As Ruínas
4 Cursed
Notas iniciais
Amber esfregava as mãos, tentando conter o nervosismo ao ver todas aquelas pessoas espalhadas lá embaixo. Tentou se conter se virando para Meredith:
—O que vamos fazer?
A loirinha colocou as mãos na cintura, avaliando a situação expondo seus pensamentos:
—Vamos sair.
—Sério?
—É, eu não quero ter problemas com essa gente. Vamos dar o fora antes que se mostrem hostis. Hey, todo mundo, escutem! -Exclamou ela batendo palmas. A atenção de todos ao redor se voltou para Meredith, que lhes encarou de queixo empinado. -Vamos todos dar o fora daqui! Não sabemos quais são as intenções desse povo, e francamente não estou disposta a esperar para descobrir. Vamos, vamos -Ela estalava os dedos. -Quero tudo arrumado, peguem tudo o que puderem, o que não puderem, deixem para trás. Se precisarmos correr, não é bom levar peso, peguem o necessário. Eu quero todo mundo catando tudo, bora! -Com duas palmas da Loira, o grupo se dispersou correndo em várias direções, indo atrás de suas mochilas, objetos pessoais, celulares, desodorantes, o que desse para ser pego. -Deixem as barracas! Vai demorar para desmontá-las. Andem, Andem!
Amber já estava perante a ela lhe tocando o braço como um chamado desesperado, que se expressava em seus olhos:
—Como vamos sair? Vamos simplesmente sair correndo?
—Vamos nos aproximar com cautela. Se ele quiserem nos roubar, vamos dar tudo a eles. Claro, os passaportes não. Vamos descer com as mãos levantadas, mostrando pose de rendição, e indicar gentilmente que não queremos problemas.
—Okey.. -A Menina respondeu trêmula.
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Era descendo aqueles degraus com alta tensão nas veias, que o grupo se preparava para enfim fazer alguma coisa. Meredith, que havia subido aquele escadão hoje cedo com tanta empolgação, não tinha notado até agora o quanto eles eram altos e como ela tinha de esticar um pouco a perna para alcançar o próximo degrau. Com as mochilas nas costas, enchidas com o básico como Meredith avisara, eles não sabiam ao certo qual seria a situação ao chegarem lá embaixo. Parecia que a cada passo que desciam, um dos homens que antes estavam nas laterais, se aproximavam contornando o templo ficando em frente a eles. Aprecia um, depois outro... e mais outro... a cada sujeito armado que saía de sua posição original para ir ver de perto os jovens descendo o morro de pedra, havia a tensão entre eles. Será que continuar descendo era coisa certa a fazer? Meredith, se vendo no último degrau restante, levantou as mãos acima da cabeça avistando um homem grande, e com barba branca lhe encarando. Sua expressão não era intimidadora ao menos, ele parecia triste na verdade. Ela o fitava séria, pronta para reagir a qualquer tipo de ameaça. Ele não lhe devolvia a mesma intensidade no olhar, e isso era até desconsertante para ela, que já esperava uma reação mais agressiva. Amber desceu de mãos dadas com Henrich, agora se perguntando o porque de ter dado atenção a esse cara num Bar. Podendo imaginar ele a ignorando e a odiando até o fim dos tempos por metê-lo em tal situação. Mas ele não esboçava nenhum tipo de emoção negativa, apenas seus olhos que transmitiam um certo medo, mas sua mão ainda entrelaçada com a da garota. Stephen é quem estava inconformado, seu ódio por Meredith chegava as alturas mas essa não era a devida hora para arrumar um escarcéu. Raven ao mesmo tempo em que terminava de descer, queri mesmo era voltar lá pra cima e pegar o passarinho, se culpando por ter abandonado um bicho indefeso. Abby não soltava de sua mão, e apavorada engolia seco já pronta para perder todos os seus pertences, ainda que o receio de levar um tiro ou coisa assim lhe consumia. "É tudo culpa minha" ela pensava. Alex no entanto, mesmo extremamente desconfiado e até um pouco assustado por dentro, expressava uma confiança fora do normal, não se sabia ao certo se a coragem que vinha de seus olhos era mero teatro, ou se era realmente um cara durão.
