As Sete Despedidas

7 Capítulo sete: A Viagem


Notas iniciais
Olá novamente. Espero que gostem do capítulo. Boa leitura ^^

E ao mesmo tempo eu sabia que não era magnífico

Desviaram, acima do corredor da estrada e eu podia ver por milhas, milhas e milhas

Pov: Luna Lovegood

Dez minutos antes que o Expresso de Hogwarts partisse, Tom Riddle vio até a entrada do Salão Comunal da Corvinal, acompanhado de um garoto que sempre o acompanhava pelos corredores da escola. Lembro-me perfeitamente de que ele havia pedido segredo, por isso estranhei a aparição daquele estranho elemento ali, mas decidi ignorar. Tom estava elegante como jamais havia visto: As calças escuras, em junção com o casaco também negro contrastavam perfeitamente com sua pele pálida, e a blusa cinza que vestia por baixo completava o traje de maneira incrível. Não era de hoje que o moreno apresentava-se bem vestido. Sempre que o via, estava impecável, enquanto eu pegava as primeiras roupas que via dentro do armário. Às vezes me perguntava o que ele vira em mim, afinal de contas.

Havia uma grande movimentação de alunos em frente ao trem, arrastando malas de um lado para o outro. Por sorte, não era tão cheio como no final do ano letivo, então pudemos nos acomodar confortavelmente em uma cabine que até então estava vazia.

– Vai ficar conosco, Avery? – Inquiriu Tom. Ah, então aquele era o dono do carro.

– Eu passo – disse o rapaz. – Digamos que segurar vela não seja algo que eu goste de fazer muito. Bellatrix e uns outros amigos estão numa cabine lá na frente. Vou ficar com eles.

– É bom segurar essa boca fechada – Tom tinha um tom de ameaça na voz.

– Por que eu iria falar algo? – Disse o outro. – Boa viagem pra vocês. Até qualquer dia, senhorita Lovegood.

– Como ele sabe quem sou? – Inquiri ao moreno, quando o outro já havia se distanciado.

– Não importa – disse quase de imediato, empurrando-me para dentro da cabine, um tanto quanto constrangido. – Bem, você sabe que a viagem é longa, se quiser dormir... Deve estar com sono.

E de fato estava. Passara quase a noite anterior inteira na Torre de Astronomia, jogando xadrez com ele, e já eram mais de três da manhã quando retornara ao dormitório. Não pretendia dormir durante a viagem – até havia pensado em fazê-lo quando despertara pele manhã, porém, descartei a possibilidade –, mas , ao ouvir a ideia saindo dos lábios dele, me pareceu tão boa que concordei. Apoiei a cabeça sobre suas pernas, enquanto meu corpo ocupava o restante do banco. Ele encarou-me com a sobrancelha arqueada e um meio sorriso nos lábios. Eu não disse nada. Apenas fechei os olhos, não demorando muito para cair no sono.

– Luna? – Senti as mãos frias tocando as minhas, e sua voz ao longe, quase como um sussurro. – Luna, nós chegamos. Você precisa acordar.

Abri meus olhos lentamente; eles ainda pesavam por conta do sono. E lá estavam as orbes negras fitando-me outra vez. Tentei sorrir, mas não consegui. Talvez fosse o sono, quê, por mais que tivesse sido compensado, ainda me dominava. Talvez estivesse estranhando tudo aquilo novamente.

– Vamos? – Convidou ele. – Ainda tenho que pegar as chaves do carro.

Assenti. Levantei-me preguiçosamente e apenhei a bolsa que deixara sobre o chão, próxima às pernas de Tom. Ele levantou-se e deixou a cabine logo atrás de mim.

– Espere aqui, sim? – Disse-me, quando chegamos perto da saída.

