As Espadas dos Arcanjos
3 Destinos Entrelaçados
Notas iniciais
Em algum lugar na estrada...
O caminho para o Motel onde estavam hospedados foi estranhamente silencioso, ali dentro daquele impala ninguém parecia disposto a comentar alguma coisa. Durante um longo tempo só se ouvia uma música no rádio, uma das preferidas de Dean, Highway To Hell do AC/DC.
Living easy, livin' free
Season ticket, on a one way ride
Asking nothing, leave me be
Taking everything in my stride
Don't need reason, don't need rhyme
Ain't nothin' that I’d rather do
Going down, party time
My friends are gonna be there too
I'm on the highway to hell
On the highway to hell
Highway to hell
I'm on the highway to hell
—Cruzes isso aqui está pior que um velório, será que dá para alguém falar alguma coisa? – Dean falou olhando pelo retrovisor para encarar as meninas. Ambas pareciam cansadas, tristes e cheias de dúvidas, sem falar que Sophie tinha o lado esquerdo do rosto inchado pelo tapa que havia recebido no bar.
—Isso é muito mais complicado do que parece. – Disse Kate apertando com força a saia por cima dos joelhos. Ela sabia que depois de sair do internato as coisas nunca mais seriam como antes e que provavelmente agora sua vida não teria mais a tranquilidade que teve nos últimos anos.
—Complicado? Você está de brincadeira né? Kate, você podia ter resolvido meu problema para encontrá-los desde o início, não acredito que você me deixou passar quase 4 anos numa busca pelo país em vão. – Sophie parecia frustrada com sua irmã o que deixava Kate muito angustiada.
—Por que vocês queriam tanto encontrar a gente? – Perguntou Sam olhando para elas virando seu corpo no banco da frente. Ele era maior do que Kate podia imaginar, aquilo a fez corar repentinamente mais por sorte Sam não percebeu o olhar dela, já Dean deu apenas um meio sorriso.
—Por que somos lindos? – Respondeu Dean aumentando o sorriso inicial fazendo Sophie rir e Kate revirar os olhos totalmente constrangida, Sam também olhou para ele com uma expressão julgadora o que fez o sorriso de Dean murchar. – Foi mal, desculpa ok. Mas podem falar o motivo de vocês.
Kate respirou fundo e analisou o olhar de todos antes de começar a falar sobre a infância delas, como viviam bem em Denver com seus pais e como tudo acabou em chamas depois daquela coisa possuir o corpo de sua mãe. Aquela coisa de olhos amarelos. Depois daquilo a vida das duas tinha sido apenas orfanatos, escolas ruins, internatos, passagem com psicólogos, internações precoces e todo o tipo de tortura emocional que duas adolescentes poderiam viver após a morte dos pais.
—Vocês não têm mais ninguém da família? – Perguntou Dean sério, parecia estranho pessoas ficarem totalmente sozinhas assim, até eles deviam ter parentes espalhados por aí.
—Não. Infelizmente nossos avós paternos já eram falecidos, nossa avó morreu de câncer e nosso avô teve um derrame por conta da bebida. – Kate falou com a curta lembrança que tinha dos seus familiares. – Nosso tio Benjamin era mais novo que nosso pai mais morreu num acidente de moto, ele adorava viajar o pais sozinho, quando foi atingido não aguentou o resgate, já nossa mãe. – Kate falou enigmática e suspirou fundo olhando para Sophie que na época era muito pequena pra saber, mas quando conseguiu ter acesso aos relatórios de sua família percebeu que as coisas eram mais estranhas do que aparentavam.
—O que tem a sua mãe? – Disse Sam olhando preocupado para Kate, ele tinha medo de estar invadindo seu espaço pessoal.
—Ela não tinha nenhum parente vivo, ninguém, nem ao menos fotos. – Kate falou suspirando e Sophie apenas revirou os olhos.
—Por isso ficamos sozinhas e fomos obrigadas a passar por todo o tipo de doidera até chegar aqui. – Disse Sophie passando a mão no rosto sentindo o sangue ressecado no canto da boca.
—Nos também passamos por isso. – Disse Sam com vontade de colocar a mão no ombro da menina mais Sophie revirou os olhos. – Não pelos psicólogos e pessoas achando que éramos doidos, mas passamos por todo esse trauma da perda, a única coisa era que tínhamos nosso pai para explicar a verdade.
—Sinceramente vocês não sabem de nada. – Disse Dean rindo enquanto olhava pelo retrovisor o que fez Sophie revirar os olhos.