Meredith parou ao perceber que todos já haviam terminado a descida. Assim como ela, ninguém ousou dar um passo a frente. O Grupo mantinha-se aglomerado esperando que o primeiro corajoso entre eles desse o primeiro passo. Travados, levantando as mãos imitando o gesto de Meredith, permaneciam sem ação. Dois homens estavam se juntando ao moço grande de barba que os fitava. Um portando o arco e flecha e o outro um facão. Ambos os lados ficaram naquele silêncio congelado por alguns instantes. Ninguém dizia nada, e não ameaçavam correr, por medo.
Foi quando Meredith arriscou um passo à frente, bem curto, parando na mesma hora pois o sujeito levantara sua mão sacudindo o indicador fazendo sinal de "Não". Ela manteve a posição, tentando esconder a tremedeira nas mãos. Sua boca se abriu proferindo as primeiras palavras:
—Ahm... Moço... nós não queremos confusão...
Ele a olhava desentendido. Não compreendia seu idioma e não esperava que eles fossem falar alguma coisa. Parecia confuso. Ela torceu o pescoço, encarando o grupo atrás de si. Todos lhe lançavam olhares que lhe cobravam alguma ação. A Julgavam, esperando que ela resolvesse a situação. Se voltou para o homem, levando a mão até o bolso da calça tirando o celular. O Sujeito ainda olhava curioso, vendo a menina estendendo a mão mostrando-lhe o aparelho:
—Celular?... É isso que você quer?..
O Homem continuava observando sem entender nada, quando o parceiro ao seu lado, com o arco e flecha, lhe cochichou algo no ouvido. O Grupo de jovens se entre olhou, tentando explicar em suas mentes o que estava acontecendo. O Porque de tudo aquilo. Meredith abaixou o braço. O Sujeito parou de cochichar, voltando a sua posição ao lado do grandão, que pareceu de alguma forma concordar com o que quer que fosse que o outro lhe dissera. Em seguida balançava as mãos tentando até fazer gestos, falando aquele idioma incompreensível. Falava como se desse um aviso, ou como se indicasse algo que eles devessem fazer. Meredith não conseguia distinguir se o homem estava lhes dando um ordem ou apenas esclarecendo algo. Ela, fingindo entender tudinho, balançava a cabeça com um "Sim", o que levou ao restante da turma copiar o seu gesto. Não sabiam se estavam concordando em sair dali, ou morrer, ou passarem tudo o que tinham. Tentando o espanhol, a loirinha proferiu:
—Si... Si... entiendo... Perdón.. perdón..
O Homem abaixou a cabeça esfregando os olhos, estava claro que ele sabia que a garota não entendera uma palavra do que ele dissera, daí sua frustração. Tentou novamente, balançando as mãos apontando para o templo, o que fez todos se virarem para trás encarando as ruínas por um instante, já se voltando a fitar o sujeito que falava tão depressa e desesperado, que nem mesmo a piada "Está falando Grego" não teria lugar naquela situação. Após articular seus gestos incógnitos e falar sem parar por alguns segundos, o sujeito soltou uma última palavra, num tom de pergunta. Algo que parecia como "Entenderam?" embora esse talvez não fosse o verdadeiro significado. Meredith, ainda fingindo, respondeu que sim com a cabeça dando um leve sorriso:
—Si! Si!.... Perdón...
Deu uma passo à frente sacudindo a mão, num gesto que chamava o resto da galera a fazer o mesmo. Todos se prontificaram ainda calados, se movimentando para frente, cabisbaixos mostrando obediência, quando um "Click" ecoou. Levantaram seus olhares rapidamente, apenas para ver o homem apontando uma arma na direção deles. Estáticos, ficaram entre dar um passo atrás ou permanecer onde estavam. O medo de sequer se mover, tomou conta.
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—Wow.... calma... calma.. -Stephen estava a ponto de suar até pelas narinas se isso fosse possível.
—Hey, hey.... ninguém se mexe. -Alex disse automaticamente.
Naquele impasse movido pela tensão, Henrich soltou a mão de Amber, levantando as suas próxima a cabeça. O Homem, percebendo seu movimento, apontou o revólver na direção dele, que travou no mesmo instante.
