As Estrelas Da Esperança
39 Capitulo 39 – Dedo de Gelo da Morte
Templo de Leão
Os dois cavaleiros de patente mais baixas se recuperam do combate sentados no pilar de sustentação caído ainda em diagonal dentro do templo, alguns poucos metros, o corpo do cavaleiro de Lince estendido no chão com um manto branco puro o cobrindo, em seu centro, uma grande mancha carmesim, ainda molhada se destacava, Gutto suspira e se levanta com um impulso utilizando os braços, Adélia toca sua máscara e percebe o quanto ela está danificada, ela se vira de costas para os dois irmãos e retira a máscara enquanto ouve os passos do cavaleiro de Cérbero.
– Vamos Irmão! – Disse o cavaleiro estalando o braço esquerdo enquanto segurava seu ombro com a mão direita. – Temos que ir atrás dos demais espectros.
– Você não confia em seus companheiros? – Questionou o Leão dourado ainda encostado em uma das pilastras de frente para o corpo desfalecido de seu antigo aluno.
– Não foi isso que eu...
– Então deixe estar. – Érick se virou para seu irmão mais novo e sorriu. – Eu não posso sair daqui, mas vocês devem leva-lo para outro local, confio isso à vocês dois.
Ao final da frase Adélia se vira de volta para o cavaleiro dourado com sua máscara no lugar, e sorri, os dois se espantam um pouco, e riem.
–Por que estão rindo assim?!
– Desculpa! É que...é a primeira vez que vejo você esboçando algum sentimento.
– E...seu sorriso, é lindo. – Completou Érick – Deveria deixar sua máscara assim.
– Não é uma ideia tão ruim, posso pensar nisso...Mestre – E no final de sua frase sorriu novamente, mas logo se virou e colocou nas costas a urna da armadura de seu companheiro de batalha. – Vamos Gutto, acho que Lince não foi o único a...voltar, vamos leva-lo junto com sua armadura.
Cérbero apenas moveu-se sem falar mais nada, foi em direção ao corpo de seu antigo companheiro, o levantou em seus braços e começou a caminhar junto com a amazona.
Proximidades do Alojamento Feminino
O cavaleiro que tinha sua armadura completamente sem vida, onde as partes que ainda estavam em seu corpo, já não serviam mais como defesa, apenas peso, porém, nada disso importava mais pois havia uma lança transfixada em seu abdome, assim como diversos outro grave ferimento causado pelas armas dos espectros. Aelita e Mary haviam completado seu treinamento há pouco tempo e estáticas, assim como pasmas, ficaram ambas com o desempenho do cavaleiro à sua frente, apesar de estar quase morto, mesmo nas condições em que se encontrava foi capaz de aniquilar uma grande horda de guerreiros do submundo.
– Linyker! – Gritou Mary correndo até ele que se ajoelhava no chão com a mão na lança, quando ela chega perto ele retira a lâmina e joga pro lado – Por favor, desta vez, fique comigo.
– Eu disse que não poderia cumprir minha promessa...Me...Desculpe – O sangue escorria a cada esforço que o guerreiro fazia, Mary o apoiava em seus braços, a última vontade de sua armadura era de voltar à sua urna, e os pequenos pedaços se juntam formando um object de sua constelação, e sua cor vai apagando-se rapidamente. – Eu nunca imaginei...que essa...vida amaldiçoada...pudesse me dar...mais uma...alegria... – O sangue impedia o ar de passar, a máscara da jovem caiu no chão entre os dois, as lágrimas caiam sobre o tórax de seu amado, ela já sabia o que estava por vir e tentava se segurar o máximo possível, Aelita caminhava silenciosamente para perto da urna fechada e morta. – Eu...sempre...te...Amarei...
Os olhares dos dois se cruzaram uma última vez, o sorriso na face pálida e ensanguentada do rapaz já sem vida ia se esvaindo assim como o brilho em seus olhos. A vida deixara seu corpo mais uma vez, a dor pela perda apenas aumentava, Mary segurava o corpo morto do jovem guerreiro ela parada olhando fixamente para o rosto dele, ela se encosta sentindo o frio da morte em sua bochecha, ela beija sua testa e afasta o rosto lentamente, com uma das mãos ela fecha os olhos que ainda estavam fixados em sua amada, Aelita já estava de pé segurando a urna com a armadura morta, e toca o ombro de sua amiga que coloca o corpo de seu amado no chão, enxuga suas lágrimas, coloca de volta sua máscara e inspira lentamente. Mary se curva e levanta o corpo de Linyker.
