito e meia.

Obviamente a Uzumaki havia ligado para o celular de Naruto, mas só deu caixa postal, então ligou para Itachi querendo saber do paradeiro do filho e ficou chocada ao escutar que ele havia saído de lá com o Uchiha mais novo. Então aguardou pacientemente o retorno dele até aquele instante...

– Eu vou atrás dele! – A ruiva exclamou e saiu em busca das chaves de seu carro.

Suas ações foram interrompidas pelo barulho da porta de entrada sendo aberta e o som de risadas invadiu a casa... O casal se entreolhou e se controlou para não correr em direção ao hall, segundos depois três pessoas apareceram no seu campo de visão.

– Olha quem encontramos pelo caminho. – Tsunade falou sorridente e olhou para o neto.

– E ele não estava sozinho, mas deixamos o pirralho Uchiha em casa antes de vir pra cá. – Jiraya falou sorrindo e passou um braço pelos ombros do loiro. – Esses apaixonados parecem que não têm relógio. – Soltou divertido.

– Para com isso, vô. – O Uzumaki murmurou e olhou em direção aos pais que o encaravam com olhos arregalados. – O que foi?

– O que é isso? – Minato apontou para o objeto que seu filho estava abraçando contra o peito.

Naruto corou e olhou pra baixo, inconscientemente apertando mais ainda o objeto entre os braços.

– É meu presente de aniversário...

Kushina observou analiticamente o presente. Era uma raposa de pelúcia, raposa era o animal preferido de seu filho; os pelos eram de uma tonalidade bonita de laranja, cor preferida de Naru; e o que mais chamava atenção era as nove caudas que ela tinha, Kyuubi.

– É linda. – A mulher soltou abobada, se aproximou do garoto e tocou o objeto. – Quem te deu? – Olhou para seus sogros que apenas sorriram e negaram com a cabeça.

– O Sasuke. – Estendeu o boneco em direção à mãe. – Ele disse que se lembrou de mim quando viu isso.

– E onde ele encontrou algo assim? – A mulher pegou o objeto e percebeu que havia sido confeccionado à mão.

– Em uma loja de brinquedos artesanais... – Soltou tentando conter a empolgação. — Essa é a raposa da lenda dos Bijuus, a senhora que trabalha lá fez todos os nove, mas apenas um de cada. – Olhos azuis brilharam em direção à raposa.

– Eu lembro que sempre contava essa lenda pra você dormir. – Minato sorriu.

– É a melhor lenda de todas. – Sorriu e voltou a abraçar a raposa, assim que a mãe lhe devolveu.

– Eu também acho. – O loiro mais velho devolveu o sorriso do filho.

– Esse garoto Uchiha é cheio de artimanhas, tsk... – Kushina cruzou os braços, mas seus olhos brilhavam pela felicidade do filho. – Agora chega de papo sobre o presente e o namoradinho legal... – Se aproximou do mais novo e o puxou pela gola da camisa branca, fazendo-o se inclinar para encará-la diretamente nos olhos. – Dá próxima vez que resolver chegar tarde sem me avisar, vai ficar de castigo até completar sessenta anos. Entendeu?

– Sim, senhora. – Arregalou os olhos.

– Muito bem... – Estalou um beijo na bochecha do jovem e se afastou sorrindo. – Vamos pra sala de jantar que seu bolo de aniversário está esperando. – Saiu alegremente do recinto.

– Sua mãe finalmente tá voltando a ser bem assustadora. – Jiraya bagunçou os cabelos do neto. – Tenho pena de você...

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Novembro...

O fim do ano letivo estava chegando e os estudantes estavam cada vez mais desesperados com a aproximação das provas e trabalhos finais. Alguns não estavam tão nervosos, como era o caso de Naruto, mas outros sentiam-se prestes a arrancar os próprios cabelos, como Kiba por exemplo.

