As Executoras

2 Capítulo 2


Notas iniciais
Boa leitura.

Legal! Passei o fim de semana inteiro em casa, assistindo Two And A Half Man. E ainda por cima, sem o Charles Cheen! Ta bom que o Ashton é um gato, mas não é tão engraçado quanto o Big Charles! Cath fez questão de sair sexta e sábado com Willie, o namorado dela, e agora trouxe ele pra ficar aqui.
Eu comi bem rápido, pois tinha que fazer as malas pra minha viajem que, pra minha “sorte”, iria ser segunda de manhã. Odeio vôos diurnos. Na verdade, odeio vôos. Odeio viajar.
Odeio sair de casa!

Dormi o vôo inteiro e, quando cheguei, fui direto tomar um café. O primeiro lugar que achei foi um tal de Starbucks. Estava cheio, mas eu estava morta de fome. Comprei um café preto e uma rosquinha. Quando estava indo em direção à porta, pra sair, uma multidão apareceu do nada. Uma “multidão”. Tava mais pra um bando de adolescentes escandalosas com cartazes. Acho que li “I ♥ Daddy” em um deles. O que? Aquele garoto com cabelo raspado e olhos castanhos era pai? Ele não era de uma bandinha famosa? Ah! Eu não tenho tempo pra isso!
Saí correndo dali e quase derrubei meu café tentando me livrar daquela multidão. Entrei desesperada em uma livraria na frente do Starbucks. Consegui salvar meu café, mas minha rosquinha havia ficado. Malditas adolescentes escandalosas!

- Eu odeio Londres! – Sussurrei, mas acho que alguém ouviu.

- Espero que mude idéia algum dia. – Um cara ruivo com olhos azuis estava em uma poltrona. Ele segurava um livro com uma capa preta e um copo de café, igual ao meu. Fiquei paralisada por alguns instantes. Digamos que tenho uma quedinha (Lê-se: ABISMO INFINITAMENTE PROFUNDO) por ruivos. E aquele ruivo... Ulalá!
Quando, finalmente, saí do meu transe, dei um sorriso falso e fui até o senhor que estava no balcão da livraria. Ele tinha cabelos brancos e um pequeno óculos fundo de garrafa. Estava lendo o jornal.

- Com licença senhor. – Ele olhou pra mim amigavelmente. Ótimo! Menos uma pessoa de mau humor na Terra! – Poderia me informar onde fica a delegacia?

- Mas é claro, senhorita! Ela... – O simpático senhor foi interrompido pelo lindo e inconveniente ruivo.

- Me perdoe Charlie. Posso mostrar onde é a delegacia pra senhorita. Se você permitir, é claro.

- É claro, Nick. – Respondeu o senhor, que voltou a ler seu jornal.

- Quer me acompanhar? Eu estava indo pra lá. – Ele estendeu o braço.

Vem cá, te conheço?

- Não, muito obrigada. – Eu não posso ser mal educada. Ainda não. Preciso me adaptar à cidade primeiro.

- Ah, por favor? – Ele me olhou de um jeito que, se eu não fosse durona, já estaria esparramada no chão, totalmente derretida por aqueles olhos azuis.

Me recompus.

- Tudo bem. – Soltei um sorriso meio verdadeiro. Qualquer coisa, eu estava com uma Firestar dentro da bolsa. Era pequena, mas faria um estrago enorme se ele tentasse alguma coisa.

Entramos em seu carro. Era um Volvo preto. Bancos de couro. Desconfortáveis.

- Então, de onde você é?

- Wolverhampton. – Por mais que ele seja lindo, eu não o conheço.

- O que faz aqui em Londres?

- Negócios. – Já falei demais. Cadê a delegacia?

- Primeira vez em Londres?

- Sim.

- Gostou? – Aparentemente ele se sentiu um tolo por perguntar aquilo, pois havia me ouvido falar que não. Fez uma careta e concertou seu erro. – Me desculpe. Por que não gostou?

- Primeira impressão. – Ele ainda não se tocou de que não sou do tipo que conta tudo pra um estranho? Ele não se tocou de que não quero falar?

Bom, parece que AGORA notou. Ficamos em silêncio o resto da viajem. Londres é realmente bonita, mas eu ainda odeio.
Quando finalmente chegamos à delegacia, “Nick”, estacionou o carro. Eu desci, agradeci pela carona e entrei.
Chegando ao balcão, esperei alguns minutos pra falar com a secretária que estava falando ao telefone. Ela mascava chiclete e lixava as unhas. Era loira, mas oxigenada. Dava pra perceber a raiz de seu cabelo moreno. Ela estava de costas, não me viu ali, o que me permitiu escutar sua fútil conversa com uma tal de Laura.