—Senhor... -Meredith tentava demonstrar calma. Balançou a cabeça sinalizando um "Não", entregando um olhar triste na esperança que o Maia tivesse pena dela. Ele de fato parecia ter. Arriscando um passo à frente, ela continuou. -Senhor.. não.. não... -Ainda sacudia a cabeça, tendo que parar devidos aos gritos assustadores do sujeito, que começou a vociferar, como se estivesse com medo deles. Os outros dois comparsas os observavam de cima abaixo, os analisando. Abby se sentindo envergonhada com aqueles olhares de homens desconhecidos, que percorriam sua cintura e suas pernas, abraçou a si mesma, se escondendo atrás de Raven lentamente, para que seus movimentos não chamasse a atenção. O Gordo berrava algo que ninguém entendia, sacudindo a mão que portava o revólver para o topo do templo. Os outros dois comparsas passaram a fazer o mesmo, gritando apontando lá para cima.
Henrich fechou as duas mãos por um instante. Seu olhar era determinante. Ele planejava algo. Colocando as mãos a frente em sinal de rendição, ele fez igualmente uma expressão triste se aproximando lentamente.
—"Bitte"... -Disse ele "Por Favor" em Alemão. Ninguém entendeu. Mas ele continuou. O moço ainda apontava sua arma para o loiro de olhos azuis, dando até um passo atrás conforme ele se aproximava. -Bitte... -E o Grandão deu mais um passo para trás.
Os outros dois comparsas, empunharam suas armas quase que ao mesmo tempo. Um retirou seu facão do suporte na cintura enquanto o outro tirava uma flecha das costas posicionando-a no arco, os três andavam lentamente para trás berrando algo como "Não se aproxime" ao que parecia. Repetiam a mesma palavra desconhecida sem parar, o Alemão então parou diante daquela gritaria de comandos desconhecidos, tendo todos os olhos dos Maias voltados para ele. Quando uma pedra do tamanho de uma mão praticamente cruzou a clareira sendo arremessada dentro o grupo, atingindo o sujeito com o arco e flecha na testa num impacto repentino. O Som da pedra atingindo com força a cabeça do membro da tribo naquele baque causou um silêncio paralisante naquele segundo onde todos, inclusive os homens armados ficaram sem ação. Todos os olhos percorriam o autor do golpe, era Stephen, que se levantava do chão em pânico tomado pela agilidade imposta por pura adrenalina do momento. A Mão direita de Henric já se lançara para frente naquele pequeno segundo de distração, tomando o revólver das mãos do grandalhão, lhe oferecendo um soco com a esquerda quando o corpo do Maia atingido pela pedra acabara de atingir o chão, levantando uma pequena nuvem daquela areia branca cheia de pedregulhos. Os gritos começaram na clareira assim que a arma foi tomada.
—Não!!! -Abigail berrou com as duas mãos acima da cabeça, incrédula com o que estava acontecendo.
O Maia agora desarmado, soltou um berro de susto, já se jogando para frente afim de atacar Henrich, que lhe respondeu com uma coronhada no rosto. No grito de dor do impacto, o Maia recuou rapidamente:
—Corram!!! -Ordenou Henrich aos berros, se afastando em passos rápidos apontando a arma para o sujeito com o facão, que imóvel, não conseguia decidir entre atacá-lo ou não, como se tivesse repulsa de encostar nele. Dando rápidas olhadas para trás, pode ver o grupo se pondo a correr para a sua direita, e assim ele o fez seguindo o fluxo da correria que agora forçava todos a contornarem o templo. Num grito de fúria, o homem com o facão já corria em todo seu esforço seguindo a turma, como um tremendo caçador.
—Aqui!!! -Meredith gritou apontando com o braço para a esquerda, imediatamente, o grupo a seguiu dobrando naquela direção, correndo feito loucos com suas mochilas balançando freneticamente em suas costas. Os tênis raspavam sobre o terreno dando leves escorregadas ao fazerem a curva para contornar o templo. A Borda da clareira naquele pedaço estava lotada de homens e mulheres Maias, e passar direto por eles seria difícil. Continuavam correndo terminando aquela curva infernal, seguindo os passos de Meredith, se é que ela sabia pra onde ir. Diante do grito do homem com o facão, Henrich sentiu que ele se aproximava, e sem frear sua corrida, o Alemão lanou o braço para trás puxando o gatilho. O Tiro se deu num estouro acompanhado pelos gritos assustados de todos, ainda que o perseguidor se abaixara, se jogando para o lado rolando estrategicamente e Henrich infelizmente errara o tiro. Ainda sim, atirar para assustá-los a fim de tirá-los do caminho não era má ideia.