Por isso o Uzumaki resolveu que ajudaria o garoto que, inesperadamente, havia se tornado seu amigo. Ele só não esperava que a biblioteca da mansão de seus avós se tornasse o ponto de encontro de um grupo de jovens desesperados.

Ali estavam Sasuke, Sai, Neji, Kimimaro, Kiba, Shino, Suigetsu, Sakon, Hinata, Shikamaru e Chouji, o último estava lá por ter pedido ajuda a Naruto com a matéria de História e havia arrastado o melhor amigo Nara consigo. O loiro os encarava sem saber o que fazer, nenhum deles parecia muito confortável em estar ali.

Até que uma batida educada na porta chamou sua atenção e uma empregada apareceu:

– Naruto-sama, chegaram mais algumas pessoas. – A mulher tentou conter a expressão divertida ao ver os olhos arregalados de seu “patrãozinho”. Ela nunca o tinha visto tão expressivo e, de certa forma relaxado.

– Oh... Deus... – Foi em direção à porta, mas antes que se aproximasse muito, quatro pessoas entraram no recinto.

– Oi, Naruto. – Uma jovem de cabelos rosados e curtos, saudou com um pequeno sorriso. – Soube que você montou um grupo de estudos e preciso de uma ajuda em Física.

– Eu vim com a Sakura porque meus amigos traidores nem me avisaram sobre isso. – Falou uma garota de longos cabelos loiros e lançou um olhar cortante em direção à Shikamaru e Chouji. – E minhas notas em Geometria estão péssimas... – Soltou um riso sem graça.

– Er... Bom... – Coçou a nuca, constrangido. Já tinha conversado amigavelmente com Sakura algumas vezes, mas era a primeira vez que Ino era tão simpática. – Podem se acomodar... – Apontou para alguns Puffs que estavam espalhados ao centro da biblioteca circular.

As duas garotas assentiram e foram se acomodar, ficando próximas dos amigos da Yamanaka. O loiro virou para as outras duas pessoas que haviam chegado e sorriu aliviado.

– Vejo que vai precisar de uma ajuda. – Juugo sorriu.

– Sorte sua ter amigos tão legais quanto nós. – Gaara deu uma leve batida no ombro do loiro.

– Vocês sabem que eu só sou bom em explicar História e Geografia.

– É nós sabemos... – Sorriram.

Os três amigos se viraram para os estudantes e respiraram fundo. Para eles era um tanto incomum serem os centros das atenções, mas relaxaram um pouco ao receberem olhares amistosos e até alguns comicamente suplicantes.

Logo o grupo se organizou em pequenos focos e tudo transcorreu o mais calmamente possível, afinal Kiba e Suigetsu tiveram alguns surtos de desespero total ao não entenderem a explicação de Sasuke sobre ligações orgânicas, mas Sakura rapidamente conseguiu acalmá-los com cascudos.

Quando Tsunade chegou da clínica a noite, ficou surpresa ao encontrar aquele grupo saindo de sua casa. Havia conversas, risadas, discussões bobas e no meio daquilo estava um relaxado Naruto, conversando com Juugo e um jovem de longos cabelos platinados.

A loira sorriu e o sorriso aumentou ao ver certo Uchiha ir até seu neto e jogar um dos braços sobre os ombros dele. O loiro não se incomodou com o gesto, apenas sorriu e voltou a conversar...

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Fugaku estava em seu escritório quando escutou alguém bater educadamente na porta...

– Entre. – Concedeu e retirou os óculos de leitura para fitar a pessoa que entrava.

– Pai. – Sasuke se aproximou hesitante.

– Sim? – Os olhos do mais velho passearam pela figura de seu filho e ele sentiu-se péssimo ao perceber que o outro o temia.

– Bom... – Limpou a garganta. – Hoje foi o último dia de aula e eu fui aprovado.

– Parabéns, filho. Mas admito que já esperava por isso. – Usou um tom amistoso e sorriu de canto ao ver o brilho de surpresa nos olhos do mais novo.