- Não amiga! Ela traiu a Cher! Os paparazzi flagraram tudo! É! Na boate! Isso! A mesma que o Harry e o Justin foram ontem! ... Não brinca! Laura Menezes, não brinca comigo! Você ta falando sério? Zayn Malik? Aquela vaca! Ela mereceu! – Finalmente ela percebeu minha presença ali. – Amiga, te ligo depois. – Ela retirou o readphone e guardou a lixa de unha. – Posso ajudar?

- Fui convocada pelo Delegado Bland.

- Siga pelo corredor – Ela apontou por enorme corredor à esquerda – e entre na terceira porta à esquerda.

- Obrigada. – Sem responder nada, a loira oxigenada virou de costas novamente e voltou a falar com a Laura sobre aquele tal de Zayn.

Segui o corredor e fiz o que ela orientou. Quando abri a porta, quase caí de costas.

- Pois não? – O ruivo Nick, da livraria, ergueu os olhos de seu Notebook e se impressionou ao me ver. – Ah! É você. Em que posso ajudar?

Droga! Eu havia mentido pro Delegado! Bom, não podia fazer mais nada, a não ser, falar a verdade.

- Você me convocou aqui. – Ele pareceu um pouco confuso, mas um sorriso de “Ah! Te peguei no flagra!” logo apareceu em sua linda, vermelha, perfeita e... Hum. Em sua boca.

- Nichole Winter? A Executora?

- Ela mesma... – Me sentei na poltrona à sua frente.

- De Wolverhampton? – Ele foi irônico.

- Bom, você era um estranho. Não podia correr o risco...

- Não precisa se desculpar. Eu entendo.

Nós conversamos o resto da manhã e Nick, que na verdade era Nicholas, Nicholas Bland, me levou pra almoçar. Não pense que foi um encontro. Conversamos sobre negócios. Eu seria a nova chefe dos “Condenados Não-Humanos” e, dessa vez, não pude recusar.
Nicholas me deixou em casa. O governo era muito bom em escolher casas pros trabalhadores públicos. Essa, particularmente, era linda. Uma casa de verdade. Com quintal, jardim, garagem... Hatti iria adorar.
Fui direto tomar um banho. Eu havia pedido pra um taxista trazer minhas coisas pra cá antes de sair do aeroporto, mas ainda estava sem a Cheryl, meu Porsche vermelho. Espero que ela não demore muito.
A água era quente e agradável. Coloquei uma camiseta e uma calça qualquer e fui desfazer minhas malas. Eram cinco. Duas pras roupas, uma pros All-Stars e outras duas pros meus golfinhos de pelúcia. Qual o problema? Uma matadora de vampiros não pode ter golfinhos de pelúcia? Anita Blake tinha pinguins e continuava durona. Por que eu não posso ter golfinhos? Isso é bulling!
Quando terminei, fui ver o que passava na TV. O jornal das seis informava que uma gangue de fiéis havia matado quatro pessoas e dois vampiros em uma festa de simpatizantes.

- Fanáticos desgraçados!

Tudo bem, eu não sou fã de vampiros, mas também não apoio a Igreja Da Vida Eterna. Eles são loucos!
Uma festa de simpatizantes é mais ou menos como uma festa pra drogados. Vampiros e seres humanos viciados vão a essas festas pra terem “prazer”. Os vampiros se aproveitam dos humanos, que gostam de serem aproveitados. Entendeu? Os vampiros sugam o sangue dos humanos, que sentem prazer nisso. É tipo uma boate de vampiros. Há strep tease, há bebidas e há sangue no palco. Algumas vezes rolam até uns teatrinhos.
Não achei nada mais de interessante na TV, então troquei de roupa e saí. Não era muito tarde, mas tomei a precaução de manter minha arma na bolsa.
Tomei um táxi e fui pra um bar qualquer. Eu estava quase entrando nele, quando meu celular começou a tocar. What’s Up People, do MAXIMUM THE HORMONE. Se você não gosta de rock pesado, vai odiar essa música. Eu amo essa música.
Era Cath.

- Oi Cath! Como você ta? Ta cuidando bem da Sam? E do Ha...

- Nikki! Me escuta! Eles mataram o Willie e agora estão atrás de mim! Você precisa solucionar os casos e matar os vampiros logo! Eu to fugindo pra Irlanda. Não vem pra casa de jeito nenhum! Mandei um e-mail pra você com tudo o que eu sei. Hatti e Sam estão seguros no lugar de sempre. Se eu não te ligar amanhã, não me procura por uma semana! Pode ser perigoso! Faz o que eu te pedi o mais rápido possível! To contando com você!

- Cath... – Fui interrompida por aquele barulhinho chato “Tu, tu, tu, tu...”.

Eu paralisei no meio da rua. Acho que teria caído no chão, se não fosse uma abençoada cabine telefônica ao meu lado.
Jesus! O que eu vou fazer?

Notas finais
Espero que estejam gostando! Comentem! :)