—Ok, ok, pode parar beleza? – Eu passei os últimos quatro anos pesquisando e não foi há toa. O que matou nossos pais foi um demônio de nome Azazel, ele era o único demônio com olhos amarelos e foi o mesmo que matou a mãe de vocês, e foi graças a ele que seu pai também morreu, ele também matou a noiva do Sam quando ele estava na faculdade e francamente eu não sei como demorei tanto para chegar até vocês, caçadores falam demais. – Todos olharam para Sophie, ela provavelmente havia dedicado sua vida toda nesses últimos quatro anos para achar aqueles dois. Houve mais um momento de silêncio.
No stop signs, speed limit
Nobody's gonna slow me down
Like a wheel, gonna spin it
Nobody's gonna mess me 'round
Hey, satan!
Paid my dues
Playin' in a rockin' band
Hey mama! Look at me
I'm on my way to the promised land
I'm on the highway to hell
Highway to hell
I'm on the highway to hell
Highway to hell
Don't stop me!
—Ok, vocês têm um passado parecido com o nosso e a estrela do rock aqui é nossa fã. – Sophie pensou em protestar mais Dean não deixou. – Mesmo assim, isso não justifica o porquê de vocês estarem no nosso banco de trás.
—Estamos ligados. – Disse Kate de forma aérea. – Não sei dizer como, mas estamos ligados, pelo menos foi o que eu senti quando estava naquele sonho estranho.
—Você disse que viu Lúcifer usando meu corpo e que você estava do meu lado, tinha, tinha algo mais? – Sam perguntou preocupado tentando saber se aquele sonho, aquela visão se tratava da mesma que ele havia tido.
—Dean e Sophie também estavam lá, só que do lado oposto a nós. Na minha visão eu via o bar onde estávamos e tudo o que eu precisava para chegar até vocês. – Kate falou tensa respirando fundo. — Foi por isso Sophie, que, não havia tomado nenhuma decisão antes, essa foi a primeira vez que tive um sonho tão nítido e tão perturbador, eu precisava estar aqui hoje, e eu quero que você saiba que não foi fácil para mim. – Ela falou engolindo em seco, sabia muito bem das consequências. – Provavelmente não vou poder mais retornar ao internato, a Madre não vai me perdoar.
Sophie olhou para a irmã por um longo tempo e finalmente sorriu, elas se abraçaram no banco de trás e ficaram assim por uns segundos, fazia muito tempo que não tinham um momento para as duas e as coisas não podiam estar mais tensas.
—Me desculpe Kate. Eu me senti sozinha durante esses 4 anos, eu sei que podia ter ficado com você no internato, mas fingir que estava tudo bem não combinava comigo. – Sophie falou respirando fundo e Kate sorriu triste.
— Eu sei. – Kate acariciou os cabelos da irmã enquanto os winchesters pareciam analisar a situação, era muito estranho ter duas garotas no banco de trás com toda aquela carga emocional envolvida, normalmente Dean enchia o carro com garçonetes da estrada, mas aquilo, aquilo era bem diferente.
Blue Bird Motel – Texas
Eles chegaram no motel e as meninas os seguiram para o quarto. O lugar era discreto, tinha papéis de parede escuros, puxados para um tom vinho, os corredores eram longos repleto de portas marrons com números bem visíveis, o recepcionista olhou curioso para os dois casais que passaram por ele de forma rápida seguindo para o mesmo quarto.
—Querem alguma coisa? Uma cerveja? – Dean falou com um sorriso insinuante que fez Sophie perceber o quanto ele era atraente, mas não iria deixar ele saber disso. Ela passou por ele com uma expressão analítica e jogou sua mochila em cima de uma das camas de solteiro, havia duas no quarto.
—Me dá um minuto. – Sophie falou indo no banheiro enquanto o clima entre os três parecia estranho, Kate tentava não olhar nos olhos mais não conseguia evitar. – Pronto, será que alguém tem um curativo aqui? – Ela perguntou e Dean foi até as próprias coisas jogadas em cima de uma pequena mesa que ficava no ambiente e pegou um pequeno band-aid entregando a moça, naquele momento Kate se apressou e foi até a irmã para ajudá-la.
—Pronto. Agora vamos conversar. – Dean sentou na beirada da cama e Sophie precisou se esforçar muito para não ter um infarto com aquela energia masculina que ele emanava.
— Eu acho que precisamos de explicações antes de qualquer coisa. – Sam falou sério tirando a camisa xadrez que usava por cima de uma camiseta vermelha, Kate tentou ignorar aquela ação simples e o quanto aquele gesto parecia insinuante.
—Acho que precisamos fazer uma reserva para a noite também. – Disse Kate abrindo a bolsa e vasculhando alguma coisa até achar a carteira. –Amanhã de manhã vamos precisar procurar um lugar para ficarmos em segurança. – Kate falou olhando sério para Sophie que tentou protestar mais a irmã fechou a expressão mostrando que aquilo não era negociável, por mais que ela soubesse que o destino dela e da irmã estava ligado aos rapazes não pretendia ficar pulando de motel em motel com eles, aquilo era absurdo demais para a sua dignidade.