Assenti, e ele, por sua vez, desembarcou e caminhou calmamente até um grupo de três pessoas, das quais eu reconheci uma como o tal de Avery, e a outra como Bellatrix Lestrange. Fitei a cena pela janela durante alguns segundos, mas ao ver a mulher pousar sua mão sobre o ombro do moreno e sorrindo de um jeito deveras divertido, uma sensação estranha tomou conta de mim. Não que ela estivesse fazendo algo de mais, mas, mesmo assim, não consegui deixar de sentir uma ponta de irritação. Virei-me para a janela oposta, onde pude ver dois pássaros pousados próximos à uma viga da Estação King’s Cross.

– Você deve ser a fêmea, não é? – Disse eu. – Parece ser um pouco mais gordinha. Talvez esteja prestes a por seus ovos – sorri. Um dos pássaros bateu as asas para longe dali, dando voltas ao redor do local. – Ei, não a deixe sozinha! – Exclamei. – Parece que ele não vai mais voltar – dirigi-me ao outro que havia permanecido ali. – É melhor ir atrás dele. – E, dizendo isso, bati algumas vezes no vidro, o suficiente para fazê-lo voar dali também, e, logo, os dois já estavam juntos novamente.

– Conselheira amorosa de passarinhos? – A voz risonha veio de trás de mim. Virei-me e lá estava Tom Riddle segurando o que claramente eram as chaves de um carro.

– Eles são bonitos, não acha? – Murmurei. Ele riu.

– Vamos, Luna. O caminho o longo, sabia?

Não disse nada, e o segui. Percorremos a estação calmamente, vez ou outra fazendo comentário sobre coisas aleatórias. Contei-lhe sobre uma vez em que fui à uma praia com Harry, Ron, Hermione e outros amigos deles, e jurei ter visto uma sereia próxima a uma pedra. Ele disse que era impossível, pois sereias não passavam de criaturas mitológicas, mas eu retruquei, afirmando que era uma sereia sim.

– Um dia vou te levar lá – disse eu. – E você vai ver com os seus próprios olhos.

– Mal posso esperar – disse ele.

Sorri e continuamos caminhando, desta vez, para um estacionamento do outro lado da rua. Quando nos aproximamos mais, Tom ergueu as chaves, pressionando um botão, e os faróis de um Land Rover branco piscaram diante de nós. Arregalei os olhos. Nunca, nem no meus devaneios mais malucos, pensei que iria andar em um carro como esses. Ao que parece, a Sonserina faz jus a sua fama de portar os alunos mais favorecidos financeiramente de toda Hogwarts. Ele adentrou no carro sem dizer nada. Fiz o mesmo, tomando o máximo de cuidado possível para não bater a porta com muita força. Tom se ajeitou no banco durante breves segundos, e, em seguida, deu a partida e o motor quase nem fez barulho ao ligar.

Já deviam fazer mais de duas horas desde que deixamos Londres. O rádio ligado tocava uma música que eu não conhecia, mas Tom parecia ter decorado a letra toda, visto que não deixara de cantar um verso sequer. Algumas partes da estrada tinham um grande movimento de outros carros, e acho que paramos em pelo menos três filas durante o caminho até ali. Contudo, outras partes estavam tão desertas que sequer parecia que estávamos na véspera da semana do Natal.

– Quanto tempo demora pra chegar? – Inquiri.

– Hm – ele olhou o relógio com a sobrancelha arqueada. – Acho que... Bem, pelas minhas contas, umas dez horas, mas depende de como vai estar o trânsito e a estrada.

– E você vai dirigir direto?

– Não sei – disse ele. – No próximo posto de gasolina, provavelmente eu pare pra encher o tanque, e tudo mais. Posso comprar energéticos, acho que consigo ficar acordado até lá, mas você pode dormir, se quiser.

– Não, não – disse eu. – Vou ficar acordada com você, conversando pra distrair.

– Certo – ele voltou a prestar atenção na estrada. – Você quer parar para comer alguma coisa?

– Talvez no jantar.

Ele assentiu e mudou a estação do rádio. Desta vez eu conhecia a música. Um pequeno sorriso brotou nos meus lábios, e passei a cantarolar baixinho, enquanto brincava com os meus próprios dedos sobre os bancos de couro.

Notas finais
Citações da música Holocene, por Bon Iver. As vantagens de ser um Avery. Até o próximo o/