– Então... No primeiro sábado de Dezembro vai ter a colação de grau. – Estava se sentindo nervoso diante do pai, então começou a mexer no pingente de falcão. – Eu quero saber se o senhor vai.

O mais velho ficou sério e entrelaçou os dedos sobre a mesa. Aquele era um dia que teria livre se Madara não tivesse insistido que não poderia ir nessa viagem, por ter um compromisso inadiável. Como alguém falta em reunião marcada por si mesmo? Ainda em outra cidade?

– Eu estarei viajando nesse dia. – A expressão de Sasuke endureceu e os olhos ficaram opacos. – Mas podemos fazer um jantar de comemoração no domingo.

– Hm... – Assentiu sem muita convicção.

O patriarca se levantou e foi até o caçula, colocando a mão sobre os cabelos dele e percebendo que faltava poucos centímetros para ele ficar maior que si.

– Será algo em família: Mikoto, Kagami, Itachi, Shisui... – Percebeu os olhos do mais novo se arregalarem. – E também Naruto e sua família. O que acha?

– Eu acho ótimo! – Uma voz feminina soou com uma leve empolgação.

Os dois se viraram para a matriarca que se aproximou sorrindo e passou os braços delicados pela cintura dos dois...

– Finalmente poderemos estar em família... – Sorriu doce. – E espero que no dia você não se atrase. – Lançou um olhar gelado sobre o marido.

– Eu não vou me atrasar... – Rebateu em um resmungo pouco altivo.

Sasuke os fitou sem acreditar, piscou duas ou três vezes, tentando compreender aquela cena bizarra onde seus pais estavam lhe cercando com... Carinho? Franziu o cenho.

– Não nos olhe assim, querido. – Sentiu o toque gentil em seu rosto. – Antes tarde do que nunca, certo?

O jovem olhou da mãe para o pai e vice-versa, depois assentiu e deu um sorriso mínimo, idêntico ao sorriso que nascia no rosto do patriarca.

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Em um quarto de hotel em Kumo, um homem saiu apressado do banheiro, na verdade ele saiu aos tropeços, e correu em direção ao celular jogado sobre a cama. O aparelho tocava insistentemente e foi a maldita insistência que o fez quase se esborrachar no chão por uma ou duas vezes.

– Alô? – Atendeu ofegante.

Onde você estava que não atendeu o celular? Pra que celular se você nunca atende?

– Irmã... Eu estava tomando banho. – Resmungou culpado.

Ele era um dos homens mais temidos do submundo, era conhecido como “O caçador” mesmo que tivesse apenas uma presa, mas ainda tremia igual a um pirralho quando levava uma bronca da irmã.

Tudo bem... – Ela suspirou. – Quando você vai voltar pra Konoha?

– Ainda não sei, talvez na segunda semana de Dezembro. – Sorriu. – Afinal quero passar o natal com a minha família.

– Não tem como voltar um pouco antes? Sasuke fará colação de grau no próximo sábado, o primeiro do mês.

Suspirou e lançou um olhar sobre a papelada jogada sobre a pequena mesa que havia no quarto. Estava conseguindo pistas quentes, era como se de repente Madara estivesse se tornando descuidado, haviam tantos fios soltos que até o intrigava. O homem faria uma transação absurda ali em Kumo, no exato dia mencionado por sua irmã.

– Sinto muito irmã. – Mordeu o lábio ao escutar um resmungo descontente. – Eu vou ter um compromisso inadiável nesse dia.

Tudo bem, Obito. – Ela suspirou. – Mas ao menos passe aqui depois para parabenizar o Sasuke.

­– Claro, mana. – Soltou com diversão. – Ainda vou levar um presente pra ele.

Certo... – Ela ficou em silêncio, parecendo prestar atenção em outra coisa. – Vou ter que desligar. Se cuide, Obito.

­­- Pode deixar. Se cuida você também e manda um abraço pro Sasuke.

Mando sim. Beijos... – E encerrou a ligação.