—Continuem!!! -Meredith dava suas "Ordens" supérfluas tentando ser mais rápida do que todos, que ficavam um pouco atrás. O Objetivo era em frente, continuar seguindo em passos intermináveis até atingir a borda da clareira que os chamava ao fundo, não contendo nenhum Maia naquele pedaço. O Templo estava ao lado esquerdo da turma que já percorrera metade de sua largura. Henrich apontou a arma para trás mais uma vez dando um segundo tiro, voltando a correr imediatamente sem querer ver tinha ou não acertado alguém ou alguma coisa, porém os gritos das mulheres Maias e de suas crianças que se abaixavam acoando-se atrás dos arbustos era explícito.
Quando nada parecia atrapalhar seu caminho à frente, um dos "Guardas" de roupas amareladas surgiu de frente a eles dobrando, vindo da esquerda das ruínas, já dando um tiro que fez seus ossos tremerem. O Estouro seguira com os gritos das meninas Abby, Mredith, Raven e Amber, tendo elas no desespero de frear sua corrida diante do sujeito que surgira, escorregado sobre a terra caindo para trás, exceto Meredith é claro. "Cair" é uma palavra que não existia em seu dicionário, a Loirinha forjou um agachamento brusco e escorregadio, já se virando para trás ficando de frente ao grupo apontando na direção oposta:
—Ah!!! Vão!! Vão para o outro lado!!!
E nessa ré sem saída, onde braços passavam um por cima dos outros, esticados como se buscassem uma salvação divina, que todos se viraram na direção oposta de onde vinham, retornando o percurso da corrida de onde tinham vindo. Ainda neste momento de mudança súbita de direção e areia que era dispersa para todo lado como em derrapadas furiosas, ouviam-se os tiros do Maia. Não parando de correr nem um segundo, eles podiam se imaginar sendo atingidos a sangue frio por um tiro nas costas. Era um estouro atrás do outro, o Maia não cessava fogo, e curiosamente nenhum dos tiros pareciam acertá-los. Se não fosse o desespero da situação, uma pessoa em estado comum até pensaria que o membro da tribo não desejava de fato acertá-los. Mas isso não eram pensamento que entravam naquelas cabecinhas desesperadas, que corriam feito uma cavalaria, prestes a atropelar o colega seguinte. Mais um tiro, esse foi claramente de longe. O Grupo já se afastara chegando a fazer a curva para direita, contornando novamente o mesmo pedaço do templo, que os deixara de frente ao escadão, com o grandalhão cuja arma fora tomada por Henrich, ainda se levantando do solo em dificuldade.
—O que vamos fazer?!!! -Amber exclamava aos prantos.
—Continua correndo!! -Alex a respondeu levando sua mão ao ombro da garota, quase que lhe dando um empurrão.
Henrich, agora na frente do grupo, não era tão rápido quanto parecia, tendo Abigail e Raven passado por ele num piscar de olhos, as duas se virando frequentemente para trás com medo de que o grupo não as acompanhasse, e esperando que eles também fossem ágeis e lhes apontassem a direção a ser seguida. Stephen, ao dobrar a direita naquele instante, acabou vindo rápido demais atingindo Henrich com toda força de seu corpo. Os dois rapazes se colidiram indo ao chão imediatamente, enquanto Meredith dera um salto por puro impulso, sem pensar, passando por cima dos dois afim de não tropeçar neles, aterrissando um pouco mais à frente, de joelhos, ralando-os entre os pedregulhos tendo a palma das mãos raspando aflitivamente no solo áspero. A ardência nas mãos e nos joelhos fora quase imediata conforme a menina se levantava à pressas, ainda que parando de correr, se virando para observar os dois rapazes que caíram. Amber chegara por último com Alex freando sua fuga diante Stephen, que relutante se levantava gemendo de dor do impacto.
Caída próximo a ele, estava a mochila de Henrich. Stephen se ergueu, vendo todos parados sem saber o que fazer ou qual direção seguir, enquanto aquela parte da clareira se mostrava cercada. Haviam Maias por toda parte naquele ponto, saindo dentre as moitas apontando suas flechas e espingardas. Uns mais na ponta, outros ficavam nas bordas. Mas o fato, era que um silêncio mortal se abatera com todas aquelas armas e pontas dirigidas ao grupo, que novamente se via encurralado.
—Stephen, você está bem?!! -Amber, quase derramando lágrimas, segurava o colega pelos ombros.
