As Estrelas Da Esperança
40 Capitulo 40 – O Silêncio no Alvorecer
Templo de Áries
A luz do sol começava a adentrar o primeiro templo por entre as pálidas colunas e atingindo as armaduras expostas, a quantidade de armaduras só ia aumentando com o passar do tempo, dois cavaleiros vestindo armaduras prateadas permaneciam mexendo nas armaduras. Chaffin estava na entrada do templo de pé com um rosto pensativo, entretido em seus pensamentos, Vaskes se aproxima e fica ao lado do cavaleiro que percebe sua presença e volta a si, ao olhar o cavaleiro de grou percebe que seu olhar estava fixo num ponto mais a frente do pátio do Santuário, logo sons de passos podem ser ouvidos os dois então se preparam para o pior.
– Essa batalha nunca vai acabar? — perguntou Chaffin.
Grou apenas olha para o relógio de fogo e com um semblante sério responde.
– Em breve, mas este será apenas o prolóquio da verdadeira batalha.
Subindo as escadas um grupo de pessoas já podiam ser vistas em meio às pedras destruídas do último golpe do cavaleiro de Áries, com a luz do alvorecer as figuras se aproximando eram ainda impossíveis de determinar se eram amigos ou inimigos, mas uma coisa era certeza, a morte estava ao lado deles.
Templo de Escorpião
O cavaleiro dourado estava inquieto como sempre, algo havia chamado sua atenção, uma energia que lhe era um pouco familiar. Seus colegas de armas, sendo eles seus discípulos, um direta e o outro indiretamente, nem ao menos notaram a diferença nos movimentos do cavaleiro dourado, sabendo que ele sempre fora um pouco impaciente e inquieto, no vento um aroma peculiar chamara sua atenção, e mesmo contra as ordens do Grande Mestre, Escorpião sai rapidamente de seu templo, pouco passos para o lado de fora e ele sentira um cosmos muito enfraquecido, em poucos segundo ele alcançara a origem daquela energia. Um homem se escorando entre os rochedos, todo ensanguentado em meio aos corpos dilacerados.
– Quem fez isso?! – Questionou o cavaleiro dourado que notou a passagem secreta aberta. – Quem subiu por ali?! – perguntou apontando para a passagem.
– O...Lagarto... – O homem mal conseguia falar, notava-se que ele estava muito debilitado, mas não apenas por conta de suas feridas. – Espectros...Rosas...Veneno... – Então o homem cai ao chão desacordado, e seu cosmos diminuindo cada vez mais.
Correndo chegam Nill e Bira, encontrando Matheus indo em direção ao corpo do homem desacordado.
– O que houve aqui Mestre? — Questionou Nill.
–Alguém veio de lá. – Respondeu apontando para o buraco entre as grandes rochas. – Ele está muito ferido, leve-o rapidamente por estas passagens, siga sempre o caminho da direita e vocês chegarão rapidamente à entrada dos Templos Zodiacais, de lá levem-no para o alojamento de tratamentos médicos. – Dizendo isso os dois pegaram o homem caído e seguiram, e Matheus volta ao seu templo. – “Porque não simplesmente o matou?”
Passagens Secretas
Os dois cavaleiros subiam rapidamente por uma escadaria secreta quase que em completa escuridão, quando um clarão aparece no topo da escada, eles se entreolham e começam a subir ainda mais rapidamente, e ao alcançarem a saída, se encontravam próximos à estátua de Athena, dezenas de pássaros negros estavam espalhados por todos os cantos, com certeza eram os mesmo que passaram por cada um dos templos, os cavaleiros pararam ali por um segundo contemplando a imensa e magnífica imagem de sua deusa antes que uma voz chamasse sua atenção:
– Fico feliz que tenham chegado à salvos – Uma voz familiar, muito familiar para Geovanne, uma silhueta dourada se aproxima. – Bem-vindos cavaleiros.
–Mestra Elys!!! – O cavaleiro de urso estava surpreso e o mesmo tempo feliz por ver um dos guerreiros mais poderosos de Athena à sua frente.
