As Long As You're There
3 Something's coming, don't know when, but it's soon.
–Vou passar na casa da Marina, ver se ela tá melhor. É o mínimo depois da noite maravilhosa que ela nos deu, né. –Disse Clara. –Eu levo o Ivan pro judô depois, pode deixar.
–Ele não pode se atrasar, não esquece. –Alertou Cadu, antes que Clara batesse a porta da sala.
–É o estresse. –Disse o médico. Marina não estava nem um pouco feliz com a situação. Não queria que aquilo se tornasse algo grande. Fora apenas um desmaio. Mas Vanessa tinha sempre que exagerar.
–Mas será que não seria um estresse “mais” uma alimentação deficiente “mais” bebida demais?
–Ai, chega. Chega. Tá me tratando como se eu fosse maluca.
–Que é o que você é. –Vanessa riu.
–Calma, calma que ninguém morreu. Eu vou deixar uma receita aqui, um calmantezinho.
–Vai me dopar porque eu desmaiei? Ah, não! Não, gente, eu to ótima.
–Mas isso tudo tem uma causa.
– É claro que tem uma causa. Foi a emoção da festa, emoção do jantar, da exposição. Os amigos que eu não encontrava faz tempo. As pessoas que eu conheci... Aliás, você chamou a Clara pra vir almoçar comigo? –Perguntou.
–Flavinha já ligou e deixou recado.
Vanessa se levantou assim que Flavinha, a outra assistente de Marina, entrou no quarto. Elas cochicharam algo e Marina logo percebeu.
–O que foi? O que vocês estão cochichando aí? –Perguntou.
–É que... A moça tá aí fora mas eu vou pedir pra ela voltar outro dia. Você não tem a menor condição de receber ninguém desse jeito.
–Que isso, que isso... É a clara? Manda ela entrar, que isso! Desde quando você dispensa minhas visitas?
–Mas você não tá bem. –Retrucou Vanessa.
–Eu sei o que me faz bem. –Rebateu Marina.
Clara deu dois toques na porta e pediu licença para entrar. Seu rosto ruborizou ao ver o estado de Marina. Sendo atendida por um médico! Clara sentia-se envergonhada por incomodar.
–Clarinha. –Sorriu Marina. –Entra.
–Oi. –Ela caminhou até ao lado da cama de Marina. –Eu posso voltar mais tarde, já que você tá com o seu médico.
–Não, nada disso, daqui você não sai nunca mais. –A fotógrafa riu. –Eles tão querendo que eu me sinta doente mas eu to ótima.
–Ah. –Clara espantou-se quando Ivan entrou porta á fora. –Meu filho. To levando ele pra aula de judô, então ele veio comigo.
–Ah, deixa eu ver o filhote. –Marina sorriu, mas assim que se levantou, sentiu o corpo fraquejar, e quase desmaiou novamente.
–Tá vendo, ainda bem que dessa vez foi na frente do senhor. –Disse Vanessa, ajudando Marina a se deitar novamente.
–Marina, vamos aprofundar mais as coisas? Você não tá grávida não?
–Ah, bem que eu queria, já até pensei em adotar, mas não to grávida não.
–Tanta criança por aí, sem pai nem mãe, ué. –Disse o doutor.
–Pelo amor de Deus, se você adotar uma criança ela entra pela porta e eu saio pela janela. –Disse Vanessa, enojando Marina.
–Mesmo assim, nós vamos fazer alguns exames de laboratório. Coisa boba. E eu quero ver todos esses exames em perfeito estado, tá bom? Bom, agora eu vou indo. Com licença. Bom dia.
–Bom dia, obrigada, doutor. Não vou nem beijar vocês, vai que é uma dessas viroses estranhas por aí. Mas senta aqui, Clarinha. Virose não pega pelo olhar. –Clara se sentou ao lado de Marina, e as duas se entreolharam por alguns minutos, em silencio. Seria uma grande mentira se qualquer uma das duas dissesse que não estavam abaladas por todos aqueles olhares. Clara sorriu sozinha, e Marina observou Ivan enquanto ele apreciava os quadros na parede do quarto dela.
–Que amor de filhote! –Ela disse, babando no menino. –Qual é seu nome mesmo?