—Sim sim..... Estou bem.. -Ele respondeu aos suspiros preenchidos de desesperança ao notar o quanto estavam sem saída.
O Grego dera um passo à frente, avistando Henrich caído entre os arbustos. Era um montinho de folhas com galhos que se estendiam pelo chão percorrendo o sopé do templo coberto de verde. O Alemão, com a mão na cabeça sinalizando que sentia dor, levantou o torso ficando sentado tentando recuperar o fôlego olhando em volta. A Corrida acabou, estavam completamente sem saída. E o revólver se perdera entre aquele monte de plantas. Ficou sentado naquele instante, com respiração pesada, tão decepcionado que custara a se levantar, negando o pensamento de ficar em pé. O Grego lhe estendeu a mão num gesto solidário, mas Henrich, frustrado pela derrota, lançou um pequeno tapa na mão Alex, indicando que não precisava de sua ajuda, o fez com olhos revoltados. O Grego, podendo entender o desapontamento em que o colega agora com os braços cheios de arranhões por conta da trepadeira estava emergido, recuou sem ressentimentos. Herinch expressando sua raiva mostrando os dentes, catou um punhado de folhas que estavam lhe cutucando o pescoço, arremessando-as para frente num urro de ódio.
Os maias mostraram espanto, recuando um passo para trás. Eles tornavam a berrar em sua língua desconhecida, tendo repúdio pelo gesto do Alemão, dando lhe alertas intimidadores.
Meredith agarrou Raven pelo braço:
—Não tem saída... nós vamos morrer...
—Vamos subir..
—E ficar lá em cima? Ficou louca?!!
Stephen, Alex e Amber se aproximavam das três meninas aflitas, Abigail implorava por uma salvação com os olhos cheios d'água:
—Não tem como pedir socorro?!
—Espera.. -Stephen teve um estalo. -O Henrich... o celular dele é via Satélite, Henrich!!
—Sim.?.. -O Alemão questionou se levantando dos arbustos observando seus arranhões.
—Seu celular, cadê?!!
—Mochila! Está mochila! -Ele apontava para mesma jogada poucos passos à frente.
—Ótimo! Peça ajuda!
O Alemão se prontificou se virou para a mochila naquele mesmo instante, sendo repreendido com os gritos exaustivos dos membros da tribo. Levantando as mãos, mostrando que não estava armado e nem os atacaria, ele se prontificou, temendo ser alvejado dando um passo à frente vagaroso. Os berros ficaram mais intensos, ele então subiu mais os braços:
—Eu Não faz nada! Eu Não faz nada! -Gritava ofegante tentando apaziguá-los, porém sem sucesso. Mais um passo à frente, e os homens faziam gestos ameaçando atirar, exclamando Deus sabe o quê. -Calma! Calma! Mochila! -Ele apontava para o objeto. -Mochila!!
Se abaixou, saindo dos arbustos. Foi quando os gritos ficaram ainda mais mais hostis.
—Henrich!! -Amber tentou alertá-lo ao perceber o que estava prestes a se passar.
A Mão do Alemão mal tocavam a mochila quando um zunido se deu seguido por um tipo de impacto. Todos fitaram Henrich, que agora portava uma flecha atravessada no pescoço.
—Ah!!! -A expressão nos rostos do grupo fora do mais puro terror. Seus queixos ameaçavam despencar no chão diante do choque. Simultaneamente, Amber se curvou soltando um grito de pavor como nunca antes. Meredith a puxava pelo braço seguindo seu instinto imediato. A Menina se deixou levar pela amiga e seu puxão, tendo Stephen, Alex, Abby e Raven exclamado em pavor, dando as costas para a clareira, se pondo a correr novamente, mas desta vez, para as ruínas. Os braços empurravam uns aos outros, seus corpos eram lançados para frente, tendo as mãos pousando entre os degraus de pedra com ferocidade.
—Vão! Vão! Vão! -Stephen apontava para o topo se jogando em fuga desesperada, tendo as meninas e o Grego, ainda sem reação, não fazendo absolutamente nada além de correr.