– Acredito que haja algo necessário a ser dito, e apenas Wes pode falar isso para vocês. – Disse a amazona de cabelos ruivos se virando e indo em direção à construção mais próxima e se volta para eles novamente. – E sei que vocês têm algo pra ele também, não é?! – Um sorriso lateralizado podia ser visto enquanto ela voltava seu rosto para frente novamente.
Os dois cavaleiros ficaram aliviados, um suspiro, um pouco mais demorado do que os demais os acusa, então sem dizer mais nada, sob os fracos raios do sol nascente, eles seguem a amazona dourada.
Casa de Aquário
O solo havia sido completamente destruído, nem uma pedra se quer permanecia em seu local de origem, o casal que vestiam suas respectivas armaduras negras permanecia intactos quanto ao último golpe, no meio da calamidade que o templo havia se tornado, o silencio tinha tomado conta do ambiente, as faces dos guerreiros de Hades transpareciam a satisfação, com seus sorrisos, eles então começaram a caminhar vagarosamente por entre os escombros indo em direção à saída.
– Vocês destroem o chão de minha casa e acham que podem sair assim?! – A origem da voz logo foi encontrada, a silhueta se movia em direção à saída da décima primeira casa, o sol entrava da mesma direção fazendo com que a visão dos dois soldados do submundo ficasse um pouco indistinta. – Eu não queria ter que fazer isso, principalmente porque aquele que vocês servem estava a nos observar, e seria um empecilho que ele soubesse.
– Soubesse o que?! Que você caíra vergonhosamente diante de nós?! – A pergunta retórica foi seguida de uma risada dupla.
O cavaleiro dourado se aproxima devagar queimando sem mostrar reação alguma, diferente do que acontecera antes, ele parado ergue a mão com a palma voltada para cima, em poucos segundos, nada ao seu redor se movia, nem mesmo o vento, sua capa permanecia inerte no ar, seus adversários por um momento ficaram sem reação, apenas observando a grandeza do cosmos do cavaleiro de ouro, após olharem um pouco mais atentamente, perceberam que nem se quer um arranhão havia na armadura do guerreiro de Athena, não havia sinal algum de luta naquela armadura, como se nada tivesse acontecido, os pedaços dos demais guerreiros de Hades que ainda sobraram congelados no meio dos escombros começavam a ranger, sons agudos de estalos eram ouvidos, eles estavam se quebrando, apenas com a pressão do cosmos e a baixa temperatura que assolava tudo ao redor de João.
– Achei que vocês poderiam ser um desafio após escaparem de meu primeiro golpe, mas mal serviram para me entreter. – As palavras ecoavam pelos cantos do templo em um tom grave. – Se não fossem por aquelas malditas mariposas vocês nem estariam vivos, nem mesmo o Lagarto.
– Como sabe das Mariposas de Hades?! – Perguntou a mulher espantada.
– Quem não sabe daqueles seres inoportunos? Pelo menos vocês tem algo em comum... Perecerão aqui. – Sem mudar seu tom de voz, seu braço rapidamente é coberto por uma fina camada de gelo e com um rápido movimento de punho fechado seu cosmos encobre o templo e seus arredores, apenas uma luz azulada banhada no cosmos dourado fora vista saindo pelas frestas do Templo de Aquário – Diamond Dust. — Seguido de um silêncio absoluto, pequenos pedaços das armaduras recobertas com os músculos e o sangue congelado dos adversários do mago do gelo caiam suavemente pelo ar, do ponto de saída do templo até metade das escadas em direção ao templo de Capricórnio, tudo havia sido congelado, toda vida se extinguira. O cavaleiro dourado arruma os óculos em seu rosto, se volta ao horizonte diante do nascer do sol caminha até as primeiras escadas e observa as poucas estrelas ainda restantes no céu do amanhecer.
– Espero que voltes logo...