–Ivan. –Respondeu o menino.
–Levadíssimo. –Sussurrou Clara. –Adora jogar bola com os amigos, não troca por nada.
–Ivan, o terrível. –Brincou Marina.
–Que susto ontem, hein. –Comentou Clara. –Você tá melhor?
–Bem melhor agora. Desculpa não pode almoçar com você direito hoje, Clarinha, foi meio imprevisível.
–Tudo bem, eu vou ter que levar o Ivan pro judô daqui a pouco de qualquer jeito.
–Aqui, vira seu rosto um pouquinho pra cá. –Ela tocou o rosto de Clara, que sentiu o mesmo arrepio de quando as duas deram os braços na noite anterior. –Assim a luz do sol bate, e deixa mais bonito.
–Eu devo estar com uma cara horrível. Saí de casa correndo, nem maquiei direito.
–E você precisa?
–Toda mulher precisa.
–Não. –Discordou Marina, apreciando a beleza da mulher sentada á sua frente. –A noite, tudo bem. Mas de dia? Não. Você tá linda. Quer dizer, tá não, você é linda. –Vanessa organizava algumas coisas sobre a bancada de Marina quando ouviu das duas trocando elogios. Seus pulsos cerraram e a raiva e o ciúme tomaram conta dela novamente. Toda vez que aquilo acontecia, ela fazia de tudo para afastar Marina. Marina fazia uma trança no cabelo quando Clara suspirou, passando a mão pelo próprio pescoço. Marina a estava deixando louca, e ela sabia disso. Mas também sabia que não era certo.
–Você tá com calor? –Perguntou Marina.
–Não, não... Lá fora tava quente, aqui tá super... Bom. Agradável.
–Eu adoro água, parece que só me refresco quando to na água. Aliás, o meu banho tá pronto?
–Há muito tempo. –Respondeu Vanessa.
–Vamos nessa, então.
–Vamos.
–Pode deixar, Van. A Clarinha me ajuda. Ah, Van, dá alguma coisa pro filhote comer.
–Ah, não, não precisa. Ele tomou um super café da manhã e eu vou levar ele pro judô já já. O professor fica uma fera quando a gente atrasa, né, filho? –Ivan concordou. Marina apoiou os braços nos braços de Clara, e se levantou. Clara caminhou com ela até o banheiro, devagar.
–Tem certeza que você está bem? –Perguntou Clara, quando viu as pernas de Marina bambearem.
–Tenho. Fico assim quando estou perto de gente bonita. –Ela soltou. Clara sorriu, envergonhada. Vanessa observava as duas de lábios trancados. Não aguentava mais ver Marina se apaixonando a cada semana. Não aguentava mais seus affairs e amores passageiros. Não aguentava mais sentir ciúmes da ex-namorada que nem lhe dava mais o mesmo valor.
Marina retirou o vestido com facilidade, soltando-o pelas alças a deixando que ele corresse por seu corpo. Clara seguiu o vestido com os olhos, e observou o corpo magro e elegante de Marina. Aquilo lhe deixou com mais calor ainda, mas Marina pareceu apreciar o desespero de Clara. Ela sabia o efeito que tinha sobre ela, e adorava isso. Clara mal conseguia tirar os olhos do corpo de Marina. A barriga seca, as pernas bem definidas e os seios perfeitamente angelicais e empézinhos. Os ombros delicados, e o cabelo castanho que por ele caía. Marina entrou na banheira sem a mínima vergonha, apreciando cada vez mais os olhares envergonhados de Clara para ela.
–Não vivo sem um bom banho, nem pareço a mesma criança que a mãe tinha de obrigar a tomar banho. –Disse Marina, enquanto Clara tentava esconder o rosto, escondendo, assim, seu foco no corpo totalmente nu de Marina. –Eu era um moleque. E você? Era levada também.
–Hã? –Disse Clara, mal escutando tudo que Marina havia dito. –Não, não, era normal.
–Senta aqui, Clarinha. –Marina apontou para a borda da banheira de mármore bem trabalhada. –E o Ivan?
–Ah! Esse é fogo. –As duas riram.
–Posso te pedir uma coisa? –Perguntou Marina. Clara assentiu. –Posa pra mim.
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