A subida começava, com Amber se apoiando mesmo com a mão extremamente dolorida no degrau, se levando para cima numa escalada coberta por gritos, engatinhando feito uma criança, acompanhada de Meredith que só faltava passar por cima da menina. Stephen ainda segurando o remorso, deu uma última olhada em Henrich, cujo os joelhos se dobravam atingindo o chão, preparando-o para uma queda da morte, onde seu pescoço sangrava em abundância, na frente e por trás. Se engasgando no próprio sangue, o Alemão sucumbiu ao solo num baque sem vida. Deixado para trás pelos outros que temiam ter o mesmo destino.
—Continuem! Continuem!! -Exclamava Meredith, a única que conseguia soltar palavras diante daqueles gritos aflitos de jovens condenados ao horror.
Raven mantinha seu foco no topo, colocando as mãos rapidamente nos degraus, fazia a escalada de sua vida, se recusava a morrer naquele lugar. Os tiros dos membros da tribo começaram a ser disparados por mero barulho. Afugentando o grupo como porcos correndo para dentro do cercado. Ainda sim, com medo de serem alvejados, não paravam por nada. Eram gritos agora mais curtos, sem fôlego, respirações pesadas e joelhos doloridos por conta do esforço de subir o escadão. Todos se acompanhavam em ritmo quase idêntico, assim como o tiroteio descontrolado que os assustava a cada degrau, fazendo seus ossos tremerem.
O Sofrimento parecia inacabável. Os Maias já tornavam a contornar o templo voltando aos seus postos, era uma corrida de ambos os lados. Alívio foi quando Amber conseguiu alcançar o último degrau restante com sua mão enfaixada, o medo era tanto que a garota nem mais se preocupava com a dor que sentia ao tocar qualquer coisa com aquela palma da mão enfaixada, que agora se via manchada de sangue tendo um círculo vermelho se mostrando por baixo da faixa:
—Ai!! Ai!! -Gritou ela, no último esforço para subir. Coberta de suor, clamando aos céus que aquilo acabasse, Amber se deitou de bruços no chão do topo do templo assim que vira que subida tinha acabado. Com o rosto deitado de lado naquele solo areoso, sendo pinicado pelas pedrinhas, ela via os pés de sues colegas passando frente a seu rosto, levantando poeira conforme passavam. Seus olhos fechados encharcados de lágrimas e sua boca aberta explodindo com um choro de medo e dor, ela se mantinha imóvel no chão estendida em sofrimento solitário.
Stephen remexeu os ombros fazendo com que sua mochila escorregasse por entre seus braços, atingindo o chão. Em seguida se curvou apoiando as mãos no joelhos tentando recuperar o fôlego. Raven e Abigail se sentaram retirando as mochilas, próximas a gaiola, onde o passarinho inquieto batia asas em desespero, assustado. Ambas ainda sem reação, suadas e tremendo de nervosismo. Alex o Grego ainda carregado de medo e adrenalina, andava de um lado para o outro, inquieto tirando sua garrafa d'água do bolso lateral da mochila, a soltando em seguida. Abriu a tampa, tomando um gole generoso, era explícito como suas mãos tremiam.
Meredith se dirigiu lentamente até a borda, respirando fundo. Ficou perante ao pequeno muro, olhando lá para baixo vendo como a situação bizarra e perigosa já se estabelecera. "Não temos saída. Já era." Se mantinha séria, fingindo não estar ouvindo o choro de Amber deitada no chão. Com as mãos na cintura, procurava pensamento e ideias, mas tudo que encontrara fora uma caixa vazia. Não havia opções para sua mente lhe oferecer. E isso, de algum modo, não a assustava.
—Meredith... -Stephen disse entre sua respiração ofegante.
Ela, de costas, revirou os olhos já imaginando que tipo de melodrama o rapaz iria querer encenar no momento. Não estava afim de "Papinho dramático" agora. As coisas tinham que ser pensadas, arquitetadas, aquele chamado inocente e temeroso do garoto só a fez querer soltar sua ira nele. "Ele não pode calar a boca por um segundo"?
—O que foi? -Ela se virou sem deixar que ele percebesse sua raiva de ouvir a voz dele naquele instante.
—O... o que... o que vamos fazer?...
—E você pergunta para mim? Me deixa Stephen... -Ela se abaixou, tirando a mochila das costas. Abriu o Zíper tirando de dentro da mesma uma pequena toalha branca e uma garrafa d'água, já ficando em pé novamente, com o menino que a fitava. -Quer dizer alguma coisa? -Ela lhe perguntou cínica e séria.
—Não...