– O que vai fazer Mary? – Aelita questionava um pouco surpresa.
– Não o deixarei entre estes seres desprezíveis.
– Sabe que temos que nos juntar aos demais cavaleiros e...
– Vamos Aelita, deixaremos a armadura dele na casa de Áries, o Mestre Messura provavelmente saberá o que fazer com ela, e daremos um enterro digno à ele...desta vez.
Templo de Aquário
Um dos espectros gargalha saindo de uma sombra ao lado de seu companheiro, ele estende a mão esquerda e concentra uma imensa quantidade de cosmos formando uma esfera maciça de poder nefasta.
– Você acha que seremos bem recompensados por matar um cavaleiro de ouro? – A voz denunciava que era uma mulher falando, e ao se aproximar lentamente da fraca chama que habitava uma tocha em um dos pilares deu a certeza do gênero da espectro.
– Com certeza o Mestre Hypnos nos recompensará, Meu amor.
Ao ouvir o nome de um dos deuses gêmeos João deixa transparecer que reconheceu o nome, e neste instante em um piscar de olhos a mulher estava a pouco centímetros do cavaleiro de Aquário, a esfera de energia já tocava o peito de sua armadura, mas não satisfeita a mulher com um sorriso maligno em seu rosto pressiona ainda mais a esfera fazendo-a implodir, e em seguida explodir jogando o cavaleiro contra um pilar de sustentação, que assim que o corpo do cavaleiro o toca, se torna pó, o corpo dourado atravessa a pilastra agora em pedaço e se choca contra a seguinte, mas antes que pudesse tocar o chão, uma outra sombra surge velozmente e restringe seus movimentos novamente, nem mesmo a gravidade era párea para aquela técnica, o cavaleiro dourado cospe um pouco de sangue no chão e inspira suavemente. A inspiração fora interrompida por mais uma explosão de pura energia vinda de baixo do cavaleiro, lançando-o no teto com brutalidade, logo ele cai no chão e devagar se levanta e encara o espectro que parecia controlar sua sombra livremente se aproximando, da mulher, ele a puxa e beija sem se importar com seu adversário, após alguns segundos eles se viram novamente para o cavaleiro em vestes douradas e erguem seus cosmos com igualdade ao próprio cavaleiro de ouro.
– Acabe com ele querida.
A mulher apenas sorriu e logo a sombra com uma velocidade monstruosa se aproxima cobrindo tudo em seu caminho, antes que ela chegasse perto do cavaleiro de Athena, um golpe era desferido.
– Diamon Dust!!!
Tudo começa a ser coberto por uma camada de gelo, inclusive os dois espectros, mas a sombra continuava seu trajeto e os espectros pareciam não se importar com o frio e o gelo, logo a sombra engoliu o cavaleiro de ouro fazendo sua técnica cessar – Shadow Sewing! — A pequena camada de gelo formada ao redor do corpo dos dois espectros se quebrava como vidro.
– Fazemos parte da segurança do Cocytus, não é um gelo fraco desse que nos fará recuar. – Disse a mulher acumulando ainda mais energia do que os dois últimos golpes. – Mas logo você saberá como é o verdadeiro frio do Cocytus!!
Ainda com mais velocidade a mulher em sua armadura negra em forma de um lobo infernal carrega seu golpe voraz. – Howling Inferno!!!
