Notas iniciais
Oi pessoas, quanto tempo! Então, espero que gostem desta história que foi escrita inicialmente para talvez, um dia, se tornar um livro. Um beijo e espero que gostem, pois a escrevo com muito amor e carinho. Mayara.

- Senhora Cullen? Está na hora do seu remédio. – informou-me Stela, minha enfermeira, como se eu fosse idiota e não soubesse disso.

- Entre. – eu respondi, sem tirar meus olhos da janela. Eu gostava muito de apreciar a paisagem do fim de tarde. Fazia isto todos os dias, religiosamente. Mas Stela sempre me atrapalhava.

- Não quer se juntar aos outros hóspedes? Eles estão assistindo ao noticiário das seis. – ela disse me entregando um copo de plástico e dois comprimidos.

- Não.

- Rosalie... – ela puxou uma cadeira e se sentou à minha frente. – você precisa interagir com outras pessoas. Vive dentro deste quarto pequeno, olhando essa janela. Está esperando algo?

- A morte. Estou esperando a morte. E se não se importa, quero esperá-la sozinha. – disse um tanto irritada.

- Hoje está mais azeda do que de costume, hein? – ela riu e olhou para a janela. – agora eu entendo porque você gosta de ficar aqui. Essa paisagem é magnífica. O jardim daqui é tão bonito... Estas flores são tão bem cuidadas... Nunca paro para admirar a natureza...

- Vocês jovens nunca tem tempo para as coisas simples da vida. – balancei a cabeça negativamente e tossi em seguida.

- Eu estou tão ocupada ultimamente. Preciso cuidar de vocês, estou acertando os últimos detalhes do meu casamento... Está tudo uma loucura em casa. – ela prendeu os longos cabelos pretos num coque horroroso e arrumou a saia.

- Espero que seja feliz. – disse com sinceridade.

- Eu também. Você não nos conta muito sobre sua vida... Nunca se casou?

- Eu não gosto de falar sobre meu passado. Já me casei sim, só que ele morreu há muitos anos.

- Vocês não tiveram filhos?

- Temos uma filha. Só que ela mora em Seattle.

- Entendi. Você sempre foi séria deste jeito?

- Teve uma época que eu ria bastante. Agora não tenho motivos. Estou presa nesta maldita cadeira de rodas, tomo uns quinze comprimidos por dia para dores em lugares que eu nunca imaginei que fossem doer e uma enfermeira enxerida me chateia todos os poucos dias de vida que me restam. Viu só como não tenho motivos para sorrir?

- A vida é bonita, Rosalie. Temos tudo e reclamamos. Nós temos comida, um teto, uma cama pra dormir... E os que não têm? Eles sim têm motivos para reclamar. – refleti um momento e percebi que aquela menina tinha razão. E que ela parecia muito com uma pessoa que eu conheci, anos atrás. – quer passear no jardim?

- Você me levaria até lá? – animei-me. Fazia muito tempo que eu não ia ao jardim. Não gostava muito de sair do meu quarto. Aquele asilo, apesar de ser muito confortável e bonito, me dava agonia. Odiava ter que ficar presa ali e ter que conviver com gente que eu não queria.

- Claro, por que não? Vamos?

- Pegue minha manta, por favor. – pedi. Ela pegou a manta, colocou-a sobre minhas pernas e saiu empurrando a cadeira pelo corredor. Nós entramos no elevador e chegamos ao térreo. Atravessamos a porta e caminhamos, quer dizer, ela caminhou e me empurrou até o jardim. O vento batia com delicadeza em minha pele flácida e enrugada e pela primeira vez em anos, eu me senti viva.

- Quer se sentar no banco? – ela sugeriu.

- Claro. Só cuidado pra não me derrubar, hein?

- Eu estudei pra isso, Rosalie. – ela sorriu, me tirou com delicadeza da cadeira e me sentou com cuidado no banco de ferro, que ficava perto de uma macieira. Depois, sentou-se ao meu lado.

- O tempo está tão agradável, não acha?

- Sim. Faz uma noite linda. – concordei.

- Você morou a vida inteira em Forks?

- Não. Morei aqui até os vinte e três anos, quando me casei e fui embora para Nova York. Quando meu marido se foi, minha filha me trouxe de volta pra cá. Ela achou que Nova York era agitada demais para uma velha gagá como eu. Logo eu adoeci e aqui estou eu.

- Eu sinto muito. Você não tem uma boa relação com a sua filha?

- Tenho sim, é que ela achou que eu seria mais bem cuidada aqui. Não a condeno. Ela é uma boa menina. Ela me visita todos os finais de semana e me liga todos os dias. Ela tem a vida dela e eu não quero atrapalhá-la.

- Você gosta daqui? Quero dizer, de Forks?

- Oh, sim! Passei momentos incríveis aqui. Foi nesta cidade, minha jovem, que eu conheci o grande amor de minha vida.

- O seu marido?

Nesta hora, eu olhei para ela, suspirei e sorri.

- Na verdade, não. Eu amava o meu marido, mas o grande amor de minha vida foi outro.

- E porque vocês terminaram?

- Sabe Stela a vida, às vezes, prega peças na gente. Temos que estar preparados para elas, mas a verdade é que nunca estamos.

- Não entendo.

- Olha, está disposta a ouvir tudo o que eu tenho pra te contar? – ela olhou no relógio e sorriu.

- Temos o tempo que quiser.

- Ótimo. Só lhe digo uma coisa: minha história está longe, muito longe de ser um conto de fadas que termina com aquela frase idiota E viveram felizes para sempre. Melhor preparar seus lenços, porque com toda a certeza, você vai chorar. Não diga que eu não te avisei.

E então, eu me ajeitei no banco, tossi duas vezes e suspirei, com dificuldade. Seria uma longa história.