Castelo de Heinstein
O brandir de asas das criaturas negras chamam a atenção de todos os guardas ao redor do castelo, elas pousam na entrada da mansão e caminham para dentro da propriedade enquanto alguns soldados se encarregam de abrir e fechar os portões, um deles se aproxima da carruagem em ébano, mas logo é lançado para longe com apenas uma mão, a porta se abre revelando a sutil forma de uma jovem dama de pele pálida e olhos negros, tão escuros quanto seus cabelos esvoaçantes, exceto uma madeixa carmesim que se destacava dentre os demais fios ao vento frio da região. Talvez por gentileza da própria moça, ela se apoia na mão de seu fiel guardião e desce da carruagem sem nem olhar para seus subordinados e caminha diretamente para a grande porta de entrada do castelo, ao fundo percebe-se um movimento.
“-Fria como sempre” – sussurrou um dos guardas, e antes que percebesse, tinha seu pescoço envolvido pela mão de Wyvern.
– Deixe-o! – Disse a garota em tom suave, porém firme. – Apresse-se, tenho afazeres.
– Tens sorte que a Senhorita Pandora foi misericordiosa com você, verme. – Brandiu o homem, que rapidamente se moveu para a entrada do castelo e abriu as portas para que a moça passasse.
Templo dos Deuses Gêmeos
Hypnos surge de um vórtice de pura energia, caminhando calmamente de volta ao pequeno pedaço particular do Elíseos com um pequeno e discreto sorriso no rosto.
– Brincando com sua coleção?! – Questionou o homem sentado junto à uma pequena mesa com um livro de capa negra na mão. – Ainda está incompleta?
– Por hora. – Respondeu o homem em vestes desenhadas em dourado. – Estava apenas checando meus objetos, e verificando se não há intercorrência alguma.
– Então eles permanecem vivos.
– Não diria que a condição em que eles se encontrar poderia ser denominada...Vida. – Os dois riram em um tom grave e sutil. – Parece que ela chegou. – Continuou Hypnos. – Os preparativos finalmente estão prontos.
– Então vamos. – Thanatos fecha seu livro e o coloca em cima da pequena mesa, e assim como seu irmão simplesmente desaparece, reaparecendo à frente de uma grande porta. Passos rítmicos e agudos são ouvidos chegando bem perto. – Seja bem-vinda de volta, Pandora.
A garota se surpreende com a presença dos dois galantes deuses à sua frente como se a esperassem há tempos.
– Acredito que seu irmão ficará muito feliz e orgulhoso de você senhorita.
Antes que ela pudesse responder as grandes portas se abrem, um homem se curva fazendo uma breve reverência, Arth vestia um terno de gala, preto e luvas brancas, ao se levantar sorri sem mostrar os dentes e gesticula para que todos entrassem.
– Ele está à vossa espera. – Disse o antigo cavaleiro de Hydrus. – Logo começaremos.
Assim que os primeiros passos foram dados para dentro do grande salão onde Hades se encontrava um véu negro tampou a visão de Pandora e ela sentiu algo muito familiar, uma nostalgia imensurável, os braços que passaram pelo corpo da garota e o aroma adocicado a lembraram de sua infância.
Casa de Peixes
Uma rosa vermelha ainda cheia de espinhos dança entre os dedos cobertos por uma manopla dourada e para entre o indicador e o polegar, a rosa é levada ao rosto e seu aroma apreciado, um sorriso onde um canino um pouco mais afiado do que os demais dentes se sobressai de forma discreta, sons metálicos se aproximam, o cavaleiro portador de uma armadura dourada se levanta da escadaria coberta de rosas vermelhas e caminha até o centro de seu templo, o local tinha vinhas e flores espalhadas por todos os pilares de sustentação, e mais lateralizada uma fonte com água cristalina, ele gira mais uma vez a rosa entre os dedos e a lança em direção à entrada, antes que a rosa chegasse perto da entrada do templo, ela rapidamente apodrece e cai ao chão, um segundo depois um homem se aproximava.
– Por um momento pensei que não chegaria aqui.
– Não me subestime, há muito mais do que beleza aqui. – Leonardo respira fundo com os braços abertos e um sorriso – Como eu senti falta deste aroma.
Fale com o autor