—Então pronto. -Abriu a garrafa, despejando um pouco de água em cima da toalhinha. Agora úmida, a passava pela nuca que parecia torrada pelo Sol, se refrescando tentando manter sanidade naquele momento aterrorizante. Não esboçava nenhuma reação. Seu rosto era o mesmo de sempre. Passava aquela toalha molhada em volta do pescoço, na testa.. -Bebam uma água. Sentem. Tentem se acalmar por enquanto.
—Nos acalmar?!! -Raven berrou sentada, balançando o corpo para frente e para trás com ose estivesse a ponto de ter um colapso. -Ouviram isso?... Ela está dizendo que devemos nos acalmar!!.. Foda-se Meredith! Foda-se!... Enfia essa sua mania de querer comandar tudo no seu rabo!... Eles mataram o Henrich!!!... e vão nos matar também!!!
—Eles não vão nos matar, deixa de ser idiota! -Respondeu Meredith sem paciência para ataques de pânico alheio.
—Não, imagina! Não vão nos matar! Vão subir até aqui e nos dar uma cesta de piquenique!
—Raven... você é cega?... Eles não sobem aqui. Se quisessem mesmo nos matar já teriam subido esse escadão atrás da gente.
A Menina ainda sentada, apoiada em Abigail tremia tentando prestar atenção no que a loirinha dizia:
—Eles parecem que tem medo desse lugar. Não vão subir aqui... Mas também não vão deixar a gente sair...
—E como você sabe?! -Alex levantou a voz, com raiva.
—Porque eu tenho olhos!... Estavam atirando para nos fazer subir. E Não para nos matar.
—Então como você explica o Henrich?! -O Grego tornou a confrontá-la.
—Eu não sei... só sei que estávamos bem na frente deles... e eles estavam errando os tiros de propósito!
—Você é maluca!
—E você é um mauricinho chato pra caralho, sabia? Eu vou pra barraca... -Ela foi em frente dando as costas ao garoto. -E isso não é um convite!
Meredith adentrou a barraca, parecendo que queria se isolar de todos e de suas preocupações. Alex pousou a mão no ombro de Stephen:
—Temos que pegar a mochila do Henrich... e usar o celular pra pedir ajuda.
—Você ficou louco?! Ele foi tentar pegar a mochila e atiraram flechas nele!
Alex hesitou.
—Tem razão. Talvez.. um de nós pode distraí-los...
—Como? Você não está falando coisa com coisa cara....
—Se a Meredith estiver certa sobre os tiros.. tudo o que um de nós precisa fazer, é sair correndo em volta do templo, ser seguido e atrair atenção para si. E então os outros descem e pegam a mochila. E pronto, chamamos ajuda!
Stephen deu um passo atrás, tirando a mão do Grego de seu ombro. O Encarou de modo sarcástico lhe jogando um sorriso infeliz apontando para o escadão:
—Fique à vontade!...
Se virou indo até Amber, que chorava com a cara na terra, se engasgando em seus próprios soluços. Alex fitou as duas garotas Abby e Raven por um instante. As duas, limpando as lágrimas desviaram o olhar do Grego, encarando o Horizonte, o rejeitando completamente, ele e sua ideia. O Rapaz bufou passando a mão na nuca, olhando a paisagem se questionando o que havia feito para merecer um dia como esses...
Era com aquele pôr do sol, que As Ruínas acolhiam seus hóspedes apavorados. Naquele céu já não mais tão azul, naquela paisagem que já não era mais tão bela. A noite dizia olá se preparando para ficar sob as cabeças daquele grupo assustado, incrédulo e chocado, que acabara de presenciar uma morte cruel de um inocente, e que a cada segundo, se imaginavam no lugar daquele pobre Alemão, se perguntando qual seri seu destino. Não eram amigos de verdade que estavam uns pelos outros na piores horas. Eram colegas de faculdade com gostos em comum e companhia para bebedeiras. Agora, entre eles, um desconhecido. "Por quê?"... "E se?"... Ideias que deveriam aparecer para ajudar e confortar, agora serviam para amedrontar. Saber o porque de tudo aquilo talvez implicasse um horror ainda maior. "E se"?... se transformou num monte de ideias de possibilidades, uma pior que a oura. De seus corpos sendo encontrados, ou não encontrados... de suas mães desesperadas.. deles mesmos desesperados.. E se?... E se?...
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