Obito jogou o celular sobre a cama e bagunçou os cabelos. Estava tão absorto em pensamentos que nem percebeu duas pessoas entrando no recinto.

– Porra, Obito! Coloca a merda de uma roupa, un.

O Uchiha se virou surpreso, mas soltou uma risada ao ver um homem de longos cabelos loiros de costas pra si, enquanto um ruivo lhe lançava um olhar entediado.

– Hei Deidara... Para de frescura. – Brincou, mas alcançou a toalha que estava caída no chão e a enrolou na cintura. – Até parece que não carrega o mesmo que eu.

– Eu carrego, mas não fico balançando por aí. – Rebateu irritado.

– Tsk... Idiota. – O ruivo caminhou até a cama e se sentou. – Obito, viemos te avisar que encontramos Darui e você vai se surpreender...

– Mesmo, Sasori? – Começou a se vestir. – Perseguimos um fantasma durante tanto tempo e agora ele aparece com surpresas.

– Ele desapareceu, pois estava preso. – Deidara esclareceu e foi sentar-se ao lado do ruivo. – Mas agora voltou à ativa.

O moreno os encarou com o cenho franzido...

– Preso? Ele é um criminoso?

– Não. – A dupla respondeu em uníssono.

– Ele ficou preso por ter agido sem consentimento do seu chefe. – O loiro deu uma risadinha. – Darui é um insano por ter feito isso, mas acho que não se arrependeu.

– Ok... – Se jogou ao lado dos dois e os fitou com seriedade. – Vocês vão soltar a bomba de uma vez ou vou ter que partir pra tortura? – Engrossou o tom e deixou a expressão dura.

– Ele é da Polícia Internacional e estava trabalhando disfarçado quando resolveu ajudar seu sobrinho. – Sasori deu um sorriso de lado. – Ele é de Kumo e seu chefe na época era Kira A...

O Uchiha arregalou os olhos e entreabriu os lábios. Kira A era, além de si mesmo, a maior pedra no sapato de Madara. O homem estava sempre em busca de provar que ele era um dos grandes nomes do narcotráfico internacional.

E pensar que alguém do time dele ajudou Itachi... Por isso que Madara nunca descobriu quem assassinou seus homens.

– Vamos precisar falar com Kira e conseguir uma permissão pra conversar com Darui.

Os dois assentiram...

– O jogo tá virando, Madara. – Sorriu de lado.

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O albino entrou na sala sem nem ao menos bater na porta, mas o ocupante do local pareceu não se abalar e apenas cravou os olhos negros e indiferentes na figura pálida.

– Ei chefe... Tá tudo pronto. – Falou excessivamente empolgado e soltou um riso.

– Já? – O mais velho arqueou uma sobrancelha. – Os anos o tornaram bem eficiente, Hidan-chan. – Lançou um sorriso de escárnio.

– Eu sempre fui eficiente, seu velhote de merda. – Gritou nervoso e ficou vermelho de raiva ao escutar uma risada divertida vindo de Madara. – Ah vai pra puta que o pariu. – Cruzou os braços e franziu as sobrancelhas claras.

– Você é uma das pessoas mais bizarras que eu conheço, Hidan-chan. – Sua expressão mudou completamente e os olhos brilharam maliciosos. – Quem sabe um dia eu não abro uma exceção e testo os seus limites de sobrevivência...

– Nem vem... – Mostrou o dedo do meio.

– Certo, certo... – Suspirou com falso pesar. – Se está tudo pronto só nos resta aguardar. – Voltou o olhar para alguns papeis que tinha nas mãos. – Você já pode sair. – A sentença saiu completamente indiferente.

Hidan assentiu, mesmo sem ter a atenção do mais velho sobre si, e se retirou em silêncio...

Notas finais
Uchihas dominaram o finzinho do capítulo! Hehehe
Finalmente apareceu uma consulta (estava com saudades de escrever sobre isso).
Darui... Obito... Madara... Vish...

Espero que tenham gostado!

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Os desaparecido vão reaparecer?

Beijos Beijos