—Você tem dinheiro para isso? – Perguntou Sophie verdadeiramente curiosa, nos últimos quatro anos ela havia trabalhado de garçonete em bares para conseguir algum dinheiro e manter as suas buscas, nunca sobrava o suficiente.
—Claro que sim, eu trabalhava no Internato recebendo um salário de professora, não era muito, mas como não gasto com superficialidades tenho uma boa economia.
—É bom saber que mais alguém é centrado. – Disse Sam com um sorriso amigável para Kate o que fez a jovem sorrir de volta com o rosto corado.
Mais antes que eles pudessem fazer ou falar qualquer coisa um terceiro homem apareceu entre eles. Usava um sobretudo marrom claro e terno, tinha uma expressão vazia e olhos azuis de um profundo não humano. As meninas se afastaram indo na direção dos Winchesters mostrando que no fundo já confiavam neles, mesmo assim Sophie mantinha os olhos sobre a mochila na cama, sua arma estava lá dentro caso fosse necessário.
—Cass puta merda, quando vai entrar pela porta como qualquer pessoa normal. – Dean falou olhando estupefato para o Anjo que permanecia com sua expressão vazia. –Está assustando as nossas visitantes. – Ele disse fazendo um aceno de cabeça na direção das irmãs e o anjo as encarou de forma fria.
O anjo andou até Sophie e a segurou pelo queixo olhando fundo em seus olhos, depois foi até Kate e fez a mesma coisa, a menina corou e não conseguiu dizer nada ao perceber que se tratava de um ser celeste. Sam via tudo com uma sensação ruim sem saber explicar.
—Qual é, vai ver os dentes delas também? – Dean falou debochado mais recebeu um olhar duro de Sam. — Cass, o que está acontecendo? – Dean mudou sua forma de falar, era obvio que ele usava as piadinhas para diminuir a tensão do momento falou sério e o Anjo o encarou respirando fundo.
— Elas correm tanto perigo quanto vocês, não devem se separar de forma alguma, os Arcanjos desejam o poder que elas têm. Só não posso confirmar ainda qual é. – Ele falou encarando Dean.
—Espera, nós estávamos atrás de respostas, basicamente já conseguimos o que procurávamos, já sabemos o que matou nossos pais. – Sophie falou séria encarando o anjo. – Não precisamos ficar com eles o tempo todo.
—Mas não sabemos o motivo Sophie, nem porque esse sonho surgiu a dois meses atrás. – Kate falou muito preocupada, ela não queria bagunçar tanto sua vida assim, mas era obvio que não seria nada fácil.
—Eu lamento que as coisas não saíram da forma que vocês planejavam, mas o que posso dizer com certeza é que Lúcifer vai fazer de tudo para encontrar vocês duas e ao mesmo tempo existem ordens no céu para que os anjos também as observem, pelo menos não temos ordens para mata-las, mas não significa que isso não possa acontecer. – Castiel falou muito sério e as garotas deram suas mãos apertando de forma significativa.
—O que podemos fazer? – Kate falou encarando os olhos profundos e inexpressivos do anjo.
—Vocês, nada, mas eu tenho uma missão agora, vou tentar encontrar Deus, se Lúcifer anda entre nós o único que pode fazer alguma coisa a respeito é Ele. – Castiel falou encarando Dean que parecia chocado assim como Sam.
—Droga Cass, como você diz uma coisa dessas assim e... Merda. – Dean falou alto ao ver que o anjo já havia partido.
—Para onde ele foi? – Perguntou Sophie.
—Ele sempre faz isso, é melhor se acostumar se forem mesmo ficar com a gente. – Dean falou sorrindo para as meninas que ainda pareciam tensas.
—Mas e agora o que vamos fazer? – Kate falou olhando para a irmã que entendia totalmente o seu desconforto.
—Não importa se vamos precisar lidar com Anjos, Demônios ou o próprio Deus, o que temos de fazer primeiro é arranjar roupas normais para você, não pode ficar andando por aí vestida de freira, isso vai chamar muito a atenção e facilitar a nossa captura. – Sophie falou séria encarando a irmã e Dean aprovou com um sorriso aquela decisão.
—Bom, então vamos as compras. – Ele falou batendo palmas com um grande sorriso animado, Kate se perguntou se aquilo devia deixa-la feliz ou preocupada, em todo o caso a expressão de desgosto no rosto de Sam já dizia tudo. Ia ser uma longa noite andando pelas conveniências do estado.
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