A certeza do golpe e sua proximidade fizeram o maior sorriso e mais perverso surgir no rosto da mulher, milímetros de distância separava seu golpe do cavaleiro de ouro, seu amante mantinha-se imóvel com os braços cruzados e olhos fechados, e um sorriso igualmente perverso. Um pequeno instante antes de acertar o golpe ela se virou para o rosto do cavaleiro que tinha uma leve e sereno sorriso lateralizado em seu rosto, quando ela percebeu que toda a sombra tinha se misturado com gelo e o único lugar onde ela não encostava eram onde os pés do cavaleiro de Athena estava fixados já era tarde demais, sua velocidade era tanta que mesmo se tentasse não poderia parar se golpe, no intervalo de tempo que sucede sua morte, o tempo flui mais devagar, o único pensamento que ela poderia recorrer era implorar mentalmente por sua vida, suas preces foram ouvidas, com um preço. O cavaleiro de Aquário mostrou-se muito mais veloz que ambos os adversários, sem que a mulher percebesse, um veloz e poderoso chute assolou a espectro, parte de sua face havia sido afundada, seu nariz destruído e seu corpo lançado contra de seu amante e os dois lançados contra uma pilastra que havia sido demolida com o impacto do golpe.
– Mas é muita confiança para golpe tão básicos como o de vocês. – Mesmo após sofrer dois golpes poderosos, a armadura não possuía um arranhão se quer, mas um pequeno corte no lábio do cavaleiro estava exposto.
–Maldito... – Grunhiu o espectro se levantando. – Como ousa atacar minha mulher desta maneira?
– Meu rosto!!! – Gritou a mulher enfurecida – Meu rosto!!! Eu, Alisha de Lycaon vou matar você!!
– Pode apostar que alguém aqui morrerá. – Respondeu cavaleiro de ouro com uma breve risada abafada já erguendo seu cosmos.
– Ainda debocha de nós...seu miserável – Os níveis de poder dos dois espectros aumentavam cada vez mais, e as energias se uniam em uma só – Você sentirá a força de Behemoth!!
Os espectros avançaram com um poder inacreditável, que claramente superava o cosmos atual do cavaleiro de ouro que preparava seu punho para utilizar o mesmo ataque novamente, ao ver a posição do cavaleiro de ouro, os espectros de Hades pularam rapidamente para cima do cavaleiro e explodiram seu cosmos fazendo o templo tremer Alisha se posicionava atrás de Behemoth, tocando suas costas com as duas mãos canalizando sua energia toda para o golpe dele que por sua vez com um rápido chute alcança o solo, muito próximo à João que se espanta com a quantidade de energia liberada.
– Droga... – Sussurra o cavaleiro dourado enquanto era envolvido pela energia que levantava as pedras que construíam o chão do templo inteiro, e eram pulverizadas em instantes.
– Sinta o nosso poder! – Gritava alucinado o espectro – Brutal Real!!!
Escadaria
O cavaleiro vestindo uma armadura prateada e cabelos azuis gesticulava para que os outros dois cavaleiros ficassem em silencio, enquanto os guiavam por um caminho entre as rochas, se distanciando cada vez mais das escadas, que agora mal podiam ser vistas.
– Por que nos tirou do caminho? – Questionou Carlos
O cavaleiro apenas levou o dedo a frete da boca ao se virar e continuou a caminhar poucos metros até uma grande cerca viva que cobria parte da montanha e declarava o final do caminho, um beco.
– Aqui não poderemos ser ouvidos – Disse o cavaleiro de Prata – Eu sou Yuki, cavaleiro de Altar, fui ordenado que mostrasse o caminho seguro até o Salão do Grande Mestre.
– Mas estávamos indo pelo caminho...
– Parece que você é novo por aqui não é? – A pergunta é claramente retórica. – A escadaria que leva aos aposentos do Grande Mestre está coberta com um véu de rosas que possuem um veneno mortal, ninguém a não ser o Mestre Wes, a Mestra Elys, a própria Athena e os criadores deste véu de rosas, conseguem atravessá-lo de forma segura.
– Então como é possível...
– Passagem secreta. – Completou Geovanne.
–Exatamente – Respondeu Yuki abrindo um caminho através da cerca viva. – Por aqui chegarão mais rapidamente ao Salão e de forma segura, agora vão!
Os dois cavaleiros se entreolharam e sem dizer mais nada, apenas prosseguiram pelo caminho escuro, a décima primeira chama se apagava, e o sol já começava a assolar a noite e a lua cheia que insistia em permanecer imponente no céu, com a noite se extinguindo, leva consigo muitas almas.
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