As Manias De Cada Um!
41 Potomania
Notas iniciais
Era um facto que Lopo gostava de beber chá.
Aliás, gostava de beber outras bebidas.
Mas quando bebia, nunca tinha sede.
Bebia mais por gostar do que por necessidade.
O lusófono gostava de sentir o liquido –quente ou frio– a passar pela garganta.
Gostava dos sabores das bebidas.
Também, gostava da água, mesmo sem ter um sabor específico. Água sabia a água, ponto final.
Naquele momento, ele e Aleixo caminhavam em direção da casa do Afonso.
Este último tinha aprendido a fazer uma bebida transmontana e convidara os asiáticos a ir provar.
Assim que chegaram à casa do português, a porta estava aberta. Mas ao entrarem, tiveram o maior susto das suas vidas.
Bom, se houvesse um sujeito de capuz preto a exclamar um encantamento, tendo em sua frente um pote com um líquido a arder, em quem vocês iriam pensar? Oh, claro, no Arthur. E todos sabemos o horror de ter o Arthur numa cozinha.
E, bom, os mais novos gritaram de pavor. Eles não queriam consumir algo feito pelo inglês. Não queriam morrer de intoxicação alimentar!
– Eita, o que foi? Porque estão a gritar?- o sujeito perguntou, retirando o capuz.
Era Afonso.
– Oh, meu Deus… Pensei que era o Arthur…-comentou Aleixo, aliviado.
– Que bruxarias estás a praticar, Afonso?!- ralhou Lopo.
– Bruxarias?- perguntou Afonso, confuso.- Ora essa, só estou a fazer uma bebida chamada Queimada. O Júlio ensinou-me, né, filho?
Afonso despenteou os cabelos ruços do Bragança, que até então, não fora notado pelos visitantes.
– Oh, Júlio, desculpa-me, não te tinha visto.- Lopo desculpou-se.
Aleixo também pediu desculpas, fazendo um gesto com a mão esquerda.
– Não faz mal. – murmurou Júlio. Estava habituado, afinal de contas.
Afonso olhou para uma folha, onde estava escrito o encantamento.
– Oh, Júlio, lembraste onde eu ia?
Júlio apontou para a linha, sem dizer nada. O português teve que aguentar para não começar a gargalhar.
– Meu Deus, quem foi o autor do encantamento?
Lopo, curioso, agarrou na folha e leio-a mentalmente. Aleixo também assim o fez. Ambos começaram a rir baixo.
– “Peidos dos infernais cus”?- Aleixo leu, a sua barriga doía devido às risadas.
– Olha para essa linha. — Lopo apontou para uma linha mais abaixo. — “Guedelha porca da cabra mal parida”!
– Não me culpem. Foram os galegos que criaram isso.- Júlio defendeu-se, sem vontade de rir.
Afonso continuou o encantamento, tendo os dois mais novos daquela sala a aguentar para não rir.
E por fim, beberam a bebida.
Lopo adorou-a, apesar de ser muito alcoolizada.
Já Aleixo… Bom, ele ficou bêbado.
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